Chegou a hora da vistoria no apartamento

Em janeiro desse ano, anunciei aqui a VENDA da casa em que moramos e falei da nossa aquisição: a casa o apartamento próprio.

Pois é, 7 meses se passaram, a casa ainda está a venda e nós ainda moramos nela.

A novidade é que estamos bem próximos de nos mudarmos. Dias atrás numa ligação, isso ficou evidente. Era chegada a hora da vistoria do apartamento.

Pode parecer bobo, mas gente, ninguém tem noção da ansiedade, alegria e emoção que tomou conta de mim. Tudo junto e misturado. Data e horário marcado estávamos os três lá: eu, Marido e Benjamin. Ah, a Ana, arquiteta também.

Quando vi Benjamin andando pela área da piscina, quadra de futebol, quase tive uma parada cardíaca causada por forte emoção. Ok, exageros a parte, fiquei bem emocionada. Uma sensação de tarefa sendo cumprida. Porque agora, depois do meu Ben na minha vida, é diferente o sonho da casa própria. É por ele, é para ele.

Ao entrar no apartamento….sei lá, passou um milhão de coisas na minha cabeça – das quais vou registrando por aqui ao longo das próximas semanas.

Eu tinha outra imagem do apartamento. Achava que ao entrar, cozinha, sala, corredor para os quartos, fossem tudo para a esquerda (não sei de onde tirei isso, mas nesses dois anos e meio, quando fechava os olhos e pensava no apartamento era assim que eu o via). Na verdade é tudo para o lado direito, me senti canhota mesmo não sendo. A louca! Depois de um tempo lá dentro, me acostumei.

Nosso apartamento está lindo, com tudo funcionando corretamente, na varanda bate um ventinho gostoso que invade a sala, a luz também toma conta de todo o ambiente.

Benjamin correu por todos os lados, escolheu seu quarto (que era já, o qual em pensamentos, eu destinava para ele), fez questão de ajudar a testar todas as tomadas.

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A ansiedade agora está grande para mudarmos. O mais legal é que agora, após ter entrado nele, consigo sonhar com o jeito que quero deixá-lo, as coisas que vou colocar nele, o lar doce lar que quero transformá-lo….

*

Você está passando ou vai passar por uma fase parecida com a nossa?

Separei alguns links com dicas para você se preparar para a vistoria do apartamento:

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Meus avós

Considero-me uma pessoa de poucas lembranças de infância. Mas as que tenho são suficientes para saber que tive uma infância feliz e avós maravilhosos.

Minha memória é também mais olfativa do que outra coisa.

Lembro do sabor da água do filtro de barro da casa dos meus avós. Só existe em um lugar o mesmo sabor, na casa da tia Rosana, uma das filhas dos meus avós Biga e Roque.

Nunca fui fã de macarrão. Mas não esqueço das macarronadas famosas de Dona Biga. Os almoços de domingo com toda família reunida. E do meu avô trazendo sorvete Tablito para os netos antes do almoço e minha avó esbravejando “Roqueee, vai dar sorvete para as crianças!”.

Na casa deles tinham dois modelos de copos de plástico inesquecíveis. Um era o amarelo e o outro era o azul – o meu preferido. Se eu fecho os olhos, volto no tempo por um segundo e consigo sentir as borbulhas da coca-cola espirrando no meu nariz. Essa sensação, aquele cheirinho e gosto do refrigerante mais amado no mundo, o copo azul é um conjunto das lembranças mais fortes que tenho da casa dos meus avós paternos.

Eu poderia ainda falar da personalidade de cada um. Mas cada vez mais minha lembrança fica curta. Meu avô Roque era uma pessoa sábia, adorava ler, tinha um escritório cheio de livros, cujo cheiro também tenho lembrança. Vivia falando da importância de ler. E guardo dele dois presentes muito especiais, meus pequenos tesouros. Um atlas antigo com dedicatória dele e sua assinatura – que muitos acham a minha parecida com a dele (mas juro que não o plagiei). O outro é um recorte de jornal de uma matéria sobre meu avô materno, o Caxambu, que meu avô Roque teve a delicadeza de me dar também com dedicatória. Esse virou um quadro que estampa uma parede da minha sala.

Ah, não posso esquecer do pingente de moeda de 5 cruzeiros. Eles mandaram fazer para cada neta. Tenho a minha até hoje e durante minha gravidez foi meio que meu amuleto da sorte, não tirava.

