O dia em que me tornei pai

Em 16 de junho de 2011, a Câmara dos Deputados aprovava sigilo para orçamentos da Copa de 2014. O tempo era aberto e seco na Grande S. Paulo, com mínima de 10o e máxima de 23o. A cotação do Dólar era de R$ 1,60. O time do Santos empatara o 1º jogo da final da Libertadores com o Peñarol, do Uruguai, um dia antes e viria a ser tricampeão na semana seguinte. O ex-jogador Edmundo era considerado foragido e fora preso em São Paulo, responsabilizado pelo acidente que se envolveu, em 1995. E o jornal estampava fotos do 1º eclipse total da Lua neste ano.

Mas a principal notícia, para mim, viria precisamente às 22:28h daquele dia comum. A chamada veio um pouco antes, com uma enfermeira que me encontrou num corredor enquanto aguardávamos o resultado de uns exames: “pai, baixou o líquido amniótico, vai ter que nascer hoje!” Parecia um band-aid sendo arrancado de uma vez só, sem tempo para pensar ou reagir. E enfim, naquela noite, fechamos com a chegada do Ben, que personificou toda a nossa felicidade numa pessoinha de pouco mais de 52cm e quase 4kg.

Pai tem aquele lance de ser pai mesmo só quando o filho(a) nasce. Pai não sente os chutes dentro da barriga, as vibrações que a mãe sente, não tem aquela ligação íntima antes do nascimento e não se sente 100% pai antes do parto. Antes de nascer, o pai até conversa com a barriga, fala pelo umbigo, tenta ouvir coisas, sons, barulhos, mas não é a mesma coisa que a mãe.

E o nascimento do bebê vem para completar essa lacuna. A partir daí, o pai tem contato com a criança, pega no colo, sente os movimentos, a respiração. Pega no pezinho, na mãozinha, sente o pequeno grande peso da cria. Acho que é por isso que entregam no nosso colo, na sala do parto. A mãe já era mãe há alguns meses, o pai nasceu naquele momento…

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Crédito das notícias do dia: Tio Mauro, que nos presenteou com o jornal do dia do nascimento do Benjamin. Presente-lembrança inusitado e que guardo com carinho até hoje, que quero mostrar ao Benjamin quando ele crescer e entender melhor.

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#blogdemaesemmae #papaiblogando

As agruras da maternidade

Tudo começou ontem depois do almoço. Uma angústia tomou conta de mim e eu falava pra minha colega de trabalho: “vontade de chorar, gritar, sair correndo”. Tem um monte de coisa pra acontecer, mas sinto tudo estagnado na minha vida. Culpa da minha ansiedade? Talvez. E aí tento me apegar na frase que li semana passada no instagram do ‘Mulher sem script’: “Calma. É aos poucos que a vida vai dando certo“.

Foi quando recebi uma ligação da escolinha e a calma que eu buscava foi para o espaço. Benjamin apresentava umas manchas no corpo, que começaram nas pernas e estavam subindo pra barriga. Fiquei apavorada. Podia ser uma alergia, mas como ele não estava tomando nenhum remédio e aparentemente não tinha ingerido nenhum alimento diferente, essa hipótese foi a última coisa que passou pela minha cabeça.

Incrível a minha capacidade de pensar sempre no pior. A primeira coisa que pensei foi referente ao galo na cabeça. Benjamin sofreu uma queda forte no sábado retrasado. Subiu um galo assustador, que baixou relativamente rápido, mas foi nessa segunda-feira passada que me ligaram da escolinha perguntando se ele havia caído em casa (sempre tentamos manter a escola informada no caso de machucados). Explicaram que ele estava com um galo no mesmo lugar do outro de antes, que só apresentava aquela mancha esverdeada e que ele não tinha caído na escola. Fiquei encanada com isso. Quando o busquei vi o galo e aquilo ficou na minha cabeça.

Então, fiz relações com isso, pensando que podia ser alguma reação, sei lá… saí do trabalho correndo, tremia de nervoso, nem sei como consegui dirigir até a escolinha. Fiquei mais preocupada ainda quando vi as manchas. Nesse meio tempo, eu já havia ligado para a pediatra dele que fez algumas observações do que poderia ser, e uma delas, a pior das hipotéses, podia ser púrpura infantil.

E lá foi a mãe fazer um Google. Gente essa é a pior coisa que devemos fazer nessas horas. Eu sei e não sei porque fiz. O marido me alertou, falou para eu não pesquisar, mas já tinha feito. Não gostei nada dos resultados que encontrei. Mas parei de chorar e no percurso para o hospital eu só pensava no quanto Benjamin é saudável, que não seria nada de ruim, seria apenas uma alergia seja lá do que fosse.

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Fomos para o hospital infantil Sabará. Fomos atendidos rapidamente. Além das manchas, ele estava com 38,6 de febre. Benjamin internou, fizeram exames de sangue, urina, medicaram na veia com corticoide, as manchas aumentaram e medicaram novamente com outro remédio. E se as manchas não passassem, fomos alertados: ele teria que ficar internado. Só que eu já estava mais tranquila e com a certeza de que as manchas sumiriam.

A médica saiu do quarto e como que num toque de mágica, Benjamin ficou branquinho. Sem mancha nenhuma. Fiz uma comparação entre Benjamin e eu. Apesar do medo que ele sentia cada momento que entrava uma enfermeira, ele chorava, mas não se debatia, não se mexia, ficava quietinho. Eu sempre fui assim desde pequena. Tenho pavor de hospital e agulha, choro (ou chorava, a gestação me fortaleceu mais nesse sentido), mas sempre fiquei quieta esperando o que fariam comigo. E sempre ficava incrivelmente boa diante da possibilidade de ter que ficar no hospital rs.

Benjamin teve uma urticária brava, uma alergia talvez causada por algo que ele tenha comido. De diferente, ele comeu morangos, fruta que a gente evitava por ter muitos agrotóxicos. Vamos procurar ainda um alergista, buscar saber o que aconteceu.

