Na casa dos avós é sempre domingo?

No próximo dia 26, comemora-se o dia dos avós. Por isso, essa será uma semana especial aqui no Bossa Mãe.

Para começar, quero dar uma dica de presente para essa data: O livro dos avós – na casa dos avós é sempre domingo?

livro

Nesse livro, a psicanalista Lidia Rosenberg e o pediatra Leonardo Posternak, abordam a trajetória dos avós e as relações entre eles, seus filhos e netos. O livro surgiu após um questionamento de um amigo: “Onde a gente aprende ser avô?”. Existem inúmeros manuais que trazem dicas de como lidar com os filhos, nenhum era destinado aos avós. Esse surgiu pela necessidade que os autores encontraram em orientar os avós nos primeiros passos de relacionamento com seus netos.

Segundo os autores, vivemos no “século dos avós”. Com o aumento de expectativa de vida, muitos avós conhecem seus netos bebês e os acompanham até a vida adulta. Pesquisas comprovaram que as pessoas se tornam avós mais cedo, em média entre os 50 e 60 anos, o que as permitem curtir esse papel por mais tempo.

A obra destaca a experiência de se tornar avós, a importância do vínculo, o papel dos avós na vida dos netos, a nova responsabilidade que eles assumem ao se tornarem avós. Engana-se quem acha que avós não tem responsabilidades sobre os netos. A relação vai além….estende-se aos filhos.

Avós agora são pais de filhos adultos e deve dar espaço para os filhos errarem e aprenderem com seus erros. Além disso, não podem esquecer que mesmo adultos (e pais), os filhos precisam de apoio, carinho, reconhecimento, ajuda. E tudo isso em dose certa, é preciso tomar cuidado para não parecer invasivo. O fato é que quando a primeira criança chega na família, todos estão aprendendo novos papéis.

O livro traz um pequeno manual de autopreservação dos avós – dicas que façam respeitar seus direitos. Ao final traz um capítulo que eu até achei triste, mas muito válido, “O direito de sair de cena”,  fala sobre quando os avós não estiverem mais por perto. E tem um capítulo inteiro com a palavra do pediatra, com dicas incríveis onde o Dr. Posternak afirma que avós precisam estar munidas com informações confiáveis e atualizadas – isso contribui para que as avós não ganhem fama de intrometidas.

Gostei muito do livro e indico a leitura não só para avós, mas para os pais também. Acho que ele nos ajuda a compreender muitas atitudes dos nossos pais – avós dos nossos pequenos. Auxilia-nos no sentido de como devemos nos comportar com eles, depois que aprendemos um pouco da função deles como avós em nossas vidas.

Livro dos Avós – Na casa dos avós é sempre domingo?
Primavera Editorial
A partir de R$37,00

As agruras da maternidade

Tudo começou ontem depois do almoço. Uma angústia tomou conta de mim e eu falava pra minha colega de trabalho: “vontade de chorar, gritar, sair correndo”. Tem um monte de coisa pra acontecer, mas sinto tudo estagnado na minha vida. Culpa da minha ansiedade? Talvez. E aí tento me apegar na frase que li semana passada no instagram do ‘Mulher sem script’: “Calma. É aos poucos que a vida vai dando certo“.

Foi quando recebi uma ligação da escolinha e a calma que eu buscava foi para o espaço. Benjamin apresentava umas manchas no corpo, que começaram nas pernas e estavam subindo pra barriga. Fiquei apavorada. Podia ser uma alergia, mas como ele não estava tomando nenhum remédio e aparentemente não tinha ingerido nenhum alimento diferente, essa hipótese foi a última coisa que passou pela minha cabeça.

Incrível a minha capacidade de pensar sempre no pior. A primeira coisa que pensei foi referente ao galo na cabeça. Benjamin sofreu uma queda forte no sábado retrasado. Subiu um galo assustador, que baixou relativamente rápido, mas foi nessa segunda-feira passada que me ligaram da escolinha perguntando se ele havia caído em casa (sempre tentamos manter a escola informada no caso de machucados). Explicaram que ele estava com um galo no mesmo lugar do outro de antes, que só apresentava aquela mancha esverdeada e que ele não tinha caído na escola. Fiquei encanada com isso. Quando o busquei vi o galo e aquilo ficou na minha cabeça.

Então, fiz relações com isso, pensando que podia ser alguma reação, sei lá… saí do trabalho correndo, tremia de nervoso, nem sei como consegui dirigir até a escolinha. Fiquei mais preocupada ainda quando vi as manchas. Nesse meio tempo, eu já havia ligado para a pediatra dele que fez algumas observações do que poderia ser, e uma delas, a pior das hipotéses, podia ser púrpura infantil.

E lá foi a mãe fazer um Google. Gente essa é a pior coisa que devemos fazer nessas horas. Eu sei e não sei porque fiz. O marido me alertou, falou para eu não pesquisar, mas já tinha feito. Não gostei nada dos resultados que encontrei. Mas parei de chorar e no percurso para o hospital eu só pensava no quanto Benjamin é saudável, que não seria nada de ruim, seria apenas uma alergia seja lá do que fosse.

manchas

Fomos para o hospital infantil Sabará. Fomos atendidos rapidamente. Além das manchas, ele estava com 38,6 de febre. Benjamin internou, fizeram exames de sangue, urina, medicaram na veia com corticoide, as manchas aumentaram e medicaram novamente com outro remédio. E se as manchas não passassem, fomos alertados: ele teria que ficar internado. Só que eu já estava mais tranquila e com a certeza de que as manchas sumiriam.

