Brincadeiras

Engraçado que, não sei porque, mas minha relação com o Ben envolve muita brincadeira. Acho que é o jeito dele, só pode! Ele é uma pessoa feliz, de sorriso fácil e natural. Dono de uma gargalhada gostosa de ouvir, que não é nada difícil de aparecer.

Parei para pensar e rapidamente consegui eleger pouco mais de 10 ocasiões que costumam render boas brincadeiras:

  1. Hora de tomar banho: ele leva os brinquedos pra água e tome gargalhada;
  2. Ao acordar: não é sempre, mas tem dia que o sorriso aparece antes mesmo dele abrir os olhinhos;
  3. No almoço: o bocão para estacionar a colher cheia de arroz é uma festa;
  4. Entrar na escolinha: se tiver acordado, nem despede de você direito, já corre para brincar com os amiguinhos;
  5. Ir embora da escolinha: faz a farra lá mesmo, na frente do portão. Pula, grita, abraça, dá beijo, joinha, sorrisos;
  6. Ir à feira: além de sempre ganhar uma banana na barraca, tem o parquinho ao lado. Não precisa nem comentar, né?;
  7. Ir ao supermercado: já quer logo ir pra dentro do carrinho, ficar segurando as compras, mexendo nas prateleiras, comendo pão;
  8. Trocar a fralda: deita, recebe cócega, pega no pinto, mostra a barriga, mostra o pinto, só farra;
  9. Comendo a fruta: de longe você ouve o “qué uva!” ou “bananá!”;
  10. Na vistoria do prédio: quis testar as tomadas com uma lâmpada adaptada, a luz acendia e a gargalhada surgia;
  11. Subir e descer a escada de casa: pulando, contando os degraus e rindo, é claro.

Mas aí paro pra pensar: até quando o Benjamin vai querer brincar comigo, jogar bola pro papai, adivinhar os desenhos que faço, reconhecer os bichos adesivados na parede? E de repente bate uma saudade enorme de um tempo que ainda nem passou. Mas que voa… Vamos aproveitar mais Benzinho, espera um pouco para crescer e vamos andar de patinete na pracinha.

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#blogdemaesemmae #papaiblogando

O dia em que me tornei pai

Em 16 de junho de 2011, a Câmara dos Deputados aprovava sigilo para orçamentos da Copa de 2014. O tempo era aberto e seco na Grande S. Paulo, com mínima de 10o e máxima de 23o. A cotação do Dólar era de R$ 1,60. O time do Santos empatara o 1º jogo da final da Libertadores com o Peñarol, do Uruguai, um dia antes e viria a ser tricampeão na semana seguinte. O ex-jogador Edmundo era considerado foragido e fora preso em São Paulo, responsabilizado pelo acidente que se envolveu, em 1995. E o jornal estampava fotos do 1º eclipse total da Lua neste ano.

Mas a principal notícia, para mim, viria precisamente às 22:28h daquele dia comum. A chamada veio um pouco antes, com uma enfermeira que me encontrou num corredor enquanto aguardávamos o resultado de uns exames: “pai, baixou o líquido amniótico, vai ter que nascer hoje!” Parecia um band-aid sendo arrancado de uma vez só, sem tempo para pensar ou reagir. E enfim, naquela noite, fechamos com a chegada do Ben, que personificou toda a nossa felicidade numa pessoinha de pouco mais de 52cm e quase 4kg.

Pai tem aquele lance de ser pai mesmo só quando o filho(a) nasce. Pai não sente os chutes dentro da barriga, as vibrações que a mãe sente, não tem aquela ligação íntima antes do nascimento e não se sente 100% pai antes do parto. Antes de nascer, o pai até conversa com a barriga, fala pelo umbigo, tenta ouvir coisas, sons, barulhos, mas não é a mesma coisa que a mãe.