Ontem foi pra mim mais uma dessas provações da maternidade. Para qualquer mãe é muito difícil ver seu filho ser picado, tirar sangue, colocar acesso pro soro e ouvir seu choro e seu chamado: “mamãe, colo. mamãe, colo”. Como diz Denise Fraga, em seu livro “Travessuras de mãe”, ser mãe compreende muitas dualidades. É uma grande mistura de alegria e dor.

E foi com essa dor no peito que não deixei cair uma lágrima perto do pequeno, me enchi de coragem para ficar ao lado dele, segurá-lo durante todo o processo (eu que nunca havia segurado ele sozinha para tomar vacina) e deitar ao seu lado na cama do hospital.

Chorei sozinha quando fui ao banheiro, depois de já terem colhido o sangue dele. Chorei e pedi em silêncio para ir embora daquele lugar o mais rápido possível com o meu filho bem.

Lembro da primeira vez que Benjamin ralou o joelho. Aquilo doeu em mim também, mas era apenas um joelho ralado e pensei: ele ainda vai ralar muitas partes do corpo. E desde então, tenho provas disso quase que diariamente. Já pensei em comprar um capacete de tanto que ele bate a cabeça (até dormindo ele faz isso no berço). Na véspera de seu aniversário, ele caiu e bateu o rosto no batente da porta e quando vi o resultado achei que ele ia precisar levar pontos no supercílio. Sinceramente,  eu não estava preparada para isso.

Tenho me perguntado, será que estaremos preparadas algum dia? Um dia estaremos fortalecidas como mãe? Eu acho que me fortaleço a cada experiência dolorosa dessas, incluindo as pequenas. Mas acho que nunca estaremos preparadas.

Culpa dos Terrible Twos ou do desenvolvimento emocional?

Benjamin está numa fase chata pra caramba. Eu já disse que sou uma pessoa sem paciência e agradeço todos os dias pela cria a mim concedida, afinal, em geral, Benjamin é muito bonzinho. Pensei que tinha aprendido a ter paciência, mas era apenas a primeira etapa do processo da maternidade. A segunda etapa consiste em testar os limites de paciência da mãe.

Meu Ben é todo lindo, sorridente, carismático. Um anjo. Obediente. Parece o bebê uma criança perfeita. Mas o que as as pessoas de fora não imaginam é que esse mini-humano é capaz de levar você a loucura, em um clique.

Vivemos uma fase em que tudo é meu, ou melhor, é dele! Escuto diariamente 588 vezes, aproximadamente, o: é meu o controle, o tênis, a Capitu, o iPhone e o iPad da mãe, a touca, a mochila, o Woody, o Buzz, o Mickey, o Pluto, o prato de comida, a colher, o shampoo, o sabonete, o copo e mais uns 89 itens ao alcance do Benjamin. Detalhe, ele faz cara de mau, faz bico, tenta tomar da nossa mão.

Semana passada, ele resolveu testar esgotar minha dose mínima de paciência e fez algo que eu odeio abomino. Começou a chorar no carro de volta pra casa. Motivo: iPhone. Ele não queria um, mas queria os dois iPhones – o do pai e o da mãe. Sinceramente, nem lembro como começou. Ele já estava com o meu na mão e o marido me deu o dele para ver um vídeo, quando Benjamin viu na minha mão (eu estava no banco de trás para evitar que ele dormisse) queria tomar de mim e foi aí que tudo começou. Pense num trânsito. Agora pense numa criança berrando. E todos os carros à volta olhando. Ainda tivemos que parar para comprar a ração da Capitu. Pensei que Benjamin se acalmaria, mas ele berrou ainda mais dentro loja e os berros dele ecoavam.

Todo mundo olha pra mãe com cara de “faz alguma coisa para ele parar de chorar” ou “coitado, o que será que ela fez pra ele”. É aquele momento que ninguém viu o que aconteceu, mas fica te julgando. Entramos no carro novamente e sem chance de colocá-lo na cadeirinha. Levei ele no colo, berrando até em casa. Nesse meio tempo, eu já tinha perdido minha ínfima paciência, já tinha gritado com ele, já tinha me arrependido e gritado novamente.

Gritar com Benjamin é algo que corta o meu coração, me machuca demais. Eu não gosto de gritar com ele por n motivos: porque eu acredito que gritar não resolve nada, só altera ainda mais os nervos; porque se ele já não entende o que quero dizer, fica mais difícil ainda captar a mensagem; porque eu sou a adulta e é de mim que deve vir postura, compreensão e comportamento diferente; porque acredito que quando gritamos com as pessoas que amamos os nossos corações se afastam.

Mas eu já estava fora de mim, querendo de qualquer jeito que ele me entendessem e partir para o grito foi a solução que achei. Totalmente inadequada. Só depois que caí em mim, comecei o que acho menos insensato, a ignorá-lo. E ele começou a chamar por mim “mamãe, mamãe, mamãe” e puxar meu rosto para olhar pra ele. Dói. É difícil.

Esse tipo de comportamento do Benjamin, está se tornando frequente (não com o mesmo tempo de duração desse episódio que durou, aproximadamente, uns 40 minutos), mas é algo que tem acontecido bastante. Geralmente, quando ele está muito cansado, que foi o caso desse dia e que eu fui perceber só depois. Tem acontecido quando ele acorda de mau humor porque foi dormir tarde e nós acordamos muito cedo (vou contar em outro post como está a rotina noturna de casa).

É a fase do Terrible Twos somado à fase de desenvolvimento emocional da criança. Eles fazem manha, querem atenção e descobrem a força do berro deles. Eles estão descobrindo que conseguem fazer várias coisas sozinhos, como colocar o tênis, tirar a roupa, comer… e querem mostrar que não precisam da sua ajuda. É a fase de crescimento, bebê está virando criança e a mãe….a mãe está virando uma louca.