Meu avô Caxambu, que nos meus 15 anos me deu um anel maravilhoso. Era enorme e eu só deixava guardado. Até que depois de seu falecimento, resolvi mandar diminuir e usar. Meu avô materno sempre fazia uma festa de aniversário muito elegante. Todo ano eu ficava ansiosa para comer a melhor bolinha de queijo do mundo. Igual aquelas, nunca mais comi. Meu avô Caxambu, ex-goleiro do São Paulo Futebol Clube e da Portuguesa, era todo garboso, fino, galanteadooooor!

Quando ele faleceu, lembro de estar no velório e ao me virar vejo dois velhinhos lindos descendo do táxi. Meus avós Roque e Biga…

Minha avó Biga hoje vive numa casa de repouso. Ela tem Alzheimer. Já está avançado e no ano passado ela ficou internada, teve problemas respiratórios, enfim…fomos visitá-las no domingo passado e senti uma tristeza imensa. Benjamin, que já entende mais as coisas ao redor, ficou impressionado. Não tirei fotos. Não quis registro. Quero guardar a lembrança de quando levei Benjamin para conhecê-la.

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Essa foto já tem quase dois anos. Quando minha avó viu Benjamin, eu a vi lúcida e feliz. Ele começou a choramingar e ela disse “o que esse menino está chorando? me dá ele aqui”. Era a Biga que eu conhecia. Foi a coisa mais incrível. Benjamin foi no colo dela, parou de chorar e ela sorria balançando a perna como que ninando seu bisneto.

Pausa.

Acho que vou terminar por aqui.

Avós. Seres especiais. Eles realmente adoçam a nossa vida.

E eu daria tudo pra viver só mais um domingo da minha infância com eles….

Um abraço em todos os avós.

Laços de Família

Produzi a matéria “Mãe com açúcar”, que está na edição de julho da revista Pais & Filhos. Nela, abordo os novos relacionamentos das avós com seus netos. Mostro como as avós mudaram ao longo do tempo. Todas são muito antenadas, realizam atividades diversas, tem vida social ativa, ajudam seus filhos na medida do possível e, mesmo com tantas mudanças, ainda mantém o posto de avó – um dos principais personagens na vida das crianças.

Adorei fazer a matéria porque toda a informação que colhi veio de encontro com o que acredito e fomentou ainda mais minhas crenças. Uma das coisas que tenho refletido muito é a importância da continuidade dos laços, a construção do vínculo, isso tudo falando de avós e netos. Pergunto-me: quem cria esses laços, quem forma tal apego?

A minha crença é de que os pais tem papel fundamental nessa construção. São os pais que devem fazer ponte entre netos e avós. Falo isso por experiência própria: minha mãe e meu pai são separados desde sempre. Ele morando no Rio de Janeiro desde que me conheço por gente. Ela, assim como meus avós, aqui em São Paulo. Lembro-me dela dando, o que na época eu julgava ser sermão, sobre a importância de visitar meus avós. Ela me levava até a casa deles, de ônibus até o outro lada da cidade – ela sempre morou numa ponta e eles em outra. Ela nos incentiva ir às festas de família, participar, estar junto.

E quando meu pai vinha para SP, ela nos mandava para dormir na casa dos nossos avós. Eu nunca queria, chorava, implorava, mas não adiantava. Hoje sinto o quanto eu podia ter aproveitado mais. Não soube. É tarde para mim, mas não para o Benjamin.

Sempre crio situações para minha mãe e Benjamin estarem juntos. E mesmo que eu não criasse. Minha mãe é super presente. Liga e vai em casa constantemente. Esse ano viajamos pouco para o Rio de Janeiro, mas ano passado fizemos vários bate-e-volta. E mesmo sem ver com tanta frequência o avô e os tios cariocas, Benjamin sabe que eles existem, os reconhecem e tem uma relação bacana quando os vê. Não fica tímido, por exemplo. É como se ele os visse sempre.

Li no livro “A obra de Salvador Celia – empatia, utopia e saúde mental das crianças”, que o vínculo é formação de “anticorpos” que protegem o indivíduo nos momentos difíceis da vida. Esse apego, esses laços de família, quando bem estruturados, são base para uma vida toda.

E as avós, como digo na matéria mencionada no início desse post, são nada mais que o resgate da família. São elas que depositam e tem o poder de transmitir toda nossa história, que contribuem  para a memória da família, o encontro das gerações. São elas que estarão sempre prontas para confortar nossos pequenos, contando histórias de quando nós éramos pequenos. Imagino que o amor que elas sentem por nós, os filhos, é em dobro para os netos.

