Chegou a hora da vistoria no apartamento

Em janeiro desse ano, anunciei aqui a VENDA da casa em que moramos e falei da nossa aquisição: a casa o apartamento próprio.

Pois é, 7 meses se passaram, a casa ainda está a venda e nós ainda moramos nela.

A novidade é que estamos bem próximos de nos mudarmos. Dias atrás numa ligação, isso ficou evidente. Era chegada a hora da vistoria do apartamento.

Pode parecer bobo, mas gente, ninguém tem noção da ansiedade, alegria e emoção que tomou conta de mim. Tudo junto e misturado. Data e horário marcado estávamos os três lá: eu, Marido e Benjamin. Ah, a Ana, arquiteta também.

Quando vi Benjamin andando pela área da piscina, quadra de futebol, quase tive uma parada cardíaca causada por forte emoção. Ok, exageros a parte, fiquei bem emocionada. Uma sensação de tarefa sendo cumprida. Porque agora, depois do meu Ben na minha vida, é diferente o sonho da casa própria. É por ele, é para ele.

Ao entrar no apartamento….sei lá, passou um milhão de coisas na minha cabeça – das quais vou registrando por aqui ao longo das próximas semanas.

Eu tinha outra imagem do apartamento. Achava que ao entrar, cozinha, sala, corredor para os quartos, fossem tudo para a esquerda (não sei de onde tirei isso, mas nesses dois anos e meio, quando fechava os olhos e pensava no apartamento era assim que eu o via). Na verdade é tudo para o lado direito, me senti canhota mesmo não sendo. A louca! Depois de um tempo lá dentro, me acostumei.

Nosso apartamento está lindo, com tudo funcionando corretamente, na varanda bate um ventinho gostoso que invade a sala, a luz também toma conta de todo o ambiente.

Benjamin correu por todos os lados, escolheu seu quarto (que era já, o qual em pensamentos, eu destinava para ele), fez questão de ajudar a testar todas as tomadas.

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A ansiedade agora está grande para mudarmos. O mais legal é que agora, após ter entrado nele, consigo sonhar com o jeito que quero deixá-lo, as coisas que vou colocar nele, o lar doce lar que quero transformá-lo….

*

Você está passando ou vai passar por uma fase parecida com a nossa?

Separei alguns links com dicas para você se preparar para a vistoria do apartamento:

Meus avós

Considero-me uma pessoa de poucas lembranças de infância. Mas as que tenho são suficientes para saber que tive uma infância feliz e avós maravilhosos.

Minha memória é também mais olfativa do que outra coisa.

Lembro do sabor da água do filtro de barro da casa dos meus avós. Só existe em um lugar o mesmo sabor, na casa da tia Rosana, uma das filhas dos meus avós Biga e Roque.

Nunca fui fã de macarrão. Mas não esqueço das macarronadas famosas de Dona Biga. Os almoços de domingo com toda família reunida. E do meu avô trazendo sorvete Tablito para os netos antes do almoço e minha avó esbravejando “Roqueee, vai dar sorvete para as crianças!”.

Na casa deles tinham dois modelos de copos de plástico inesquecíveis. Um era o amarelo e o outro era o azul – o meu preferido. Se eu fecho os olhos, volto no tempo por um segundo e consigo sentir as borbulhas da coca-cola espirrando no meu nariz. Essa sensação, aquele cheirinho e gosto do refrigerante mais amado no mundo, o copo azul é um conjunto das lembranças mais fortes que tenho da casa dos meus avós paternos.

Eu poderia ainda falar da personalidade de cada um. Mas cada vez mais minha lembrança fica curta. Meu avô Roque era uma pessoa sábia, adorava ler, tinha um escritório cheio de livros, cujo cheiro também tenho lembrança. Vivia falando da importância de ler. E guardo dele dois presentes muito especiais, meus pequenos tesouros. Um atlas antigo com dedicatória dele e sua assinatura – que muitos acham a minha parecida com a dele (mas juro que não o plagiei). O outro é um recorte de jornal de uma matéria sobre meu avô materno, o Caxambu, que meu avô Roque teve a delicadeza de me dar também com dedicatória. Esse virou um quadro que estampa uma parede da minha sala.