Aí cabe a nós mães ler as entrelinhas, ou seja:

a)  perceber que a criança está cansada – nem sempre isso é tão simples, se for pela manhã ok; agora se for como o dia desse episódio é complicado, pois Benjamin demonstrava o melhor dos humores. E tem um outro detalhe pertinente, o signo do mini ser humano! No caso, meu Ben é de gêmeos, o que significa altos índices de variação no humor ao longo do dia;

b)  inventar métodos para reverter a situação – cabe a nós incrementar as situações, dar piruetas, se fazer de bobo, descobrir maneiras para distrair a cria. Difícil, pois você também pode estar de mau humor (bobagem, mãe tem que estar sempre bem!) e porque não é uma técnica para um momento apenas. Tem que inventar para a hora do banho, de comer, de dormir, de sair para ir à escola, na hora de deixar um brinquedo no carro e/ou na casa, enfim tem que fazer escolhas (de preferência a de melhorar o dia), tem que ter criatividade, não basta ser uma mãe super heroína, tem que ser mágica para salvar o dia do filho e da família.

Festa Junina e uma reflexão sobre ansiedade e expectativa dos pais

Sábado passado foi a Festa Junina da escolinha do Ben. Há semanas as crianças estavam ensaiando e há dias eu ouvia a mesma coisa ao deixar o Ben na escola: “ele é um dançarino; dança direitinho; ele adora dançar; blá, blá, blá”, aquilo tudo que deixa qualquer mãe toda prosa.

Em casa eu comprovava isso, pois Benjamin sempre gostou de dançar. Principalmente a música da apresentação. Ele já conhecia e nós dançávamos muito em casa, mas eu não sabia que seria essa.

Passei a semana meio ansiosa. Na infância eu fui muito tímida, embora me apresentasse nessas ocasiões, sempre me permiti ficar encolhida. Mas no geral eu era muito tímida, mais quieta. Benjamin tem outro comportamento. Ele é extrovertido, alegre, sorridente, sem vergonha, li-te-ral-men-te. E esse sempre foi um dos meus desejos enquanto estava grávida. Eu desejava ter um filho sorridente, solto, extrovertido.

A apresentação da turminha dele foi a terceira e as duas anteriores o deixou empolgado, batendo palmas para os coleguinhas. Quando chegou sua vez ele se agarrou no meu pescoço. Eu sabia que isso podia acontecer, pois Benjamin tem demonstrado um pouco de vergonha em público. Subi com ele no palco, agachei e ali ele ficou comigo até que chegou o refrão da música e….vocês poderão ver com os próprios olhos (estamos à esquerda do vídeo):

Meu peito inflou de tanta alegria e orgulho. Bateu uma vontade imensa de chorar de emoção. E até agora, toda vez que vejo esse vídeo, essa vontade volta.

*
Mas porque não conseguimos controlar e colocamos tantas expectativas em nossos filhos?

Analiso o que disse lá em cima: sempre desejei que Benjamin fosse sorridente e extrovertido. Tudo o que não fui. Projetei nele, mesmo antes de nascer, coisas que não fui na minha infância. É muito louco isso.

As crianças tão pequenas são submetidas a apresentações das quais não estão preparadas psicologicamente e quem sabe fisicamente. Elas são treinadas por semanas, mas chega na hora H, ficam paralisadas. De um grupo de treze, uma ou duas crianças até fazem a alegria. Mas a maioria ficam ali no palco em pé, paradas, pensando sei lá o quê, olhando aquele bando de gente, a música alta rolando, as tias dançando olhando pra elas e os pais – os grandes expectadores – acabam frustrados. Pergunto: é necessária essa exposição toda?!

E é um sentimento natural(?!). Você quer ver seu filho dançar, fazer graça e quer mostrar pra todo mundo que seu filho é talentoso em alguma coisa (ou de preferência em tudo). Aliás, ansiamos ouvir isso a todo instante.

Estou lendo o livro “Sob Pressão”, de Carl Honoré – jornalista e historiador ex viciado em velocidade e rapidez que atualmente dedica-se a filosofia do Slow moviment. Foi indicação da blogueira Mariana, do blog Pequeno guia prático para mães sem prática e Minha Mãe que Disse. Estou gostando muito e em breve vamos sortear um exemplar aqui no blog.

Nesse livro, o autor fala justamente disso, da ansiedade e expectativa que nós pais colocamos em nossos filhos, da intervenção dos adultos na vida das crianças, de como usamos a tecnologia para vigiar os pequenos. Segundo o autor “estamos criando a geração mais conectada, mimada e monitorada da história”.

Falarei sobre esse livro mais para frente, mas uma das reflexões que ele traz e que quero deixar nesse momento, porque é a que tenho feito é: hoje vivemos para tirar o máximo que nossos filhos podem ser e/ou fazer. Queremos que eles tenham o melhor de tudo e que sejam os melhores em casa, na escola, nas atividades extra-curriculares, o dançarino em destaque na festa junina (por que não?!).

Mas não basta que eles sejam talentosos. Além disso, temos planos para a vida deles e desejamos fervorosamente protegê-los contra tudo e todos. Como diz logo no início do livro: “Queremos que sejam artistas, acadêmicos e atletas – e que deslizem pela vida sem privações, dores ou fracassos”.

Até que ponto isso é bom ou ruim? Será que isso faz bem para nós pais e, principalmente, para nossos filhos?

É proibido proibir a entrada de meninos

Antes de ser mãe você imaginou que a maternidade te colocaria a frente de alguns dilemas?

Eu nunca tinha pensado tão profundamente nisso antes de ter filho. Por exemplo, hoje sempre me pego pensando em como é difícil criar seres humanos e no meu caso, acho complicado, principalmente, criar meninos.

Isso porque eu vejo uma cobrança muito grande em cima dos meninos relacionados ao machismo. Mais ou menos assim: menino não pode isso, não pode aquilo, menino tem que ser macho! Eu sou muito feminista, segundo o marido, para aceitar certas coisas. Portanto, vira e mexe me questiono até que ponto devo usar meus princípios feministas para influenciar meu filho.

