Culpa dos Terrible Twos ou do desenvolvimento emocional?

Benjamin está numa fase chata pra caramba. Eu já disse que sou uma pessoa sem paciência e agradeço todos os dias pela cria a mim concedida, afinal, em geral, Benjamin é muito bonzinho. Pensei que tinha aprendido a ter paciência, mas era apenas a primeira etapa do processo da maternidade. A segunda etapa consiste em testar os limites de paciência da mãe.

Meu Ben é todo lindo, sorridente, carismático. Um anjo. Obediente. Parece o bebê uma criança perfeita. Mas o que as as pessoas de fora não imaginam é que esse mini-humano é capaz de levar você a loucura, em um clique.

Vivemos uma fase em que tudo é meu, ou melhor, é dele! Escuto diariamente 588 vezes, aproximadamente, o: é meu o controle, o tênis, a Capitu, o iPhone e o iPad da mãe, a touca, a mochila, o Woody, o Buzz, o Mickey, o Pluto, o prato de comida, a colher, o shampoo, o sabonete, o copo e mais uns 89 itens ao alcance do Benjamin. Detalhe, ele faz cara de mau, faz bico, tenta tomar da nossa mão.

Semana passada, ele resolveu testar esgotar minha dose mínima de paciência e fez algo que eu odeio abomino. Começou a chorar no carro de volta pra casa. Motivo: iPhone. Ele não queria um, mas queria os dois iPhones – o do pai e o da mãe. Sinceramente, nem lembro como começou. Ele já estava com o meu na mão e o marido me deu o dele para ver um vídeo, quando Benjamin viu na minha mão (eu estava no banco de trás para evitar que ele dormisse) queria tomar de mim e foi aí que tudo começou. Pense num trânsito. Agora pense numa criança berrando. E todos os carros à volta olhando. Ainda tivemos que parar para comprar a ração da Capitu. Pensei que Benjamin se acalmaria, mas ele berrou ainda mais dentro loja e os berros dele ecoavam.

Todo mundo olha pra mãe com cara de “faz alguma coisa para ele parar de chorar” ou “coitado, o que será que ela fez pra ele”. É aquele momento que ninguém viu o que aconteceu, mas fica te julgando. Entramos no carro novamente e sem chance de colocá-lo na cadeirinha. Levei ele no colo, berrando até em casa. Nesse meio tempo, eu já tinha perdido minha ínfima paciência, já tinha gritado com ele, já tinha me arrependido e gritado novamente.

Gritar com Benjamin é algo que corta o meu coração, me machuca demais. Eu não gosto de gritar com ele por n motivos: porque eu acredito que gritar não resolve nada, só altera ainda mais os nervos; porque se ele já não entende o que quero dizer, fica mais difícil ainda captar a mensagem; porque eu sou a adulta e é de mim que deve vir postura, compreensão e comportamento diferente; porque acredito que quando gritamos com as pessoas que amamos os nossos corações se afastam.

Mas eu já estava fora de mim, querendo de qualquer jeito que ele me entendessem e partir para o grito foi a solução que achei. Totalmente inadequada. Só depois que caí em mim, comecei o que acho menos insensato, a ignorá-lo. E ele começou a chamar por mim “mamãe, mamãe, mamãe” e puxar meu rosto para olhar pra ele. Dói. É difícil.

Esse tipo de comportamento do Benjamin, está se tornando frequente (não com o mesmo tempo de duração desse episódio que durou, aproximadamente, uns 40 minutos), mas é algo que tem acontecido bastante. Geralmente, quando ele está muito cansado, que foi o caso desse dia e que eu fui perceber só depois. Tem acontecido quando ele acorda de mau humor porque foi dormir tarde e nós acordamos muito cedo (vou contar em outro post como está a rotina noturna de casa).

É a fase do Terrible Twos somado à fase de desenvolvimento emocional da criança. Eles fazem manha, querem atenção e descobrem a força do berro deles. Eles estão descobrindo que conseguem fazer várias coisas sozinhos, como colocar o tênis, tirar a roupa, comer… e querem mostrar que não precisam da sua ajuda. É a fase de crescimento, bebê está virando criança e a mãe….a mãe está virando uma louca.

