Brincadeiras

Engraçado que, não sei porque, mas minha relação com o Ben envolve muita brincadeira. Acho que é o jeito dele, só pode! Ele é uma pessoa feliz, de sorriso fácil e natural. Dono de uma gargalhada gostosa de ouvir, que não é nada difícil de aparecer.

Parei para pensar e rapidamente consegui eleger pouco mais de 10 ocasiões que costumam render boas brincadeiras:

  1. Hora de tomar banho: ele leva os brinquedos pra água e tome gargalhada;
  2. Ao acordar: não é sempre, mas tem dia que o sorriso aparece antes mesmo dele abrir os olhinhos;
  3. No almoço: o bocão para estacionar a colher cheia de arroz é uma festa;
  4. Entrar na escolinha: se tiver acordado, nem despede de você direito, já corre para brincar com os amiguinhos;
  5. Ir embora da escolinha: faz a farra lá mesmo, na frente do portão. Pula, grita, abraça, dá beijo, joinha, sorrisos;
  6. Ir à feira: além de sempre ganhar uma banana na barraca, tem o parquinho ao lado. Não precisa nem comentar, né?;
  7. Ir ao supermercado: já quer logo ir pra dentro do carrinho, ficar segurando as compras, mexendo nas prateleiras, comendo pão;
  8. Trocar a fralda: deita, recebe cócega, pega no pinto, mostra a barriga, mostra o pinto, só farra;
  9. Comendo a fruta: de longe você ouve o “qué uva!” ou “bananá!”;
  10. Na vistoria do prédio: quis testar as tomadas com uma lâmpada adaptada, a luz acendia e a gargalhada surgia;
  11. Subir e descer a escada de casa: pulando, contando os degraus e rindo, é claro.

Mas aí paro pra pensar: até quando o Benjamin vai querer brincar comigo, jogar bola pro papai, adivinhar os desenhos que faço, reconhecer os bichos adesivados na parede? E de repente bate uma saudade enorme de um tempo que ainda nem passou. Mas que voa… Vamos aproveitar mais Benzinho, espera um pouco para crescer e vamos andar de patinete na pracinha.

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#blogdemaesemmae #papaiblogando

O primeiro curativo a gente esquece?

Na véspera de completar dois anos, meu Ben caiu em casa, bateu o rosto na quina do batente da porta do banheiro e causou uma dor imensa no coração da mãe que vos escreve.

Estávamos chegando em casa. Eu ainda estava na sala quando ouço um grito assustador da minha mãe. Corro para cozinha, vejo as perninhas dele no chão e falo “nossa, mãe, ele só caiu, que susto!”.

Com o grito que ela deu eu pensei que tivesse acontecido algo relacionando ao fogão, já que estávamos antes de sair fazendo os docinhos para a festa. Nem lembrei que estava tudo desligado, mas eu morro de medo de criança perto do fogão.

Ela foi socorrê-lo e quando virou o rosto dele pra mim, fiquei apavorada. Tinha sangue na testa dele. Na mesma hora falei que tínhamos que correr com ele para o pronto socorro, fiquei super assustada e marido – do jeito dele – tentou me acalmar.

Benjamin berrando pedindo meu colo, chamando por “mamãe”. Abracei meu filhote. Mal sabe ele o quanto a mãe dele é cagona. Não estava preparada para levar meu pequeno para levar pontos. Aliás, esse é um dos meus maiores pânicos.

Lavamos o machucado e como o sangue não ficava escorrendo, fui me acalmando. Mesmo assim, o levamos numa farmácia dessas antigas de bairro, com aqueles farmacêuticos mais velhos de jaleco, sabe? Foi também um desses que tirou meus pontos quando cai e cortei o queixo. O farmacêutico limpou o machucado do Benjamin – que berrava, fez um curativo e pronto. Alertou: não podíamos deixar o pequeno dormir nas próximas três horas.

Chegamos em casa, colocamos um DVD e ele ficou assistindo até que minutos depois estava pulando novamente como se nada tivesse acontecido. Enquanto o pequeno não parecia mais sentir dor, a mãe sentia. Uma dor cortante, uma vontade imensa de chorar.
Mãe é um ser visto pelos filhos como uma super heroína. Nós muitas vezes nos sentimos super mulheres. Para os filhos a mãe sabe, consegue e pode tudo. A mãe até fica convencida disso por alguns momentos até que algo acontece e te joga a realidade na cara: você não pode proteger seu filho de tudo!

Como assim? Mas eu quero! Mas não pode e nem deve. E isso dói no coração de uma mãe. Assim como dói perceber que eles vão crescendo e cada vez menos dependendo da gente.