Ah, não posso esquecer do pingente de moeda de 5 cruzeiros. Eles mandaram fazer para cada neta. Tenho a minha até hoje e durante minha gravidez foi meio que meu amuleto da sorte, não tirava.

Meu avô Caxambu, que nos meus 15 anos me deu um anel maravilhoso. Era enorme e eu só deixava guardado. Até que depois de seu falecimento, resolvi mandar diminuir e usar. Meu avô materno sempre fazia uma festa de aniversário muito elegante. Todo ano eu ficava ansiosa para comer a melhor bolinha de queijo do mundo. Igual aquelas, nunca mais comi. Meu avô Caxambu, ex-goleiro do São Paulo Futebol Clube e da Portuguesa, era todo garboso, fino, galanteadooooor!

Quando ele faleceu, lembro de estar no velório e ao me virar vejo dois velhinhos lindos descendo do táxi. Meus avós Roque e Biga…

Minha avó Biga hoje vive numa casa de repouso. Ela tem Alzheimer. Já está avançado e no ano passado ela ficou internada, teve problemas respiratórios, enfim…fomos visitá-las no domingo passado e senti uma tristeza imensa. Benjamin, que já entende mais as coisas ao redor, ficou impressionado. Não tirei fotos. Não quis registro. Quero guardar a lembrança de quando levei Benjamin para conhecê-la.

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Essa foto já tem quase dois anos. Quando minha avó viu Benjamin, eu a vi lúcida e feliz. Ele começou a choramingar e ela disse “o que esse menino está chorando? me dá ele aqui”. Era a Biga que eu conhecia. Foi a coisa mais incrível. Benjamin foi no colo dela, parou de chorar e ela sorria balançando a perna como que ninando seu bisneto.

Pausa.

Acho que vou terminar por aqui.

Avós. Seres especiais. Eles realmente adoçam a nossa vida.

E eu daria tudo pra viver só mais um domingo da minha infância com eles….

Um abraço em todos os avós.

Todo o meu amor para a avó do Benjamin

Hoje é aniversário da pessoa mais importante na minha vida, que sem ela nada seria possível.

Ela é a mulher mais guerreira que conheci na vida. Mulher de fé, fibra. Forte.

Ela sempre aceitou, obediente, todas as mudanças em sua vida.

Criou duas filhas sozinhas.

Acumulou duas funções. A de mãe e a de pai.

Sempre teve dois empregos.

Mas nunca foi possível sentir sua ausência. Porque ela era SEMPRE presente.

Graças a ela eu cresci e me tornei a pessoa que sou hoje. Meu segundo nome poderia ser “Caráter”. Algo que ela nos transmitiu como ninguém.

E aí me tornei mãe. A melhor que meu filho poderia ter. E com certeza  sou a melhor porque aprendi com a melhor mãe que tive.

Também passei a admirá-la ainda mais. E compreender tudo o que ela fazia (e ainda faz) por nós.

Sei que ela já abdicou de muita coisa por nossa causa.

Ela sempre me contou a história de que antes de vir ao mundo nós escolhemos os pais que queremos.

Não tenho dúvida de que ela foi a melhor escolha que fiz.

Hoje ela é a melhor mãe e avó que poderíamos ter.

Ela é minha mãe. Avó do Benjamin. Um ser humano admirável.

É pra ela esse singelo post de hoje. É pra ela todo o meu amor. Toda minha gratidão.

Amo mais que o sol.

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Registre sua barriga!

Fotografe! Diariamente, semanalmente, mensalmente! Fotografe sua barriga!

Eu tirei várias fotos de quando estava grávida, mas me arrependo muito de não ter feito o registro no mesmo dia de cada mês, em determinado local da casa. Sabe, escolher uma parede, uma posição e todo mês fotografar?!