Aí cabe a nós mães ler as entrelinhas, ou seja:

a)  perceber que a criança está cansada – nem sempre isso é tão simples, se for pela manhã ok; agora se for como o dia desse episódio é complicado, pois Benjamin demonstrava o melhor dos humores. E tem um outro detalhe pertinente, o signo do mini ser humano! No caso, meu Ben é de gêmeos, o que significa altos índices de variação no humor ao longo do dia;

b)  inventar métodos para reverter a situação – cabe a nós incrementar as situações, dar piruetas, se fazer de bobo, descobrir maneiras para distrair a cria. Difícil, pois você também pode estar de mau humor (bobagem, mãe tem que estar sempre bem!) e porque não é uma técnica para um momento apenas. Tem que inventar para a hora do banho, de comer, de dormir, de sair para ir à escola, na hora de deixar um brinquedo no carro e/ou na casa, enfim tem que fazer escolhas (de preferência a de melhorar o dia), tem que ter criatividade, não basta ser uma mãe super heroína, tem que ser mágica para salvar o dia do filho e da família.

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Terrible Twos – Quando as crianças ficam agressivas

Dizem que dois anos é chegada a idade das birras. Benjamin está com um ano e oito meses e passou a demonstrar certa agressividade. Há (mais ou menos) duas semanas, ao ficar bravo ele joga o brinquedo longe e bate no pai e, com mais frequência, na mãe – como se eu fosse a culpada por tudo.

De início eu segurava o braço dele e dizia brava que não podia fazer aquilo. Ele ria pensando que eu estava brincando. Aliás, quando falo sério Benjamin sempre leva na brincadeira, sempre me desafia, até que eu levante do lugar me aproxime dele e dê uma bronca mais forte ainda. Fica lá com cara de sem graça.

Semana passada, voltamos de viagem na quarta-feira de cinzas e eu fui trabalhar direto. A noite estava exausta, com início de gripe, corpo dolorido, casa para arrumar, malas para desfazer e filho dengoso que só, como se a mãe tivesse ficado afastada uma semana. Confesso que estava um pouco sem paciência. Tudo o que eu queria era me esparramar no sofá e me perder na televisão.  Mas Benjamin não queria deixar.

Fiquei sentada no sofá e tentando brincar com ele. De repente (ou não?!), deu um ataque de nervoso do molequinho. Ele começou a jogar as peças de montar pra tudo quanto é lado, gritar e me bater com peças na mão. Num primeiro momento ignorei, meu braço começou a ficar vermelho, tentei conversar. Num segundo me vi gritando (também) “para com isso, para de me bater!!!”, num terceiro…..me vi revidando dando um tapinha em sua mão.

Marido que estava no computador, levantou separou os dois (sério, parecíamos duas crianças, só que um de fato era e o outro não) colocando cada um em um canto do sofá e começou a dar bronca na gente. Ficamos os dois congelados, olhando para ele. Mandou o Benjamin tirar roupa e o levou pro banho. Esbravejou algumas palavras comigo. O silêncio tomou conta da casa.

Não, não foi de repente que Benjamin começou a ficar nervoso. Ele sentiu, por mais que eu estivesse me esforçando para brincar, eu não estava entregue totalmente. Ele sabia disso. Criança sente isso.

Não, eu não me orgulho da minha reação. Pra falar a verdade fiquei bem chateada. O remorso e a culpa tomaram conta de mim. Onde já se viu a mãe gritar e querer revidar o filho (?!). Foi uma postura bem imatura da minha parte. Nunca tinha me visto em situação semelhante. E parece que a partir de agora esse comportamento do Benjamin será algo constante, pelo menos por um período. Fiquei me questionando: que tipo de mãe eu quero ser? O tipo A LOUCA é que não.

Antes desse episódio, houve um dia que Benjamin teve esses seus ataques de nervos, veio pra cima de mim – que não tinha nada a ver com a história, levou uma bronca minha e simplesmente passou a me ignorar. Me ignorou uma noite inteira até chegar a hora de dormir, quando se demonstrou carinhoso. Aliás, depois de um tempo ele sempre vem me abraçar, parece até como um pedido de desculpas.

Semana retrasada veio na agenda que Benjamin tinha sido mordido. Seu braço levava a marca. Na semana passada veio o seguinte recado na agenda da escolinha: “Benjamin mordeu um amiguinho. Hoje Benjamin está terrível, mordeu outro amiguinho que reagiu com um brinquedo na cabeça dele”. Nesse dia Benjamin estava com a testa roxa e um arranhão da testa até a ponta do nariz. Pensei: o menino foi pra guerra e não para a escolinha. Não acreditei muito que ele tivesse mordido (acreditaria se tivesse me dito que ele bateu, pois tenho visto ele fazer isso), pois reclamei da semana anterior (quando ele tinha sido mordido). Achei que foi um recado do tipo “cala boca dessa mãe”.