A médica saiu do quarto e como que num toque de mágica, Benjamin ficou branquinho. Sem mancha nenhuma. Fiz uma comparação entre Benjamin e eu. Apesar do medo que ele sentia cada momento que entrava uma enfermeira, ele chorava, mas não se debatia, não se mexia, ficava quietinho. Eu sempre fui assim desde pequena. Tenho pavor de hospital e agulha, choro (ou chorava, a gestação me fortaleceu mais nesse sentido), mas sempre fiquei quieta esperando o que fariam comigo. E sempre ficava incrivelmente boa diante da possibilidade de ter que ficar no hospital rs.

Benjamin teve uma urticária brava, uma alergia talvez causada por algo que ele tenha comido. De diferente, ele comeu morangos, fruta que a gente evitava por ter muitos agrotóxicos. Vamos procurar ainda um alergista, buscar saber o que aconteceu.

Ontem foi pra mim mais uma dessas provações da maternidade. Para qualquer mãe é muito difícil ver seu filho ser picado, tirar sangue, colocar acesso pro soro e ouvir seu choro e seu chamado: “mamãe, colo. mamãe, colo”. Como diz Denise Fraga, em seu livro “Travessuras de mãe”, ser mãe compreende muitas dualidades. É uma grande mistura de alegria e dor.

E foi com essa dor no peito que não deixei cair uma lágrima perto do pequeno, me enchi de coragem para ficar ao lado dele, segurá-lo durante todo o processo (eu que nunca havia segurado ele sozinha para tomar vacina) e deitar ao seu lado na cama do hospital.

Chorei sozinha quando fui ao banheiro, depois de já terem colhido o sangue dele. Chorei e pedi em silêncio para ir embora daquele lugar o mais rápido possível com o meu filho bem.

Lembro da primeira vez que Benjamin ralou o joelho. Aquilo doeu em mim também, mas era apenas um joelho ralado e pensei: ele ainda vai ralar muitas partes do corpo. E desde então, tenho provas disso quase que diariamente. Já pensei em comprar um capacete de tanto que ele bate a cabeça (até dormindo ele faz isso no berço). Na véspera de seu aniversário, ele caiu e bateu o rosto no batente da porta e quando vi o resultado achei que ele ia precisar levar pontos no supercílio. Sinceramente,  eu não estava preparada para isso.

Tenho me perguntado, será que estaremos preparadas algum dia? Um dia estaremos fortalecidas como mãe? Eu acho que me fortaleço a cada experiência dolorosa dessas, incluindo as pequenas. Mas acho que nunca estaremos preparadas.

Dois anos e uma visita ao pediatra

Nossa primeira consulta com a pediatra foi dia 20/06/2011. Ele tinha apenas 4 dias de vida. Não tínhamos pediatra e ela foi uma escolha certeira. Apesar de no início eu me sentir intimidada por ela, nunca quis trocar, sempre me senti segura.

No começo você vai constantemente ao pediatra, primeiro são visitas semanais, depois mensais até que o bebê completa um ano e pouquinho e essas visitas vão ficando cada vez mais espaçadas. Eu fiquei com medo se saberia viver sem essas consultas, se saberia medicar Benjamin caso tivesse um resfriado, mas logo a gente se adapta.

Sábado levamos Benjamin a uma consulta de rotina. Levei porque achei que 2 anos merecia uma inspeção médica pra saber se estava tudo se desenvolvendo bem, também porque Benjamin tem recusado o jantar na escola, então fiquei preocupada se ele estava precisando de alguma vitamina. E sei lá, talvez também para ouvir da pediatra que ele estava ótimo e que eu estava fazendo um bom trabalho. Ah, sim, claro, e para esclarecer algumas pequenas dúvidas que estavam acompanhando os pais de primeira viagem aqui.

É preciso continuar a esterilizar as mamadeiras?

Já fazia algum tempo que marido já me questionava isso. Não sabia responder e continuávamos esterilizando. Marido aproveitou para tirar a dúvida com a pediatra. A recomendação dela foi simples: água e sabão! Não precisa mais esterilizar.

E a pomada ainda precisa passar?

Sou motivo de piada com as amigas mães blogueiras. Um dia fiz essas pergunta pra elas e virei a mãe que vai passar pomada no filho até os 18 anos. Depois disso, avisei o marido que não era mais necessário passar pomada toda hora no Ben. Mas continuamos a passar. A pediatra riu quando contamos essa história.  É claro que precisa passar pomada, mas se a criança estiver assada.

Alimentação

Parecia que o marido estava esperando chegar o dia do aniversário do Benjamin pra tirar um sarro da minha cara. O dia inteiro ele ficou citando coisas que Benjamin ainda não comia e dizendo que ele comeria no dia seguinte, com dois anos e um dia. Ele se referia ao nosso trato de não oferecer certos alimentos ao Benjamin até os dois anos de idade. Acontece que não é bem assim, completou dois anos e virou “oba oba” vai comer um monte de besteiras. Sim, ele pode comer o que ele quiser, mas sei lá, com certa parcimônia. E ainda sou a favor de não oferecer coisas desnecessárias para as crianças. Por exemplo, não é porque ele completou dois anos que vou oferecer do nada refrigerante pra ele. Agora ele vai começar a tomar iogurte. Veja bem, IOGURTE e não Petit Suisse. Iogurte batido com frutas.