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Acho lindo aqueles vídeos de grávidas com a passagem do tempo e o crescimento da barriga.

O meu registro pula o início da gravidez. Acho que porque eu passava tão mal, acabava sem entusiasmo. Na verdade nem me ocorreu fazer esse registro.

Pode parecer que não tem diferença de um mês para o outro, mas depois que você olha as fotos percebe as diferenças.

Mas fiz algumas fotos em casa. Quando estava com 5/6 meses, minha grande amiga e fotógrafa Bruna fez um ensaio nosso no parque…

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E em casa…

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Aos 8 meses resolvi investir e fiz num estúdio da Fran Matos. Lembro que estava morrendo de vergonha, mas a Fran nos deixou super à vontades e o resultado foi bem bacana.

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Dizem que depois sentimos saudades da barriga. Trabalhei até o último dia da minha gestação. As pessoas não acreditavam no tamanho da minha barriga. Eu já andava quase parando, andava feito pata, como dizem. Sentia o peso, mas adorava desfilar com aquele barrigão.

Essas fotos são das últimas semanas:

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Sim, às vezes sinto saudades da barriga…

Portanto, se tem um conselho que me permito dar é: não economize nas fotos! Caseiras ou profissionais, faça bastante fotos da sua barriga. Porque essa é a lembrança que fica até a próxima gestação…rs

A vida é cheia de possibilidades

Daqui alguns dias meu pequeno vai completar dois anos!!! E não adianta, até lá, esse será um período de reflexões. Hoje o pensamento foi que há quase dois anos eu dirijo (não dirigia antes e há quase dois anos virei mãe na direção!)!!!

Até hoje eu dirigia sozinha mas apenas os caminhos já conhecidos: de casa para o trabalho do marido (Osasco), de lá para escolinha do Benzoca e depois para o meu trabalho. Também para a casa da minha mãe. Sempre que precisei ir para algum lugar desconhecido, pedia para o marido fazer o caminho comigo um dia antes. Ou pegava um táxi. Ou um ônibus.

Não, eu não confio em GPS! Uma vez fui me meter a besta e sair de carro sozinha com Benjamin e o amigo GPS. Destino: Zona Leste. Foi um desastre até que eu desencanei e fui por conta das placas – e da minha intuição – até que cheguei.

Resolvi enfrentar isso! Se eu tenho carro, porque não usufruí-lo em sua totalidade? Pra quê pegar dois ônibus, metrô e trem para chegar ao destino. Fui para um evento sozinha (eu e o GPS), que ficava num caminho desconhecido. Cheguei e nem errar o caminho errei. Fiquei tão orgulhosa de mim (não por não ter errado, mas por ter vencido esse bloqueio de ir para lugares desconhecidos sozinha).

De repente eu virei uma mulher corajosa, destemida…como e quando foi isso???

A minha vida meio que passa a ser dividida em antes e depois do meu filho. Depois da maternidade ficou dividida em sub-blocos: licença maternidade, volta ao trabalho, aí tem também as fases de idade do filho: 6 meses, 9 meses, 1 ano, 1 ano e três e aí parece que vai pulando de 3 em 3.

Dois anos se passaram (ligeiro, por sinal) e minha vida se transformou. Para melhor, afirmo! A maternidade faz você amadurecer 5 anos em um ano! Na tentativa de explicar a chegada de um filho em nossa vida, costumo dizer que filho impulsiona a gente.

Já faz algum tempo, li uma frase no Mamatraca, se não me engano da Anne, que define muito bem esse sentimento com relação a chegada dos filhos: “Nada como filho para colocar perspectivas nas coisas, não é?” Duplico a pergunta: Não é? Éééééé!

Filho chega e transforma (e bagunça e coloca ordem, tudo junto e misturado) nosso mundo, de repente você se dá conta de algo que não se tocou a vida inteira: o que você achava ser tão importante, nem é tanto assim… E não importa a distância, não importam as dificuldades, não importa o que os outros falam, não importa se algum projeto não deu certo agora, não importa se errar o caminho… Sempre, SEMPRE existem outras possibilidades, outras alternativas. Afinal, como diz Guimarães Rosa “o que tem que ser, tem muita força”.