Dia desses chegou o boletim de 1 ano e 8 meses da Baby Center. Marido recebeu primeiro e veio me contar: diz o boletim que a criança nessa idade começa usar um pouco de agressividade: morde, empurra, bate. Quer dizer, Benjamin pode mesmo ter mordido na escolinha, até porque o clima é outro, as crianças devem fazer isso direto, blá, blá, blá…

Não estava entendendo de onde vinha essa agressividade gratuita. Passei a observá-lo e me parece uma forma de se expressar, de dizer que está bravo, que não está satisfeito, uma maneira se impor. Depois de ler o boletim essa minha tese se confirmou. Mas como lidar com isso???

Sempre tive alguns pontos de vista bem definidos, adquiridos através de algumas leituras:

TER BOM SENSO E COERÊNCIA. Em primeiro lugar, os pais devem se impor, mas não da mesma forma que a criança, em hipótese alguma revidando, gritando, afinal a criança vai achar que tal atitude é normal. Ser coerente ajuda a criança distinguir o certo e o errado.

PACIÊNCIA. Esse é o ingrediente do sucesso. Cada vez mais, quanto mais os filhos crescem, parece que vivemos numa prova de fogo que consiste em testar os nossos limites, até onde vai nossa paciência. É preciso ter calma. E se perceber que está no limite, peça que alguém tome a frente da situação.

ESTIPULE LIMITES CURTOS E SIMPLES. Não adianta querer passar um sermão para uma criança de um ano, explicando os principais fundamentos negativos do seu comportamento agressivo. Frases imensas são incompreensíveis para o cérebro de uma criança nessa idade. Use frases curtas e simples.

ELOGIE. Toda vez que a criança se comportar bem, elogie. Isso indica a ela o comportamento que é aceitável, que você gosta.

RESPEITO. Já disse nesse post AQUI, respeito é bom, tem sabor e todo mundo gosta, principalmente as crianças.

Esse sempre foi meu ponto de vista, minha opinião,  mas é aquele negócio, você era uma ótima mãe até ser….

*

AQUI a Baby Center dá outras dicas de como lidar com agressão dos pequenos.

Pequena nota sobre manha

Eu disse ontem, que na semana passada saímos e Benzoca ficou sob os cuidados da minha tia Rosana e da Lilian. Ele está numa fase que se vê alguém próximo à porta de saída, quer ir junto passear. Todas as vezes ele vai junto, ou seja, ele nunca viu a gente saindo sendo que ele tivesse que ficar e nunca fizemos um teste pra ver qual seria a reação dele (exceto no berçário, mas não conta). Na noite da balada, armamos uma saída clandestina. Ele já estava todo entretido na bagunça, no quarto da tia Sofia quando aproveitamos para fugir.

Ao fechar a porta, meu coração ficou pequenininho. Imaginei ele voltando pra sala vazia, fazendo o gesto com as mãozinhas e perguntando “cadê?”. No dia seguinte, tia Rosana me revelava que ele nem se deu conta da nossa falta. Ele tinha ficado ainda por muito tempo no quarto e só bem depois foi pra sala, mas sem se dar conta da falta da nossa presença.

Tia Rosana sempre fala “como Benjamin é bonzinho!”. Ele é até demais. Mas como já disse, férias e manha não combinam. Como temos passado mais tempo com ele, dá pra perceber que chegou uma das fases mais temidas pelos pais. Eu concluo três coisas. Uma: manha é a forma que eles encontram para se expressar – normal na idade do Benzoca, que ainda não sabe se comunicar bem com  palavras. Duas: é o jeito mais fácil de chamar atenção dos pais – normal em qualquer idade, quando não sabem e quando já sabem falar todas as palavras (o fato é que mesmo sabendo pronunciar palavras e formar frases com síntese e tudo, as crianças tem dificuldades de colocar pra fora seus sentimentos).