Mas existem outros dilemas que ainda não tinha pensado até porque talvez não tenha chegado na fase. Outro dia minha grande amiga Dani mãe-já-de-dois comentou comigo que estava levando o filho mais velho para fazer natação. Eis que ela comentou que no banheiro feminino havia uma placa proibindo meninos de 5 anos entrarem no recinto. E que nesse estabelecimento não tinha banheiros voltados somente para crianças. Oi?

Ela me contou isso um pouco inconformada e tamanha foi minha incredulidade. Nunca tinha pensado nisso! Aliás, nunca tinha visto uma placa dessas. E tampouco vejo banheiros infantis, é raro vamos combinar! Fui conversar com outras mães e parece que essa placa é mais comum do que encontrar um trocador nos banheiros públicos.

Conversei com a psicóloga Fernanda Nogueira, mãe de dois, fundadora do Palavra de Bebê ,  que atualmente vive na Califórnia pesquisando sobre cuidados na primeira infância. Ela me disse que lá praticamente em todos os lugares, nos banheiros femininos, tem trocadores, normalmente simples, da marca Koala. Alguns lugares ela disse ter banheiros de família, fora dos banheiros específicos (feminino / masculino). No Brasil, encontramos alguns (poucos) lugares assim. Eu já vi o trocador fora dos banheiros – o que acho bacana, uma vez que não tem trocadores nos banheiros masculinos e, em minha humilde opinião, isso deveria ser obrigatório. Se o pai sai sozinho com a criança, ele troca aonde?!

Fernanda contou que já viu no Brasil essa proibição de meninos em banheiro femininos, principalmente em vestiário de clube. Mas que lá na Califórnia não viu esse tipo de proibição, os meninos que ainda não podem ir sozinhos ao banheiro acompanham suas mães no feminino.

Sei lá, na minha cabeça isso é básico! Não vejo problema de um menino de 5 anos acompanhar a mãe ao banheiro feminino. Vejo problema em deixá-lo ir sozinho num banheiro masculino! Um problema com um nome bem feito: pedofilia!

Tenho pensado muito nessa questão de pedofilia. Isso é um problema sério, delicado demais. A psicóloga Fernanda, diz que nesses casos de banheiros com esse tipo de placa, é sempre melhor encontrar uma maneira lúdica de conversar com as crianças, para que elas possam ficar alertas, não com medo, mas atentas ao respeito que os adultos devem ter com elas.

Concordo. Mas como ficam os estabelecimentos?

Alguém aí já pensou ou passou por alguma situação semelhante? O que vocês acham disso?

Queria ver alguém me impedir de entrar com meu filho no banheiro feminino. Primeiro que um estabelecimento que faz esse tipo de proibição, tem que no mínimo oferecer uma alternativa plausível, nesse caso específico, um banheiro infantil era o mínimo que deveriam oferecer.

Se não tem essa opção, vamos combinar, é proibido proibir!

Coisas que farei diferente com meu 2º filho

Ou coisas que eu faria diferente se pudesse voltar atrás.

Várias coisas eu faria diferente com meu segundo filho e que talvez possa ajudar algumas mamães de primeira viagem a fazer diferente com o primeiro filho.

AMAMENTAÇÃO
Amamentaria em livre demanda, a hora que ele quisesse, sem medo de ser feliz. Amamentei Benjamin todas as vezes que achava que ele queria, mas eu amamentaria em dobro. Primeiro porque faz bem a eles e a nós. Segundo porque não tem experiência mais especial e gostosa que essa e passa tããããão rápido…

CELULAR/LIVROS
Faria um esforço tremendo para não amamentar com o celular ou livro na mão. Eu sempre fui muito ansiosa e ficar quieta num lugar era impossível pra mim. Amamentar foi difícil nesse aspecto porque eu ficava sentada, parada e me dava a sensação de não estar fazendo nada. Resultado, logo me apeguei no celular e nos livros para apaziguar essa sensação na hora de amamentar. O que hoje vejo que era uma grande besteira, pois amamentar é isso mesmo, o ato de ficar sossegada, apreciar seu bebê fazendo aquele movimento de sucção. Eu não estava fazendo nada, eu estava me entregando. Amamentar é um momento de entrega total para o bebê.

VISITAS

Se chegasse visita na hora em que o bebê estivesse dormindo, pediria licença e ia dormir também! Isso eu não fiz e ficava irritada depois por estar cansada e não ter aproveitado o descanso do Ben para descansar também. Principalmente, se era visita, só que não (sabem como é?!).

CHUPETA
Não empurraria a chupeta para o bebê. Eu empurrei para meu Ben e ele não aceitava até que um belo dia aceitou.  Benzoca deu Tchau, Chupeta! aos cinco meses. Embora tenha sido fácil para ele, a mãe aqui sofreu e ainda sofre um pouquinho até hoje se questionando se isso fará alguma falta psíquica pra ele futuramente. Neura de mãe. #alouca

REGISTRO
Fotografaria bastante a barriga e escreveria todas as mudanças, os acontecimentos, os primeiros movimentos, as datas, enfim, faria um diário completo do período da gestação.

COLO DE MÃE 
Pegaria mais vezes no colo sem medo de mimá-lo, sem medo de acostumá-lo mal – bebês recém nascidos precisam do colo da mãe mais que tudo. Imagine que eles passaram meses no escurinho, quentinho e super protegidos. De repente saem para esse mundão de meu deus: essa temperatura louca que muda a cada dia (ou hora), essa luz toda, o barulho… Como ficariam mal acostumados só com um colinho de mãe?! O colo da mãe é quase que uma necessidade. Eles crescem e um dia deixam de caber por inteiro no colinho da mamãe ou pior, um dia eles recusam! Colo de mãe não é capricho, é amor!