Filhos mudam totalmente o nosso lugar no universo” (do livro Coração de pai, José Ruy Gandra)

Um dos meus lugares (preferidos) hoje é atrás de um volante. ADORO!

O progresso do meu bebê

Esses dias estava à toa, assistindo novela enquanto Benjamin brincava com essas peças de montar (tipo lego, só que não) perto de mim. De repente, ele falou assim sozinho, pra ele mesmo: “um bolo” e assoprou uma velinha imaginária.

Pense se eu não pirei! Ele pela primeira vez (que eu tenha visto pelo menos) externou sua imaginação. Ele pensou e verbalizou seu pensamento. Parece algo simples e bobo, mas não é. Imagine o que é para uma criança passar por esses processos de desenvolvimento….

Nós adultos já fazemos tudo no automático. Andamos, sentamos, agachamos, falamos, tudo assim na maior facilidade. Mas para uma criança na idade do Ben (e principalmente os mais novos) para alcançar algo que ele queira e está longe, envolve um processo de equação matemática ou física mesmo. O bebê pensa: quero chegar naquele objeto, pra isso preciso caminhar até lá, agachar, etc…até concluir a ação.

Meu filho, que até ontem, ou melhor, que até um ano atrás, era um bebê, colocou pra fora um pensamento e eu vibrei en-lo-u-que-ci-da-men-te. Tanto que até interrompi, empolgada, querendo fazer parte daquilo – aquele momento especial que é imaginar. Afinal, temos que dar asas à imaginação. Eu disse como uma boa mãe louca: que bolo liiiindo, filho! Mas você assoprou a velinha sem cantar parabéééééns?! Vamos cantar, vamos cantar parabéns agora! E começamos os dois a cantar o parabéns sem festa mais animado do planeta. E mais uma vez ele assoprou a velinha.

Olha aqui o bolo imaginário do meu Ben

Olha aqui o bolo imaginário do meu Ben

Refletindo sobre o desenvolvimento, comecei a viajar relacionando o quanto nossos pequenos desenvolvem e aprendem em tão pouco tempo. Eles aprendem diariamente!!! É algo incrível! Eles vão desbravando o mundo, sem medo, guiados pela curiosidade. Relacionei em pensamento algumas coisas que Benjamin anda fazendo.

Ele pula tirando os dois pés no chão, parece que anda testando a gravidade. Outro dia nos surpreendeu subindo a escada sozinho e sem nos darmos conta. Bobeamos com o portão aberto e daqui a pouco só ouvimos os passos do molequinho na parte de cima da casa. E sobe com a maior habilidade. Os brinquedos de montar são os que mais prendem a atenção dele. Organização virou uma das suas atividades preferidas. Ele organiza todos os seus DVD’s a todo instante, empilha todos, depois coloca um do lado do outro e vai testando várias possibilidades de ordem. Adora imitar animais. E começou a nos imitar também como se fosse um papagaio. Pergunto “como foi o dia”, ele responde “o dia”. Repete todas as últimas palavras que falamos. Continua gostando muito de música e instrumentos – que, inclusive, ele faz mímica. Giz e papel viraram itens indispensável. Adora fazer arte! No banho ele gosta de levar dois baldinhos e ficar passando água de um para o outro, além de jogar água no banheiro inteiro. Tem ensaiado suas primeiras frases. “Não, mãe!” e “para, mãe” são suas preferidas quando a mãe começa apertar e enchê-lo de beijos.

Até outro dia eu ficava tentando ensiná-lo seu nome, principalmente responder o seu nome. Eu perguntava ao olhar uma foto “quem é esse”, ele prontamente apontava pra mim ou respondia “mamãe”. Recentemente, começou a falar Bencoca = Benzoca, miiim = Benjamin e Ben = Ben. Outro dia levantei com a camisola que tem seu rosto estampado e ele foi logo dizendo: “Bencoca!” Sim, filho, é o Benzoca!