Peso e medida

Embora Benjamin esteja recusando o jantar na escola, ele tem comido em casa. Enfim, ele está com sua curva dentro do esperado: 12,100 gr e 87 cm. Conversei com a pediatra e assim como eu, ela acha que o horário do jantar ainda é cedo pra ele que talvez não tenha se adaptado. Então sobrou para a mamãe aqui fazer janta pra ele durante a semana. Em casa eu e marido não jantamos, só comemos um lanche. E a pediatra sugeriu fazer uma comidinha leve pra ele e congelar para vários dias. Só pode descongelar na geladeira porque fora perde os nutrientes. E esquentar em banho maria ou na panela, mas não no micro-ondas. Aliás, o leite também deve ser esquentado dessa maneira e não no micro-ondas. Pasmei! Aqui em casa, desque Ben completou um ano e pouco, sempre esquentávamos no micro-ondas pela praticidade. No verão nem esquentávamos, acostumamos ele a tomar na temperatura ambiente. A pediatra alertou: esquentar leite ou a comida do micro-ondas não é bacana, é altamente cancerígeno.

Alerta

A consulta foi super bacana, demoramos um pouco mais que o habitual, mas porque ficamos conversando sobre o desenvolvimento do Benjamin – que  ficou brincando com os brinquedos da sala da pediatra e ela só observando ele, dizendo que “ele está numa fase muito bacana, mãe, uma fase de descobertas”. Também é uma fase muito perigosa e que precisa de atenção redobrada dos pais. Janelas, escadas, portas devem ter grade de proteção. Crianças devem ficar longe da cozinha. Nessa idade todo cuidado é pouco.

Receituário

Depois de muita conversa eu confessei à pediatra: Benjamin tem recusado a nossa ajuda pra tudo. Ele quer comer sozinho, quer tirar sua roupa sozinho, colocar o sapato sozinho…e vai tentar ajudar pra ver só, ele faz um escândalo. Ele ainda é pequenininho. A pediatra disse: “mãe, é assim mesmo, ele está descobrindo tudo o que é capaz de fazer, ele está crescendo. Você é o tipo de mãe que quer ver o filho bebê. Ele está ótimo! Mas vou receitar algo….para os pais…..outro bebê!”

E a mãe saiu da consulta toda prosa, feliz, satisfeita e falando pro marido: “você viu o que a pediatra receitou…!” 😉

Porque meu filho não come chocolate

Faço parte do grupo que não tem uma educação alimentar adequada. Legumes e vegetais são itens excluídos do meu cardápio. Não, não me orgulho em dizer isso, muito pelo contrário, tenho vergonha. Mas já tentei mudar isso, inclusive na gravidez, e não consegui. Aliás, na gestação sofri muito por isso, pois passei o período inteiro ouvindo de todos os lados que Benjamin não comeria nada saudável, uma vez que o paladar dele já era educado desde o útero. Meu médico era quem me tranquilizava. Benjamin nasceu e bom, três coisas que amo muito, ele ama na mesma medida que eu: pão (qualquer tipo), queijos e batata frita. Ele ama mais dezenas de alimentos que não fazem parte do meu cardápio: bróquis (brócolis), couve, inhame, pepino, ervilhas, abobrinha, beterraba (arghhh), lentilha, alface, cenoura, além de todo tipo de carnes e frutas.

Quando Benjamin entrou na transição das papas, eu já tinha conversado bastante com a pediatra, já tinha pesquisado e lido muito a respeito. Eu e marido fizemos uma espécie de pacto. Não oferecer doces e refrigerante até os dois anos de idade. Por que essa decisão? Porque segundo tudo que havia apurado a respeito, ficou claro que até os dois anos de idade, o paladar da criança está em desenvolvimento. É, inclusive, nesse período que também existe o risco de alergia alimentar. É claro que não sou expert no assunto, mas o doce e o refrigerante pra mim tinha um peso. Primeiro porque nosso paladar é mais chegado num doce. Então tinha medo de que se Benjamin experimentasse a partir daí só quisesse ficar no doce e tchau brócolis. Sempre temi fazer parte do grupo de mães que sofrem porque o filho não come (isso é terrível, um sofrimento para uma mãe!). E outro fator que me assusta é a obesidade infantil, um problema seríssimo dentro da casa de muitas famílias. Por essas neuras, Benjamin não conhece refrigerante, não come chocolate (mas uma vez experimentou um pedaço de brigadeiro, quase morri! foi a única vez). E por orientação de sua pediatra, ele não come iogurte, Danone e afins.

(da categoria dos doces, Benjamin só comia biscoito maisena e recentemente, desde de dezembro, passou a comer bolo – simples, nada de recheio e coberturas)

Eis que dia desses, participei de um workshop da Abbott, com o Dr. Carlos Alberto Nogueira. O assunto abordado: Dificuldades alimentares na infância: os pais, os filhos, as consequências e o tratamento. Dr. Alberto afirmou que 51% da população tem dificuldade alimentar na infância. Explicou os três motivos principais dos problemas alimentares: 1. os pais não seguirem uma divisão de responsabilidade na alimentação da criança; 2. a criança pode não ser capaz de comer bem por causa de problemas médicos ou desenvolvimento; 3. a criança ter problemas de comportamento ou psicológico. A primeira coisa a fazer é procurar um profissional para fazer essa triagem, ou seja, que possa apontar em qual categoria o filho se encaixa e dar orientações.