E o nascimento do bebê vem para completar essa lacuna. A partir daí, o pai tem contato com a criança, pega no colo, sente os movimentos, a respiração. Pega no pezinho, na mãozinha, sente o pequeno grande peso da cria. Acho que é por isso que entregam no nosso colo, na sala do parto. A mãe já era mãe há alguns meses, o pai nasceu naquele momento…

*

Crédito das notícias do dia: Tio Mauro, que nos presenteou com o jornal do dia do nascimento do Benjamin. Presente-lembrança inusitado e que guardo com carinho até hoje, que quero mostrar ao Benjamin quando ele crescer e entender melhor.

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Reunião de pais (participativos)

Sábado passado teve reunião na escolinha. Imagina meu sofrimento na semana anterior. Tinha marcado um curso de scrapbook, agendado há 2 semanas, e que acontece a cada 15 dias. Não tinha conseguido ir no anterior e não queria abrir mão de ir nesse sábado (fazer scrap me acalma e eu precisava muito disso).

Acontece que era a reunião semestral, os pais receberiam os trabalhos dos seus pequenos, no meu caso, saberia como anda o desenvolvimento do Benjamin na sua nova turma (há 3 meses meu bebezico mudou para o maternal). Não queria abrir mão de ir na reunião da escolinha também.

A vida é cheia de escolhas, mas vida de mãe é uma escolha só: filho!

Mas se o filho tem pai, e um pai participativo, porque não dar espaço para ele?

Conversei com o marido e ele não viu problemas em ir no compromisso escolar do nosso filho. Senti que ele até gostou da ideia – confirmação que tive ao encontrá-lo após a reunião.

Até falei que isso renderia um post aqui e ele logo adiantou: “acho que isso não seria bom”. “Por quê?”, perguntei. “Porque você tem uma imagem materna para zelar, é conhecida nesse mundo (cof cof cof), não vai pegar bem dizer que você deixou de ir na reunião escolar do seu filho para ir a um curso de scrap”.

Oi???”

Aí que decidi ir mesmo (ao curso)!

Fui. E marido foi à reunião. Chegou todo empolgado me contando como tinha sido. Ele foi um fofo anotando os tópicos da reunião para não esquecer de compartilhar nenhuma informação comigo.

Além de ter um breve e raro momento de prazer só meu, acho que fiz um bem danado ao dar esse espaço para o marido. Ok, que ele recebeu notícias bacanas, como por exemplo, a abertura de mais uma unidade da escolinha.  Mas foi bacana para nós dois essas escolhas.

*

Sinceramente, entendo quando meu marido disse que isso não pegaria bem. As pessoas, em geral – acho que não é o caso dos meus queridos leitores pessoas engajadas, modernas, pra frentex – não estão acostumadas e muito menos preparadas para pais participativos. Nós mães, queremos que eles assumam tarefas, mas não abrimos espaço (reflita!). O mercado de trabalho não está preparado para isso. Um exemplo: o pai da criança avisa que vai chegar mais tarde porque vai levar o filho ao pediatra e de reposta o chefe fala “sua esposa não pode ir?”. Porque ela deveria ir e ele não? Se ele vai levar é porque no mínimo a mulher não pode, afinal, as mães ainda prezam o seu papel de mãe.

Mas esse cenário está mudando. Fala-se muito em um novo tipo de pai. O que troca fraldas, alterna com a mãe as madrugadas, dá banho, alimenta, leva os pequenos às festinhas, ao médico, sai correndo do trabalho se o filho caiu e se machucou, vai nas reuniões escolares, ou seja, participa de TODOS os compromissos da vida dos filhos. É aquele que de fato assume junto a segunda jornada que é a maternidade.

Consequentemente, nós, mães, assumimos também novos papeis, principalmente mais espaço no mercado de trabalho. E depende nós também abrirmos brechas. Isso não significa se descabelar, obrigar, mandar, mas criar espaço, fazer o pai sentir-se parte integrante do processo.

Pra mim esse episódio não passou de uma grande lição.

Metáforas (por Roberto Piffer)

Hoje o serviço de utilidade pública do Bossa Mãe entra em ação. Aos leitores e leitoras que ainda não tem filhos, mas que não são menos importantes por isso, vamos (tentar) explicar o sentimento da relação pais-filhos, algo que é tão comentado nos textos cotidianos, mas que fica pouco palpável para quem ainda não é papai ou mamãe.