Enxoval – Parte 2

ALIMENTAÇÃO

Nós (e, principalmente, as avós) pensamos que o bebê vai nascer e vai usar a mamadeira, comer nos conjuntos de pratinhos lindos, usar babadores, etc, etc, etc…para tudo! Eles demoram um pouco para usar esses itens. Na lista abaixo, tudo o que ele vai precisar, mas que não necessariamente usará de imediato.

O que compramos

1 garrafa térmica;

1 mini garrafa térmica – usava pra levar água quente dentro da bolsa toda vez que eu saía com o Ben;

1 mamadeira com bico que imitava o seio;

O que ganhamos

5 mil mamadeiras grandes;

3 mamadeiras pequenas;

1 mamadeira chuquinha – nem usamos, aliás está em casa guardada;

9 bicos de mamadeira;

1 porta leite – eu não sabia a serventia daquilo quando abri o pacote! É um item indispensável!!! É incrível, o meu tem divisão para três doses de leite em pó. Todas as pessoas mais antigas, minha mãe, minhas tias e até meu pai, acham o máximo quando me olham sacando os itens da bolsa e se deparam com tanta praticidade. Na época deles não existia nada disso;

1 conjunto de coador e funil – eu uso muito o funil, não consigo colocar o leite em pó na mamadeira sem esse utensílio;

1 escovinha para lavar mamadeira;

1 pinça plástica pra você pegar os utensílios depois de esterilizados, pense em não usar…;

1 esterilizador de mamadeiras – posso falar? Nem sabia que tinha isso até ir fazer a lista de enxoval;

3 mil jogos de pratos;

3 mil jogos de talheres;

3 mil copos;

1 cadeirão;

15 mil babadores de pano;

1 kit de babadores descartáveis – [ótimos, mas quase não usei babador. Benzoca não fazia sujeira pra comer, sério! Só quando estávamos prontos pra sair ele se sujava comendo, lei de Murphy, sabe como é?!

SAÚDE

O que compramos

1 inalador – compramos quando Benjamin estava com 5 meses de vida, quando ele teve bronquiolite. Foi um desespero correr atrás disso, porque andei por diversas farmácias do bairro, não sabia qual fazia menos barulho, enfim…tenha em casa um inalador! Pra falar a verdade, eu nunca nem tinha pensado nisso e é algo que usamos muuuuito;

1 termômetro.

O que já tínhamos em casa:

1 bolsinha térmica, ótima para esquentar a barriga quando o bebê tiver cólicas. Benjamin quase não teve, mas chegamos usar nas poucas vezes;

O que ganhamos

1 aspirador nasal

1 dedeira

ROUPAS

O que compramos

De verdade não me lembro de ter comprado roupas para o Benjamin. Compramos sapatinhos numa ponta de estoque da loja Alô Bebê. Comprei duas peças de roupas quando ele já estava com 4 meses, em liquidação na loja Green. Depois voltei a comprar recentemente.

O que ganhamos

Ganhamos de tudo: saída de maternidade, bodies, macacões, casaquinhos, sapatinhos de lã, meias…

Não vou aqui citar a quantidade ideal para cada peças. Avalie a época do ano que o bebê vai nascer. Se ele vai nascer no verão, não tem por que comprar macacão felpudo.

Não cabe aqui falar em quantidades, mas não compre muitas peças iguais, pois os bebês recém-nascidos perdem tudo muito rápido, questão de dias e semanas.

Lembre-se que você pode ganhar muita coisa da lista no chá de bebê! Mas vá com calma. Nessa ocasião, eu sou adepta da coerência. Chá de bebê é um evento para reunir os familiares e os amigos, para compartilhar essa alegria toda que é a chegada do bebê e principalmente, para a grávida relaxar. Não faz sentido pedir presentes caros, hein?! Exceto se você for muito íntima! Acho um absurdo quando sou convidada para esse tipo de evento e me pedem, por exemplo, um pacote de fralda + um item da lista. Gente, um pacote de fralda de qualidade custa em média R$35 reais! Ou você faz um chá de fraldas onde vai ganhar só fraldas, o que é ótimo também. Ou opta pelo chá de bebê onde vai ganhar os acessórios. Chá de bebê é para incluir os itens necessários e de preços razoáveis.

Sugestão: Eu fiz o chá de bebê familiar e entre amigos. Na empresa organizaram pra mim um chá fraldas o que foi ótimo, pois começamos a comprar fraldas para o Benjamin quando ele completou um ano! #ficadica

A angústia da separação

Colocar o filho no berçário ou na escolinha é uma decisão muito difícil. Mães de primeira viagem sofrem e não sabem como lidar com essa situação. É tudo muito novo, a maternidade chega ser avassaladora, transforma toda nossa vida.

Algumas mães tomam a decisão de parar de trabalhar. Outras não podem ou não querem seguir esse caminho. Por algum momento eu quis, mas logo depois esse desejo insano passou.

Embora goste da maternidade, não teria capacidade, muito menos paciência, para cuidar de filho e consequentemente da casa. Acho até que a forma como me entrego para a maternidade é justamente por essa escolha, por me dividir entre profissional e mãe. Se eu tivesse parado de trabalhar, tenho certeza que em alguns meses estaria sem paciência e disposição nenhuma para maternar (ou não?!).

Optei por colocar Benjamin no berçário e ele foi logo cedo, assim que acabou minha licença maternidade, aos 5 meses de idade. Sofri. E perguntaram-me: como você superou isso? Eu não sei bem como responder, mas acho que alguns fatores contribuíram.

Um deles foi deixar Benjamin num lugar que me transmitiu confiança absoluta. Eu me sentia segura ao deixá-lo lá. Depois outras mães vinham me falar que colocá-lo no bercário era a melhor decisão que eu tinha tomado, que ele ia evoluir, seria ótimo para a sociabilidade, etc. Comecei a ter certeza que eu tinha tomado a decisão certa. E hoje tenho essa certeza maior ainda dentro de mim. Não me arrependo e faria novamente.