Segundo Dr. Alberto, existe também fatores de influência dos pais, que seriam: fatores genéticos, exposição precoce aos sabores (e aqui no meu ponto de vista, entra um dos meus motivos de não dar chocolate para Benjamin antes dos dois anos), disponibilidade dos alimentos em casa, o quão é fácil comer esses alimentos, o estilo da paternidade alimentar (e esse foi o ponto que me chamou atenção), práticas alimentares. Influência das crianças: habilidade de desenvolvimento e de ajustar as calorias, provar gostos e desgostos, neofobia, personalidade, condições médicas.

Sobre o estilo de paternidade, são 4: a) Controlador (controla a alimentação e pressiona a criança para comer, suborna-a com recompensa); b) Passivo (desiste da responsabilidade alimentar e não estabelece limites); c) Indulgente (não estabelece nenhum limite); d) responsivo (estabelece limites, orienta a alimentação da criança, serve como modelo alimentando-se de todos os alimentos oferecidos para a criança; conversam com os filhos sobre a comida de uma forma positiva, respondem aos sinais de fome da criança).

Estava quase me gabando (em pensamento) e me encaixando no perfil responsivo, se não fosse um único fato: não ser um exemplo para o meu filho. Definitivamente estou longe de ser. O modelo aqui em casa é o pai. Logo depois veio um segundo fato: não permitir o chocolate na vida do meu filho. Dr. Carlos Nogueira apontou pra mim e sentenciou: você é o estilo controlador! 😦 Segundo ele, 20g de chocolate por dia faz até bem. E é claro, não é pra sair dando chocolate para uma criança de um ano todos os dias, mas que era possível restringir alguns dias para isso (seria a tal abertura para os dias de guloseimas).

Conversei com as amigas-mães blogueiras presentes no evento: Tati Passagem (blog Entre Fraldas e Livros), Thaís Scavassa (blog Testado pela Mamãe) e Paola Preusse (blog Maternidade Colorida), todas dividiram comigo suas experiências e sugestões. Saí de lá quase decida: quem sabe nessa Páscoa Benjamin começa a comer chocolate. Sou daquelas que até os meus conceitos começam a me perturbar, começo a me questionar o porquê do porquê da decisão. A louca!

Faltam só 3 meses e meio para Benjamin completar dois anos. Embora, mantenho a decisão de não oferecer chocolate, não tenho dúvidas que na escolinha (nessas festinhas de aniversário que tem sei lá, uma vez por semana) ele já tenha comido bolo de chocolate, brigadeiro, beijinho… por que se não tenho dúvida disso, mantenho essa decisão? Por que não permito esse pequeno prazer a ele perto de mim, em casa? Por que se eu (juro) não quero ser o estilo controladora? A perturbada!

Neste final de semana, dei o primeiro passo para chegar próximo ao estilo responsivo. Ofereci ao Benjamin um chocolate. E dessa vez, não cheguei perto do quase morri e me dei conta que não vai acontecer nada demais com ele, se ele comer chocolate. Que venha a Páscoa (com moderação)!

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Esse post foi inspirado por uma pergunta da leitora Maria Joaquina. Questão que chegou bem no dia em que estava no Workshop. Ela perguntou: Gabi, por que Ben ainda não come chocolate? Sua resposta pode me ajudar.

Espero que tenha respondido e te ajudado de alguma forma, Jô!

Quero aproveitar e agradecer toda a equipe da Abbott! Participar de encontros como esse é sempre muito enriquecedor. Adoro!

A chupeta, o berçário, a mãe – senta que lá vem história

Há quase dois meses, iniciei o processo de tirar a chupeta do Benjamin. Eu sempre falei que meu filho jamais usaria chupeta (aquela velha história de quando não se é mãe “comigo vai ser diferente”. Conhece?) e na primeira oportunidade empurrei aquele trambolho boca a dentro.

Benjamin não pegava e eu insistia. Até hoje me pergunto por quê (?). Até que um dia ele pegou. Depois de um tempo comecei achar que ele estava usando demais aquilo e vi que era o sinal vermelho. Em casa já limitávamos o uso só para as sonecas e hora de dormir. Não tinha dúvidas com relação ao uso lá no berçário, pra mim era claro que ele ficava com ela o dia inteiro na boca. Dois sinais me fizeram ter essa conclusão: 1. nas fotos da festinha de seu aniversário no berçário, Benjamin aparece em todas as fotos com a chupeta na boca e apático (eu não reconheci meu filho). 2. Todo santo dia eu entregava ele sem chupeta e todo santo dia ele era devolvido com a chupeta na boca. Eu até falava como quem não quer nada “mas de chupeta, não é hora de dormir”, “ah, de chupeta não dá pro bebê sorrir”…

Conversei com a pediatra na última consulta e expliquei minha angústia. Ela disse que no berçário era óbvio que eles dariam, por motivo também óbvio: chupeta acalma e pra quê o trabalho de acalmar se é só dar a chupeta (?). Ela sugeriu que se eu estivesse segura, podia não enviar a chupeta para o berçário. Ahá! Até parece que eu conseguia sentir segurança. Imaginava o Benjamin a tarde toda chorando, estressado, sem conseguir dormir. Comentei com o marido e dois (ou três) dias depois ele confessa que não estava enviando a chupeta na bolsa. Tacada de ninja mestre! Eu não soube, logo trabalhei sossegada, não fiquei pensando, me martirizando, consequentemente Benjamin passou muito bem os dias (é aquela outra velha história: mãe bem = filho melhor ainda).