Os 11 exemplos abaixo são simples e muito práticos. Dá para ter uma ideia (mais ou menos) real da dimensão do que você vai sentir quando seu filho – ou filha – chegar… Mas de qualquer forma, aconselho usar sua imaginação para se sentir dentro de cada situação e ficar mais legal, vamos lá:

– Quando o nenê nasce, é como descobrir que passou num vestibular concorrido: você sabe que batalhou duro, que foram meses de dedicação e, assim que acontece, você sente uma felicidade-alívio desconcertante;

– Uns 2 dias depois do nenê nascer você vai pra casa, é como ser ganhador da mega sena: você é só sorrisos, só alegria… cumprimenta gente que você não conhece, acha o trânsito uma beleza, é só felicidade;

– Quando o nenê te dá um sorriso, é como achar dinheiro no chão: é um momento de raro prazer, um gesto rápido, mas que te faz feliz por um bom tempo (se for um sorrisão, é como achar nota de 50. Se for um sorrisinho discreto, seria uma notinha de 5. A proporcionalidade é bem essa);

– Quando o nenê está com prisão de ventre e de repente consegue fazer um coco, é como sair um gol do seu time aos 45 minutos do 2º tempo: você espera, torce por isso, faz figa, faz mandinga, sofre… tanto que acaba saindo;

– Quando o nenê acorda chorando no meio de uma madrugada de inverno, é como fazer trabalho social forçado: você vai sem a menor vontade, se arrastando e se sentindo obrigado, mas volta gratificado por ajudar a quem precisa;

– Quando o nenê consegue colocar a colher na boca e comer sua própria comida, é como se você o visse te alcançando no topo de uma montanha: você já conseguiu chegar lá e não foi fácil, agora sabe que ele pode também;

– Quando ele consegue dar a 1ª caminhada de uns 3 ou 5 passinhos sozinho, é como assistir ao homem pisar na lua pela 1ª vez: você comemora junto essa conquista, apesar da caminhada não ainda passar aquela firmeza tranquila;

– Quando você consegue deixar seu filho com alguém para dar uma escapada numa sessão de cinema, por exemplo, é como nadar pelado: você sente uma liberdade prazerosa, solta, leve… mas de tempos em tempos fica preocupado (como se alguém fosse roubar sua roupa que ficou na beira do rio);

– Quando a fralda vaza e faz sujeira, é como ser uma vítima de tsunami: você está lá, tranquilo e feliz, quando aparece uma onda que te surpreende e molha tudo, carregando tudo à sua frente: calça, camiseta, body, colchão, carrinho, etc, etc (às vezes só molha, às vezes molha e borra);

– Quando ele sai correndo mais do que pode, cai e se machuca, é como bater o carro: dependendo da pancada, dói mais em você do que nele. Mas o prejuízo fica por sua conta;

– Quando ele já fala algumas palavras e te chama ‘papai’ pra te mostrar alguma coisa, é como receber promoção no trabalho: você sabe que fez algumas coisas certas num período e está sendo recompensado por isso.

Sendo assim, meu recado final para você que ainda não tem filhos: providencie logo e depois compartilhe aqui suas aventuras!

Bosso pai? Existe isso? (por Roberto Piffer)

Caras (e caros) leitoras (es)… Nessa semana, uma pequena mudança no Bossa Mãe. Nossa ilustre blogueira tira umas mini-férias do blog e, para não deixar tudo jogado ao vento, faremos uma experiência diferente: para cobrir a ausência de sua autora, teremos o pai do Ben escrevendo alguns pequenos textos nesta semana.

Alerta 1: as férias da Gabi não tem nada a ver com promessa ou Sexta-feira Santa, que isso fique bem claro. Não foi nada premeditado, será apenas uma pausa para recarregar as baterias, renovar as ideias e voltar com tudo para o blog.