Acredito que colocar a criança com idade um pouco maior na escolinha, gera um sofrimento maior para ambos: filho e mãe. Filho porque já entende a separação, mas acha que a mãe está deixando ele lá e não sabe se ela vai voltar. Mãe porque, ao ver o filho sofrer, vai sofrer em dobro. Ser mãe dói!

Minha sugestão: conversar! Não importa a idade da criança, ela sente o que você quiser transmitir a ela. Explicar que você vai deixá-la lá, mas que vai voltar no final do dia para pegá-la. Jamais ir embora escondida ou inventar alguma desculpa. JAMAIS! A criança precisa se sentir segura e ela não vai sentir isso se você disser que vai ao banheiro e volta já (e não volta!). Esse é um trabalho conjunto com a escola que deve também esclarecer para a criança que a mamãe volta no final do dia – a noção de tempo da criança é diferente do nosso tempo, por isso é importante explicar que vai demorar, propor atividades, mas sempre deixar claro que a mãe volta.

Não tem jeito, as primeiras semanas são terríveis. Mas como tudo na vida, passa! Se para a mãe forem claros os motivos pelos quais é necessária essa separação, logo a frustração dará lugar para o conforto e segurança. Logo, a criança passa a compreender que a mãe vai voltar. Mãe segura e feliz é sinônimo de filho seguro e feliz. Mesmo que você não esteja segura, é segurança que você deve transmitir.

Depois, minha amiga, é só alegria! Eles entram na escolinha, não te dão tchau e nem olham para trás, acredite! Tem mãe que fica chateada. Eu fico orgulhosa, sério, meu peito chega a estufar, com aquela certeza de que fiz algo certo até aquele momento. A evolução do desenvolvimento deles é absurdamente incrível. E não tem coisa melhor para uma mãe do que ver o seu filho se desenvolvendo. Um dia ele chega cantando uma música, noutro ele fala uma palavra nova, noutro ainda ele te mostra um paisagem e dá nomes e significados para cada imagem. É indescritível….!

Dizem que a dor do parto natural é esquecida no momento em que você vê a carinha do seu filho. Eu diria que a angústia sentida nessa fase de deixar o bebê no berçário é esquecida no momento em que você vê essa evolução acontecer. Talvez por isso eu não saiba responder como fiz para superar isso. Não lembro nem quanto tempo durou, se foi uma semana, duas, três…

Não, não é fácil ser mãe. Assim como também não é fácil ser avaliado, não é fácil o primeiro dia de emprego, o primeiro dia na escola, na faculdade, dar o primeiro beijo….

Na vida inteira enfrentamos desafios, escolhas, encontramos pessoas boas outras não tão boas assim, perdemos pessoas queridas ou porque mudaram de cidade ou porque partiram para outro lado da vida – para essa separação é a única que não existe remédio. Essas e muitas outras coisas, não temos como evitar.

Toda criança um dia vai ter que ir para a escola. Mais cedo ou mais tarde chega esse dia. E o que devemos fazer é enfrentar, ter coragem, ser forte! Minha tia Rosana me disse uma vez quando Benjamin estava doente, com febre alta pela primeira vez: você é mãe agora, mãe não pode ter medo! Eu tento me lembrar sempre disso. E lembro que a vida é cheia de variantes e que não podemos evitar que nossos filhos passem por determinadas coisas, muito menos criá-los numa bolha, mas podemos passar por tudo juntos.

*
Esse post foi inspirado por um email de uma leitora. Espero que você tenha gostado e que possa ter te ajudado. Obrigada pelo carinho!

Livro: A criança mais feliz do pedaço

A criança mais feliz do pedaço

‘A criança mais feliz do pedaço’

Enfim, terminei de ler meu primeiro livro materno do ano: A criança mais feliz do pedaço, do professor de pediatria Harvey Karp. Eu simplesmente amei e indico muito esse livro. De todos que li até agora sobre como educar e lidar com as birras, esse é o que mais dá dicas práticas e reais de serem aplicadas.

O livro fala sobre os fundamentos da relação criança e pais; a importância de se conectar com respeito com as crianças, traz um capítulo inteiro sobre a comunicação mais usual com as crianças – o autor define como Criancês, mas é muito conhecida como Manhês. E foi nesse capítulo que me deparei com a maior dificuldade que tive no início da minha relação com o Benjamin, falei sobre isso AQUI.

O autor apresenta uma regra de ouro para comunicação, ele define como: Fast-food. O método da regra é basicamente: “sempre que falar com alguém que esteja pertubado, repita os sentimentos dessa pessoa primeiro, antes de dar seu conselho ou de fazer um comentário”. Os pontos principais da regra Fast-food são:

1. Quem está pertubado fala primeiro; a outra pessoa ouve, repete o que ouviu e só então tem sua vez de falar;
2. O que você diz a uma pessoa pertubada não é tão importante como o modo com que você fala;
3. Os melhores pais usam essa regra em vez de palavras que ferem, comparam, distraem e se apressam a silenciar os sentimentos.

Um dos capítulos traz dicas de como moldar o comportamento do filho, incentivando as crianças boas e desestimulando as crianças que não são tão obedientes. O autor ensina como educar, utilizando um conceito simples que ele chama de Luz Verde, Luz Amarela, Luz Vermelha.

Comportamento Luz verde: dá dicas de como incentivar o bom comportamento do seu filho, com 5 métodos: 1) Recompensas – incentivar a cooperação com coisas divertidas, então ele dá exemplos como, dar atenção, fazer elogios, apertos de mãos, estrelas, segredinhos (que é você falar bem da criança para outra pessoa fingindo que não está vendo a criança ouvir); 2) Construir a confiança – sempre utilizar o respeito e às vezes se fingir de bobo (mostrar que a criança sabe mais de determinado assunto, por exemplo, faz com que ela se sinta esperta e vencedora);  3) Ensinar paciência – desenvolver o autocontrole, alongando a paciência de seu filho, fazendo-o esperar um pouco e um pouco mais sempre. Isso contribui para a criança aprender a ter paciência. 4) Criar rotinas diárias – as rotinas quando simples ajudam as crianças se sentirem seguras. Pode ser uma conversa na hora de dormir (rever tudo o que a criança fez no dia, por exemplo), contar uma história; 5) Plantar sementes de gentileza: ensinar boas maneiras através de contos de fadas, faz de conta, estórias.