Benjamin ficou bonzinho com tia Rosana e tia Lilian. Não sentiu nossa falta, não chorou nenhuma vez, não deu ataque de teimosia (do tipo jogar alguma coisa no chão), não ficou proliferando a palavra “não” aos quatro cantos, não fez um pingo de manha….muito pelo contrário. Ele cantou, dançou, ouviu história, esbanjou só sorrisos, beijos, abraços e dormiu (teve certa dificuldade para dormir, que segundo a tia Rosana, se resolveria com chupeta. Mas aí eu acho que era a falta dos pais).

Minha terceira conclusão é: os pais estragam (inconscientemente) os filhos. Não estou falando de não fazer todas as vontades dos filhos. Aqui em casa a gente não faz, mas algumas vezes abrimos pequenas concessões, principalmente agora que estamos de férias. Mas também tem o fato de querermos aproveitar esses instantes que estamos com ele. Às vezes me parece que os filhos tem poderes sobrenaturais. Eles sabem o que pensamos e como vamos agir diante determinada situação. Os filhos fazem e conseguem de nós o que quiserem. Basta usarem seus poderes.

Férias e manha – uma combinação nada perfeita

Estamos de férias no Rio de Janeiro. Passar o dia inteiro com o Benzoca nos possibilita conhecer um pouco mais o nosso pequeno. E ele testar nossa paciência, além de nos dobrar. Se a mãe interior que mora dentro de mim deixar, eu faço tudo que ele quer. Ainda bem que ela existe e policia.

Sempre achei que meu filho fosse bonzinho. E é. Ele é bem humorado, alegre, faz suas palhaçadas – até demais para um bebê de apenas um ano e meio. Mas ele não foge à regra e chegou, definitivamente, na sua fase de manha. E quanta manha.

O pequeno Benjamin faz jus ao signo que tem: Gêmeos. Uma hora está tudo bem e na hora seguinte, o menino esperneia. Está muito genioso. Quer de qualquer jeito os objetos que não pode mexer (principalmente: iPhone, iPad e câmera fotográfica), se joga delicadamente deita no chão e chora finge chorar (ainda não se debate), não come mais na hora certa, ou seja, na hora que oferecemos e sim na hora que ele quer, não tem comido frutas, exceto banana. Ao menos tem bebido bastante água e suco.

Quando ele dá seus ataques de choro (às vezes falso e outras vezes verdadeiro), é um saco, uma chatice. Seria hipócrita se dissesse o contrário. É um fato: manha de bebê e férias não combinam. Sabe aquele desejo incontrolável de querer apenas um dia só pra você? Aumenta nas férias.

Mas manha faz parte do processo de desenvolvimento tanto do bebê quanto dos pais. É a forma que o bebê encontra para se comunicar, se fazer entender. Aos pais, é o que faz buscar formas de compreensão, lidar com as adversidades infantis e contornar cada situação, sempre demonstrando afeto e amor.

É difícil. Maternar é uma arte. Que exige muita paciência.

Tchau, Chupeta!

Meu nome é Benjamin, tenho um ano e 6 meses e estou a 30 dias consecutivos sem usar a chupeta (mamãe vai chorar quando ler isso). O processo começou há pouco mais de dois meses e não posso mentir (é feio!), caí em tentação algumas vezes.

Não sei se você já ouviu falar que as mães sabem de tudo, isso é a mais pura verdade. Todas as vezes que tive recaída, mamãe sabia! Não sei como, mas ela descobriu que eu pegava a chupeta dos coleguinhas no berçário (assim rapidinho, só pra dar uma acalmada). Mamãe ficou bem brava porque regredi no processo – que exige muita paciência e ela, tadinha, quando pensou ter superado o sentimento de culpa – porque não sabia se estava fazendo certo ou não, teve que começar tudo de novo. Até pensou em desistir.

Ela ficava na dúvida se devia esperar eu entender um pouco mais o assunto ou falar que não queria por conta própria a chupeta. Pensou em esperar eu conhecer o Papai Noel, Fada do Dente, Coelhinho da Páscoa, enfim, esse monte de gente que me parece bem simpática e para quem eu podia dar a chupeta quando não quisesse mais (parece que eles sempre conhecem alguém menor que a gente que precisa mais da chupeta e quando entregamos, eles nos deixam um presentinho como forma de agradecimento).

Mas o que a mamãe não sabia é que ela e seu apoio me bastavam. Ah, e seus conselhos também. Toda vez que mamãe via uma criança de uns 4, 5, 6, 7 anos com chupeta na boca, ela me lembrava como era feia criança grande usando chupeta. Ah, e ela também falava que ninguém entende o que uma criança fala quando está com chupeta na boca (isso eu pude constatar outro dia, um coleguinha lá no berçário falava, falava, falava e eu que falo a mesma língua dele não entendia nada!). Mamãe é tão sabida…!