Alerta 2: o pai, que por sinal já escreve este texto, não possui a mesma habilidade da autora do blog. Portanto, não esperem o mesmo nível dos textos postados até hoje. O que vocês podem esperar é uma visão paterna da coisa toda. Vai ser legal, diferente.

Bom, definido tudo isso, fui pesquisar se o tal do bossa tem masculino. Não encontrei resposta, mas confesso que não me empenhei muito nessa pesquisa. Então, caso não exista mesmo, acabei de tomar a liberdade de criar. Logo, essa será a semana bosso pai do blog.

De uns dias pra cá tenho vivido uma época de relembranças paternas. Isso porque tenho um grande amigo “grávido” e isso me fez relembrar de vários momentos que passei durante este período. Desde a descoberta, as dificuldades, ansiedades, incertezas, alegrias, dúvidas, achismos, parafraseando nossa autora, tudo junto e misturado.

O dia da descoberta foi legal. Um dia de apreensão, um frio na barriga. Tá certo que o Ben estava planejado, mas não para aquele exato momento (e, claro, àquela época ele ainda nem tinha nome). Era noite, 6 de outubro, o teste de farmácia tinha dado positivo e uma avalanche de pensamentos veio à cabeça.  E olha que no dia seguinte ainda tinha o exame de sangue para confirmar. Bom, claro que deu tudo positivo e dali em diante eu era praticamente outra pessoa. E nem sabia ao certo.

Lembrei também da época em que a Gabi passava mal. Vomitava a cada passo, enjoava a cada respirada. Foi difícil aquele período, muito mais para ela, com certeza, mas ficar no apoio a isso tudo também não é nada fácil. Leva água, leva balde, limpa chão, apoia aqui, saquinho ali, etc. Mas dessa época lembro-me claramente durante uma viagem, em pleno inverno europeu, acho que foi uma das últimas vezes que ela passou mal. Àquela altura já tínhamos todo o esquema montado, saquinho pra vomitar, lencinho pra limpar, aguinha pra recuperar. Essa vez em particular não teve nada demais, mas se falar na Gabi passando mal, lembro exatamente deste dia.

O lugar existe e é exatamente aqui

O lugar existe e é exatamente aqui

Lembrei também das consultas. A cada novo ultrassom era uma nova alegria. Íamos e gravávamos o exame num DVD, que depois assistíamos em casa (às vezes até mostrávamos para a família…) E era aquele monte de borrão que deixava a gente feliz: olha a cabeça, olha a mãozinha, olha a coluna cervical, olha o pinto! Acho que só a gente (e o obstetra) era capaz de ver e entender, de fato, todas aquelas coisas.

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E como não podia deixar de ser, lembrei do dia em que o Ben nasceu. Ah esse dia! Uma espera só, uma apreensão só, uma alegria só! Resumidamente, era um dia normal, que precisou de uma consulta normal. Mas esse dia não acabou como os outros. Aliás, mudou radicalmente quando a enfermeira do hospital me encontrou no corredor e trocou umas poucas palavras comigo: “Ah, não te avisaram? Detectamos que baixou o líquido amniótico e ele vai nascer hoje…” Dona enfermeira, isso não é coisa que se fale assim tão sem jeito, de supetão. Fiquei sem resposta, meio de pernas bambas. E dali a algumas horas, presenciei a CENA MAIS IMPRESSIONANTE DA MINHA VIDA: o nascimento do Ben. O engraçado foi que a Gabi teve um sonho dias antes do parto e, na hora de nascer, o médico falava que não tinha nenê, que eram só gases. Com isso em mente, minha primeira frase ao ver o Ben foi: “Olha, tem um bebê mesmo!” Soou babaca, mas foi o que saiu…

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É, hoje já se passaram quase 2 anos. Mas as lembranças vem me visitar de vez em quando. Às vezes até vejo as fotos dessa época. E como é bom…

Rotina Compartilhada

Aqui em casa não aderimos à cama compartilhada, mas recentemente adotamos a rotina compartilhada.