Comecei um processo de adaptação que seguiu esse roteiro:

1ª semana – sem chupeta durante o dia

2ª semana – sem chupeta durante o dia e no meio da noite (eu ia lá e tirava depois que ele dormia)

3ª semana – sem chupeta durante o dia e noite

4ª semana – viajamos e aí ele regrediu um pouco demos a chupeta durante a noite

5ª semana – sem chupeta durante o dia e a noite

6ª semana – sem chupeta durante o dia e a noite

7ª semana – opa! Alguma coisa errada. Prestes o meu desafio ser dado por encerrado, Benjamin começou a demonstrar comportamento estranho. Desconfiei que ele estava usando chupeta, não sei qual, mas estava. Até que dia desses fui buscá-lo no berçário e detectei marca de chupeta em sua boca. “Ah, isso é paranoia sua!”. Não é não, minhas caras. Quando a criança usa a chupeta por algum tempo, ela fica com uma marca de baba em volta da boca. Percebam. Na sexta-feira dessa mesma semana começou o meu martírio. Na hora de dormir, Benjamin chorou, sem interrupção, por uns 40 minutos intermináveis. Fiquei desesperada, sem saber o que fazer. Não era fome, não era fralda suja, não era dor, não era aparentemente, nada. Olhei pro marido e falei: é chupeta! Peguei uma que ainda guardávamos e no mesmo minuto que dei, Benjamin dormiu. Imediatamente.

Olha, vou confessar, percorreu uma raiva pelo meu corpo, um sentimento ruim mesmo. Fiquei colocando toda a culpa no berçário. Xinguei até os ancestrais de todas as “tias”. Foi incontrolável. Nosso final de semana inteiro foi horrível. Enquanto não dávamos a chupeta, Benjamin se descabelava no choro. Todo o trabalho de quase dois meses tinha ido pelo cano. Tinha dado tudo por perdido, afinal quanto maior, a criança aprende mais, entende mais das coisas. Ficaria difícil fazê-lo largar. E toda minha angústia do início – porque foi difícil decidir tirar a chupeta dele, foi sofrido pra mim porque eu não sabia se ele sentia falta, ele não me dava sinais, voltaria mais forte, afinal agora ele dava sinais claros do que queria. Olha, fiquei realmente sem chão, mesmo tendo sido alertada que essa regressão podia acontecer.

Quando dei início nessa “operação” recebi muito apoio, como também recebi muitas mensagens das pessoas me dizendo para desencanar, que Benjamin era um bebê ainda, pra deixá-lo usar a chupeta, etc. Eu gostava de receber os dois tipos de mensagens. Estranhamente, sentia-me acolhida. Era como se qualquer decisão que eu tomasse, eu estaria no caminho certo.

Mas eu quis iniciar esse processo o quanto antes. Primeiro porque eu tinha sinais de que Benjamin não se importava com aquele objeto, não era uma coisa que parecia lhe fazer falta, que seria tranquilo tirar agora. Segundo, o principal, porque eu tive problemas muito sérios com relação chupeta x dedo. E sinceramente, não queria ver meu filho sofrer por isso. Eu sei que é um sofrimento psicológico enorme e algumas vezes irreversível.

Bom, depois de um final de semana exaustivo, escrevi uma carta educada e de bom senso (acredito) para o berçário. Expliquei que Benjamin havia tido um comportamento estranho, que eu desconfiava que ele estava usando a chupeta no berçário, que isso poderia provavelmente acontecer, pois ele pode muito bem pegar de um coleguinha e que se isso acontecesse era para tirar dele, até porque não convém usar a chupeta alheia. Afirmei que gostaria de poder contar com a colaboração da instituição nesse processo que estava sendo fácil e que de repente regrediu. Finalizei dizendo: Benjamin pode chorar e espernear, mas não é para oferecer chupeta a ele. A carta foi um pouco maior que isso, mas a mensagem basicamente era essa, inclusive esse final. Mandei o recado na agenda e ao deixá-lo conversei com a berçarista.

Fiquei na expectativa, imaginei que viria uma resposta “brava” e até que não. Eles disseram que desconheciam esse comportamento do Benjamin, ele estava muito bem como sempre foi e que não davam chupeta alheia (assim mesmo grifada em destaque) e que o papel da escola era caminhar sim junto com os pais no desenvolvimento do bebê. Até que gostei do retorno. E gostei mais ainda de ter dado o recado, porque toda vez que não gostava de algo, me sentia melindrada por falar. E isso é errado. Nós pais temos o direito de falar sim se algo não nos agrada.

Nessa mesma semana dei um sumiço na chupeta lá em casa e Benjamin voltou com seu comportamento normal (deve ter levado uma bronca das “tias”, porque ele estava um amor de pessoinha). Na segunda-feira mesmo voltou a dormir sem a chupeta. Assim sem mais nem menos. E já faz mais de uma semana que ele não usa o trambolho.

Li algumas coisas a respeito, pedi conselho a psicólogas amigas, estou até com a indicação de um livro chamado “Ajude-me a crescer” (aliás, alguém aí já leu?). Agora é tentar seguir com o desafio que por enquanto está indo bem novamente. Eu não vejo a hora de completar um mês inteiro ou mais pra correr aqui e registrar: agora de fato, meu filho largou a chupeta!!!