Mamãe também estava certa quando pensava que eu não era muito ligado a tal acessório, mesmo assim é difícil largar (mas força amigos, vocês também conseguem). A hora de dormir é a mais difícil, é quando descobrimos o verdadeiro significado da palavra ‘abstinência’, mas a gente supera. Principalmente, se contamos com o incentivo das pessoas que amamos. Papai e as tias do berçário também deram a maior força. Haja paciência…

É isso, galerinha. Passei aqui só pra dar meu recado. Estou limpo há 30 dias! (mamãe deve estar tão orgulhosa!!!) Se eu consegui, vocês também conseguem. E se precisar de ajuda, podem contar comigo. Tamujunto!

Reeducação da hora de dormir

Há quase duas semanas comecei mudanças de hábito na hora de dormir lá em casa. Desde que Benjamin caiu da cama, tomei uma posição de general e decidi: não faríamos mais ele dormir em nossa cama, seria direto no berço.

Faz parte da estratégia:

  1. Colocá-lo para dormir mais cedo, entre as 22:00, 22:30 (e não às 23:00 como vinha acontecendo).
  2.  Meu Ben toma leite toda noite antes de dormir. Passei a dar a mamadeira sentada na poltrona do quarto dele. Após a mamada… Berço!

Pois bem…

Primeira noite. Quarta-feira. Horário fora do objetivo. Benjamin parecia bêbado de sono. Deitei-o no berço e ele se aconchegou. Uhuuu, não pensei que seria tão fácil, festejou meu inconsciente de mãe. Saí aos passos leves. Dois minutos depois ouço o tagarelinha. Quem disse que seria fácil assim?! Só meu inconsciente mesmo… Deixei-o sozinho por um tempo. Vendo que ninguém aparecia no quarto, ele usou sua arma mais valiosa: o choro. Subi, distraí-o um pouco, expliquei (sem tirá-lo do berço) que ali era a cama dele. O menino despertou de tal forma, parecia uma máquina de lavar roupa (sabe quando ela entra em processo de centrífuga?!). Levantava, sacudia as grades do berço, jogava o travesseiro longe. Enfim, saí do quarto. Uns 5 minutos depois ele voltou a chorar. Deixei por uns 15 minutos de mãe (aquele que equivale a 3 ou 4 minutos reais). Subi, acalmei, o fiz deitar. Desci. E o choro começou tudo novamente. Nessa altura, o marido não estava acreditando no que via: eu que não gosto de ver Benjamin chorar, não permito que ninguém o faça, estava deixando e, aparentemente, aquele choro não estava me tocando. Ele queria intervir, mas não deixei. Subi novamente. Dessa vez peguei Benjamin no colo, ele estava aos prantos, disparando lágrimas, parecia super sentido. Acariciei suas costas (e nesse momento ele começou a passar as pontas de seus dedinhos no meu braço, como ele sempre fez na hora de dormir) e fui falando que era a hora de dormir, que a partir daquela noite ele dormiria direto no berço, que não haveria problema uma vez que ele já passava a noite inteira em sua caminha. Ainda acordado, coloquei-o no berço, dei beijinho de boa noite. Desci e incrivelmente ele dormiu.

Segunda noite. Quinta-feira. Passamos um pouco do horário. Dessa vez Benjamin não demonstrava tanto sono quanto na primeira noite. Coloquei-o no berço e desci. Ele começou a chorar. Subi, o coloquei deitado novamente e desci. Começou a chorar novamente. Dessa vez, ele chorou por uns 10 minutos de mãe (equivalente a 2 minutos) e de repente o silêncio reinou na casa. Esperei mais alguns minutos e quando fui vê-lo, Benjamin tirava o sono dos Deuses.

Terceira noite. Sexta-feira. Objetivo do horário alcançado. Seguimos com a rotina. Benjamin mamou, o coloquei no berço. Silêncio na casa. Ele dormiu. Sem choro, sem escândalo. Simplesmente dormiu.

E assim tem seguido todas as noites. Ele tem ido para o berço acordado, não tenho ficado do lado e ele tem dormido feito um anjinho. Porque não tenho ficado ao lado dele até que ele pegue no sono: percebi que enquanto eu ficava ali ele fazia graça, me seduzia para que eu o pegasse no colo. E quem não cai nessa armadilha de filho?!