A rotina compartilhada consiste em dividir as rotinas do Ben entre os dois: pai e mãe.

Devo confessar que eu monopolizei duas das rotinas desde que Benjamin nasceu: banho e hora do sono. Sempre fui eu que dei banho e o fiz dormir. SEMPRE! Claro que algumas vezes deixei o marido fazer, mas era uma vez a cada 30 dias.

No início do ano propus ao marido:

– Vamos compartilhar algumas rotinas?

Ao que ele respondeu de bate–pronto, sem ao menos ouvir a proposta:

– Vamos!!! Você vai acordar mais cedo um dia sim outro não para cuidar dele?

(é SEMPRE o marido quem acorda mais cedo para arrumar o Benjamin antes de sairmos durante a semana)

Respondi: – Calma, não precisa radicalizar…

Bom, o que o marido não sabia era que a intenção da minha proposta era beneficiá-lo. Em segundo plano, juro, estava a minha intenção de ter uns breves momentos livres.

Como disse, percebi que monopolizei essas rotinas e, após esses meses todos, me tornei uma mãe madura, elevada, passei achar importante Benjamin passar esses momentos com o pai também.

Os filhos já têm uma ligação infinitamente forte com a mãe. Considero esses dois momentos (banho e sono) uma ótima ocasião para estreitar ainda mais esse vínculo. E nada mais justo que proporcionar isso ao pai também. Acredito muito que as relações são construídas a partir do vínculo. A relação é alimentada através do que compartilhamos com as pessoas queridas.

Sem contar que Benjamin está crescendo e acho importante pai e filho terem um momento deles. Banho, por exemplo, até por uma questão de reconhecimento. A hora do sono, porque eu passei a achar que o papai estava perdendo umas gracinhas deliciosas que só eu estava curtindo.

Dividir essas duas rotinas com o pai do meu filho era a forma que eu tinha de ajudá-los a criarem seus próprios códigos. E Benjamin por ser um menino, nada mais justo. Meninos têm códigos que só os meninos reconhecem.

É claro que tem dias que Benjamin quer fazer tudo comigo. Marido às vezes reclama “ele só chora no banho comigo”, “eu não consigo fazer ele dormir direto no berço”. Mas acho que é tudo uma questão de jeito, adaptação, tempo.

Dividimos assim: um dia eu dou banho e faço dormir, no outro dia é a vez do marido.

Com isso, eu acabei desafogando as minhas noites também. No dia do marido, tenho algum tempo livre (mesmo que curto) para me dedicar a outra atividade, de preferência algo mais pessoal do que doméstica.

Ainda teria mais rotinas para serem compartilhadas, no sentido mais pejorativo de divisão das tarefas e não de participação. Seria o caso de eu acordar mais cedo algumas vezes durante a semana, mas falta maturidade no meu relógio biológico (eu vivo acreditando que marido compreende isso, até porque ele sempre fala que precisa de poucas horas de sono). Tem também as trocas de fraldas. Marido já trocou 2.185 vezes a fralda do Benzoca, enquanto eu fiz 840 trocas. Acho que está na hora de colocarmos em uso essa roleta de obrigações que adquirimos na loja do Potencial Gestante.

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Eu adoro dar banho no meu Ben e, principalmente, fazê-lo dormir. Mas acho também que era meu dever como mãe, proporcionar esses momentos entre pai e filho. Nós mães, sem querer, dominamos o espaço, a casa, as relações. Somos o alicerce de tudo. E acho que nos cabe construir essa ponte.

*

Dica

A roleta de obrigações é um produto bacana e uma forma divertida de presentear o marido daquela amiga que não ajuda em nada com as obrigações do bebê. Sabe aquele pai que acha que não precisa acordar de madrugada, dar banho, mamadeira, trocar fraldas, porque ele já fez o que devia ter feito: fecundar a esposa? Então, ótima sugestão de presente.

Aqui em casa eu julgava que não precisávamos dela, pelo menos, não para indireta pro marido. Compramos numa oferta bem legal no Black Friday, junto com a trena amarela – que estamos aguardando a mudança para então colar no quarto do Ben.