Então, quebre barreiras, engula sapos, tente compreender seus pais, incentive seu marido criar essa ponte entre seus filhos e seus sogros. Ajude na formação desses “anticorpos”. Crie laços de família. Lembre-se, que todos querem só o bem dos pequenos. Quem tem a ganhar sãos nossos filhos.

*

Leia minha matéria na Pais & Filhos_julho 2013.

#semanaespecialdosavós

Entrevista especial com uma avó adorável

Ela tem nove netos e ressalta no início da conversa: tem uma cadeira de balanço, adora fazer crochê, tricô e bordar, mas não assumiu a imagem da famosa Dona Benta.

Começa o dia fazendo aula de balé clássico (todos os dias!!!), antes de ir para o computador escrever ou responder perguntas de jornalistas. Depois ela vai trabalhar em seu consultório onde atende até às 19:00 e só depois ela vai para cozinha fazer o jantar e se preparar para o programa da noite (que pode ser um concerto, um futebol ou um jantar entre amigos). Com todos esses afazeres, afirma: não é diferente de muitas outras avós que conhece.

Estou falando da psicanalista Lidia Aratangy Rosenberg, autora do Livro dos Avós – Na casa dos avós é sempre domingo?. Conversamos só por e-mail, mas a empatia foi grande. Lidia é daquelas pessoas que você tem vontade de conhecer e ficar horas proseando (e aprendendo!) com ela.

Lidia, por Ucha Aratangy

Lidia, por Ucha Aratangy

É com prazer enorme que compartilho com os leitores do Bossa Mãe, um trecho do nosso bate papo, onde ela dá uma lição sobre o relacionamento com os avós.

BM: Sempre que se fala em avó é comum surgir a ideia de uma senhora sentada fazendo tricô ou a lembrança dos almoços de domingo. Por que, mesmo com tantas mudanças, novos modelos de relacionamento, as avós continuam carregando imagem dos fazeres do passado?

LA: As avós não carregam esses estigmas, ainda que lhe sejam impostos. Elas estão bem diferentes disso e não se submetem a esses modelos. Mas parece que a publicidade, tão afoita em usar os mais recentes recursos da tecnologia em suas produções, é conservadora em seus modelos. Dê uma olhada nos comerciais do Dia das Mães: muitas mães ainda estão de avental e os produtos anunciados são (quase) todos do lar (eletrodomésticos, roupas de cama, mesa e banho e por aí vai). No Dia dos Pais, os anúncios são de carros, roupas esportivas… Nunca vi um anúncio de carros para as mães, nem de fogões para os pais, embora haja tanta (ou mais?) mulheres quanto homens pilotando carros, e muitos homens pilotando fogões.

A imagem da avó ainda é a da Dona Benta, criada por Lobato na década de 40: “…uma velhinha de mais de sessenta anos, com óculos de ouro na ponta do nariz e cestinha de costura ao colo” . O grifo é meu, porque acho que ele queria dizer que havia muito mais velhinhas de menos de sessenta anos! Hoje é mais provável encontrar avós nas academias de ginástica do que de cestinha de costura ao colo. Mas é mais fácil recorrer à imagem conhecida, sem avós imprevisíveis como as de carne e osso…

BM: Dizem que avós deseducam os netos e, em sua obra “Livro dos Avós – na casa dos avós é sempre domingo?”, vocês falam que na casa dos avós é um espaço de limites menos rígidos ou até diferentes do dos pais. Gostaria que me falasse um pouco sobre isso.

LA: Ter limites diferentes não significa ausência de limites. E os limites dos avós costumam ser menos rígidos do que os dos pais porque as avós já não estão preocupadas em demonstrar teorias pedagógicas, nem precisam provar que elas é que estão certas, e não as suas mães (como elas mesmas fizeram quando eram mães…). Essa ausência de preocupação ou de aderência a modelos permite um comportamento mais flexível.

Para as crianças, não há a menor dificuldade em saber que ambientes diferentes pedem comportamentos diferentes (ela já sabe que as regras da escola são diferentes das regras de casa, e que na casa do colega há regras diferentes das da casa dela). Essa é uma informação importantíssima para a vida da criança, que não vai se comportar da mesma maneira no estádio de futebol e na sala de concerto.

BM: Os pais muitas vezes esperam que os avós ajudem na formação da educação das crianças. Como diminuir essa expectativa dos pais?

LA: O problema não é a expectativa de parceria na educação – o que é, além de justo, inevitável -, mas a ideia de que essa ajuda deve ser da maneira como os pais querem que seja. Ora, a avó não é uma baby-sitter de luxo, ela tem um vínculo direto com seus netos, e tem o direito de educá-los também com o que ela acredita. O fato é que os valores dos pais e avós geralmente são os mesmos, o que difere é a maneira como cada um expressa e transmite esses valores – o que não tem muita importância, se pais e avós não estiverem tirando um braço-de-ferro para provar quem tem razão.