Meu filho está descobrindo que é um indivíduo separado de mim….e ao mesmo tempo que isso dá uma pontadinha no coração, um certo sentimento de perda, afinal aquele bebê já não existe mais, também me enche de orgulho e de um sentimento enorme de ganho. Ele está crescendo e estou fazendo parte dessa transformação. Sem contar que eu aprendo muito com ele e também me transformo a cada dia. E o mundo está ganhando uma pessoinha que eu prometo, será maravilhosa.

1 ano e 11 meses

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Prestes a completar dois aninhos, ele tem preenchido meu coração de alegria e emoção.

Acho que toda mãe é meio babona, chorona, orgulhosa. E nessa época próxima de completar aniversário, a gente fica tudo isso multiplicado por 1 milhão!

Um monte de coisa passa em nossa cabeça. Até outro dia esse menininho cabia no seu antebraço, se aconchegava no seu peito e ficava perfeitamente deitadinho em sua barriga. Ele mamava no seio, fazendo aquele bico lindo. Tinha uma mão pequenina e um pezinho que mais parecia uma bisnaguinha. Tomava banho na banheira! Com aquele cuidado que só as mães de primeira viagem tem para não entrar água no ouvido, não cair sabão nos olhinhos. O cobertor ficava grande perto do pingo de gente que ele era.

Outro dia olhei para meu Ben e pensei “dois anos se passaram”. E eu era tão insegura…hoje ele está aí, corre para tudo quanto é lado, pula, sobe e desce, liga e desliga o som, a TV e o DVD a hora que bem entender, atende o telefone, diz “eu te amo”, tira catota sapinho do nariz, pede pra comer comida quando os pais loucos esquecem que ele precisa se alimentar, toma banho no chuveiro, ensaia algumas frases e fala mais de 40 palavras, toma suco no copo, pinta e borda, reconhece as pessoas, dá bronca na Capitu, pede desculpas e tem um cobertor que deixa agora seus pés à mostra.

Essa semana, ele começou uma nova fase na escolinha. De uma turma mini, ele mudou para turma do maternal. Imagine receber um comunicado dizendo que seu filho está com o desenvolvimento acima do esperado….a princípio achei que era conversa , tipo cantada que o cara dá em todas. Mas na festinha de Dia das Mães soube que estava enganada. Aliás, eu disse AQUI que subestimo a escolinha e o meu filho. A escolinha fez uma avaliação e viram que algumas crianças estão com o desenvolvimento acima do esperado, Benjamin e seu amigo Murilo são essas duas crianças.

Agora ele também vai começar a fazer judô! Pense, numa mãe cheia de bossa. Se o sonho de toda mãe de menina é ver sua filha vestida de bailarina, o da mãe de menino é ver o seu filho vestindo kimono.

Eles crescem…e a gente cresce junto! Aprendemos tanto com esses pequenos humanos. Cada dia mais tenho certeza de que ele veio para mudar a minha vida. Ele me transforma e me ensina diariamente enxergar a vida por outra óptica e me faz ter fé no ser humano.

Sonhos, Morte e um livro

Eu nunca sonho, ou melhor, se é verdade que todo mundo sonha todas as noites, eu nunca lembro dos meus sonhos. São raros os que lembro e esses são sempre os mais negativos.

