As agruras da maternidade

Tudo começou ontem depois do almoço. Uma angústia tomou conta de mim e eu falava pra minha colega de trabalho: “vontade de chorar, gritar, sair correndo”. Tem um monte de coisa pra acontecer, mas sinto tudo estagnado na minha vida. Culpa da minha ansiedade? Talvez. E aí tento me apegar na frase que li semana passada no instagram do ‘Mulher sem script’: “Calma. É aos poucos que a vida vai dando certo“.

Foi quando recebi uma ligação da escolinha e a calma que eu buscava foi para o espaço. Benjamin apresentava umas manchas no corpo, que começaram nas pernas e estavam subindo pra barriga. Fiquei apavorada. Podia ser uma alergia, mas como ele não estava tomando nenhum remédio e aparentemente não tinha ingerido nenhum alimento diferente, essa hipótese foi a última coisa que passou pela minha cabeça.

Incrível a minha capacidade de pensar sempre no pior. A primeira coisa que pensei foi referente ao galo na cabeça. Benjamin sofreu uma queda forte no sábado retrasado. Subiu um galo assustador, que baixou relativamente rápido, mas foi nessa segunda-feira passada que me ligaram da escolinha perguntando se ele havia caído em casa (sempre tentamos manter a escola informada no caso de machucados). Explicaram que ele estava com um galo no mesmo lugar do outro de antes, que só apresentava aquela mancha esverdeada e que ele não tinha caído na escola. Fiquei encanada com isso. Quando o busquei vi o galo e aquilo ficou na minha cabeça.

Então, fiz relações com isso, pensando que podia ser alguma reação, sei lá… saí do trabalho correndo, tremia de nervoso, nem sei como consegui dirigir até a escolinha. Fiquei mais preocupada ainda quando vi as manchas. Nesse meio tempo, eu já havia ligado para a pediatra dele que fez algumas observações do que poderia ser, e uma delas, a pior das hipotéses, podia ser púrpura infantil.

E lá foi a mãe fazer um Google. Gente essa é a pior coisa que devemos fazer nessas horas. Eu sei e não sei porque fiz. O marido me alertou, falou para eu não pesquisar, mas já tinha feito. Não gostei nada dos resultados que encontrei. Mas parei de chorar e no percurso para o hospital eu só pensava no quanto Benjamin é saudável, que não seria nada de ruim, seria apenas uma alergia seja lá do que fosse.

manchas

Fomos para o hospital infantil Sabará. Fomos atendidos rapidamente. Além das manchas, ele estava com 38,6 de febre. Benjamin internou, fizeram exames de sangue, urina, medicaram na veia com corticoide, as manchas aumentaram e medicaram novamente com outro remédio. E se as manchas não passassem, fomos alertados: ele teria que ficar internado. Só que eu já estava mais tranquila e com a certeza de que as manchas sumiriam.

A médica saiu do quarto e como que num toque de mágica, Benjamin ficou branquinho. Sem mancha nenhuma. Fiz uma comparação entre Benjamin e eu. Apesar do medo que ele sentia cada momento que entrava uma enfermeira, ele chorava, mas não se debatia, não se mexia, ficava quietinho. Eu sempre fui assim desde pequena. Tenho pavor de hospital e agulha, choro (ou chorava, a gestação me fortaleceu mais nesse sentido), mas sempre fiquei quieta esperando o que fariam comigo. E sempre ficava incrivelmente boa diante da possibilidade de ter que ficar no hospital rs.

Benjamin teve uma urticária brava, uma alergia talvez causada por algo que ele tenha comido. De diferente, ele comeu morangos, fruta que a gente evitava por ter muitos agrotóxicos. Vamos procurar ainda um alergista, buscar saber o que aconteceu.

Ontem foi pra mim mais uma dessas provações da maternidade. Para qualquer mãe é muito difícil ver seu filho ser picado, tirar sangue, colocar acesso pro soro e ouvir seu choro e seu chamado: “mamãe, colo. mamãe, colo”. Como diz Denise Fraga, em seu livro “Travessuras de mãe”, ser mãe compreende muitas dualidades. É uma grande mistura de alegria e dor.

E foi com essa dor no peito que não deixei cair uma lágrima perto do pequeno, me enchi de coragem para ficar ao lado dele, segurá-lo durante todo o processo (eu que nunca havia segurado ele sozinha para tomar vacina) e deitar ao seu lado na cama do hospital.

Chorei sozinha quando fui ao banheiro, depois de já terem colhido o sangue dele. Chorei e pedi em silêncio para ir embora daquele lugar o mais rápido possível com o meu filho bem.

Lembro da primeira vez que Benjamin ralou o joelho. Aquilo doeu em mim também, mas era apenas um joelho ralado e pensei: ele ainda vai ralar muitas partes do corpo. E desde então, tenho provas disso quase que diariamente. Já pensei em comprar um capacete de tanto que ele bate a cabeça (até dormindo ele faz isso no berço). Na véspera de seu aniversário, ele caiu e bateu o rosto no batente da porta e quando vi o resultado achei que ele ia precisar levar pontos no supercílio. Sinceramente,  eu não estava preparada para isso.