BM: E como os avós podem contribuir com a educação dos netos?

LA: Colocando com clareza seus pontos de vista e até mostrando as mudanças que ocorreram na educação, do tempo em que ela foi mãe até o presente, quando ela assiste a (sem crase!) a mãe que sua filha se tornou. A noção de que as coisas mudam com a passagem do tempo e de que as diferenças podem ser respeitadas são fundamentais para a educação. E é importante que as mmãees saibam que a maneira como elas lidam com suas mães, as avós de seus filhos, está ensinado um modelo de como lidar com as mães idosas, que eles repetirão mais tarde com suas mães. Ou seja: mães que caçoam das avós, que desrespeitam as avós de seus filhos estão cuspindo pra cima…

Acrescento que os avós são depositários da história da família e os únicos a poder transmitir esse relato em primeira mão.

BM: Qual a importância, a representatividade dos netos para os avós?

LA: Para os avós, os netos representam uma lufada de ar fresco, de alento e esperança num momento em que eles estão percebendo que sua importãncia diminui a cada dia. É claro que isso é sinal de que a vida deu certo, de que os filhos cresceram e são independentes, de que profissionalmente sua missão está cumprida – mas há um vazio e uma ansiedade sobre o que está por vir. A chegada dos netos lhes devolve uma autoimagem positiva, uma sensação de voltar a ser valorizado e importante.

Te conto um episódio.

O Théo (um dos netos, atualmente com 18 anos) tinha 4 anos numa noite em que, por circunstâncias que não vêm ao caso, dormimos eu e ele no mesmo quarto, numa casa em que pernoitávamos pela primeira vez. No meio da noite , ele me chama: Vovó, me dá a mão! Aqui está muito escuro! Eu, fazendo graça: E se eu te der a mão vai acender a luz? Ele, direto: Não vai acender a luz, mas fica mais claro quando você me dá a mão…

*

Linda, né?

Lidia Aratangy estará dia 26, ao vivo, no programa Encontro com a Fátima Bernardes, num especial sobre avós. Não percam!

#semanadosavós

Festa Junina e uma reflexão sobre ansiedade e expectativa dos pais

Sábado passado foi a Festa Junina da escolinha do Ben. Há semanas as crianças estavam ensaiando e há dias eu ouvia a mesma coisa ao deixar o Ben na escola: “ele é um dançarino; dança direitinho; ele adora dançar; blá, blá, blá”, aquilo tudo que deixa qualquer mãe toda prosa.

Em casa eu comprovava isso, pois Benjamin sempre gostou de dançar. Principalmente a música da apresentação. Ele já conhecia e nós dançávamos muito em casa, mas eu não sabia que seria essa.

Passei a semana meio ansiosa. Na infância eu fui muito tímida, embora me apresentasse nessas ocasiões, sempre me permiti ficar encolhida. Mas no geral eu era muito tímida, mais quieta. Benjamin tem outro comportamento. Ele é extrovertido, alegre, sorridente, sem vergonha, li-te-ral-men-te. E esse sempre foi um dos meus desejos enquanto estava grávida. Eu desejava ter um filho sorridente, solto, extrovertido.

A apresentação da turminha dele foi a terceira e as duas anteriores o deixou empolgado, batendo palmas para os coleguinhas. Quando chegou sua vez ele se agarrou no meu pescoço. Eu sabia que isso podia acontecer, pois Benjamin tem demonstrado um pouco de vergonha em público. Subi com ele no palco, agachei e ali ele ficou comigo até que chegou o refrão da música e….vocês poderão ver com os próprios olhos (estamos à esquerda do vídeo):

Meu peito inflou de tanta alegria e orgulho. Bateu uma vontade imensa de chorar de emoção. E até agora, toda vez que vejo esse vídeo, essa vontade volta.

*
Mas porque não conseguimos controlar e colocamos tantas expectativas em nossos filhos?

Analiso o que disse lá em cima: sempre desejei que Benjamin fosse sorridente e extrovertido. Tudo o que não fui. Projetei nele, mesmo antes de nascer, coisas que não fui na minha infância. É muito louco isso.