Comportamento Luz amarela: dá 4 dicas de como superar o comportamento irritante das crianças, como choramingar, por exemplo. 1) conectar-se com respeito – usar a regra do fast-food e o “criancês”; 2) Ter limites claros e coerentes – implica falar de um jeito simples, frases curtas e repetição para a criança entender quando você fala; 3) Criar concessões ganha-ganha – usar um pouco de negociação e senso de justiça do seu filho para transformar as situações de “não-não” em uma situação em que todos ganham; 4) Aplicar consequências moderadas – alertas de palmas e ignorar com gentileza são modos persuasivos de mostrar a seu filho que os comportamentos incômodos não o levam a lugar algum.

Comportamento de Luz Vermelha: apresenta dicas de como frear o mau comportamento. Então, por exemplo, três tipos de maus comportamentos que você deve evitar: Atos perigosos, como correr para a rua; Agressão; Desobedecer às regras da família. É uma regra basicamente ligada a disciplina. Esse capítulo fala sobre castigo, como usar e regras básicas.

O livro inteiro é muito interessante porque dá dicas na prática, além de ter muitos relatos e, perguntas e respostas. Eu fiz várias anotações no próprio livro e desde que comecei a ler, procurei colocar em prática algumas dicas. Uma vez fiz uma pequena nota sobre manha e também já falei um pouco sobre o Terrible Twos. Desde que comecei a colocar em práticas algumas ideias do autor do livro, as manhas aqui em casa, que ainda não eram grandes mas caminhavam para essa direção, diminuíram.

Ainda não coloco Benjamin de castigo, por exemplo, mas um método que tem funcionado muito é a comunicação e a forma como tenho falado com ele. Tenho usado mais o método do livro que consiste em você falar com a criança como a criança que de fato ela é e não como se estivesse falando com um adulto. Isso significa mudar o tom de voz, falar como se estivesse encenando (tipo quando a gente lê um livro e interpreta os personagens), usar frases curtas, mostrar que você entende o que seu filho sente.

Algumas vezes é difícil, mas o resultado é sempre positivo. Prova disso foi outro dia ao deixar Benjamin na escolinha. Ele estava com um brinquedo na mão e não queria deixar no carro, eu não usei esse método de falar com ele, explicar que o brinquedo deveria ficar, simplesmente tirei o brinquedo da mão dele e disse que não podia levar, disse assim sem mais nem menos como se falasse com um adulto. Esse menino começou a berrar de uma forma, nunca o vi gritar e chorar daquele jeito, ficou sentido, além de birrento. Ele entrou na escolinha e do carro eu ouvia os gritos dele. Aquilo acabou comigo, com o meu dia. Chorei a manhã inteira. Fiquei me achando uma imbecil, e pensando que se tivesse usado o método que venho usando, nada daquilo teria acontecido. E é verdade, pois toda vez que a gente tem saído e Benjamin está com um brinquedo na mão, se eu uso esse jeito diferente de falar, ele age como se fosse um menininho compreensivo e educado, sem birras.

Minha conclusão é que muitas das ações dos nossos filhos estão ligadas também ao nosso comportamento. Não podemos exigir que eles agem de um forma absolutamente coerente tendo apenas 2, 3, 4 anos. Coerente temos que ser nós, pais. Não esquecer que nossos pequenos não tem a habilidade que nós temos para pensar e raciocinar. É a nossa forma de agir que vai fazer com que eles comecem aos poucos ter noção da ação e reação. E somos nós, com paciência, respeito, moderação, que podemos moldar o comportamento deles. Como diz o autor o livro, as crianças são seres primitivos e a tarefa dos pais é estabelecer limites inteligentes e a tarefa da criança é testar esses limites. As crianças literalmente não conseguem parar de explorar, tocar e puxar tudo. É assim que elas aprendem sobre o mundo e sobre si mesmas. Assim, enquanto você pode achar que sua criança está desafiando, ela pode achar que você está bloqueando injustamente sua maior alegria – a descoberta.

A maternidade é um mito (mas a vida é melhor com filhos)

Por indicação de minha amiga Bruna, conheci o blog “Manhê… abaixa o som!” que reúne várias entrevistas bacanas. Li a entrevista com Marcia Tiburi, onde a primeira questão abordada é: a maternidade é um mito?

Marcia Tiburi, como boa filósofa que é, descreve sua opinião a respeito e afirma: sim, podemos dizer que em alguns aspectos, a maternidade é um mito. Mas o é, sobretudo, por ser uma peculiar condição política.

Refleti dias a respeito de tudo que li nessa entrevista. Não porque eu precisava de mais argumentos ou porque era contra as informações que tinha lido. Mas para esclarecer algumas coisas dentro de mim. Para assumir meus próprios sentimentos com relação à maternidade.

Cheguei à conclusão que faço certa apologia à vida materna. Eu já falei que filho traz felicidade sim e sempre falo para as amigas que filho é a melhor coisa do mundo (pra mim é realmente!). Tenho uma amiga que não tem filho (ainda) e eu vivo lhe perguntando: quando você vai ter um bebê?

Coisa mais chata essa, né?! A sociedade sempre verbalizando e achando que é um dever a mulher procriar. E se ter filhos não é desejo da minha amiga? Talvez isso nem esteja em seus planos, talvez ela nem me fale nada justamente porque vivo cultuando a (minha) maternidade.

Sim, eu cultuo a minha maternidade. E a maternidade de certa forma é um mito.