Na última semana com um ano de idade, eu me dei conta que em poucos dias meu bebê deixaria de ser bebê para se tornar uma criança – que ele já tinha se tornado e eu não tinha me dado conta até aquele instante. Percebi que ele comia sozinho e direito, tirava sozinho sua blusa, calça ou tênis, ficava bravo se alguém tentava ajudá-lo. Pedia para fazer xixi na privada, embora ainda use fralda – o que em breve já não vai mais acontecer também.

Agora ele está realmente um moleque, cheio de vontades próprias. Sinto que adentramos em uma nova fase, talvez mais difícil para a mãe. Compreender, aceitar, desprender e me adaptar a essas mudanças ainda é um pouco difícil pra mim. talvez eu precise de terapia.

O fato é que desde que engravidei do Benjamin soube o que ele veio me ensinar: que eu não tenho controle de tudo. Mas isso já não é uma questão de aprendizado, pois acho que aprendi. Agora é uma questão de aceitação.

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O progresso do meu bebê

Esses dias estava à toa, assistindo novela enquanto Benjamin brincava com essas peças de montar (tipo lego, só que não) perto de mim. De repente, ele falou assim sozinho, pra ele mesmo: “um bolo” e assoprou uma velinha imaginária.

Pense se eu não pirei! Ele pela primeira vez (que eu tenha visto pelo menos) externou sua imaginação. Ele pensou e verbalizou seu pensamento. Parece algo simples e bobo, mas não é. Imagine o que é para uma criança passar por esses processos de desenvolvimento….

Nós adultos já fazemos tudo no automático. Andamos, sentamos, agachamos, falamos, tudo assim na maior facilidade. Mas para uma criança na idade do Ben (e principalmente os mais novos) para alcançar algo que ele queira e está longe, envolve um processo de equação matemática ou física mesmo. O bebê pensa: quero chegar naquele objeto, pra isso preciso caminhar até lá, agachar, etc…até concluir a ação.

Meu filho, que até ontem, ou melhor, que até um ano atrás, era um bebê, colocou pra fora um pensamento e eu vibrei en-lo-u-que-ci-da-men-te. Tanto que até interrompi, empolgada, querendo fazer parte daquilo – aquele momento especial que é imaginar. Afinal, temos que dar asas à imaginação. Eu disse como uma boa mãe louca: que bolo liiiindo, filho! Mas você assoprou a velinha sem cantar parabéééééns?! Vamos cantar, vamos cantar parabéns agora! E começamos os dois a cantar o parabéns sem festa mais animado do planeta. E mais uma vez ele assoprou a velinha.

Olha aqui o bolo imaginário do meu Ben

Olha aqui o bolo imaginário do meu Ben

Refletindo sobre o desenvolvimento, comecei a viajar relacionando o quanto nossos pequenos desenvolvem e aprendem em tão pouco tempo. Eles aprendem diariamente!!! É algo incrível! Eles vão desbravando o mundo, sem medo, guiados pela curiosidade. Relacionei em pensamento algumas coisas que Benjamin anda fazendo.

Ele pula tirando os dois pés no chão, parece que anda testando a gravidade. Outro dia nos surpreendeu subindo a escada sozinho e sem nos darmos conta. Bobeamos com o portão aberto e daqui a pouco só ouvimos os passos do molequinho na parte de cima da casa. E sobe com a maior habilidade. Os brinquedos de montar são os que mais prendem a atenção dele. Organização virou uma das suas atividades preferidas. Ele organiza todos os seus DVD’s a todo instante, empilha todos, depois coloca um do lado do outro e vai testando várias possibilidades de ordem. Adora imitar animais. E começou a nos imitar também como se fosse um papagaio. Pergunto “como foi o dia”, ele responde “o dia”. Repete todas as últimas palavras que falamos. Continua gostando muito de música e instrumentos – que, inclusive, ele faz mímica. Giz e papel viraram itens indispensável. Adora fazer arte! No banho ele gosta de levar dois baldinhos e ficar passando água de um para o outro, além de jogar água no banheiro inteiro. Tem ensaiado suas primeiras frases. “Não, mãe!” e “para, mãe” são suas preferidas quando a mãe começa apertar e enchê-lo de beijos.

Até outro dia eu ficava tentando ensiná-lo seu nome, principalmente responder o seu nome. Eu perguntava ao olhar uma foto “quem é esse”, ele prontamente apontava pra mim ou respondia “mamãe”. Recentemente, começou a falar Bencoca = Benzoca, miiim = Benjamin e Ben = Ben. Outro dia levantei com a camisola que tem seu rosto estampado e ele foi logo dizendo: “Bencoca!” Sim, filho, é o Benzoca!