Ok. Estou super “me sentindo”! Em tão pouco tempo consegui colocar ordem na hora do sono, reeducar meu filho fazendo-o dormir no berço. Consegui mostrar que quem dita as regras sou eu, que ele não pode fazer o que quer na hora que bem deseja. Pairou no ar certa sensação de que fiz algo certo…. Mas será? Tem certo ou errado quando se trata na educação do filho?

Acredito que existem várias verdades, várias maneiras de lidar com diversas situações. Em se tratar de filhos, não tem uma legitimidade universal. A verdade que é minha, pode não ser para o outro. A abordagem que se encaixa perfeitamente para a minha família, pode não se encaixar para a família do outro.

Vou jogar a real. O fato é que estou morrendo de saudades de deitar com meu filho na cama, de fazê-lo dormir juntinho, sentir o seu cheirinho (inclui o do seu hálito), sentir sua respiração. Sei lá, mas só penso que daqui a pouco ele vai crescer e não vai mais querer dormir com a mamãe e eu vou ter perdido essa fase gostosa dele pequeno (e de que ainda quer ficar comigo o tempo todo).

Valem à pena tantas regras? Tantos hábitos certinhos? Será que de vez em quando não vale nos permitir mimar nossos filhos e a nós mesmos?

Livro: Soluções para disciplina sem choro

Uma das maiores vilãs de todos os pais é, sem dúvida, a birra. Eu morro de medo do Benjamin fazer escândalos públicos

(e até em casa mesmo). Imagino que deve ser difícil controlar essas situações. Dizem que não tem jeito, a danada da birra aparece até os dois anos de idade e, se não aparecer até lá, ela surge aos 4 anos da criança. O negócio é você compartilhar experiências, ler sobre o assunto, se preparar e se munir de estratégias contra a chata da birra.

O lançamento “Soluções para disciplina sem choro”, de Elizabeth Pantley, traz as ferramentas necessárias que os pais precisam para desenvolver e estabelecer habilidades agradáveis que contribuam para o bom comportamento dos filhos. O livro mostra através de exemplos e depoimentos, que podemos disciplinar sem perder a ternura, a amabilidade, sem ser duros. Como diz logo no primeiro capítulo, “disciplina não tem a ver com punição e não precisa ter lágrimas como resultado”.

Criar filhos é sinal de mudanças constantes. Vivemos em transformação e readaptação. Muitas coisas que falávamos que não faríamos antes de tê-los, cai por terra quando os temos. São os grandes mitos. O livro revela vários deles e nos prova que somos pais normais. E nos faz refletir sobre o nosso papel de pai e mãe, além de nos fazer entender os nossos filhos, seu desenvolvimento infantil e o mau comportamento deles. Ajuda-nos a identificar a causa das birras e compreender o comportamento que gerou isso – tanto nosso, quanto dos nossos filhos. É um livro bastante tranquilizador que define o verdadeiro significado das palavras: ensinar e orientar.

Em um dos capítulos, é abordada a questão da palavra “não”. A autora sugere usar menos as palavras negativas e tentar reformular as palavras para algo positivo. Eu sei que é difícil (assim como imagino o quão difícil deve ser não perder a paciência com as birras). Eu sou do grupo de mães que diziam “nunca vou dizer não”. Mas bastou meu Ben começar a engatinhar para eu perder a conta dos “nãos” proferidos. No livro tem vários exemplos de como trocar as palavras negativas para positivas.

Eu gostei muito do livro que me chamou atenção logo na dedicatória –  a autora faz às irmãs: “com recordações carinhosas do passado, e dos alegres momentos atuais, a uma vida inteira de amizade, a todos os dias em que conversamos, dividimos, nos abraçamos, e rimos, rimos o tempo inteiro. vejo minhas irmãs como mulheres fortes e capazes e como mães tão carinhosas, ternas e protetoras, com o conforto de saber que haja o que houver seremos sempre as melhores amigas”. Nada convencional, geralmente as dedicatórias são para o marido, filhos, pais. Achei linda a declaração de carinho e amor pelas irmãs, uma verdadeira demonstração da importância do convívio e afeto familiar.