Clique AQUI e conheça a loja Potencial Gestante.

Coração de Pai

Martha Medeiros, em seu texto “Pequenas Felicidades”, diz: “Livro. Encantar-se com um autor que você não conhecia.” Em tempo (antes de o ano terminar), me encantei pelo jornalista José Ruy Gandra, pai dos meninos Paulo e Pedro.

O nome do livro já diz tudo. Esse é realmente um livro escrito com o coração. O coração de um pai. É repleto de sensibilidade, sentimento, histórias, emoção… Nele, Zé Ruy narra a relação profunda entre pai e filhos, irmãos, avô.

Enquanto nós mães tentamos descobrir táticas para o desfralde, só um pai é capaz de resolver o problema com “amiguinhos de chumbo”. Só um pai é capaz de ensinar valores como generosidade, lealdade e coragem com Heitor – o príncipe herdeiro de Tróia, sendo o pano de fundo. Só um pai para encarar com muito bom humor a puberdade, afinal tudo passa depois do primeiro “pelão preto”. Foi como disse Patrícia Poeta, “mesmo ao criar filhos, homens lidam com seus erros e acertos da única maneira que sabem: como homens”.

E Zé Ruy nos possibilita entrar nesse mundo. E acreditem, é surpreendente. Ele se despe e revela sentimentos com tanta coragem como não pensava nenhum homem ser capaz. Pai de dois filhos de mães diferentes, em ‘Bebê a bordo’, ele conta a separação da sua primeira esposa, mãe de Paulo, seu primogênito. E revela “as separações costumam se parecer com a morte”. Em ‘A dor sem remédio’ descobrimos que homens também aprendem a ser filhos depois da paternidade e o autor alerta “não espere sua mãe morrer para viver o seu amor por ela”.

Eu, na minha ignorância, andava pensando sobre essa coisa toda de como lidar com a questão de religião e filho, já que não sigo nenhuma propriamente dita. É impressionante como algumas vezes nossas convicções evaporam diante de tanta informação. Encontrei a melhor resposta nesse livro: “Deus é aquela poeirazinha do sagrado que habita os vãos dos detalhes. As gentilezas. Um dia de trabalho sereno. Estrelas no céu. A água quentinha a escorrer pelo corpo ao final de um dia extenuante. Deus para mim é isso – e, como disse Guimarães Rosa, “todas as outras coisas”.”

A importância de se ter um irmão. Eu tenho três e os amo infinitamente. E sei também que às vezes os corações ficam distantes. Em ‘Uma carta para os filhos’, Zé Ruy os avisa: “poucas coisas conseguem ser tão profundas quanto o amor de um irmão. Ombro algum é mais amigo. Mantenha, em seus corações, um lugar reservado para o outro. Descubram-se, amparem-se e fortifiquem-se reciprocamente.”

Eu fico até comovida só de relembrar esses trechos. O livro inteiro é uma grande lição. Eu já disse que tenho uma relação de amor com livros. Livros bons são aqueles que não basta ler, tem que ser capaz de nos tocar em algum desses aspectos: transportar-nos para lugares jamais viajados, nem que seja para o lugar mais recôndito dentro de nós, tem que nos fazer refletir, tem que nos surpreender, tem que nos provocar sentimentos, tem que nos emocionar.

Quando leio um livro que gosto muito, eu o carrego por dias na bolsa até conseguir me desprender. É o caso de Coração de Pai. Tenho andando com ele na bolsa, à noite eu pego folheio, leio algum trecho, abraço. Ainda estou num estado de comoção. Ele me tocou em todos os requisitos que um livro deve ter pra mim: viajei por todos os lugares que Ruy narra; viajei para dentro de mim e ainda não consigo achar que eu teria a força que Ruy teve com suas perdas; ando refletindo muito a respeito dessa força, das relações, da vida, as amizades, o amor; a história dele me surpreendeu e me provocou vários sentimentos, inclusive revolta – eu penso como Ruy e vários outros pais e mães, filhos não deviam partir antes dos pais e me entristece saber que eles partem. Assim como eles crescem “eis uma bela razão para que desfrutemos sua pureza e poesia enquanto ainda são pequeninos”, eles também partem e isso é uma verdade que não podemos mudar. E eu me emocionei muito…

É um livro de amor.