Meu filho está descobrindo que é um indivíduo separado de mim….e ao mesmo tempo que isso dá uma pontadinha no coração, um certo sentimento de perda, afinal aquele bebê já não existe mais, também me enche de orgulho e de um sentimento enorme de ganho. Ele está crescendo e estou fazendo parte dessa transformação. Sem contar que eu aprendo muito com ele e também me transformo a cada dia. E o mundo está ganhando uma pessoinha que eu prometo, será maravilhosa.

1 ano e 11 meses

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Prestes a completar dois aninhos, ele tem preenchido meu coração de alegria e emoção.

Acho que toda mãe é meio babona, chorona, orgulhosa. E nessa época próxima de completar aniversário, a gente fica tudo isso multiplicado por 1 milhão!

Um monte de coisa passa em nossa cabeça. Até outro dia esse menininho cabia no seu antebraço, se aconchegava no seu peito e ficava perfeitamente deitadinho em sua barriga. Ele mamava no seio, fazendo aquele bico lindo. Tinha uma mão pequenina e um pezinho que mais parecia uma bisnaguinha. Tomava banho na banheira! Com aquele cuidado que só as mães de primeira viagem tem para não entrar água no ouvido, não cair sabão nos olhinhos. O cobertor ficava grande perto do pingo de gente que ele era.

Outro dia olhei para meu Ben e pensei “dois anos se passaram”. E eu era tão insegura…hoje ele está aí, corre para tudo quanto é lado, pula, sobe e desce, liga e desliga o som, a TV e o DVD a hora que bem entender, atende o telefone, diz “eu te amo”, tira catota sapinho do nariz, pede pra comer comida quando os pais loucos esquecem que ele precisa se alimentar, toma banho no chuveiro, ensaia algumas frases e fala mais de 40 palavras, toma suco no copo, pinta e borda, reconhece as pessoas, dá bronca na Capitu, pede desculpas e tem um cobertor que deixa agora seus pés à mostra.

Essa semana, ele começou uma nova fase na escolinha. De uma turma mini, ele mudou para turma do maternal. Imagine receber um comunicado dizendo que seu filho está com o desenvolvimento acima do esperado….a princípio achei que era conversa , tipo cantada que o cara dá em todas. Mas na festinha de Dia das Mães soube que estava enganada. Aliás, eu disse AQUI que subestimo a escolinha e o meu filho. A escolinha fez uma avaliação e viram que algumas crianças estão com o desenvolvimento acima do esperado, Benjamin e seu amigo Murilo são essas duas crianças.

Agora ele também vai começar a fazer judô! Pense, numa mãe cheia de bossa. Se o sonho de toda mãe de menina é ver sua filha vestida de bailarina, o da mãe de menino é ver o seu filho vestindo kimono.

Eles crescem…e a gente cresce junto! Aprendemos tanto com esses pequenos humanos. Cada dia mais tenho certeza de que ele veio para mudar a minha vida. Ele me transforma e me ensina diariamente enxergar a vida por outra óptica e me faz ter fé no ser humano.

Alimentação – Porque tem coisas que #sómãe faz

Quem acompanha o blog sabe que eu sou encanada com a alimentação do Benjamin. Eu não tenho e nunca tive uma alimentação saudável, mas prezo pela alimentação do meu filho.

Uma das coisas que o meu trabalho me proporciona é a oportunidade de participar de eventos interessantes. Os que mais gosto sempre são aqueles cujo assunto possa ampliar meus horizontes. Sempre aprendo em todos. Quando o assunto é alimentação e saúde me pego pensando o quanto nós mães e pais sabemos tão pouco sobre o que é ou não saudável para nossos pequenos.

E quem acompanha a fan Page do Bossa Mãe sabe que nos últimos dias a minha paranoia sobre alimentação voltou a me atazanar (a história do Benjamin não comer certos alimentos antes de dois anos).

Hoje estivemos no evento da Ninho Fases. O assunto abordado não poderia ter vindo em tão boa hora: a formação da flora intestinal do bebê. O Dr. Aderson Damião, gastroenterologista, confirmou o que já ouvi outras vezes. A formação da flora intestinal se estabelece nos primeiros dois anos de vida, portanto, as escolhas alimentares nesse período são determinantes e podem trazer consequências para a vida toda.

A maior parte das células de defesa do nosso corpo está no intestino. E quando nossa flora (ou microbiota – novo termo utilizado para “flora”) intestinal está equilibrada, os micro-organismos benéficos que moram no intestino se comunicam com essas células de defesa, fazendo com que elas produzam mais enzimas e anticorpos. Tudo que as crianças necessitam!

Por isso é importante uma alimentação rica em Prebióticos – fibras alimentares que servem como base para os micro-organismos benéficos do intestino. Os Prebióticos estimulam o crescimento e ativam o metabolismo desse grupo de bactérias amigas, que possibilitam modificações na composição e no funcionamento da flora intestinal, contribuindo para o equilíbrio.