As crianças tão pequenas são submetidas a apresentações das quais não estão preparadas psicologicamente e quem sabe fisicamente. Elas são treinadas por semanas, mas chega na hora H, ficam paralisadas. De um grupo de treze, uma ou duas crianças até fazem a alegria. Mas a maioria ficam ali no palco em pé, paradas, pensando sei lá o quê, olhando aquele bando de gente, a música alta rolando, as tias dançando olhando pra elas e os pais – os grandes expectadores – acabam frustrados. Pergunto: é necessária essa exposição toda?!

E é um sentimento natural(?!). Você quer ver seu filho dançar, fazer graça e quer mostrar pra todo mundo que seu filho é talentoso em alguma coisa (ou de preferência em tudo). Aliás, ansiamos ouvir isso a todo instante.

Estou lendo o livro “Sob Pressão”, de Carl Honoré – jornalista e historiador ex viciado em velocidade e rapidez que atualmente dedica-se a filosofia do Slow moviment. Foi indicação da blogueira Mariana, do blog Pequeno guia prático para mães sem prática e Minha Mãe que Disse. Estou gostando muito e em breve vamos sortear um exemplar aqui no blog.

Nesse livro, o autor fala justamente disso, da ansiedade e expectativa que nós pais colocamos em nossos filhos, da intervenção dos adultos na vida das crianças, de como usamos a tecnologia para vigiar os pequenos. Segundo o autor “estamos criando a geração mais conectada, mimada e monitorada da história”.

Falarei sobre esse livro mais para frente, mas uma das reflexões que ele traz e que quero deixar nesse momento, porque é a que tenho feito é: hoje vivemos para tirar o máximo que nossos filhos podem ser e/ou fazer. Queremos que eles tenham o melhor de tudo e que sejam os melhores em casa, na escola, nas atividades extra-curriculares, o dançarino em destaque na festa junina (por que não?!).

Mas não basta que eles sejam talentosos. Além disso, temos planos para a vida deles e desejamos fervorosamente protegê-los contra tudo e todos. Como diz logo no início do livro: “Queremos que sejam artistas, acadêmicos e atletas – e que deslizem pela vida sem privações, dores ou fracassos”.

Até que ponto isso é bom ou ruim? Será que isso faz bem para nós pais e, principalmente, para nossos filhos?

A festa do Benjamin – 2 anos

Quer saber como foi a festa do Benjamin?

Foi linda!

Contei tudo no site da revista Pais & Filhos. Corre lá pra ver: AQUI!

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Minha amiga Bruna e também fotógrafa da festa me perguntou: qual a importância de fazer festa nessa idade do Ben?

Acho que o significado não está na festa em si, mas no fato de reunir a família e os amigos para comemorar à vida. Seja uma festa grande, pequena, apenas um almoço, uma reunião familiar, o que eu quero passar pra ele é a importância de comemorar, festejar, celebrar o que mais temos de precioso: a vida! e tudo o que ela nos proporciona: família, amigos, conquistas.

Eu gosto de festas, então produzir a festa do Ben é um prazer pra mim. Pode ser que nem sempre a gente comemore com uma festa, mas a comemoração de uma forma ou de outra sempre existirá.  Benjamin pode nem lembrar dessa festa daqui alguns anos, talvez hoje ele já nem se lembre mais. No entanto, o registro estará lá, no nosso álbum de família.

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A lembrancinha foi um vasinho com sementes e terras para as crianças plantarem e cultivarem, assim como o Pequeno Príncipe cultivava sua amiga rosa. Fiz questão do vasinho ser de barro, sei que exige mais cuidado para não quebrar, mas a ideia era as crianças também poderem pintar  personalizar seu próprio vasinho. Os filhos das amigas entenderam o espírito da coisa:

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Esses aqui são da Maria Eduarda e do Matheus

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Esse aqui é da Bella

*

Fotos da festa por:

Bruna Queiroga

Alexandre Takashia

2 anos – As transformações da maternidade

Hoje eu poderia escrever um post em comemoração ao dia dos namorados. Mas vou me ausentar nos próximos dias para organizar a festa do meu pequeno Benjamin – que completa dois anos no próximo domingo (16/06). Então, resolvi falar do furacão maternidade. Mas neste post, é possível identificar uma declaração. Vale dizer que toda essa transformação só foi possível porque o Marido faz parte disso. Feliz dia dos Namorados!

*

Há dois anos eu não tinha a noção exata do quanto minha vida mudaria com a chegada do meu Ben. A gente sabe que a vida vai mudar, mas não tem dimensão da transformação que é a chegada de um filho. E ninguém, nem cursos, livros indicam essas mudanças. As pessoas alertam “se prepare, você nunca mais vai dormir direito”. Posso falar?! Grande coisa!