A chupeta e a neura da mãe

Faz uma semana que Benjamin não usa chupeta para dormir. Eu não sou muito a favor da chupeta, mas confesso que fui eu que empurrei ela pra cima do Ben. Mas acho que chegou a hora de reparar isso. Em casa ele já a usava muito pouco, basicamente só para dormir. Porém, toda vez que eu buscava ele no berçário me devolviam o menino com a chupeta na boca. Conversei com a pediatra na última consulta. Resumidamente: ela explicou que chupeta acalma e para as tias do berçário era mais fácil, então se eu me sentisse segura, não precisava mandar a chupeta. E quem disse que eu me sentia segura?

Conversei com o marido. Dois dias depois, ele me revelou: não tinha enviado a chupeta. Bingo! Eu não sabia, logo não morri de preocupação. Benjamin ficou uma semana sem levar a chupeta. Há 7 dias, ele dormiu (sem querer) sem a chupeta. Dormiu a noite toda como sempre. Desde então ele está sem. Hoje ele achou a chupeta, colocou na boca e detou no meu colo. Eu disse que era feio, que a gente tinha que jogar fora. Ele tirou, me deu e ficou mordendo o prendedor da chupeta.

De repente fiquei com dó do Benzinho. Ele está bem, risonho, não pediu a chupeta, não teve problema pra dormir. Mas anda um pouco manhoso como andou algumas semanas atrás (mas foi só sair os quatro dentes que estavam nascendo juntos que a manha diminuiu) e está com diarréia. Acho que são os dentes novamente…mas sabe neura (e não culpa) de mãe?! Desde ontem passei a me questionar: Será que ele está sentindo falta da chupeta (e daí a diarréia?!)? Será que não é muito cedo para cortar a relação dele com a bendita? Será que tem tempo certo pra fazer isso? Será que desisto dessa ideia por hora ou sigo já que aparentemente Benjamin não está nem ligando? Se ele estivesse sentindo falta, talvez estivesse chorando, com dificuldade pra dormir, sei lá, daria sinais mais claros, não?

Minha intuição não está me ajudando ou não estou conseguindo ouví-la.

A arte de ser mãe

Essa noite levei o meu primeiro maior susto da vida materna. Como já disse aqui no blog, faço Benjamin dormir na minha cama e em seguida o coloco no berço. Noite passada eu peguei no sono junto com ele e às 2:00 da madrugada acordo com o pequeno aos prantos e no chão. Na verdade acordei quando ele já estava nos meus braços, pois antes disso apesar da lembrança de vê-lo no chão, não senti absolutamente nada. Foi como se meu coração tivesse parado. E parou. Por segundos. Eu me senti (e estou me sentindo hoje) uma péssima mãe. Nos olhos do meu pequeno percebi todo o susto e medo que sentiu. Queria dizer que eu estava lá. Mas o que isso adiantaria? Ele sabia que eu estava. E sabia também que eu tinha deixado aquilo acontecer. Só fiz prometer que aquilo não aconteceria mais.

Hoje pela manhã, sentimos Benjamin estranho e resolvemos não ficar na dúvida. Fomos ao proto-socorro. Quase chegando no hospital Sabará percebi que tinha esquecido a minha carteira – nela os meus documentos, os do Ben e as carteirinhas do convênio. Resumidamente: conseguimos passar. A médica – novíssima, como de costume agora nos hospitais -, me deu uma leve bronca com seu ar de superioridade medicinal: “agora já sabe mãe, não pode dormir com a criança na cama”. Pediu uma tomografia. Incrivelmente, Benjamin começou com suas traquinagens. Ele precisava dormir para realizar o exame ou tomaria anestesia.

Vimos que ele não dormiria. Fui conversar com a enfermeira que me alertou: “Realmente, mãe, se a Sra. achar que não há necessidade, não faça o exame, pois anestesiar um bebê nem sempre é bom. Converse com a médica e veja o que ela acha.” A médica falou que não daria alta, mas que seu eu quisesse podia ir embora mas do tipo “sua conta e risco”, sabe? Voltei e falei que ia embora. A Enfermeira chamou uma outra médica, mais velha, que veio examinou o Benjamin e pediu um Raio X. Depois de um tempo chegou o anestesista que depois do meu relato sobre o acontecido e de ver o Benjamin, afirmou que achava desnecessário fazer a tal da tomografia.

Sinceramente, eu não faria mesmo. Eu tinha levado um puta susto de madrugada, mas meu coração dizia que não precisava levar adiante a situação. Eu não deixaria ninguém sedar o Benjamin. Teriam que me sedar primeiro. Eu e o marido decidimos ir ao hospital porque achamos que o pequeno estava sonolento mais do que o costume e que pudesse estar com dor no corpo. E eu falei isso pra médica. Enfim, ela seguiu o procedimento que achava ser o correto. E eu estava seguindo o meu coração visto que Benjamin estava espoleta como sempre, ok manhoso como quase nunca, mas fazia as coreografias da Galinha Pintadinha (sim! ele faz algumas).

Alguém pode ler esse relato e pensar “quanta tempestade num copo d’água”. Mas ainda estou me sentindo péssima com o ocorrido. Estou triste mesmo. Como diz Natércia Tiba, em seu livro “Mulher sem script”, ser mãe é muito sofrido. Impressionante como dói. Ser mãe é ter sentimentos dúbios. Amamos e somos felizes intensamente ao mesmo tempo que vivemos preocupadas. E ser mãe de primeira viagem é como sentir as emoções em grau elevado. Isso porque muitas vezes não sabemos lidar com determinada situação. Acho que é por isso que dizem que somos mais “relaxadas” com o segundo filho. Na verdade não os submetemos às coisas desnecessárias. Arrisco-me dizer que eles são mais poupados.