Quer saber um alimento rico em Prebióticos? Chicória! Plenamente realizada é a mãe daquele molequinho, que todas nós conhecemos. Ele chega ao supermercado e faz o maior escândalo: “Mãe, compra chicória. Eu quero Chicória, CHI-CÓ-RIA, CHI-CÓ-RIA!”. Mas o mundo real não é perfeito e dentro das escolinhas então…

A Nestlé nos apresentou o Ninho Fases 1+. Eu já conhecia, afinal é o leite que o Benjamin toma desde que completou um ano de idade. A pediatra dele até liberou o leite de vaca, mas continuamos com o Ninho Fases. Além de ser um composto de fibras prebióticas, possui proteínas, é fonte de cálcio, zinco, vitamina C, D e E , tudo que contribui para uma alimentação equilibrada neste período da vida da criança, ele pode ser oferecido até os três anos de idade. Então mantemos.

Curiosidades:

– O evento foi na cozinha experimental da Nestlé. Muito linda! Um sonho!

– Os produtos da linha Ninho Fases são classificados como compostos lácteos, por se tratarem de produtos resultantes da mistura do leite com ingredientes não lácteos (como as fibras prebióticas e óleos essenciais). Essa denominação é aplicada em virtude dos ingredientes adicionados, que visam contribuir para a ingestão de nutrientes importantes para o crescimento e desenvolvimento na infância;

– A Nestlé apoia o aleitamento materno até os seis meses ou mais. Porém, entende que nem sempre é possível seguirmos com a amamentação, principalmente quando nós mamães voltamos a trabalhar;

– Para ajudar as mamães que buscam informações para alimentar corretamente seus filhos durante o período de crescimento, ajudando com a nutrição necessária para que as crianças se desenvolvam de forma apropriada, a Nestlé desenvolveu o site “Começar Saudável para Viver Saudável” (http://www.nestle.com.br/comecarsaudavel/home.aspx). Lá você encontra informações sobre o perfil nutricional dos produtos da Nestlé, dicas, receitas, orientações da sociedade brasileira de pediatria e um espaço para trocar experiências;

– No evento, foi apresentado para todas as mamães blogueiras a campanha #sómãe. A campanha é singela, mas de uma sabedoria infinita, traduz perfeitamente o que eu sempre falo: ninguém faria pelo meu filho o que eu sou capaz de fazer. A Nestlé e você, mãe que me lê agora, sabem o motivo. Porque #sómãe faz!

Tempo de brincar (ou de brinquedo?)

Nesse feriado fomos conhecer a Casa do Brincar. Sem palavras para descrever meus sentimentos ao entrar naquele lugar. Eu me senti em casa de avó, aquele lugar cheio de coisas permissivas, onde tudo a criança pode pois ninguém vai proibí-la. Andar descalço, mexer (com cuidado) na hortinha, janelas e portas abertas, liberdade para correr e explorar todos os cantos.

Bateu até uma certa nostalgia e cheguei a comentar com o marido “a casa da minha avó é perfeita para produzir um espaço desse”. Cheguei a sonhar acordada com essa (im)possibilidade.

A proposta era uma atividade especial: arte coletiva no quintal – crianças brincando à vontade com tinta – e brincadeiras de roda. Benjamin adora música e curtiu à sua maneira, super concentrado na roda de música, porém não interagia. Já havia percebido isso e imaginava que era porque ele era pequeno. Mas agora em casa ele interage muito quando cantamos e propomos brincadeiras, então pensei que já fizesse isso com mais pessoas em volta. Pensei errado. Ele ficou o tempo todo sentado, quieto, prestando atenção, como sempre percebi em todas as vezes que o levei em programas do tipo.

Uma coisa que me deixou encanada ou talvez preocupada ou triste (?!), foi o fato do Benjamin não querer chegar perto da tinta e outra vez da areia (algo que eu pensei que ele já tivesse superado, pois andamos levando ele na pracinha com areia). Ok, já sei, é normal. Mas será que é normal para uma criança que não fica dentro de casa, vai para escolinha, tem (ou deveria) ter contato com tinta? Terra? Massinha? Aliás, Benjamin não pega em massinha, gente!!! Não pegava, pois ontem mesmo chegamos em casa e iniciei esse processo com ele.