Tenho me perguntado, será que estaremos preparadas algum dia? Um dia estaremos fortalecidas como mãe? Eu acho que me fortaleço a cada experiência dolorosa dessas, incluindo as pequenas. Mas acho que nunca estaremos preparadas.

Nem os médicos salvam…

Semana passada meu Ben adoeceu. O menino ficou amoado de uma hora para outra na terça-feira. O diagnótico da mãe aqui foi: gripe!

Na quarta ele teve febre e me ligaram do berçário. Levamos o pequeno ao hospital infantil Sabará. Não conhecia o hospital e era indicadação da pediatra dele. Dizem que é o melhor hospital infantil de São Paulo. Fomos lá conferir.

Logo que se entra no hall você descobre o que ele tem de tão especial: o lugar está longe de parecer um hospital. As crianças entram ali e não querem mais sair. O espaço é todo lúdico e interativo.

Tem uma parede enorme de vidro com o desenho do mar, com barco, pescador, peixes. E as crianças podem monitorar através de volantes todos os integrantes do desenho.

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Tem também barquinhos no meio do saguão de espera. Aqui o Ben estava bem molinho, mas depois ele se soltou e queria ficar andando dentro do barquinho.

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No teto tem uns macaquinhos que ficam rodando. E no chão tem também alguns personagens em madeira. Benjamin gostou bastante dos dois.

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A estimativa de espera é de 1:45 minutos. Fiquei preocupada, porque fomos direto do berçário e estávamos sem leite para o pequeno. Preocupação infundada! No hospital vende mamadeiras, papinhas, leite, fraldas, brinquedos e até livros infantis!

O fato é que demorou muito mais que uma hora e quartenta e cinco minutos. E nem estava tão cheio assim. Dizem que aos domingos é lotado!

Benjamin foi diagnosticado com otite. Fomos orientados a dar antibiótico. Perguntei para médica (super nova por sinal) se não tinha outro medicamento, pois meu Ben não teve uma experiência boa com antibiótico e informei que ele tem alergia a penicilina. Não tinha outro medicamento.

Beleza, se você não confiar no médico em quem vai confirar não é mesmo?! Demos uma dose para Benjamin e no dia seguinte a noite, ele estava com as pernas roxas. Imediatamente ligamos para pediatra dele que nos orientou dar uma dose do anti-alérgico dele e não dar mais o antibiótico. No dia seguinte, sexta-feira, levamos o pequeno para avaliação da pediatra. Ela examinou o ouvido dele que aparentemente não tinha nada (como tinha muita cera ela orientou pingarmos um remédinho para amolecer a cera e no sábado ela examinaria novamente. Sim, eu costumo limpar todos os dias o ouvido dele, mas toda mãe sabe que não se pode de maneira alguma enfiar o cotonete no buraquinho do ouvido do bebê) e solicitou um exame de sangue.

Sábado. No ouvido não tinha nada. E apenas uma dose de antibiótico não teria dado resultado, já que a médica do Sabará informou que o ouvido dele estava com pus!!! Ou seja, a médica confundiu a secreção de cor amarela (cera) com pus. O exame de sangue resultou num caso viral. Gripe. Benjamin estava com uma gripe, além de 4 dentes do fundo nascendo (e por isso toda aquela inquietação que demonstrava).

Fico pensando: como se formam os jovens médicos? Sério, eu não tenho confiança neles. A pediatra do Ben falou que devo questionar e tal. Eu questionei. Talvez não o suficiente, mas porra se não podemos confiar no médico para tudo!!! Eu fiquei meio puta com tudo isso, pensei em mandar um e-mail para o hospital, divulgar o nome da médica, mas não fiz nada disso.

Tiro duas lições dessa história: 1) seguir a tal da intuição. Não importa se somos mãe de primeira viagem, a danada da intuição aflorou dentro de nós no dia em que nosso filho nasceu. 2) questionar. Questione sem medo do que o médico vai pensar, se achar que seu filho não deve tomar determinado medicamento, avise que quer outro e pronto. Ponto final.

Meu Ben passou a melhorar depois da consulta com sua pediatra, com a medicação certa – para gripe.

*

Uma crítica sobre os médicos em geral e não sobre o Hospital Sabará – que é excelente! Mas vale lembrar que hospital também se faz de médicos e não só de instalações…

Ser mãe é…

Ser mãe é a coisa mais maravilhosa do mundo. É uma experiência louca, inexplicável, contagiante, feliz, surreal. A gente ama tanto que chega a doer. Vivemos com um pisca alerta ligado de preocupação. Desde que me tornei mãe parece que conectaram um cabo elétrico na minha mente que fica ligado 25horas por dia. A qualquer hora ele pode emitir um alarme ou um choque, qualquer sinal que transmita: PE-RI-GO! Mãe não desliga nunca, está sempre preocupada (e a quem diga que assim será para sempre)!