Eu nunca mais dormi direito, mas também nunca mais fui ao banheiro sem ser interrompida, nunca mais comi sem interferências, nunca mais fiquei no computador sem intervenção, nunca mais assisti a um capítulo de novela inteiro! A gente não consegue mais ir ao shopping fazer umas comprinhas, unhas e cabelos ficam enfadonhos, salão de beleza torna-se um sonho de consumo. Ler um livro torna-se missão impossível. Mas ainda sim, tudo isso, são apenas detalhes.

A mudança verdadeira acontece dentro de nós. Nasce em nós a capacidade de se doar ao outro. Aprendemos o significado verdadeiro da palavra abdicação. Nunca mais nos concentramos no trabalho se o filho estiver doente. Largamos tudo o que estivermos fazendo para ir buscá-lo na escolinha. O aparelho de celular – que antes era o seu xodó – é jogado no chão ao menor risco que você percebe ao ver seu filho escalar o sofá em direção à janela. Encontrar uma página rabiscada no seu livro preferido, te faz abrir um sorriso de orelha a orelha. Sua bolsa vive pesada e quando você resolve organizá-la encontra brinquedos, meias e as coisas da sua carteira todas espalhadas. A sua casa, antes perfeitamente organizada, vira um playground com brinquedos espalhados por todos os cantos.

Você nunca mais recebe uma notícia de acidente, tragédia ou doença envolvendo crianças, sem pensar que poderia ser seu filho, sem pensar na dor daquela mãe. E quando percebe, você está chorando com imensa vontade de abraçar seu filho (e a mãe do outro filho). Você se vê envolvida em algumas batalhas. Percebe que algumas não valem a pena serem guerreadas e que outras até valem. Se questiona o tempo inteiro dos princípios que até hoje você tinha convicção: tudo vale para meninas e meninos?!

Alguém diz que sua relação com seu marido vai mudar. Mas referem-se apenas à relação sexual. Ninguém diz que você vai passar admirá-lo ainda mais ao ouví-lo conversar com o filho de vocês, ao vê-lo ensinar algo, trocar fralda, dar banho, brincar, cantar e dançar juntos.

Você é capaz de dar a sua vida por outra pessoa. Mas também é capaz de fazer qualquer coisa para ganhar mais anos ao lado dela. Você aprende a dar valor às pequenas coisas, a admirar um belo pôr-do-sol, a ter fé no ser humano. Você deseja e passa a contribuir para um mundo melhor!

E mesmo com o cansaço do dia-a-dia, as preocupações, os medos, a insegurança e a incerteza de não saber se está no caminho certo, você anda com a única certeza que você passou a ter na vida: de que tudo o que você fizer por ele, vale a pena!

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A biblioteca do Benzoca

Eu amo livros. E de uns tempos pra cá comecei a comprar mais – não que a condição financeira favoreça isso, mas chega uma hora que livros passam a ser um item de primeira necessidade para os amantes da leitura. Gosto do livro físico, nada desse negócio de ler no iPad. Amo cheiro de livros. É quase um vício. Seja velho ou novo.

Um dos meus desejos de mãe é Benjamin gostar de livros tanto quanto eu gosto. E aí me bate uma saudade infinita do meu avô paterno, que amava livros como ninguém. E que curtiria muito esse seu bisneto.

Desde bebê comecei a montar a biblioteca do Benzoca. Deixo alguns livros acessíveis para ele na sala e outros guardados em seu guarda-roupa (até mudarmos para o apartamento e compramos um móvel para colocar todos os seus livros).

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Sempre tentei contar história para ele antes de dormir, mas o menino fica ainda mais aceso. A concentração dele também dura 3,2,1 segundo. Ele demonstra interesse, mas logo sai para fazer outra coisa. Muitas vezes ele também pega um de seus livros, deita de bruços, folheia e aponta para as imagens. Em outros momentos ele traz o livro para nos mostrar algo ou para que contemos a história para ele – que ouve por 3,2,1 segundo.

Mas acho que já posso considerar que meu Ben gosta de livros. Ler é um prazer e acho que devemos incentivar esse hábito nas crianças. Ler só traz benefícios e alguns deles são:

– desenvolvimento do nosso repertório e nossa capacidade de comunicação (falada ou escrita);

– apresenta outros mundos;

– estimula a criatividade;

Preparei algumas dicas para quem quiser incentivar a leitura desde cedo:

Seja um exemplo. Leia na frente de seu filho. Não adianta exigir algo que você não faz.
Quanto antes começar a ler para o seu filho melhor. Não existe uma idade para iniciar a criança ao mundo da leitura.
Não se intimide. Ao contar uma história para seu filho, use entonação, caras e bocas.
Visite livrarias. Eu sempre levo Benjamin à livraria e o deixo livre na parte infantil.
Presente. Livro também é presente. Dê para o seu filho e compre também para ele presentear os amiguinhos.
Incentive. Se ele ainda é pequeno apresente as imagens, mostrando o sapo e falando “sapoooo”. Com o tempo, faça você a pergunta “O que é isso?” apontando para o sapo.
Leia para seu filho. É um momento para estreitar seu relacionamento com ele.