Eu sei que isso não beira nenhuma anormalidade. Eu sei! Mas me incomoda um pouco isso. Chego a pensar se na escolinha não é desenvolvido esse contato das crianças com esse tipo de coisas. E lembro que um dos fatores que me ajudaram a escolher a instituição que ele está hoje foi ver fotos de bebês se esbaldando e felizes na tinta. Isso, bebês! E durante seu primeiro ano, esperei ansiosa receber um foto dele assim todo sujinho de tinta, com seu sorrisão largo. Benjamin sequer chegou em casa com uma gota de tinta em sua camiseta branca de uniforme…

Voltando a Casa do Brincar. O menino, meu filho, foi no escorregador, quando chegou no final e se deparou com a areia, segurou firme pra não cair de bunda na areia e com as pernas pra cima ficou desesperado esperando que seu pai ou a mãe o segurasse antes que ele encostasse na areia. Um pai provavelmente orgulhoso da sua princesa tomando banho de areia observando a cena, olhou para o meu pequeno príncipe como quem diz “ixi, esse aí é bichinho de apartamento”! E nem em apartamento vivemos ainda!!!

O que me incomoda é ver as crianças envolvidas em atividades com brinquedos, os chamados “brinquedões”, que em minha opinião só servem para gastar a energia dos pequenos, não agrega em nada com relação à experiência – talvez uma queda e um corte no supercílio, alguns pontos ou um dente quebrado. O que é um dente quebrado aos dois anos de idade, né?! Aos 7 ele cai e nasce um novo.

Na minha época de infância, não lembro de ter esses brinquedos. Lembro de fazer colares de macarrão no dia do índio, colar grão de feijão no papel, brincar muito no tanque de areia, brincar de ciranda, corre cotia, roda de leitura, fazer presentes em datas comemorativas e não dar um presente pronto e pago pelos meus pais.

O que percebo atualmente? Crianças enlouquecidas para irem nos tais brinquedões, chorando porque é sua vez de jogar vídeo game ou porque quer assistir repetidamente o DVD do Patati Patatá, se debatendo porque quer de qualquer jeito o seu aparelho de celular ou tablet…porque as crianças não podem produzir os presentes de aniversário dos seus coleguinhas ou dia das mães, pais, etc…?! Porque não podem brincar sem depender de brinquedos?! Tenho medo desse choque cultural, dessa nova realidade.

Tudo tem limite ou estou ultrapassada?!

Domingo de Páscoa e o primeiro passeio sem os pais

Começou assim. Minha irmã se convidou para almoçar em casa no sábado, véspera da Páscoa. Eu disse que almoço não ia rolar, mas um lanche da tarde podia ser. Ela queria passar o dia com seu sobrinho/afilhado. Resolvi o problema falando que ela podia pegá-lo em casa pra passar o dia com ela e não ficarem trancados na minha casa.

O fato é que não aguento mais receber na minha casa, não estava com vontade de cozinhar no feriado e que já estava na hora da minha irmã começar a exercer plenamente sua função de tia/madrinha.

A escolhi como madrinha por motivos óbvios. Para alguns, o papel dos padrinhos já não tem tanta força assim. Mas eu acho que esse título é importante na vida dos filhos, sou da opinião que os padrinhos tem papel fundamental na vida dos afilhados, acredito mesmo que são os segundos pais. Então escolhi minha irmã, porque sempre intuí que ela desempenharia muito bem esse papel: o de segunda mãe. Porque confio nela acima de tudo. Além disso, temos um vínculo eterno que sabemos não vai romper a qualquer discussão boba. Minha irmã também tem personalidade firme, não cede facilmente, não é de fazer todas as vontades, não é permissiva. Ou seja, ela contribui para a educação do Benjamin e não somente o mima.

Eu liberei o domingo de Páscoa sem pensar muito. Arrumei Benjamin  e sua bolsa. Minha irmã disse que chegaria às 10:00 e nesse horário ele estava pronto. Acreditem se quiserem, mas ao ficar pronto, Benjamin já começou a ficar irritado como se entendesse que ia sair e que a tia estava atrasada. Quando ele ouviu um carro parar na frente de casa, imediatamente gritou “chegooooo“. Começou a pular desesperadamente. Destranquei a porta e ele saiu disparado. Ao entrar no carro, ele ficou meio sem entender, com cara de “ei, e vocês, papai e mamãe, não vão entrar aqui?!“. Expliquei que ele ia passear e que nós ficaríamos em casa. E ele foi.

Entrei em casa e já senti aquele silêncio absoluto. Muito estranho. Não sabia como agir, não sabia o que fazer, embora eu já tivesse preparado uma programação para esse dia: trabalhar numa pesquisa que estou fazendo sobre linguagem materna; almoçar/namorar com o marido; fazer as unhas; passar roupa; organizar a mochila do Ben; ler um livro; assistir um filme; não perder tempo nas redes sociais; e com certeza, o domingo acabaria sem eu ter feito metade da minha lista. Comecei pelo trabalho. O silêncio que invadiu a casa contribuiu para isso.

