Férias: sinônimo de vida desregrada

Eu e marido, assim como qualquer outro ser humano (há!)amamos férias. Temos uma tradição (ou código) de família: quando nos encontramos no fim do expediente que antecede o primeiro dia das férias, damos pulinhos gritando como duas crianças adultas: “estamos de férias, estamos de férias…”.

Para nós férias tem cara de vida sem horários, sem as rotinas costumeiras dos dias úteis. Nos permitimos fazer coisas que não faríamos se estivéssemos trabalhando, como dormir tarde (ontem fui dormir às 05:00 da manhã porque fiquei lendo, depois vendo fotos antigas e jogando conversa fora com a família), comer fora de hora, ficar de pijama até a hora que bem entender…

Mas e quando temos uma criança de um ano e meio em casa?! Como manter a rotina?! Parece-me impossível mesmo com esforço. Nos primeiros três dias de férias, meu Ben ainda acordava cedo, comia no horário e já vinha dormindo um pouco mais tarde. Agora o negócio está totalmente desregrado. Acorda tarde (mas antes do meio dia), almoça por volta das 14:00 por grande insistência nossa, dorme a tarde completamente vencido pelo cansaço, toma banho lá pelas 23:00 e vai dormir bem depois da meia noite (tipo uma e pouco) por uma imposição nossa (se deixar ele fica na sala papeando – como se compreendesse tudo – com a gente).

Para comer tem sido uma guerra. Ele não nega comida (ainda!), mas tem se negado a comer na hora certa. E quando vamos dar a comida não há quem o faça ficar sentado na mesa, no sofá ou no chão. Outro dia meu pai falou: “isso aí não esta certo, tem que aprender que se come na mesa”. Minha tia emendou um “é verdade”. E no calor da emoção dei uma resposta mal criada: “vocês querem dar a comida e fazer desse jeito, fiquem à vontade”. Do tipo: falar é fácil, quero ver praticar.

Concordo que criança tem que comer na mesa e é isso que praticamos lá em casa. Colocamos Benjamin no cadeirão (mesmo com resistência dele) e pronto (também sentamos à mesa para ele entender o momento). Mas sem algumas armadilhas (nesse caso o cadeirão e todo mundo sentado à mesa) fica mais complicado. Mas tem vários outros fatores ligados e gerados pela falta de rotina mesmo. O clima esta diferente e a criança entende isso.

Mas se quer saber, eu prefiro que Benjamin coma numa boa nem que pra isso ele (e eu!) tenha que ficar andando de um lado para o outro, do que fique esperneando e se negando a comer. Estou no fuso horário de férias, não estou a fim de impor regras, muito menos de me descabelar. Segunda-feira acabam as férias dele e eu tenho fé (e coragem para) que as coisas entrem em seus devidos lugares e aí entra também meu plano de vida mais organizada (se é que é possível na vida de mãe).

Uma mãe (e um pai) na balada

Quinta-feira passada não precisou minha irmã Sofia insistir muito:

– Vamos para uma balada sertaneja?
– Se o papai ficar com o Benjamin, vamos.

O vovô é um preguiçoso e logo fugiu dessa responsabilidade. Quem se prontificou foi a tia avó Rosana que contou com a colaboração da tia Lilian (esposa do meu pai).

E lá fomos nós: eu, marido, Sofia e nossa prima Olivia.

Tinha me esquecido, para aguentar certas baladas, é preciso se embebedar. Assistimos um show sertanejo, que a certa altura eu já estava achando o melhor show da minha vida. Dancei, dei boas gargalhadas, namorei e bebi escandalosamente. Saímos do local às seis da manhã, paramos para comer e chegamos em casa às sete.

Sabe quanto tempo não chegava em casa esse horário?! Fazia muito tempo…

O mais estranho disso tudo, é você beber todas e não se esquecer um segundo sequer da sua responsabilidade de mãe. O combinado era voltar em duas horas e voltamos depois de seis horas!!! Eu olhava o celular a cada meia hora (ou menos, se duvidar) para conferir se a tia Rosana havia ligado. Os outros me tranquilizavam: se ela não ligou está tudo bem, a essa hora Benjamin já deve estar dormindo.