Como lidar com a perda

Essa semana marido perdeu um amigo. Há semanas esse amigo teve um AVC o que deixou o marido bastante impressionado. Nunca vi o marido tão triste, tão abalado e comovido como ele ficou depois da visita que fez ao seu amigo no hospital. Na segunda-feira a noite chegou a notícia já esperada.

Qualquer notícia ruim na TV sempre me abalou. Fosse um incêndio, um acidente de carro, crianças assassinadas, doentes, abandonadas etc. Já chorei inúmeras vezes a dor dos outros. De forma indireta eu sentia a dor como minha também. Sempre me coloquei no lugar do outro, sempre achei que podia ser comigo, com a minha família. Acho que as mulheres de um modo geral, sentem mais essas questões que permeiam a existência humana. E depois da maternidade acredito que só acentua mais ainda.

E com os homens? Acredito que eles sintam, mas de forma mais contida. Eles não pegam pra si, não se envolvem e não verbalizam tanto quanto nós. Até que um dia se tornam pais e percebem que a vida é muito frágil e maior do que o seu próprio mundo. Na segunda e terça-feira o marido ficou triste, aluído… Em determinado momento desabafou “Pôxa, meu amigo, tão jovem. Estou pensando em sua filha, apenas 3 anos, não vai tê-lo por perto, não terá lembranças dele”.

Meu marido, pai do meu filho, sentiu a perda do amigo, mas também de um pai que deixou uma filha de 3 aninhos. Pela primeira vez ele sentiu a dor de não estar junto, de não ver crescer, não acompanhar, não acolher, sentiu a perda como pai. Fiquei também sem chão, sem saber como ajudá-lo. O que dizer nessas horas? Eu odeio ouvir aquela frase “Deus sabe o que faz”. Nessas horas o silêncio e um abraço são as melhores opções.

Fiquei refletindo sobre o ocorrido. (É claro que esse caso do amigo do meu marido, foi uma fatalidade). O que podemos fazer enquanto pais para os nossos filhos (?), acho que não devemos negligenciar a vida, ou seja, se cuidar fisicamente, emocionalmente, financeiramente (e quando digo isso é no sentido de deixar recursos para que o filho se vire até que ele se entenda por gente, como um seguro de vida, por exemplo). Nessas horas vale nos permitir sentir a dor, o sentimento de perda – que infelizmente faz parte da trajetória (se pararmos para analisar, estamos perdendo e ganhando a todo instante: espaço, pessoas, coisas, animais de estimação, etc). O essencial é como a gente vive e sente a vida.

Dia dos Pais – por Roberto Piffer (o marido)

Hoje, dias dos pais, e algumas palavras para explicar como eu me sinto. Logo de início transcrevo o trechinho de um texto que recebi nesta semana, por e-mail, e que fez muito sentido para mim: “Você sabe que se tornou um pai de verdade quando percebe que todo mundo pode ter um filho, mas é preciso muito esforço, mas muito esforço, todos os dias, para ser um Pai, e você está super feliz com isso.”

Pode soar pessimista por causa do “muito esforço”, e não deixa de ser verdade. Mas é um esforço pra lá de gratificante. Aliás, esforço, responsabilidade, dedicação e várias outras coisas mais…

E porque vale tão a pena? Todo mundo pode imaginar e pode até parecer piegas demais repetir tudo isso, mas aí vai: um sorriso, um abraço recebido, um carinho, um bocejo, uma espreguiçada, ou até mesmo um punzinho que seja do seu filho, já faz ver o dia de forma diferente. Hoje de manhã, por exemplo, quando ele acordou não fui eu quem pegou-o no berço, como de costume. Mas quando ele me viu, esticou seus bracinhos e quis vir comigo… ah!, já ganhei o dia! Acho que foi o jeito que ele encontrou de dizer “feliz dia dos pais”.