Recebi ligações. Fomos na casa da sogra ver os parentes que estavam passando o feriado aqui. Todo mundo perguntava do Benjamin. “Ah, ele foi passar o dia com a tia e com a minha mãe“, “ele está com a outra avó dele“, “ah, foi logo cedo passear com a tia, só volta a noite“, etc. Fiquei me sentindo a mãe mais liberta, moderna, madura, superior, à frente de tudo que realmente sou. E só no final da tarde me dei conta do contexto todo. Era a primeira vez que Benjamin saía sem os pais (ele está com um ano e nove meses), mas detalhe: em pleno domingo de Páscoa, quando as famílias estão reunidas, celebrando. Indaguei o marido: “você acha que fomos largados ao permitir essa saída?!”, marido respondeu: “eu não permiti nada, você simplesmente me avisou, não pediu minha permissão“.

É verdade. Marido estava com toda razão. Eu não perguntei o que ele achava. Mas foi meio sem perceber. Primeiro porque ele é de boa pra tudo, não vê problema em nada, eu que sou a encanada; segundo porque acho que sou muito possessiva, autoritária. Eu sei, é horrível, mas pior seria se eu fingisse ser o que não sou; terceiro porque eu me senti tão preparada para dar esse passo, que simplesmente, além de autorizar, sugeri a proposta para a minha irmã.

Bom, mas aqui fica minhas observações. De agora em diante, em data comemorativas, Benjamin passa com a família direta dele (mãe e pai). Porque preciso que ele tenha isso como valor, passar datas especiais com os pais. Da próxima vez vou tentar conversar com o marido e não simplesmente avisá-lo da minha decisão. Vou deixar Benjamin passear mais vezes com sua madrinha.

Ah, sim, o próximo passo, talvez seja liberá-lo para dormir fora de casa.

E aí na sua casa, com quanto tempo você deixou seu filho (a) passear sem a sua presença? Como se sentiu?

*

P.S.¹: Terminei esse post às 19:00 e Benjamin não tinha chegado em casa ainda.

P.S²: Marido confirmou que não liga para o fato de Benjamin ter ido passear sem nossa presença.

Negligência materna

Do dicionário Aurélio Eletrônico

Negligência: falta de cuidado, de aplicação, de exatidão; descuido, incúria, displicência, desatenção. / Falta não intencional daquele que se omitiu no cumprimento de um ato que lhe incumbia.

Foi o que senti ao sair do hospital com Benjamin no domingo. Fui negligente.

Ele já vinha tossindo há umas duas semanas (marido disse que duas semanas pra mais, pior ainda!). Começamos a dar xarope, fazer inalação, mas não foi algo firme. Inalação, por exemplo, eu começava a fazer e a uma reclamação do Benjamin já parava. Simplesmente porque não queria chateá-lo ou incomodá-lo.

Até que na sexta-feira passada, quando me dei conta que deveria pegar firme, tive uma conversa séria com Benjamin do tipo “nesse caso, você não tem que querer, quem manda aqui sou eu” (bem no estilo autoritária mesmo!). Desde então, ele começou a colaborar e fazer a inalação até o fim (e sozinho). Decisão tomada um pouco tarde, já que no domingo o sinal vermelho começou apitar.

Minha lição: nem tudo dá para ser do jeito que nossos filhos querem; nem para tudo podemos fazer vistas grossas. É meu papel (e somente meu) cumprir com as responsabilidades com relação ao meu filho. Não dá para descuidar, ter preguiça, menosprezar.

Capitu – a irmã de quatro patas

Acho que nunca falei explicitamente da relação da Capitu e Benjamin. Ela chegou em casa bem antes dele. Foi só mais um capricho meu. Sempre tive cachorro até ir morar sozinha – quando comecei a sentir falta de chegar em casa e ser recebida por um cachorro pulando em mimalhas pernas (mas não sentia saudade e não lembrava da sujeira que todo cachorro faz). Ela chegou só depois que casei e nos mudamos para uma casa maior. A casa era muito grande para duas pessoas.

Capitu sempre teve um temperamento peculiar. Sempre muito medrosa, vivia debaixo da poltrona da sala ou da cama. Quando eu estava em casa, ficava debaixo das minhas pernas literalmente (feito gato). Visita nenhuma imaginava que tinha cão em casa. Porque ela sumia e não fazia barulho nenhum. Ela não latia. Sempre muito boazinha.

Benjamin chegou um ano e meio depois da Capitu. Durante a gravidez, passei a não dar muita atenção para a bichinha. Eu enjoava muito e evitava ficar com ela muito perto. Depois a barriga foi crescendo, crescendo, crescendo e eu não a enxergava, pois ela vivia debaixo de mim. Coitada! Dei vários chutes acidentais nela. Várias vezes quase caí tropeçando nela. Além da barriga, tinha o fato dos reflexos da grávida estarem alterados.