No dia seguinte uma ressaca insuportável tomava conta do meu corpo, cabeça e alma. E um zumbido no ouvido que só os adolescentes suportam (zumbido que ouvi durante dois dias consecutivos). Benjamin já estava acordado com seu pai (aliás, não sei de onde o marido tira tanta energia). Mães não podem ficar de ressaca. Os filhos não dão trégua.

Mas mães (e pais) devem se permitir uma fugida dessas pelo menos uma vez ao ano, que seja (também haja saco – e energia – para aguentar uma balada dessas)… Sem contar as fugidas para o cinema, jantar, um encontro furtivo com o marido. São momentos assim que trazem de volta o que já fomos um dia e que não seremos mais.

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Coração de Pai

Martha Medeiros, em seu texto “Pequenas Felicidades”, diz: “Livro. Encantar-se com um autor que você não conhecia.” Em tempo (antes de o ano terminar), me encantei pelo jornalista José Ruy Gandra, pai dos meninos Paulo e Pedro.

O nome do livro já diz tudo. Esse é realmente um livro escrito com o coração. O coração de um pai. É repleto de sensibilidade, sentimento, histórias, emoção… Nele, Zé Ruy narra a relação profunda entre pai e filhos, irmãos, avô.

Enquanto nós mães tentamos descobrir táticas para o desfralde, só um pai é capaz de resolver o problema com “amiguinhos de chumbo”. Só um pai é capaz de ensinar valores como generosidade, lealdade e coragem com Heitor – o príncipe herdeiro de Tróia, sendo o pano de fundo. Só um pai para encarar com muito bom humor a puberdade, afinal tudo passa depois do primeiro “pelão preto”. Foi como disse Patrícia Poeta, “mesmo ao criar filhos, homens lidam com seus erros e acertos da única maneira que sabem: como homens”.

E Zé Ruy nos possibilita entrar nesse mundo. E acreditem, é surpreendente. Ele se despe e revela sentimentos com tanta coragem como não pensava nenhum homem ser capaz. Pai de dois filhos de mães diferentes, em ‘Bebê a bordo’, ele conta a separação da sua primeira esposa, mãe de Paulo, seu primogênito. E revela “as separações costumam se parecer com a morte”. Em ‘A dor sem remédio’ descobrimos que homens também aprendem a ser filhos depois da paternidade e o autor alerta “não espere sua mãe morrer para viver o seu amor por ela”.

Eu, na minha ignorância, andava pensando sobre essa coisa toda de como lidar com a questão de religião e filho, já que não sigo nenhuma propriamente dita. É impressionante como algumas vezes nossas convicções evaporam diante de tanta informação. Encontrei a melhor resposta nesse livro: “Deus é aquela poeirazinha do sagrado que habita os vãos dos detalhes. As gentilezas. Um dia de trabalho sereno. Estrelas no céu. A água quentinha a escorrer pelo corpo ao final de um dia extenuante. Deus para mim é isso – e, como disse Guimarães Rosa, “todas as outras coisas”.”

A importância de se ter um irmão. Eu tenho três e os amo infinitamente. E sei também que às vezes os corações ficam distantes. Em ‘Uma carta para os filhos’, Zé Ruy os avisa: “poucas coisas conseguem ser tão profundas quanto o amor de um irmão. Ombro algum é mais amigo. Mantenha, em seus corações, um lugar reservado para o outro. Descubram-se, amparem-se e fortifiquem-se reciprocamente.”

Eu fico até comovida só de relembrar esses trechos. O livro inteiro é uma grande lição. Eu já disse que tenho uma relação de amor com livros. Livros bons são aqueles que não basta ler, tem que ser capaz de nos tocar em algum desses aspectos: transportar-nos para lugares jamais viajados, nem que seja para o lugar mais recôndito dentro de nós, tem que nos fazer refletir, tem que nos surpreender, tem que nos provocar sentimentos, tem que nos emocionar.

Quando leio um livro que gosto muito, eu o carrego por dias na bolsa até conseguir me desprender. É o caso de Coração de Pai. Tenho andando com ele na bolsa, à noite eu pego folheio, leio algum trecho, abraço. Ainda estou num estado de comoção. Ele me tocou em todos os requisitos que um livro deve ter pra mim: viajei por todos os lugares que Ruy narra; viajei para dentro de mim e ainda não consigo achar que eu teria a força que Ruy teve com suas perdas; ando refletindo muito a respeito dessa força, das relações, da vida, as amizades, o amor; a história dele me surpreendeu e me provocou vários sentimentos, inclusive revolta – eu penso como Ruy e vários outros pais e mães, filhos não deviam partir antes dos pais e me entristece saber que eles partem. Assim como eles crescem “eis uma bela razão para que desfrutemos sua pureza e poesia enquanto ainda são pequeninos”, eles também partem e isso é uma verdade que não podemos mudar. E eu me emocionei muito…

É um livro de amor.