Hoje aprendi mais algumas lições dessa aventura que é ser mãe e acho que tenho me fortalecido como tal. E concluí algo que sempre penso quando vou aos hospitais infantis…acho que falta para as pediatras jovens o exercício de serem mães. E não é uma queda que me torna uma péssima mãe.

Nem os médicos salvam…

Semana passada meu Ben adoeceu. O menino ficou amoado de uma hora para outra na terça-feira. O diagnótico da mãe aqui foi: gripe!

Na quarta ele teve febre e me ligaram do berçário. Levamos o pequeno ao hospital infantil Sabará. Não conhecia o hospital e era indicadação da pediatra dele. Dizem que é o melhor hospital infantil de São Paulo. Fomos lá conferir.

Logo que se entra no hall você descobre o que ele tem de tão especial: o lugar está longe de parecer um hospital. As crianças entram ali e não querem mais sair. O espaço é todo lúdico e interativo.

Tem uma parede enorme de vidro com o desenho do mar, com barco, pescador, peixes. E as crianças podem monitorar através de volantes todos os integrantes do desenho.

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Tem também barquinhos no meio do saguão de espera. Aqui o Ben estava bem molinho, mas depois ele se soltou e queria ficar andando dentro do barquinho.

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No teto tem uns macaquinhos que ficam rodando. E no chão tem também alguns personagens em madeira. Benjamin gostou bastante dos dois.

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A estimativa de espera é de 1:45 minutos. Fiquei preocupada, porque fomos direto do berçário e estávamos sem leite para o pequeno. Preocupação infundada! No hospital vende mamadeiras, papinhas, leite, fraldas, brinquedos e até livros infantis!

O fato é que demorou muito mais que uma hora e quartenta e cinco minutos. E nem estava tão cheio assim. Dizem que aos domingos é lotado!

Benjamin foi diagnosticado com otite. Fomos orientados a dar antibiótico. Perguntei para médica (super nova por sinal) se não tinha outro medicamento, pois meu Ben não teve uma experiência boa com antibiótico e informei que ele tem alergia a penicilina. Não tinha outro medicamento.

Beleza, se você não confiar no médico em quem vai confirar não é mesmo?! Demos uma dose para Benjamin e no dia seguinte a noite, ele estava com as pernas roxas. Imediatamente ligamos para pediatra dele que nos orientou dar uma dose do anti-alérgico dele e não dar mais o antibiótico. No dia seguinte, sexta-feira, levamos o pequeno para avaliação da pediatra. Ela examinou o ouvido dele que aparentemente não tinha nada (como tinha muita cera ela orientou pingarmos um remédinho para amolecer a cera e no sábado ela examinaria novamente. Sim, eu costumo limpar todos os dias o ouvido dele, mas toda mãe sabe que não se pode de maneira alguma enfiar o cotonete no buraquinho do ouvido do bebê) e solicitou um exame de sangue.

Sábado. No ouvido não tinha nada. E apenas uma dose de antibiótico não teria dado resultado, já que a médica do Sabará informou que o ouvido dele estava com pus!!! Ou seja, a médica confundiu a secreção de cor amarela (cera) com pus. O exame de sangue resultou num caso viral. Gripe. Benjamin estava com uma gripe, além de 4 dentes do fundo nascendo (e por isso toda aquela inquietação que demonstrava).

Fico pensando: como se formam os jovens médicos? Sério, eu não tenho confiança neles. A pediatra do Ben falou que devo questionar e tal. Eu questionei. Talvez não o suficiente, mas porra se não podemos confiar no médico para tudo!!! Eu fiquei meio puta com tudo isso, pensei em mandar um e-mail para o hospital, divulgar o nome da médica, mas não fiz nada disso.

Tiro duas lições dessa história: 1) seguir a tal da intuição. Não importa se somos mãe de primeira viagem, a danada da intuição aflorou dentro de nós no dia em que nosso filho nasceu. 2) questionar. Questione sem medo do que o médico vai pensar, se achar que seu filho não deve tomar determinado medicamento, avise que quer outro e pronto. Ponto final.

Meu Ben passou a melhorar depois da consulta com sua pediatra, com a medicação certa – para gripe.

*

Uma crítica sobre os médicos em geral e não sobre o Hospital Sabará – que é excelente! Mas vale lembrar que hospital também se faz de médicos e não só de instalações…

Pom Pom Blog

A Pom Pom lançou o novo blog da marca e promoveu hoje um encontro entre mães blogueiras. Na ocasião, Natércia Tiba, psicoterapeuta de família, faria uma palestra sobre educação. Para tirar dúvidas sobre gravidez e pediatria, estaria presente o Dr. José Vicente Rinaldi.

Fui convidada mas não pude comparecer. Uma pena, pois tinha muito interesse em participar. O horário não bateu com minha agenda, e aí fica uma sugestão: acho que é o tipo de evento que deve ser realizado pela manhã ou no final da tarde, isso permite uma certa flexibilidade para as mamães que trabalham fora.