Comecei a ler sobre como “avisar” o cachorro da chegada de um bebê. Ao final da gestação passei a dar mais atenção e explicar para Capitu que estava chegando mais uma pessoa em casa. Deitava na cama e mostrava o Benjamin mexendo. Não esqueço uma noite: ela estranhava a barriga mexer e pulava de um lado para o outro.

Quando Benjamin nasceu, marido levou para a casa a primeira roupa usada pelo recém-nascido e apresentou para Capitu. Deixou ela cheirar à vontade. Chegamos em casa com o pacotinho embrulhado e Capitu nem chegou perto de mim. Manteve certa distância. Aproximei e apresentei o Ben. Depois de alguns minutos já estava a Capitu de volta nas minhas pernas.

Nos primeiros meses não deixava ela se aproximar dele. Foi assim até os 4 meses. Mas ela já demonstrava um outro comportamento. Latia e enfrentava as visitas que chegavam em casa. Não deixava ninguém se aproximar do nosso Ben. Avisava-me toda vez que ele se mexia (se eu estivesse no banheiro e Benjamin desse um gemido, lá estava ela arranhando a porta do banheiro). Capitu se mostrou uma verdadeira companheira.

Desde que Benjamin começou a explorar o mundo engatinhando e depois andando, Capitu perdeu seu sossego. Ele está sempre a pular em cima dela, puxar o rabo, brincar, dar comida que não deve, dar bronca… e está sempre a abraçá-la e beijá-la – esse, no início, era a minha maior preocupação (pois sempre tive certeza que ela não faria nenhuma mal a ele), mas ela sempre retribuiu seus beijos. Isso foi algo difícil controlar. Vivíamos lavando o rosto do Benjamin (com o tempo e imunidade do Ben mais forte, desencanei).

Na hora de dormir, lá está a Capitu no quarto do Benjamin. Várias vezes durante a noite é ela a primeira a chegar no quarto dele se ouve algum barulho. Ela deita na poltrona ao lado do berço dele e vela seu sono. Outras vezes, logo cedo, ele acorda e é ela que vai lá fazer companhia enquanto um dos pais criam coragem para levantar.

Ela está sempre pronta para retribuir, nas horas de carinhos e de brigas. Sim, eles brigam! Capitu pega brinquedo do Benjamin e ele toma dela e dá bronca (com direito a dedinho sendo apontado pra ela). Às vezes ele entrega o brinquedo para ela e simula como se fosse ela que tivesse pego e dá bronca nela (já peguei isso algumas vezes e quem levou a bronca foi ele). Benjamin pula em cima dela e, se ela não quer brincar, ela rosna e até ensaia umas mordidas. Incrível, mas nunca com a intenção de pegar, sempre para assustar. Mas nada intimida esse menino. E nessas horas temos que separar. Temos que dar bronca nos dois, feito irmãos e colocar um para cada lado.

E no fim acho que a relação deles é essa mesmo. De irmãos. Dois seres que dividem a mesma casa, brigam, compartilham momentos, se amam. Independente de suas diferenças.

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Até Palavra Cantada eles assistem juntos

Culpa, sim!

Recentemente, produzi uma matéria para a revista Pais & Filhos, publicada nesse mês de fevereiro. O nome da matéria: “Culpa, sim”.

Foi um trabalho muito gostoso de fazer, por n motivos. Por ser mãe e acreditar que toda mãe sente culpa, inevitavelmente, em algum momento da vida. Foi uma oportunidade de me aprofundar mais nesse tema. Conhecer outras histórias. Trocar experiências. E, principalmente, uma oportunidade de aprender com outras mães e algumas profissionais psicólogas.

De cada entrevista tirei uma lição. Depois de tanta pesquisa, ficou clara uma coisa: culpa é um sentimento cotidiano de toda mãe. Nenhuma está livre desse sentimento. AQUI tem um depoimento que fiz para o site da Revista Pais & Filhos, onde falo sobre isso.

Sentimos culpa pelas maiores e menores falhas que cometemos, pelos desejos que sentimos e pelas decisões (algumas vezes) contrárias do que nossos filhos desejam. Exemplos:

1. Âmbito desamparo-maternal: por esquecer um compromisso da escola, por não ter colocado a blusa na mochila (em pleno verão de 40º), por não estarmos presentes o tempo inteiro, por ir à academia quando poderia ficar com o filho, (por várias outras questões maiores como: não amamentar, parto, etc.).

2. Âmbito pessoal: por desejar um momento sozinha (como quando não éramos mães). Ou com as amigas. Ou por ficar cansada de tantas responsabilidades.

1. Âmbito moral: no episódio que foi ao ar sexta-feira (22/03), da novela Salve Jorge, a personagem de Giovanna Antonelli, a Helô, é dura na queda ao afirmar que não vai passar por cima de sua ética para ajudar o marido marginal da filha. Ela sofre. Pede um abraço para filha. A garota mimada do pai não cede e vai embora fazendo a mãe se sentir a pior mãe do mundo. Helô se questiona: Por que mãe se sente sempre culpada?