As mudanças do maternal

Participamos da primeira reunião da escolinha do Ben. O motivo da reunião era a mudança do Benzoca de berçário para maternal – o que eles chamam lá de início a Educação Infantil. A reunião estava marcada para às 08:00 da manhã, de um sabadão. Passamos a semana passada inteira preocupados em não perder a hora. O recado que convocava para a reunião era claro: Por favor, não se atrase, a reunião começará no horário!

Aqui em casa sempre tentamos cumprir os horários de nossos compromissos e estamos com problemas sérios para acordar cedo. Pra variar, eu acordei atrasada. Levantei no pulo, tomei banho e acreditem: saí de casa com pente, creme, sapato e bolsa na mão. Terminei de me arrumar no carro, a caminho da escolinha. E chegamos a tempo. Mas como não era esperado, a reunião começou atrasada.

Apesar de ir munida de caderno, caneta e um questionário, pensei que falaria pouco. Como se isso fosse possível vindo de mim. Mas como o marido disse, pensamos que teria outra mãe que falaria mais que eu. Engano. Sem dúvida Acho que fui a que falou mais. Descobri que existem três tipos de mães: as chatas exigentes, as moderadas, as mudas.

As chatas exigentes – São as mães preocupadas, que leem, bem informadas mais criteriosas, que falam mais, questionam tudo, tem total interesse pelo assunto, participativas, acreditam ter bom senso. Chata aqui é diferente de “cri-cri” = pessoa que arruma encrenca, reclamona e que coloca defeito em tudo.

As moderadas – São as mães que até tem algo pra falar, mas sempre tentam intermediar e/ou esperam tocarem no determinado assunto para se manifestarem.

As mudas – São as mães que simplesmente não falam NADA e concordam com TUDO (sempre com a cabeça ou com uma monossílaba).

Naturalmente, todas as perguntas que levei anotadas foram respondidas conforme a reunião seguia, sem eu precisar perguntar. Toquei em três assuntos, que pra mim, eram importantes também: 1) o fato da escola não ter informado aos pais sobre a mudança de uma berçarista; 2)o bebê ser entregue aos pais por uma outra tia sem ser as berçaristas. Ao que me responderam que se a escola for dar todas informações de mudanças para os pais, não fariam mais nada além disso; e que o motivo de ser outra tia e não a berçarista entregar o bebê era para evitar que a mãe ficasse fazendo perguntas do dia inteiro da criança e não criar tumulto. Ok, entendo, mas não estava pedindo para me informarem TODAS as mudanças. Compreendo também que com reuniões periódicas fica mais fácil os pais se manterem informados. A segunda resposta é altamente compreensível, mas acho que a pessoa que entrega seu filho deve pelo menos ter um pouco mais de carisma, como diria uma prima minha, psicóloga.

O assunto 3) foi sobre o lanche. A partir de janeiro, os bebês terão que levar um lanche. Terá um cardápio de frutas sugeridos pela escolinha e os pais poderão enviar outras comidinhas além da fruta. Eis aí a minha maior preocupação. Benjamin não come doce, iogurte e afins, as guloseimas dele atualmente são resumidas em: biscoito maisena e polvilho. Se todos os outros bebês levarem essas coisas, obviamente Benjamin passará a comer disso tudo antes do que planejei.

Veja bem, sei que isso é inevitável, que um dia Benjamin vai comer essas guloseimas todas. Minha intenção não é proibir, muito menos não apresentar essas coisas pra ele, eu gostaria de evitar até os dois anos de idade pelo menos. Mas acho que será impossível (isso se ele já não comeu algum tipo de iogurte sem eu saber, tem essa também, né?!).  Quando esse assunto surgiu, senti um clima de “não é porque o seu não come, o meu não vai trazer”, senti que todos os bebês lá já comiam algum tipo de porcaria.

