Chegou a hora da vistoria no apartamento

Em janeiro desse ano, anunciei aqui a VENDA da casa em que moramos e falei da nossa aquisição: a casa o apartamento próprio.

Pois é, 7 meses se passaram, a casa ainda está a venda e nós ainda moramos nela.

A novidade é que estamos bem próximos de nos mudarmos. Dias atrás numa ligação, isso ficou evidente. Era chegada a hora da vistoria do apartamento.

Pode parecer bobo, mas gente, ninguém tem noção da ansiedade, alegria e emoção que tomou conta de mim. Tudo junto e misturado. Data e horário marcado estávamos os três lá: eu, Marido e Benjamin. Ah, a Ana, arquiteta também.

Quando vi Benjamin andando pela área da piscina, quadra de futebol, quase tive uma parada cardíaca causada por forte emoção. Ok, exageros a parte, fiquei bem emocionada. Uma sensação de tarefa sendo cumprida. Porque agora, depois do meu Ben na minha vida, é diferente o sonho da casa própria. É por ele, é para ele.

Ao entrar no apartamento….sei lá, passou um milhão de coisas na minha cabeça – das quais vou registrando por aqui ao longo das próximas semanas.

Eu tinha outra imagem do apartamento. Achava que ao entrar, cozinha, sala, corredor para os quartos, fossem tudo para a esquerda (não sei de onde tirei isso, mas nesses dois anos e meio, quando fechava os olhos e pensava no apartamento era assim que eu o via). Na verdade é tudo para o lado direito, me senti canhota mesmo não sendo. A louca! Depois de um tempo lá dentro, me acostumei.

Nosso apartamento está lindo, com tudo funcionando corretamente, na varanda bate um ventinho gostoso que invade a sala, a luz também toma conta de todo o ambiente.

Benjamin correu por todos os lados, escolheu seu quarto (que era já, o qual em pensamentos, eu destinava para ele), fez questão de ajudar a testar todas as tomadas.

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A ansiedade agora está grande para mudarmos. O mais legal é que agora, após ter entrado nele, consigo sonhar com o jeito que quero deixá-lo, as coisas que vou colocar nele, o lar doce lar que quero transformá-lo….

*

Você está passando ou vai passar por uma fase parecida com a nossa?

Separei alguns links com dicas para você se preparar para a vistoria do apartamento:

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A Homenagem

Em plena antevéspera do Dia dos Pais, o tema da postagem de hoje é uma homenagem à mãe, também conhecida como a editora chefe do blog. Contradição? Não, eu chamaria de merecimento…

Então resolvi fazer uma tabela de “prós e contras”, com os termos “qualidades e defeitos”, para construir esta dedicatória. Acho que o resultado vai ser bom…

QUALIDADES

  1. Determinação: Gabi é uma pessoa bastante determinada, desde que a conheci. Para ela, os sonhos são realizáveis.
  2. Escreve bem: ela consegue, como ninguém, transformar sentimentos em palavras escritas.
  3. Ama infinitamente o Benjamin: estimo que ela nem tinha ideia de que poderia amar alguém tanto assim. Além de mim, é claro.
  4. Romântica: ela é bastante romântica, como à moda antiga. Hoje em dia, poucas pessoas são assim.
  5. Feliz: ela emana felicidade, principalmente sob o Sol.
  6. Sonhadora: ela sonha, acredita e realiza.
  7. Bonita: sou suspeito de falar, não preciso nem comentar, né?
  8. Popular: Gabi tem habilidade de atrair amigos, de se enturmar facilmente. Queria eu ter essa habilidade.
  9. Empreendedora: o blog foi uma iniciativa dela, algo que começou pequeno e até despretensioso. Hoje está crescendo, abrindo espaços e gerando boas expectativas.
  10. Sortuda: encontrou a pessoa perfeita para a acompanhar por toda a vida, e acho que nem precisou procurar tanto assim. Que maravilha!

DEFEITOS

  1. Até o final da edição deste post, nenhum defeito foi encontrado.

Te amo!

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#blogdemaesemmae  #papaiblogando

Meus avós

Considero-me uma pessoa de poucas lembranças de infância. Mas as que tenho são suficientes para saber que tive uma infância feliz e avós maravilhosos.

Minha memória é também mais olfativa do que outra coisa.

Lembro do sabor da água do filtro de barro da casa dos meus avós. Só existe em um lugar o mesmo sabor, na casa da tia Rosana, uma das filhas dos meus avós Biga e Roque.

Nunca fui fã de macarrão. Mas não esqueço das macarronadas famosas de Dona Biga. Os almoços de domingo com toda família reunida. E do meu avô trazendo sorvete Tablito para os netos antes do almoço e minha avó esbravejando “Roqueee, vai dar sorvete para as crianças!”.

Na casa deles tinham dois modelos de copos de plástico inesquecíveis. Um era o amarelo e o outro era o azul – o meu preferido. Se eu fecho os olhos, volto no tempo por um segundo e consigo sentir as borbulhas da coca-cola espirrando no meu nariz. Essa sensação, aquele cheirinho e gosto do refrigerante mais amado no mundo, o copo azul é um conjunto das lembranças mais fortes que tenho da casa dos meus avós paternos.