E dicas para quem quiser montar a biblioteca dos pequenos desde cedo:

Livro adequado para a idade. Busque apresentar livros da faixa etária do seu filho. Se ele ainda é bebê, existem várias opções de livros para banho ou de tecido.
A escolha do livro. Além de ter que ser da faixa etária da criança, busque indicações de livros infantis. É importante o livro ter uma linguagem simples e lúdica. Imagens ajudam a compor a narrativa. Gosto muito de livros musicais e com pop-up.
Diversificação. Tenha livros de diferentes estilos e temáticas.
Organização. Você pode organizar por tamanhos ou cores. A segunda opção acho mais interessante para a criança, pois ela já vai assimilando as cores.
Aparadores. Andei vendo uns aparadores lindos para os livros das crianças. Tem um do Pequeno Príncipe, que é o meu xodó no momento. É da Tok&Stok, aqui ó!
Móvel/Acessibilidade. Deixe os livros em lugares de fácil acesso para os pequenos. No Pinterest achei esses móveis que achei bacana:

Imagens Pinteres

Imagens Pinterest

Eu já disse mais sobre livros AQUI.

Pequeno Príncipe Completa 70 anos

Todo mundo conhece a história do Pequeno Príncipe que vivia no planeta e um belo dia resolveu explorar o mundo. Em cada lugar por onde passava ele se depara com sentimentos: amor, amizades, diferenças, solidão, egoísmo e perda. Criada em 1943 pelo francês Antoine de Saint-Exupéry, a obra completou sábado (06/04), 70 anos e continua tocando corações.

Tenho dois exemplares do referido livro. Um foi presente da minha grande amiga Bruna, outro foi presente do marido – uma edição bem antiga que era dele. Benjamin tem um exemplar em espanhol, o seu primeiro, que compramos em Buenos Aires. Nossa ideia é comprarmos um exemplar a cada viagem diferente que fizermos com Benzoca, montar uma coleção especial para ele, além de ser um método para inspirá-lo a conhecer outras línguas.

Não só em minha opinião, mas de vários profissionais, esse é livro obrigatório para as crianças e, claro, para adultos também – afinal fala também da relação da criança com o adulto. O livro fala de tantas coisas complexas de forma simples e cheio de simbologia, nos faz refletir, mesmo que seja em cima de nossas crises existenciais.

Embora seja antigo, acho que é um livro sempre atual. Você pode ler diversas vezes e nunca a leitura é a mesma, sempre pode perceber uma pequena mudança em você e nas possibilidades que se apresentam.

Alguns dos meus trechos preferidos do livro, embora eu tenha vários outros:

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”

“Só se vem bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.”

“A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar.”

“As pessoas grandes são muito esquisitas.”

“…esse aí seria desprezado por todos os outros, o rei, o vaidoso, o beberrão, o empresário. No entanto, é o único que não me parece ridículo. Talvez por ser o único que se ocupa de outra coisa que não seja ele próprio.”

“Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz.”

O livro também ensina uma das coisas mais importantes na vida, como disse minha amiga em sua dedicatória no livro que me deu, “aprendemos que as coisas mais importantes na vida são as mais simples”.

*

O Estadinho fez um especial sobre o aniversário do Pequeno Príncipe. Traz entrevista com Silvia Oberg, especialista em literatura infantojuvenil, entrevista com Marina Colasanti, jornalista, escritora, autora do livro “O Reinado do Doce Príncipe”, e até depoimentos de crianças a respeito do livro. Confira  AQUI.

A poesia da infância

Dia desses tive a oportunidade de assistir a uma palestra do educador Marcelo Cunha Bueno. Com o título “a poesia da infância”, Marcelo nos fez um convite para uma reflexão: será que estamos permitindo às crianças a experiência de viver a infância?

Segundo o educador, o adulto corrompe a infância. Ele falou sobre as relações temporais dessa época e as dividiu em três tempos:

Chrónos
É o tempo marcado, o tempo parado que resta, a criança que resta para acabar.