Eu fico louca da vida quando vejo alguém oferecer iogurte para um bebê. Suco de caixinha!!! (e não me venha com esse papo de que existe suco de caixinha indicado para bebês). Ok, sabemos que não mata. Mas não é a coisa mais apropriada a oferecer. Será que as pessoas não leem? Será que as pessoas não veem como tem aumentado os problemas de obesidade e diabete infantil?!

Irrita-me profundamente esse papo de que a criança vai ficar com vontade de comer. Fica-se com vontade quando conhece aquilo. E enquanto um adulto não apresentar à criança o chocolate, o refrigerante, o iogurte, a criança não sabe o que é, não sente falta. Aí eu fico impressionada com as mães que falam que o filho não come comida. Por que será, né?!

Fico até nervosa só de pensar nesse assunto. Na minha opinião, a escola devia ser mediadora nesse quesito também. Indicar um cardápio não só de frutas, mas um cardápio de lanche saudável para todos. E quando digo saudável, não estou falando de coisas extremamente naturais, mas que sejam restringidas as guloseimas. Essas deveriam ser deixadas pra cada criança comer em sua casa, sob os cuidados de seus pais.

Enfim, vou ter que saber lidar com a situação e admitir que meu filho vai comer essas porcarias antes do que eu esperava. Uma pena. Em casa e os lanches que enviarei, seguirão a minha lógica. E esse será um assunto que levarei para a pediatra na próxima consulta, em breve. Pior que já até sei qual será a opinião da nossa pediatra.

Ao final da reunião, uma das mães comentou que éramos poucas (ao todo 10 mães) e pediu bom senso, lembrando que se sabemos que tem criança que não come iogurte, podíamos evitar enviar para o lanche. Cheguei a me sentir acolhida e compreendida. Talvez meu filho não fosse o único que não come besteirol.

E foi aí que descobri, eu não sou o tipo de mãe “se o seu faz o problema é seu”. O problema é meu, é nosso, é de todo mundo. O meu filho vai conviver com o seu filho. Será que não é possível entrar em comum acordo?!

Tirando um desconforto ou outro, após três horas, a reunião terminou. A previsão é que próxima seja só em março. Amém!

É claro que, como em tudo na vida, sempre tem uma coisinha ou outra que não nos agrada. É impossível agradar todo mundo. Porém, uma coisa é indiscutivelmente, eu sempre gostei do berçário que meu Ben está. Já disse várias vezes que foi amor à primeira vista. Como o marido bem lembrou, uma das várias coisas que nos fez escolher o local, foi o fato da diretora ser chata – no sentido de ser exigente e estar presente com a mão na massa em tudo. Isso é visível e me passa segurança. Mas acho também que em determinados momentos a escola não precisa buscar justificativa pra tudo. Algumas críticas devem ser recebidas como construtivas.

As mudanças atendem tudo o que busco para uma boa educação. Benjamin terá atividades que eu esperava: canto, linguagem, matemática (envolve cores), sociedade, artes, higiene bucal, educação física, roda literária, cinema, coordenação motora e visio-motora, brinquedoteca, culinária, horticultura, natureza.  A partir de janeiro Benzoca vai usar mochila, lancheira e uniforme (que não é obrigatório usar com logo da escola, mas é necessário que seja da mesma cor: azul e branco. Embora, a escola venda o uniforme e com um preço razoável, a diretora até deu dicas de onde comprar. Achei isso muito bacana, pois sei que tem vários lugares que obrigam o uso e colocam um preço exorbitante).

Óóóóóóóbvio que meu presente de Natal pro Ben será a mochila! Eu não via a hora dele ter que usar. Imagina, uma mãe viciada em bolsa como a que ele tem…e vou aproveitar que ele ainda não liga pra essas coisas de personagens de desenho, pra comprar uma mochila bem bonita pra ele.

Ao contrário do que pensei, não estou nem um pouco sentida com essas transformações do desenvolvimento, nem sofrendo porque meu Ben está deixando de ser um bebezinho. Estou até ansiosa por essas mudanças e muito animada. Uma nova fase está aí. Sei que será um marco em nossas vidas. Que seja bem-vindo o ano que se aproxima.

Nota para finalizar: o marido me acompanhou na reunião e me senti muito orgulhosa. Embora, ele tenha aberto a boca uma única vez (e em boa hora), fico satisfeita por ele ser interessado em acompanhar a rotina do nosso filho. E tranquila, por ele ter me feito acreditar que não sou a mãe chata do tipo cri-cri, mas sim exigente, participativa e preocupada com a educação do nosso filho. Chata sim, cri-cri não!