O mito da maternidade começa desde a gravidez. A mulher não pode nem reclamar da gestação (viram o caso da Kim Kardashian? Criticada pela declaração “Gravidez não é fácil nem divertido”). Tenho uma prima que não achou divertido estar grávida, mas está amando ser mãe. Eu posso dividir a minha gestação em duas fases: o início que não foi nada divertido e que eu vomitava a cada 7 minutos. O meio da gestação em diante, quando enfim adorei estar grávida e vi um pouco de graça (fala que não é bom usar as filas e assentos preferenciais, ter todo mundo te paparicando?!). Pós-parto, pergunto-me se preciso mesmo listar os mitos?! Mas não resisto, vou citar o que não é mito: 25h cheirando a leite, cabelo despenteado, noites mal dormidas, aquela bendita cinta apertando nossos órgãos corpo, restrições alimentares, peso acima do normal, corpo bagunçado, seca sexual, etc, etc, etc….

O meu filho me traz alegrias, ser mãe me faz feliz. Mas nem todo mundo sente o mesmo. Eu nunca imaginei que a maternidade seria o que é pra mim (tinha uma imagem até pejorativa). Talvez eu tenha mudado minha percepção devido a alguns fatores: Benjamin ser um bebê bonzinho, dormir a noite toda desde sempre, não ter tido cólicas, não ter sofrido com o nascimento dos dentes, não dar trabalho para comer, ter minha mãe me ajudando, contar com a colaboração efetiva do marido pra tudo, ter condições de pagar escolinha, enfim…(a quem possa interessar, também entrei no meu jeans preferido em um mês!) uma série de fatores que influenciam e contribuem sim para a realização da maternidade. Sobretudo, falando muito sério, a cooperação das pessoas ao redor (cuidar de um filho sozinho não é brinquedo não)!

Só que ser mãe implica abrir mão de várias coisas para cuidar de um outro ser que não é você, mas parte de você. Alguns diriam que é um sacrifício, acho forte essa definição, mas para quem não tem o desejo em ser mãe, beira a isso. Não é fácil cuidar de uma criança e menos fácil ainda todas as responsabilidades que nascem junto com a cria. Sim, como diz Marcia Tiburi, a maternidade é uma armadilha para todos que não a conhecem (e eu querendo jogar a minha amiga nessa arapuca!).

Antigamente, ser mãe era o papel principal da mulher. Ser mãe e cuidar do lar. Só que no século XX/XXI aconteceu a maior tendência revolucionária na humanidade: a emancipação da mulher. Passamos a pleitear direitos igualitários. E hoje somamos mais tarefas, responsabilidades e funções à nossa vida. Tornamos-nos mulheres independentes, com enormes jornadas de trabalho fora e dentro de casa + filhos.

Com isso, vivemos em conflito com nós mesmas. É a cobrança da sociedade e a nossa cobrança em realizar, conquistar, ter sucesso, esse dar conta de tudo e, a insegurança de nada dar certo. E ainda sermos bons pais.

Eu não li porque fico com medo do que vou encontrar (porque a julgar pelo título, eu terceirizo o meu filho, uma vez que o mando para a escolinha. Não estou pronta emocionalmente para tal acusação), mas tenho vontade de ler o livro A Criança Terceirizada, do Dr. José Martins. Ele diz que quem não está disposto a mudar sua vida para cuidar de seus filhos não os deveria ter. Ou seja, os filhos precisam de pais dispostos a exercer a função e, digo mais, de pais disponíveis emocionalmente.

No seriado Sex and the City, Miranda, advogada renomada, nunca se imaginou mãe até engravidar, querer abortar e decidir ir em frente com a gestação. (não quero entrar nesse assunto, porque minha ideia não é polemizar, mas depois de algumas conversas e leituras, passei a concordar um pouco com o ponto de vista sobre o aborto mencionado pela Marcia Tiburi na entrevista). Ela pariu, se torna mãe, vive para o trabalho e apesar de tudo se sai bem na função materna. A Carrie, a amiga e personagem principal da série, ao final de um episódio, levanta a questão: Se nós nunca saíssemos da linha, nunca teríamos filhos, ou nunca nos apaixonaríamos, ou não seríamos quem somos.

Escolhas e Possibilidades. Uma questão também de nos conhecermos internamente. Compreendermos nossos desejos mais íntimos. A maternidade pode ser tudo de bom na minha vida, mas pode não ser para a vida da minha amiga e de várias outras mulheres. Eu descobri o quanto a maternidade é gratificante pra mim mas só depois que adentrei na vida materna. Poderia ser o contrário também. Eu poderia ter detestado ser mãe (aliás, tem dias que eu quero fugir. Quem nunca?).

A maternidade é uma armadilha. E a partir de hoje vou me calar. Não faço mais parte do grupo de pessoas que perguntam “quando você terá filhos?”. Não quero cobrar nem impor nada a ninguém. Que as mulheres se tornem mães se desejarem ou quando achar que estão prontas (embora, nunca estaremos). Que busquem sua satisfação pessoal, profissional, financeira. Que sejam acima de tudo felizes da maneira que acreditam ser possível, seguindo seus instintos e não os conselhos de mães afetadas como eu.

Eu, por motivos muito íntimos, quero ainda ter mais um (dois, quem sabe) filho. Pra mim um é pouco, dois é mais ou menos, três seria ideal. Não existe no mundo relação mais forte que a de irmãos. Se filho é tudo de bom, irmão então…!

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Leia a íntegra da entrevista com Marcia Tiburi AQUI.

Livro “Eu era uma ótima mãe até ter filhos“. Já comentei sobre o livro AQUI e AQUI.

O texto “Um é pouco” do Marcelo Tas, na edição de março da Revista Crescer, é sensacional! Descreve muito bem a transformação da chegada de um segundo filho na casa, nas relações, na convivência, a educação afetiva…Leia o texto em PDF: Um é pouco.