Começa que nós mulheres já somos complexas por natureza. Quando nos vemos em confronto com problemas morais e objetivos de vida, independente de sermos mães ou não, começam os conflitos. Parecemos uma fortaleza, mas sempre somos tomadas por sentimentos conflitantes, medo, insegurança e a danada culpa. Tudo em dobro quando adentramos à vida materna. Acredito que nem as mães que ficam 25h com as crias estão imunes a tal sentimento.

Existe o lance de julgamento e comparação. Depois que nos tornamos mães estamos sempre sendo julgadas, sempre tem alguém para apontar o dedo e dizer que você não devia ter feito assim, que do jeito assado era melhor. Além da comparação que os outros começam a fazer, nós mesmas, inevitavelmente, começamos a nos comparar com outras mães. A sua vizinha que é mãe, por exemplo, consegue dar conta da casa, do trabalho, do marido e de todos os compromissos do filho. E você ainda a vê todo sábado na pracinha brincando com a cria.

Tem também as mães que recriminam o que você faz. Eu, por exemplo, voltei ao trabalho após a licença maternidade e Benjamin foi, aos 5 meses, para o berçário. Senti culpa. E não precisava de ninguém me recriminando. Evitei dar ouvidos para comentários indiretos pra mim. Algumas vezes eu e marido damos uma fugidinha e deixamos Benjamin com a avó materna. Não me importo se comentarem. As pessoas que recriminam, em minha opinião, são as que sentem inveja pela sua coragem e esclarecimento em fazer algo certa de que aquilo não te torna uma péssima mãe.

É o mundo + você exigindo que você seja perfeita. Pergunto: devemos ser perfeitas? Existe a perfeição? Em minha opinião, não, não existe e não devemos nos cobrar essa perfeição. É preciso nos permitir alguns momentos a sós. Não há problema em desejar (e realizar) algo fora da maternidade. É preciso nos perdoar. Perdoar nossas falhas e erros – que fazem parte do nosso aprendizado e do que somos. Nossos filhos também deverão aprender a lidar tanto com nossas falhas, como com as falhas dos outros – aquelas que nós mães não poderemos evitar. A diferença está na maneira em como você vai lidar com a situação. E a maneira mais apropriada é ser franca com você e com os filhos, admitir sua falha, mostrar que você não é perfeita. Winnicott, psicanalista inglês, afirma que não existe mãe perfeita, que a mãe suficientemente boa é aquela capaz de identificar e atender as necessidades cruciais de seu filho, ou seja, é aquela capaz de assegurar amor, segurança, alimento. Seu filho não deve e nem precisa ser protegido de tudo. Só precisa do seu amor e apoio para aprender a enfrentar e se erguer diante das frustrações que a vida lhe apresentar.

A culpa é um sentimento pejorativo, mas pode servir como alerta. Sentir culpa é sinal de que somos preocupados com o resultado da ação que poderá afetar as pessoas à nossa volta. O ideal é usarmos esse sentimento para melhorarmos a vida seja no âmbito familiar, profissional ou pessoal. Segundo a psicanalista Suzana Grupnspun, membro da sociedade Brasileira de Psicanálise de SP, uma das minhas entrevistadas para a matéria “Culpa, sim”, o autoconhecimento em relação à culpa favorece um movimento de crescimento, mudando nossa compreensão e assim, modificando nossas atitudes e os nossos atos.

Para finalizar, respondendo a pergunta da delegada Helô: Por que mãe se sente tão culpada? Porque não podemos ser complacente a tudo. Porque não podemos corresponder a todas as expectativas. Porque não podemos ter sucesso em todos os campos de nossas vidas. Porque sentimos medo de não alcançar nossas funções/tarefas. Porque estamos preocupados com a cobrança da sociedade, com o que o outro vai pensar.

Enfim, ser mãe é um aprendizado constante. A partir do momento que os filhos nascem, a cada dia, nós nos transformamos como mãe.

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Dicas

Leitura:

Leia a matéria “Culpa, Sim” em PDF: Pais e Filhos. Nela também indico alguns livros interessantes.

Em seu texto “A mãe perfeita“, publicado na revista Crescer, Marcelo Tas nos faz refletir sobre a importância de cair no desconhecido. Ou seja, para qualquer coisa nova que vamos realizar, é um risco, é um salto que não sabemos onde vai dar. Eu super adorei esse texto. Leia em PDF: A mãe perfeita

Filme:

Sentimento de culpa”, dirigido por Nicole Holofcner, conhecida por esmiuçar a alma feminina. Neste filme ela narra a complexidade de cinco mulheres de idades e personalidades diferentes diante de vários dilemas cotidianos.