Sentimentos partem do coração

Como em toda casa: eu carrego muita herança da formação da minha família; o marido carrega herança da formação da família dele; além dessa herança cada um tem a formação de valores que a vida apresentou; e aí ficamos os dois tentando passar os valores que acreditamos ser essenciais para o nosso filho.

Eu não concordo com alguns valores/comportamentos que percebo da família dele; assim como não concordo com alguns valores da minha família. Mas isso não quer dizer que não são válidos.

Lembro da minha mãe nos forçando dar beijo em quem chegasse e/ou fosse embora; a mim, ela obrigava sorrir (!); e também de incitar agradecer um presente. Ai como eu odiava isso (não o ato de agradecer, mas o de dar beijo forçada e, principalmente, o de sorrir. Até beliscões ela me dava alertando pelo canto da boca “SOR-RIA”! Fala aí mamis, não é verdade isso?!…)!!!

Reparo algo curioso na família do meu marido. Ele com seus 31 anos e suas primas (uma pré e outra adolescente), ainda são lembrados e induzidos a ligarem para as tias em datas comemorativas ou para agradecer um presente que elas deixaram na casa de suas respectivas mães. Ai deles se não ligam, uma das tias fica de bico por tempos.

Esse tipo de imposição me irrita profundamente (inclusive, a cara feia do “ofendido”). Vejo a família do meu marido cheia de cerimônia (como ele mesmo diz), mas sem reciprocidade nenhuma das coisas que eles cobram.

Visitas deles (isso inclui pais e tias) poucas recebemos (moramos a 5 minutos a pé da casa dos pais e de uma das tias), é preciso um atestado de solenidade, um convite formal, como se não fossemos família, pessoas íntimas (e nessa altura do campeonato acho que não somos mesmo).

A família dele não se mistura com a minha (e aí o marido tenta me convencer de que é algo cultural. Ok estou quase convencida. Cof cof). A ideia de demonstração de sentimentos deles é presentear. Eles presenteiam sem data, sem motivo (o motivo na verdade é o jeito que eles conhecem para manifestar seus sentimentos). Confesso: até isso me incomoda um pouco, pois os presentes são dados seguidos da frase “se não gostar, pode trocar”, sem exceção (nem se abriu o presente e lá vem a frase como que um cartão de felicitações). Isso me incomoda porque eu não gosto de dar presentes para serem trocados. É claro que podem ser trocados, mas gosto de acertar, de dar um presente que tenha a cara da pessoa.

Mas voltando…impor ligações, gestos e palavras gentis, não é o tipo de postura que faz parte do tipo de mãe que quero ser. Eu acho o seguinte: não temos que obrigar nossos filhos terem certos comportamentos e sentimentos. Nossa função é incentivar e demonstrar esses sentimentos para que sejam naturalmente desenvolvidos em nossos filhos. Assim como as palavras mágicas, sentimentos partem do coração. Não adianta impor algo que os próprios pais/família não colocam em prática.

Sou muito apegada à família e amigos. Cultivo-os. Acredito que pratico bem esses valores. Desejo sinceramente que Benjamin herde isso de mim. Vou tentar incentivá-lo com meus gestos de forma que ele tenha disposição para, mas não vou “forçá-lo” a “dar beijo”, “agradecer”, muito menos “ligar”. E não vou admitir que ninguém interfira, ninguém constrangendo meu filho com esse tipo de cobrança.

E podem me colocar na sala da justiça. Não vou ligar para as caras feias.

Dia dos Pais – por Roberto Piffer (o marido)

Hoje, dias dos pais, e algumas palavras para explicar como eu me sinto. Logo de início transcrevo o trechinho de um texto que recebi nesta semana, por e-mail, e que fez muito sentido para mim: “Você sabe que se tornou um pai de verdade quando percebe que todo mundo pode ter um filho, mas é preciso muito esforço, mas muito esforço, todos os dias, para ser um Pai, e você está super feliz com isso.”