Agora mesmo ele saiu de frente da TV, passando um de seus DVDs preferidos, para ver o que eu fazia no computador. Que privilégio ter um serzinho tão lindo no meu colo, me atrapalhando acompanhando a escrever um pequeno texto sobre nossas vidas. Agora mesmo ele está soluçando, acho que o Ben ficou emocionado.

Ainda estou no meu 2º dia dos pais, então sei que ainda não tenho muito o que contar, mas já estou gostando muito disso, ou super feliz com isso, como diz o texto do e-mail dessa semana.

E só pra finalizar, gostaria de registrar que a imagem mais impressionante que vi na vida, até hoje, foi a 1ª vez em que vi o Ben, no momento em que ele saiu da barriga. Lembro que fiquei literalmente bobo, tão feliz e impressionado, que até soltei um comentário digno de uma criança: “e não é que tinha um bebê aí dentro mesmo!”

Aproveito para agradecer à autora deste blog, que me deu este lindo menino. Ao Ben, que já me recompensa diariamente pela função pai. E um feliz dia dos pais para todos que exercem esta função!

O pai que ele é – Blogagem coletiva Mulher e Mãe

Quando a gente casa, se junta, se enrola, conhecemos aquela pessoa como amante, amigo, companheiro. Criamos a expectativa de que será um bom pai. Pelo menos acreditamos “é essa pessoa que quero para pai dos meus filhos”. Desconhecemos-nos completamente como mãe e pai.

Antes dos filhos ministramos diferenças básicas: preferência por tampa da privada fechada, tubo de pasta de dente apertada por baixo, nada de manteiga cheia de furos, final do campeonato brasileiro de futebol ou último capítulo da novela (?), pizza ou lanche (?), no cinema: Batman ou Homem Aranha e assim vai…

Chegam os filhos. A casa cheia de fraldas, lenços umedecidos, brinquedos espalhados pela sala, noites mal dormidas e surgem outras tantas diferenças entre o casal (mãe e pai). Os primeiros meses da chegada do bebê é uma fase complicada. A mãe se torna um ser neurótico, quase uma máquina de cobranças e ordens: “pega aquela fralda” e um segundo depois “não precisa mais já peguei”, “faz a mamadeira”, “prepara o banho”, “já fez isso..e aquilo?” A mãe quer ser a melhor do mundo. O pai corre na tentativa de se tornar o melhor pai do mundo.

Meu marido se revelou um grande pai. Desses com letra maiúscula. Além de ajudar com algumas tarefas domésticas do cotidiano, ele ajuda efetivamente com o Benjamin. Ele dividiu muitas madrugadas comigo ou simplesmente ficava acordado me esperando amamentar o nosso pequeno Ben. Troca fraldas (e arrisco dizer que sua quantidade de trocas, é bem maior que a minha), prepara mamadeira, acorda de madrugada quando necessário, alivia minhas angústias (ou tenta) de mãe, leva (sozinho – quando precisa ou acompanha – quando pode) o Ben à pediatra, dá almoço, janta, é o chef oficial de sucos, lava as roupinhas, conta estórias, conversa e brinca com Benzoca de modo encantador para qualquer expectador.


Filho é transformação. Ninguém se dá conta que os erros fazem parte desse processo. E calma e paciência são peças fundamentais dessa evolução do deixar de ser só casal para ser também pai e mãe. Filho muda mesmo a gente. Descobrimos um novo mundo – que é muito bom descobrir a dois, mesmo com tantas diferenças. É ótimo ter alguém para decidir junto a melhor maneira de resolver a equação: filhos. Vendo os dois homens da minha vida juntos, encontro também a beleza da vida. E a certeza de ter feito a escolha certa.

Marido, você é o melhor companheiro e melhor pai do mundo. Eu te amo imensamente.

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Esse post faz parte da Blogagem coletiva, realizada pelo blog Mulher e Mãe, em homenagem ao dia dos pais.