Kairós
O momento da oportunidade. O designo do destino. A junção entre o fato e a possibilidade. O que nos torna diferente pela experiências constituídas através de outros e de instituições.

Aión
O tempo da intensidade. O tempo sem duração. Um espaço entre. O instante. A experiência. O não mensurável, o não numeráveis da infância. O reino da criança.

É Aión o tempo que marca o que fica em nossa memória a vida inteira. Enquanto Marcelo falava, fui sequestrada pela minha memória. Me considero uma pessoa de poucas lembranças de infância, mas as que existem, são justamente as mais inesquecíveis e que definem muito bem pra mim o significado do tempo Aión.

O cheiro da casa dos meus avós, o cheiro do escritório do meu avô paterno, o borbulhar da coca-cola no copo azul (que só tinha na minha avó), até o sabor da água do filtro da casa dela eu sou capaz de sentir hoje na casa da minha tia Rosana. E aí é como voltar no tempo, no espaço.

Esse é o tempo que marca algo individual e singular para cada pessoa. Marcelo ainda nos cutucou: e não seria Aión a possibilidade de vivermos a intensidade da infância nos tempos de adulto? Creio que sim.

Assim como o educador, acredito que a infância não acaba totalmente, ela está ligada “a disposição de se relacionar com a vida”, na forma como você encara e enxerga a vida. Isso é mais perceptível pra mim agora com Benjamin presente. Ele me fez perceber isso de novo, reacendeu a infância que mora dentro de mim. Sinceramente, não tem coisa melhor que viver na infância. A gente perde, talvez, a parte cristalina que vemos nas crianças. Criamos uma casca, o que torna imprescindível ao longo da caminhada, mas não podemos deixar de cultivar a infância que existe dentro de nós.

Marcelo apresentou dois textos para refletirmos:

“A experiência, a possibilidade de que algo nos passe ou nos aconteça ou nos toque, requer um gesto de interrupção, um gesto que é quase impossível nos tempos que correm:  requer parar para pensar, para olhar, parar para escutar, pensar mais devagar, olhar mais devagar e escutar mais devagar; parar para sentir, sentir mais devagar, demorar-se nos detalhes, suspender a opinião, suspender o juízo, suspender a vontade, suspender o automatismo da ação, cultivar a atenção e a delicadeza, abrir os olhos e os ouvidos, falar sobre o que nos acontece, aprender a lentidão, escutar os outros, cultivar a arte do encontro, calar muito, ter paciência e dar-se tempo e espaço”. (Jorge Larrosa – Experiência e Paixão)

Será que estamos dando espaço para essas experiências? Acho que ficamos tão presos a correria e pressão do dia a dia, que trocamos os pés pelas mãos.

O outro texto, Manoel de Barros nos ajuda a pensar sobre a infância e o tempo…

“Acho que o quintal onde a gente brincou é maior do que a cidade. a gente só descobre isso depois de grande. a gente descobre que o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com as coisas. Há de ser como acontece com o amor. Assim, as pedrinhas do nosso quintal são sempre maiores do que as outras pedras do mundo. Justo pelo motivo da intimidade. Mas o que eu queria dizer sobre o nosso quintal é outra coisa… Mas eu estava a pensar em achadouros de infâncias. Se a gente cavar um buraco ao pé da goiabeira do quintal, lá estará um guri ensaiando subir na goiabeira. Se a gente cavar um buraco ao pé do galinheiro, lá estará um guri tentando agarrar no rabo de uma lagartixa. Sou hoje um caçador de achadouros de infância. Vou meio dementado e enxada às costas a cavar no meu quintal vestígios dos meninos que fomos”. 

Desde o dia dessa palestra, tenho me sentido assim, a cavar o meu quintal em busca dos vestígios da menina que fui. Eu precisei ganhar o Benjamin para acordar a criança que mora dentro de mim. Sinceramente, não quero que meu Ben perca a essência da infância. Não quero desnaturar sua infância. Não quero que ele precise cavar para descobrir sinais do que já foi um dia, porque quero que ele preserve tudo dentro de si, sem precisar sair juntando pedacinhos.

Precisamos permitir às crianças a experiência de viver a infância. A experiência de viver as possibilidades ditas no texto acima de Jorge Larrosa. A experiência de constituir memórias afetivas. A experiência de viver no tempo Aión. E nos permitir tudo isso também.

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Essa palestra aconteceu no primeiro encontro de Mamães Blogueiras,  produzido pela Baby.com.br. O evento reuniu várias mamães blogueiras e a apresentadora Angélica, mãe de três.

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