Outro dia tive um sonho esquisito. Eu e marido tínhamos que fazer um exame de DNA no Benjamin. O mais esquisito é que todo mundo queria pegar o Benjamin como se ele fosse um ratinho de laboratório e eu tentava protegê-lo e fazer o exame secretamente, só eu, marido e Benzoca. O mais esquisito ainda era o motivo de realizar esse exame. Era algo como se tivessem descoberto que Benjamin não era nosso filho. O negócio me apavorava e por isso eu queria fazer o exame na surdina, pois eu temia que as pessoas estavam contra nós, queriam roubar o Benjamin de mim e, por isso, eles fossem forjar o resultado do exame. Além disso me atordoava pensar na hipótese dele não ser meu filho de sangue. Não porque ia ser colocado em xeque o amor que sinto por ele, porque na verdade o amor já estava construído. Mas em sonho, era estranho pensar que tudo o que via nele, pensando ser parte de mim e parte do marido, era na verdade um blefe. Mas mesmo assim eu não deixaria ninguém tirar ele de mim. Foi um sonho super confuso e estranho.

Aí dia desses, eu que não lembro dos meus sonhos e sempre senti falta do Benjamin neles, tive outro sonho com ele envolvido. Sonhei que a Morte me perseguia. Estranho é que eu não estava morrendo, estava literalmente sendo perseguida por ela. Eu nunca fui de pensar na morte ou de ter medo de morrer. Mas depois que tive o Benjamin a ideia de morrer não me agrada, passei a achar que morrer é algo de muito mau gosto. Uma das primeiras coisas que me ocorreu quando pensei na possibilidade de morrer e deixar meu Ben, foi o fato de que ninguém cuidaria do meu filho como eu, ninguém faria por ele o que eu seria capaz de fazer. Ninguém. Talvez só a minha mãe.

Ao longo desses dois anos de configuração mãe e filho, percebi que o motivo de não poder morrer virou uma lista infidável, principalmente por coisas que preciso ensinar ao meu filho. São tantas as coisas que preciso ensinar a ele…!

Preciso ensinar meu filho a andar de bicicleta sem rodinhas, a apreciar uma paisagem, a nadar (embora, eu não saiba), a escrever, a ler, preciso ensinar-lhe um (de preferência, vários) caminho(s), a escalar uma montanha, que viajar é melhor do que bens materiais, a ficar sozinho, apreciar sua companhia, respeito, a pisar na areia….preciso ensinar uma infinidade de coisas a ele.

E desculpa, se pareço egoísta, mas eu quero ser a responsável por ensinar  isso e muito mais para ele. Eu quero estar perto dele quando ele tomar o primeiro tombo tentando andar com a sua bicicleta sem rodinhas. Assim como eu quero estar ao seu lado quando ele pegar o equilíbrio e sair pedalando, vibrando de alegria, sentindo o vento batendo em seu rosto. Eu quero estar perto dele e presenciar cada tentativa e conquista dele.

E só de pensar tudo o que eu quero viver com ele ainda, eu sou tomada de emoção. Tem muita coisa boa para acontecer… coisas que mudam a gente como ser humano, coisas que podem fazer de nós pessoas melhores, coisas que a gente carrega pra sempre na memória afetiva. E eu quero fazer parte dessa memória do meu filho.

Assim como os filhos não deviam morrer antes dos pais, os pais não deveriam morrer sem antes ter passado tudo o que é de direito ao lado dos filhos. Essas poucas coisas que citei podem parecer que qualquer um pode ensinar aos filhos. E sim, os amigos, os tios, os avós podem ensinar-lhes essas e muitas outras coisas. Mas o trabalho de pai e mãe é diferente. Tem ensinamentos e, esses citados são só alguns que, em minha opinião, embora simples, são de deveres e direitos que só deveriam caber aos pais.

Sei que nesse dia do sonho esquisito, acordei decidida a dedicar parte do meu tempo a ensinar ao meu filho essas coisas que se guardam no coração. Talvez eu escrava um livro: “Coisas que preciso ensinar ao meu filho antes de morrer”. Quem sabe eu não morro enquanto não terminar o livro.

Mudanças

Ano novo pessoal e cara nova para o blog!

Eu sempre gostei de mudanças. Claro, temo um pouco as transformações que acompanham qualquer alteração cotidiana, mas sempre procuro enxergar o lado positivo que toda mudança carrega. Seja cortar cabelo, mudar de emprego, casa, móveis e objetos do lugar. Gosto de mudar.