O livro é bem prático, com várias sugestões válidas. Mas como é destacado várias vezes no próprio, cuidar dos filhos é um trabalho difícil e complexo. Filho não vem com manual de instrução. Podemos conversar com outros pais, ler todos os livros sobre maternidade, mas é importante salientar que cada criança responde de maneiras diferentes, cada família deve inserir os métodos que se encaixam melhor em sua casa. Existem várias técnicas para diversas situações e se uma não funcionar com você, basta escolher outra e continuar tentando até encontrar a abordagem que trará os resultados desejados.

Para refletir, aí vão alguns trechos do livro:

“Seu objetivo mais importante como painão é fazer seu filho feliz a cada minuto do dia – isso seria fácil, já que bastaria oferecer um suprimento interminável de doces e sorvete e dizer sim a cada pedido; seu objetivo, de fato, é muito mais difícil: criar um ser humano dos melhores”.

“A experiência humana envolve a confrontação com numerosos desafios, mas nem sempre temos paciência, compreensão ou contenção para responder da melhor maneira possível. Portanto, aqui está a pergunta mais importante: se nós, adultos capazes e maduros, não conseguimos controlar totalmente as nossas emoções, será que é remotamente possível que nossos filhos sejam capazes de tal façanha?”

“Disciplinar significa ensinar”.

“E quem teria pensado que criar um pequeno ser humano poderia trazer tantos desafios e frustrações todos os dias?”

“Escolhas suas batalhas. Nem todo problema precisa ser abordado e corrigido. Pequenas coisas às vezes podem escapar pela linha de fundo, sem impacto sobre qualquer coisa que tenha importância.”

“Usar a lógica com uma criança de dois anos é quase tão produtivo quanto trocar de assento com alguém no Titanic.”

Sobre a autora
Elizabeth Pantleyé mãe de quatro filhos e autora de Soluções para Noites Sem Choro – para crianças de 0 a 1 ano e Soluções para Noites Sem Choros – para crianças de 1 a 6 anos. Ela preside a Better Beginnings, uma empresa de educação para famílias, e seu boletim Parent Tips é distribuído em escolas de todos os estados norte-americanos.

Título: Soluções para disciplina sem choro
ISBN: 978-85-7680-182-5
Autora: Elizabeth Pantley
Editora: M.Books
Tamanho: 198 páginas

Não é tabajara

Benjamin não quer mais ficar na cadeirinha do carro de jeito nenhum. Meu bebê, que todos conhecem por calmo, bonzinho, fofo e tudo de bom, andou fazendo escândalos inenarráveis dentro do carro. Só para ter uma ideia, outro dia ele chorou de casa até Osasco – um trajeto de uns 50 minutos. BERRANDO! Eu me controlei para não tirá-lo da cadeirinha e pedia, para todos os santos imagináveis, força e paciência para não me deixar levar por aquelas lágrimas. Quer saber?! Foi foda!

Outro dia chorou do berçário até Osasco, trajeto menor, mas estávamos sozinhos no carro. Dei uma de louca e comecei a chorar também e dizia “conta tudo pra sua mãe, Benjamin” (tipo a Pópis do programa Chaves) . Ele me olhava com uma cara de “filha da puta, minha mãe está me zuando”.

As artimanhas de biscoito polvilho e maisena até funcionam, mas vou entupir o menino de guloseimas toda vez que entrarmos no carro?! Aí descobri outro jeito de acalmá-lo: o meu iPhone. Tenho medo disso, mas é a realidade nua e crua: Benzoca é da era tecnológica. Não posso contra isso. Ele já vê foto sozinho no celular e agora vídeos. Então baixei App da Galinha Pintadinha e dou o celular na mão dele quando estamos no carro. Mas agora sinto que eu posso ficar sem celular. (Além de sentir que minha sanidade mental também corre riscos, afinal Galinha Pintadinha é um saco na terceira repetição). Não que eu vá comprar, mas a Fisher Price tem a solução para o aparelho celular. Olha essa capa para iPhone.

E quem tem a solução para a saúde mental da mãe e do pai?!

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Bater não é forma de educar!