Pode soar pessimista por causa do “muito esforço”, e não deixa de ser verdade. Mas é um esforço pra lá de gratificante. Aliás, esforço, responsabilidade, dedicação e várias outras coisas mais…

E porque vale tão a pena? Todo mundo pode imaginar e pode até parecer piegas demais repetir tudo isso, mas aí vai: um sorriso, um abraço recebido, um carinho, um bocejo, uma espreguiçada, ou até mesmo um punzinho que seja do seu filho, já faz ver o dia de forma diferente. Hoje de manhã, por exemplo, quando ele acordou não fui eu quem pegou-o no berço, como de costume. Mas quando ele me viu, esticou seus bracinhos e quis vir comigo… ah!, já ganhei o dia! Acho que foi o jeito que ele encontrou de dizer “feliz dia dos pais”.

Agora mesmo ele saiu de frente da TV, passando um de seus DVDs preferidos, para ver o que eu fazia no computador. Que privilégio ter um serzinho tão lindo no meu colo, me atrapalhando acompanhando a escrever um pequeno texto sobre nossas vidas. Agora mesmo ele está soluçando, acho que o Ben ficou emocionado.

Ainda estou no meu 2º dia dos pais, então sei que ainda não tenho muito o que contar, mas já estou gostando muito disso, ou super feliz com isso, como diz o texto do e-mail dessa semana.

E só pra finalizar, gostaria de registrar que a imagem mais impressionante que vi na vida, até hoje, foi a 1ª vez em que vi o Ben, no momento em que ele saiu da barriga. Lembro que fiquei literalmente bobo, tão feliz e impressionado, que até soltei um comentário digno de uma criança: “e não é que tinha um bebê aí dentro mesmo!”

Aproveito para agradecer à autora deste blog, que me deu este lindo menino. Ao Ben, que já me recompensa diariamente pela função pai. E um feliz dia dos pais para todos que exercem esta função!

O pai que ele é – Blogagem coletiva Mulher e Mãe

Quando a gente casa, se junta, se enrola, conhecemos aquela pessoa como amante, amigo, companheiro. Criamos a expectativa de que será um bom pai. Pelo menos acreditamos “é essa pessoa que quero para pai dos meus filhos”. Desconhecemos-nos completamente como mãe e pai.

Antes dos filhos ministramos diferenças básicas: preferência por tampa da privada fechada, tubo de pasta de dente apertada por baixo, nada de manteiga cheia de furos, final do campeonato brasileiro de futebol ou último capítulo da novela (?), pizza ou lanche (?), no cinema: Batman ou Homem Aranha e assim vai…

Chegam os filhos. A casa cheia de fraldas, lenços umedecidos, brinquedos espalhados pela sala, noites mal dormidas e surgem outras tantas diferenças entre o casal (mãe e pai). Os primeiros meses da chegada do bebê é uma fase complicada. A mãe se torna um ser neurótico, quase uma máquina de cobranças e ordens: “pega aquela fralda” e um segundo depois “não precisa mais já peguei”, “faz a mamadeira”, “prepara o banho”, “já fez isso..e aquilo?” A mãe quer ser a melhor do mundo. O pai corre na tentativa de se tornar o melhor pai do mundo.

Meu marido se revelou um grande pai. Desses com letra maiúscula. Além de ajudar com algumas tarefas domésticas do cotidiano, ele ajuda efetivamente com o Benjamin. Ele dividiu muitas madrugadas comigo ou simplesmente ficava acordado me esperando amamentar o nosso pequeno Ben. Troca fraldas (e arrisco dizer que sua quantidade de trocas, é bem maior que a minha), prepara mamadeira, acorda de madrugada quando necessário, alivia minhas angústias (ou tenta) de mãe, leva (sozinho – quando precisa ou acompanha – quando pode) o Ben à pediatra, dá almoço, janta, é o chef oficial de sucos, lava as roupinhas, conta estórias, conversa e brinca com Benzoca de modo encantador para qualquer expectador.


Filho é transformação. Ninguém se dá conta que os erros fazem parte desse processo. E calma e paciência são peças fundamentais dessa evolução do deixar de ser só casal para ser também pai e mãe. Filho muda mesmo a gente. Descobrimos um novo mundo – que é muito bom descobrir a dois, mesmo com tantas diferenças. É ótimo ter alguém para decidir junto a melhor maneira de resolver a equação: filhos. Vendo os dois homens da minha vida juntos, encontro também a beleza da vida. E a certeza de ter feito a escolha certa.

Marido, você é o melhor companheiro e melhor pai do mundo. Eu te amo imensamente.

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Esse post faz parte da Blogagem coletiva, realizada pelo blog Mulher e Mãe, em homenagem ao dia dos pais.