O blog da Pom Pom você confere AQUI. É escrito pela mãe de dois Letícia Volponi, com quem já me identifiquei só por essa frase: “Meu porto seguro é, sem dúvida, o sorriso dos meus filhos. Não há nada que me dê mais confiança de que tudo vai dar certo!” Compartilho do mesmo sentimento.

Espero que o evento tenha sido um sucesso.

Ser mãe é…

Ser mãe é a coisa mais maravilhosa do mundo. É uma experiência louca, inexplicável, contagiante, feliz, surreal. A gente ama tanto que chega a doer. Vivemos com um pisca alerta ligado de preocupação. Desde que me tornei mãe parece que conectaram um cabo elétrico na minha mente que fica ligado 25horas por dia. A qualquer hora ele pode emitir um alarme ou um choque, qualquer sinal que transmita: PE-RI-GO! Mãe não desliga nunca, está sempre preocupada (e a quem diga que assim será para sempre)!

Ontem surgiu um monte de manchas vermelhas nas pernas e braços do meu Ben. Concluímos que era o calor. Benjamin é muito branquinho e sente calor master. Passei o dia achando que estava melhorando e todo mundo que via diagnosticava: “é brotoeja, fique tranquila”. Anoiteceu e quando fui dar banho no meu Ben levei um susto! Benjamin estava com o corpo tomado pelas manchas vermelhas que começavam a se espalhar pelo rosto dele. Tadinho!

Tadinho dele por estar com aquelas manchas e por ter uma mãe tão melindrada – não sei se essa palavra define bem o meu estado. Mas eu fico triste (e brava, o marido que o diga) por vê-lo ou achar que está sofrendo. Dói tanto isso em mim. E aí que fiquei pensando em como é difícil ser mãe. É difícil ter que ser forte, racional, equilibrida e normal sendo mãe. Sinto que não estou preparada para esse papel. Sendo assim, como eu realizei esse projeto?!?! O mais importante da minha vida… Não, não, não! Eu devo estar SIM preparada, pois como diz nessa história, Deus não deixa você ser mãe se não sabe consertar tudo. Mas é difícil e um aprendizado constante. Na verdade você só tem que fingir que está tudo sob controle. Simples assim. Ãhã.

Estava com cara de alergia. Mas do quê se ele não comeu nada diferente? Talvez dos remédios contra pneumonia?! Corremos com meu Ben para o pronto socorro. (E nessas horas o seu emprego se torna o melhor do mundo, e você agradece por tê-lo e por ter um bom plano de saúde. Só esse mês estive no hospital com o Ben 4 vezes, sem contar o exame de sangue e os de raio-x que precisou fazer) Descobrimos que Benjamin tem alergia a penicilina (não puxou a cara da mãe, mas herdou a genética dela e vai saber o temperamento…) e é normal o efeito colateral aparecer de 7 a 10 dias após o uso do medicamento. Ontem era o sétimo dia.

Fiquei assustada com o diagnóstico. Tivemos sorte que esse remédio atingiu apenas a pele do pequeno Ben. Mas ele nunca mais em sua vida, assim como a mãe, poderá tomar qualquer medicação que contenha penicilina – que pode causar asfixia e até levar a morte. Depois, com a boa mente viajante que tenho, possuidora de pensamentos condenáveis, fiquei imaginando tudo o que podia ter acontecido desde o início: a médica no pronto socorro lááááá no RJ perguntou se ele tinha alergia a algum medicamento e eu respondi que ele ainda não havia tomado nenhum antibiótico, que aliás, ele nunca havia tomado remédios sem ser homeopático. Sei lá, ela não devia ter entrado com um antibiótico tão forte (se é que existe algum fraco), eu como mãe deveria ter questionado mais.

Quando eu precisei tomar benzetacil, um ser abençoado e iluminado teve a brilhante ideia de fazer o teste em mim pra saber se eu era alérgica. Eu era. Na mesma hora que injetaram o líquido no meu braço, a área pipocou. Quem tem alergia à penicilina não pode de jeito nenhum tomar benzetacil. Isso MATA! Fiquei pensando: e se naquele dia de carnaval, fosse o caso do Ben tomar uma injeção benzetacil?! Será que teriam feito o teste? Será que eu lembraria de pedir o teste? Poderia esquecer, afinal quando recorremos aos médicos, acreditamos que estamos nas mãos de pessoas que podemos confiar. Pelo menos deveria ser assim, mas……..nem tanto. Então as mães devem cumprir o papel de pentelhas e questionar as possíveis reações, os efeitos colaterais, se existe outras possibilidades de medicamentos, enfim, questionar TUDO e quantas vezes achar necessário.

Eu lembro de ter falado pro marido, lá no PS do RJ, que se pedissem vários exames no Ben nós não realizaríamos e iríamos embora para SP. É mais ou menos assim, o senso, o cabo elétrico, seja lá o que for que tem dentro da gente, manda um alerta. O nome disso: intuição! E intuição de mãe sempre funciona. Nunca duvide disso.

As duas semanas que se passaram foram bem preocupantes. O marido está super esgotado (mãe não pode ficar!). Mas o meu Ben está ótimo, a pneumonia passou (pelo menos pra isso o antibiótico serviu), agora só faltam as bolinhas vermelhas irem embora de vez. Ah sim!, para combater a alergia ele tomou no hospital uma injeção com anti-alérgico e está tomando dois anti-alérgicos via oral em casa.

Moral da história: eu, definitivamente, aprendi o sentido daquela famosa frase “ser mãe é padecer no paraíso”!