Ontem surgiu um monte de manchas vermelhas nas pernas e braços do meu Ben. Concluímos que era o calor. Benjamin é muito branquinho e sente calor master. Passei o dia achando que estava melhorando e todo mundo que via diagnosticava: “é brotoeja, fique tranquila”. Anoiteceu e quando fui dar banho no meu Ben levei um susto! Benjamin estava com o corpo tomado pelas manchas vermelhas que começavam a se espalhar pelo rosto dele. Tadinho!

Tadinho dele por estar com aquelas manchas e por ter uma mãe tão melindrada – não sei se essa palavra define bem o meu estado. Mas eu fico triste (e brava, o marido que o diga) por vê-lo ou achar que está sofrendo. Dói tanto isso em mim. E aí que fiquei pensando em como é difícil ser mãe. É difícil ter que ser forte, racional, equilibrida e normal sendo mãe. Sinto que não estou preparada para esse papel. Sendo assim, como eu realizei esse projeto?!?! O mais importante da minha vida… Não, não, não! Eu devo estar SIM preparada, pois como diz nessa história, Deus não deixa você ser mãe se não sabe consertar tudo. Mas é difícil e um aprendizado constante. Na verdade você só tem que fingir que está tudo sob controle. Simples assim. Ãhã.

Estava com cara de alergia. Mas do quê se ele não comeu nada diferente? Talvez dos remédios contra pneumonia?! Corremos com meu Ben para o pronto socorro. (E nessas horas o seu emprego se torna o melhor do mundo, e você agradece por tê-lo e por ter um bom plano de saúde. Só esse mês estive no hospital com o Ben 4 vezes, sem contar o exame de sangue e os de raio-x que precisou fazer) Descobrimos que Benjamin tem alergia a penicilina (não puxou a cara da mãe, mas herdou a genética dela e vai saber o temperamento…) e é normal o efeito colateral aparecer de 7 a 10 dias após o uso do medicamento. Ontem era o sétimo dia.

Fiquei assustada com o diagnóstico. Tivemos sorte que esse remédio atingiu apenas a pele do pequeno Ben. Mas ele nunca mais em sua vida, assim como a mãe, poderá tomar qualquer medicação que contenha penicilina – que pode causar asfixia e até levar a morte. Depois, com a boa mente viajante que tenho, possuidora de pensamentos condenáveis, fiquei imaginando tudo o que podia ter acontecido desde o início: a médica no pronto socorro lááááá no RJ perguntou se ele tinha alergia a algum medicamento e eu respondi que ele ainda não havia tomado nenhum antibiótico, que aliás, ele nunca havia tomado remédios sem ser homeopático. Sei lá, ela não devia ter entrado com um antibiótico tão forte (se é que existe algum fraco), eu como mãe deveria ter questionado mais.

Quando eu precisei tomar benzetacil, um ser abençoado e iluminado teve a brilhante ideia de fazer o teste em mim pra saber se eu era alérgica. Eu era. Na mesma hora que injetaram o líquido no meu braço, a área pipocou. Quem tem alergia à penicilina não pode de jeito nenhum tomar benzetacil. Isso MATA! Fiquei pensando: e se naquele dia de carnaval, fosse o caso do Ben tomar uma injeção benzetacil?! Será que teriam feito o teste? Será que eu lembraria de pedir o teste? Poderia esquecer, afinal quando recorremos aos médicos, acreditamos que estamos nas mãos de pessoas que podemos confiar. Pelo menos deveria ser assim, mas……..nem tanto. Então as mães devem cumprir o papel de pentelhas e questionar as possíveis reações, os efeitos colaterais, se existe outras possibilidades de medicamentos, enfim, questionar TUDO e quantas vezes achar necessário.

Eu lembro de ter falado pro marido, lá no PS do RJ, que se pedissem vários exames no Ben nós não realizaríamos e iríamos embora para SP. É mais ou menos assim, o senso, o cabo elétrico, seja lá o que for que tem dentro da gente, manda um alerta. O nome disso: intuição! E intuição de mãe sempre funciona. Nunca duvide disso.

As duas semanas que se passaram foram bem preocupantes. O marido está super esgotado (mãe não pode ficar!). Mas o meu Ben está ótimo, a pneumonia passou (pelo menos pra isso o antibiótico serviu), agora só faltam as bolinhas vermelhas irem embora de vez. Ah sim!, para combater a alergia ele tomou no hospital uma injeção com anti-alérgico e está tomando dois anti-alérgicos via oral em casa.

Moral da história: eu, definitivamente, aprendi o sentido daquela famosa frase “ser mãe é padecer no paraíso”!