Avós

Vovô (Palavra cantada)
Quando vejo o meu vovô
Que é pai do meu papai
Penso que um tempo atrás
Ele era o que eu sou

Agora sou criança
E o vovô também já foi
A vida é uma balança
Ontem, hoje e depois

Amanhã talvez quem sabe
Eu serei um outro avô
E o filho do meu filho
Será o que hoje eu sou

Ontem, hoje e depois

*

Hoje é dia dos avós. Eu sinto tanta saudade dos meus. Das festas de aniversário do avô Caxambu, o ex goleiro do São Paulo e da Portuguesa. Siiiiim, era o meu avô! Pai da minha mãe. Nas festas dele tinha uma bolinha de queijo que era a melhor do mundo! Sinto saudades de visitá-lo em seu escritório no centro da cidade, em São Paulo. Saudades da sua elegância e de todo seu carinho por nós. Sei o quanto ele foi importante em nossa vida, o que ele representa para minha mãe.

Tenho saudades do vô Roque. Dos seus conselhos, principalmente sobre os estudos e leituras. Saudades do cheiro da sua biblioteca e do cheiro da sua barba. Saudades de vê-lo entrar pela porta da sala com sorvete tablito para todos os netos, o barulhinho bom que os sininhos faziam quando a porta abria. Saudades da coca-cola servida no copo azul de plástico, aquelas bolinhas pulando no meu nariz. Saudades das fogueiras de São João. Do Natal. Do abraço. Do jeito como ele me olhava. Do seu olhar.

E sinto saudades da vó Biga (que ao contrário, seu nome se transforma em Gabi). Ela ainda está aqui, mas vive num mundo diferente. É a mesma Biga, ao mesmo tempo diferente. E sinto saudades da Biga que gritava com o Roque, que chamava atenção dos netos para não mexer em suas plantas. Saudades da macarronada aos domingos. Saudades do cheiro da casa da vila.

Ai que saudade!!! Às vezes sinto que podia ter aproveitado mais os meus avós. E agora é tarde. Mas na época, acho que aproveitei. É que na vida adulta a gente sempre acha que nunca aproveitamos o bastante o que passou.

Meu filho tem os 4 avós. Quero que Benjamin curta muito cada um e aproveite o máximo deles, pois todos são pessoas maravilhosas que com certeza tem muito a contribuir para o crescimento e educação do meu amado.

Livro: Pais inteligentes enriquecem seus filhos

Eu já li Casais Inteligentes enriquecem juntos e recentemente o marido ganhou de presente de aniversário o Pais Inteligentes enriquecem seus filhos, ambos do autor Gustavo Cerbasi.

Há que não gosta da ideia de ter uma disciplina na escola sobre educação financeira. Embora, eu acho que essa é uma responsabilidade dos pais, acho interessante incluir o tema no currículo escolar das crianças. Afinal, é de pequeno que se aprende.

Os pais devem preparar os filhos para a vida e aprender sobre educação financeira é importante. Dinheiro implica fazer escolhas e é essencial que a criança aprenda isso. Sabemos que dinheiro não traz felicidade, mas ele gera bem estar, qualidade de vida, segurança, tranquilidade, etc.

Gostei muito do livro. Apesar de ainda não estar na época de aplicar as dicas que ele sugere, achei válido para começar a colocar – desde já – em prática algumas sugestões na minha vida de mãe. Porque como bem diz o autor “oferecer conhecimentos sem praticá-los (habilidades) não leva a lugar nenhum. Praticar sem ressaltar sua relevância (atitude) empobrece o aprendizado. Da mesma forma, a prática sem conhecimento induz a erros...”

O livro fala sobre seis princípios fundamentais da educação financeira: valorizar, celebrar, orçar, investir, negociar e equilibrar; as seis atitudes fundamentais: ensinar todos os dias; com diversão; pelo exemplo; com justiça; com humildade; e ensinar com carinho. Tem sugestão de como pode ser dada a mesada; de investimento para os estudos do filho; negociação; dicas de como reagir diante do pedido “me dá um dinheiro”; a utilização do cofrinho; enfim, é cheio de orientação pertinente.

As dicas são válidas para praticá-las a partir de 5 anos do filho. Porém, indico a leitura até para reeducação financeira dos pais. Como diz no livro “o que esses filhos serão e farão no futuro dependerá quase exclusivamente das escolhas que esses pais fizerem durante seu desenvolvimento”.