Desde que entramos em 2013 uma sensação não me largou, que esse ano seria um ano de grandes mudanças em minha vida. A última vez que tive esse sentimento foi em 2010 e tudo aconteceu como uma avalanche: fechamos nossa viagem para Paris, compramos nosso apartamento, engravidamos! Detalhe, tudo aconteceu de repente, uma semana atrás da outra. Em três semanas consecutivas, em menos de um mês, eu soube que aquele ano mudaria a minha vida por completo.

Esse ano vamos mudar para nosso apartamento. Nunca em nossas vidas eu e marido moramos em apartamento. Essa será uma grande mudança em vários aspectos, principalmente geográfico (vamos mudar de bairro) e emocional. Pensamos que seria ainda no primeiro semestre, mas em abril levamos um balde de água fria realidade e descobrimos que isso só vai acontecer no segundo semestre. O lance de documentação demooooora…, vamos entrar nesses trâmites agora em maio. E detalhe, a casa em que moramos atualmente está com a placa Vende-se e o tempo está correndo… Mas ao invés de deixar a frustração me contagiar, me apeguei nos planos para o apartamento, já estamos com o projeto pronto e vamos começar a orçar a mão de obra e tudo que vamos precisar comprar.

E me apeguei também no blog que começou assim despretensiosamente e tem me gerado um retorno mais do que gratificante no sentido materno e profissional. E é aí que entra mais uma das mudanças. Estão vendo a cara nova do blog? Um dos presentes de aniversário que ganhei do marido. Um presente que amei ao ver o resultado final. E mais um sinal de que eu devo levantar as mãos pro céu e agradecer o marido que tenho. Eu sou muito chata, gente! É, nem parece pelo blog, né?! Mas sou, reconheço! Eu enchi os pacovás do marido desde janeiro – quando o blog completou um ano. Estou há 4 meses na beira da indecisão. Nesse período mudei de ideia milhões de vezes e resolvi deixar do jeito antigo mais um milhão de vezes, até que o marido em sua paciência (e sabedoria) infinita pegou minha mãe e falou “fique tranquila”.

Foi difícil porque embora não pareça, eu demoro para tomar decisões (até eu me surpreendo às vezes). Pensei em fazer um desenho, mas todos os blogs maternos que entro (e que gosto, não é nada contra) são com desenhos e não acho que tinha a ver comigo. Sem contar que o nome do blog não me ajudava a fazer as ligações. As pessoas até devem se perguntar porque o nome “Bossa Mãe”. É claro que chegar nesse nome não foi fácil, percorri muitos caminhos até me deparar com a palavra bossa que está presente em minha vida de várias formas. Minha mãe sempre foi festeira, meu pai um boêmio, ele inclusive, vive dizendo que sou o Carnaval dele… aí olhei no dicionário e como contei no parto do Bossa Mãe, um dos significados para Bossa no Houaiss é: aptidão, disposição, propensão – tenho tudo isso de sobra para a maternidade e, disposição, por exemplo, tenho para tudo que me proponho a fazer na vida. Ah! e tem o meu Ben, eita molequinho cheio de bossa! O menino adora música, tem em casa todos os instrumentos que ilustram a nova cara do blog (menos o violino, mas que Benzonca improvisa). Enfim, acho mesmo que formamos uma família Cheia de Bossa.

Vale falar sobre a praia de fundo. A mãe aqui ama imensamente uma praia, o Sol, um céu azul…e esse resultado me deixou encantada porque eu não fiz nenhuma menção sobre envolver praia no layout novo, mas fiquei feliz ao ver o resultado e descobrir que o marido faz essa relação, tipo: dia bonito = praia = eu OU = (mais) um dia feliz em família. 🙂

Além da mudança de layout, o blog vai trazer outras novidades. Ele não vai mudar a maior característica dele que é registrar o desenvolvimento do meu Ben, assim como minhas aventuras na maternidade, mas passa a contar com a colaboração do Bosso Pai que teve uma semana de sucesso, no meu período sabático (mas não pensem que foi fácil convencê-lo! e que será algo semanal, teremos que contar com o entusiamo e a inspiração paterna dele), também vou começar a trazer entrevistas e/ou opiniões de profissionais. Além disso, passamos abrir espaço para o(a) leitor(a) enviar sugestões de assuntos que gostaria de ler aqui no blog, com nome devidamente divulgado.