Estou no meu quarto tranquila, brincando com meu Ben quando ouço uma mulher gritando e dando várias palmadas numa criança dentro de um carro. Ela não parava de sentar a mão num bebê, de um pouco mais de um ano, quando eu gritei chamando sua atenção, mandando ela parar. A mulher permaneceu um instante no carro sem se mover. Fora do carro uma senhora que acompanhava a mulher me explicava “ele jogou seu sapatinho pela janela, pode ficar calma que a mãe sempre faz isso”. Mas isso não era motivo pra mulher bater no menino! Fiquei quieta só olhando. A mulher saiu do carro e começou a procurar o sapato pelo chão. Para minha surpresa a mulher estava grávida. Incomodada com a minha observação ela indagou porque eu estava olhando e falou que eu podia entrar (estava na sacada do meu quarto) e ficar tranquila. Eu disse que não entraria e que ficaria ali e que se ela batesse no menino novamente, eu iria até lá. Começou uma discussão entre nós duas. Ela disse que havia dado só umas palmadas e “estou educando meu filho”. Essa frase ecoou na minha cabeça. Uma mulher pronta para colocar mais um filho no mundo e dar aquela educação! Com a confusão, os vizinhos foram saindo na rua e a mulher ficou toda constrangida. No fundo quero acreditar que ela sabia que estava errada.

Talvez eu estivesse errada também. Depois do episódio fiquei me punindo: não devia ter me metido! Mas foi ação e reação, sabe?! Um bebê indefeso, chorando ao levar várias palmadas e tendo que ouvir os gritos da mãe grávida estérica. Ela estava completamente fora de si. Eu no meu quarto, curtindo as gargalhadas do meu filho, ao presenciar aquela cena não me contive. Há quem diga “quando o seu crescer você vai ver que só conversar não adianta”. Mas vem cá, palmadas adianta???

Eu sou a favor da educação baseada no amor, paciência, bons exemplos… Isso, BONS EXEMPLOS!!! Tem jeito melhor que educar um filho dando bons exemplos?! Detalhe, a mulher pediu para eu tratá-la com respeito, que “as pessoas devem ser tratadas com carinho e respeito”. Ela me disse isso e agora não estou acreditando…Primeiro que não faltei com respeito. E ela não estava usando dessas boas maneiras com seu filho. Se você trata seu filho, a pessoa que você gerou, colocou no mundo, de maneira rude, quem dirá as pessoas em sua volta. Boas atitudes nas relações seja com as pessoas queridas ou no trânsito ou numa fila de banco, são ótimos exemplos que você pode dar aos filhos. Isso é educação!

Se ele jogou o sapato pela janela, quem perdeu foi ele. Eu falaria para o Benjamin “agora você vai ficar sem esse sapato e a mamãe terá que escolher um outro par seu para doação”. Ele aprenderia a dar mais valor aos seus pertences, além de aprender solidariedade também. É claro que isso é uma ilustração, mas quero dizer, que eu faria ele ficar sem algo por determinado tempo. Essa maneira ainda não deve ser ideal, mas acho que tem N maneiras de se educar uma criança.

Acredito que os pais podem deixar a criança sozinha por alguns instantes, e de preferência imóvel, pensando no seu mau comportamento. Pequenos acordos, o que não deve ser uma regra, pois a criança acaba querendo fazer as coisas só em troca de algo. E acredito SIM em diálogo! É na conversa que a criança precisa entender o que é certo e errado.

A criança ao apanhar não deve nem atinar o porquê de estar apanhando. Ou seja, ela não relaciona que está apanhando pelo mau comportamento. Não é através de tapas que os pais vão impor limites aos filhos. Além disso, o adulto é quem deve ter domínio da situação e bater, berrar são sinais claros da falta de controle. O que as crianças mais fazem é testar a paciência dos pais. É difícil, eu tenho noção disso, mas é preciso ter paciência e lidar com carinho nas situações adversas. É mais fácil aprender através do diálogo do que na violência. O primeiro faz com que a criança compreenda melhor. O segundo gera uma compreensão negativa, a criança vai achar que através da violência se consegue o que quiser: apanho porque o agressor quer que eu faça da maneira dele.

Enfim, eu fiquei meio revoltada com a cena e vim correndo colocar pra fora no blog minha indignação. Escreveria muito mais, só que o texto já está grande e acho que já deu para espanar as ideias. A lei da palmada é clara: a criança e o adolescente têm direito a não serem submetidos a qualquer forma de punição corporal, mediante a adoção de castigos moderados ou imoderados, sob a alegação de quaisquer propósitos, ainda que pedagógicos, no lar, na escola, em instituição de atendimento público, ou privado ou em locais públicos, sob alegação de quaisquer propósito.

Bater não é forma de educar!