#ficadica

O que se espera de um pai, afinal?

Acompanhei alguns noticiários sobre o acidente que envolve Thor, filho do homem mais rico do Brasil, Eike Batista. Fiquei pasma ao ler em uma das matérias, como se fosse o ato mais digno do mundo, que Thor não havia fugido do local do acidente, ficou para prestar socorro à vítima e esclarecimentos. Como?! Quem vê parece um grande gesto dele, mas o garoto não fez mais que sua obrigação. Era um dever dele naquele momento.

Ontem em sua coluna, a jornalista-escritora-talentosa-pra-caralho Eliane Brum, trouxe o assunto com olhos criteriosos, não só de mãe, mas de cidadã e principalmente de jornalista que tem o dever de informar – sempre com dados relevantes, importantes, de forma imparcial, o que todo jornalista deveria fazer independente se vai falar do Presidente da República ou do cara mais rico do Brasil. O texto inteiro é ótimo e vale muito a pena ler, mas aqui faço um ‘Ctrl C + Ctrl V’ de um trecho específico:

“Acho que é uma situação muito dura para qualquer pai – ou mãe. É duro dizer a um filho que ele errou. Em qualquer escala – e muito mais em uma escala dessa envergadura. É duríssimo. Mas é necessário. Não é fácil ser pai ou mãe exatamente porque a educação se dá nas escolhas difíceis. Educar é, em grande parte, ensinar aos filhos que eles são responsáveis pelos seus atos, dos mais simples aos mais complexos – e devem responder por eles. Mesmo que tudo o que gostaríamos, como pais amorosos, fosse voltar no tempo e apagar o passado”.

“Penso que um pai ou uma mãe deve se colocar ao lado do filho não para absolvê-lo, mas para apoiá-lo enquanto ele assume as consequências dos seus atos. Você errou, vai responder por seus erros, e eu vou estar ao seu lado. Ou: não sabemos se você errou, então vamos aguardar a apuração dos fatos. Se for concluído que você não errou, ótimo, mas mesmo assim uma pessoa morreu e é preciso lidar com essa tragédia. Ou: se for concluído que você errou, você vai responder pelos seus erros como a lei determina e um cidadão decente deve fazer, e eu vou ajudá-lo a seguir em frente apesar e a partir disso, aprendendo com a tragédia e não a esquecendo”.

A dimensão do nosso papel, como pais, na vida dos filhos, é enorme. Eu diria até que é imensurável. A educação não fica restrita apenas em ensinar boas maneiras. Com a educação devem estar acoplados nossos valores de vida, moral, ético.

Pouco se ensina sobre os erros. No mundo corporativo mesmo, vejo pessoas mais velhas, ocupando cargos que conquistou sem moral nenhuma. Profissionais que não se intimidam em colocar o erro no outro, mesmo sabendo que o erro é seu. Profissionais com filhos. Antes isso era algo que eu via e nem me preocupava, achava a pessoa sem ética e fazia o meu como acreditava ser certo. Mas agora que tenho um filho, já me peguei olhando para seres desse tipo e pensando: qual será a educação, os valores, que essa pessoa passa para seus filhos?! A educação do “se alguém errou, foi sempre o outro”?! Ou “a culpa é minha, coloco em quem eu quiser”?!

Ganhei essa semana do Marido o Livro do Eike Batista, O X da Questão. O prefácio é escrito pelo pai de Eike, logo no início diz assim “é por demais dificultoso para qualquer pai falar publicamente de um filho. É como se andássemos sobre um fio de cabelo esticado ao longo de um penhasco. De um lado, o risco da demasiada adulação; do outro, a ameaça de uma completa degeneração do senso crítico, ambos resultado da cegueira imposta pelo véu do afeto. Para os pais, o filho é a soma de todas as virtudes”.

Sim, nossos filhos são os mais lindos do mundo, os mais inteligentes, os mais virtuosos, os corretos, os mais honestos, os melhores em tudo, etc. Mas…. cada pai e mãe conhecem muito bem os filhos que tem. O ser humano não é perfeito. Mas nós, pais, devemos fazer o nosso papel. No início do seu texto, Eliane Brum faz a pergunta que leva título deste post: O que se espera de um pai hoje, afinal?

Essa é uma questão para refletirmos.