Eu amei o layout e estou empolgada com as mudanças. Espero que gostem!

Sobre responsabilidades e expectativas – tudo junto, misturado e confuso

Ando pensando muito na expectativa do amor, que na verdade está mais ou menos sobre concentrar toda minha alegria no meu filho. Acho que isso estava beirando a algo como depositar a responsabilidade da minha felicidade nele. E sinceramente, isso não é muito legal, principalmente, se pensarmos em dois aspectos:

1) assim como ele não pode ser responsável pela minha felicidade, eu também não sou responsável pela felicidade dele. Acredito ser responsável pela felicidade dele agora, nesse momento de infância. Acho que é meu papel oferecer um ambiente seguro, confortável, alegre.

2) na verdade a parte principal a ter responsabilidades sobre alguém sou eu sobre ele. Benjamin é de minha responsabilidade, mas o meu compromisso é oferecer subsídios para que ele cresça saudável, se torne uma pessoa do bem, cooperativa, sinta-se seguro. Eu preciso oferecer ferramentas para que ele cresça e se torne um adulto com liberdade para buscar a sua própria felicidade sem ter que depositá-la em alguém, a não ser em si próprio.

Ou seja, meu filho completa a minha felicidade, mas não deve ser o ponto central. Não deve ser essa a minha única fonte. Eu devo buscar outras, afinal como era minha vida antes dele? Sem graça, fato! Nós mães não podemos esquecer que somos indivíduos e como indivíduo cada um deve buscar seu espaço. E isso nós temos que ensinar aos nossos filhos também. Não estaremos (e nem devemos estar) o tempo todo ao lado do nossos filhos, uma hora vamos precisar dar esse espaço a eles também.

Essa reflexão me fez voltar a dormir depois que li uma frase no post Que raio de mãe você, no MMQD. Várias mães citam que raio de mãe elas são, mas uma em especial me chamou a atenção. Foi a Deh, mãe do Alê, 5 anos. Ela disse:

“sou a mãe que esquece de lavar o uniforme e de encapar caderno e que se ressente com isso. Mas que se recusa a fazer do filho o grande projeto de vida porque acha os ombrinhos dele muito pequeninos.

É isso! O ponto crucial. Toda a minha angústia em não achar justo o que vinha fazendo – criar expectativa sobre o meu filho, é por isso. A responsabilidade é muito pesada. E ele é somente um bebê. Por outro lado, eu sempre achei (e continuo a achar) que Benjamin é meu grande investimento e o grande projeto que deixarei para a vida. O lance é que eu não posso impor isso a ele e muito menos criar gigantescas expectativas sobre ele.

Mesmo depois de adulto, não podemos esperar muito dos filhos. Quantas vezes não vimos pais achando os filhos ingratos?! Mas também já ouvimos milhões de vezes que filhos devem ser criados para o mundo. Eu acho cruel, mas começo a busca pela compreensão disso. Assim, também não podemos criar expectativa em nossos filhos querendo que eles sejam tudo o que gostaríamos, o que nós sonhamos para eles como o ideal.

Não podemos futuramente querer que os filhos nos prestem contas. Ou que eles sejam o que nós gostaríamos que fossem. Temos alternativas e escolhas de vida. Como disse o psicanalista Contardo Calligaris, em sua coluna, algumas vidas não vividas são alternativas descartadas pela inércia da nossa história ou porque o desejo da gente é dividido, e escolher implica perder o que não escolhemos.

É tudo muito complexo e eu não paro de pensar e buscar outros pontos de vista que possam contribuir para esse entendimento.