Eu poderia ainda falar da personalidade de cada um. Mas cada vez mais minha lembrança fica curta. Meu avô Roque era uma pessoa sábia, adorava ler, tinha um escritório cheio de livros, cujo cheiro também tenho lembrança. Vivia falando da importância de ler. E guardo dele dois presentes muito especiais, meus pequenos tesouros. Um atlas antigo com dedicatória dele e sua assinatura – que muitos acham a minha parecida com a dele (mas juro que não o plagiei). O outro é um recorte de jornal de uma matéria sobre meu avô materno, o Caxambu, que meu avô Roque teve a delicadeza de me dar também com dedicatória. Esse virou um quadro que estampa uma parede da minha sala.

Ah, não posso esquecer do pingente de moeda de 5 cruzeiros. Eles mandaram fazer para cada neta. Tenho a minha até hoje e durante minha gravidez foi meio que meu amuleto da sorte, não tirava.

Meu avô Caxambu, que nos meus 15 anos me deu um anel maravilhoso. Era enorme e eu só deixava guardado. Até que depois de seu falecimento, resolvi mandar diminuir e usar. Meu avô materno sempre fazia uma festa de aniversário muito elegante. Todo ano eu ficava ansiosa para comer a melhor bolinha de queijo do mundo. Igual aquelas, nunca mais comi. Meu avô Caxambu, ex-goleiro do São Paulo Futebol Clube e da Portuguesa, era todo garboso, fino, galanteadooooor!

Quando ele faleceu, lembro de estar no velório e ao me virar vejo dois velhinhos lindos descendo do táxi. Meus avós Roque e Biga…

Minha avó Biga hoje vive numa casa de repouso. Ela tem Alzheimer. Já está avançado e no ano passado ela ficou internada, teve problemas respiratórios, enfim…fomos visitá-las no domingo passado e senti uma tristeza imensa. Benjamin, que já entende mais as coisas ao redor, ficou impressionado. Não tirei fotos. Não quis registro. Quero guardar a lembrança de quando levei Benjamin para conhecê-la.

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Essa foto já tem quase dois anos. Quando minha avó viu Benjamin, eu a vi lúcida e feliz. Ele começou a choramingar e ela disse “o que esse menino está chorando? me dá ele aqui”. Era a Biga que eu conhecia. Foi a coisa mais incrível. Benjamin foi no colo dela, parou de chorar e ela sorria balançando a perna como que ninando seu bisneto.

Pausa.

Acho que vou terminar por aqui.

Avós. Seres especiais. Eles realmente adoçam a nossa vida.

E eu daria tudo pra viver só mais um domingo da minha infância com eles….

Um abraço em todos os avós.

Entrevista especial com uma avó adorável

Ela tem nove netos e ressalta no início da conversa: tem uma cadeira de balanço, adora fazer crochê, tricô e bordar, mas não assumiu a imagem da famosa Dona Benta.

Começa o dia fazendo aula de balé clássico (todos os dias!!!), antes de ir para o computador escrever ou responder perguntas de jornalistas. Depois ela vai trabalhar em seu consultório onde atende até às 19:00 e só depois ela vai para cozinha fazer o jantar e se preparar para o programa da noite (que pode ser um concerto, um futebol ou um jantar entre amigos). Com todos esses afazeres, afirma: não é diferente de muitas outras avós que conhece.

Estou falando da psicanalista Lidia Aratangy Rosenberg, autora do Livro dos Avós – Na casa dos avós é sempre domingo?. Conversamos só por e-mail, mas a empatia foi grande. Lidia é daquelas pessoas que você tem vontade de conhecer e ficar horas proseando (e aprendendo!) com ela.

Lidia, por Ucha Aratangy

Lidia, por Ucha Aratangy

É com prazer enorme que compartilho com os leitores do Bossa Mãe, um trecho do nosso bate papo, onde ela dá uma lição sobre o relacionamento com os avós.

BM: Sempre que se fala em avó é comum surgir a ideia de uma senhora sentada fazendo tricô ou a lembrança dos almoços de domingo. Por que, mesmo com tantas mudanças, novos modelos de relacionamento, as avós continuam carregando imagem dos fazeres do passado?

LA: As avós não carregam esses estigmas, ainda que lhe sejam impostos. Elas estão bem diferentes disso e não se submetem a esses modelos. Mas parece que a publicidade, tão afoita em usar os mais recentes recursos da tecnologia em suas produções, é conservadora em seus modelos. Dê uma olhada nos comerciais do Dia das Mães: muitas mães ainda estão de avental e os produtos anunciados são (quase) todos do lar (eletrodomésticos, roupas de cama, mesa e banho e por aí vai). No Dia dos Pais, os anúncios são de carros, roupas esportivas… Nunca vi um anúncio de carros para as mães, nem de fogões para os pais, embora haja tanta (ou mais?) mulheres quanto homens pilotando carros, e muitos homens pilotando fogões.

A imagem da avó ainda é a da Dona Benta, criada por Lobato na década de 40: “…uma velhinha de mais de sessenta anos, com óculos de ouro na ponta do nariz e cestinha de costura ao colo” . O grifo é meu, porque acho que ele queria dizer que havia muito mais velhinhas de menos de sessenta anos! Hoje é mais provável encontrar avós nas academias de ginástica do que de cestinha de costura ao colo. Mas é mais fácil recorrer à imagem conhecida, sem avós imprevisíveis como as de carne e osso…

BM: Dizem que avós deseducam os netos e, em sua obra “Livro dos Avós – na casa dos avós é sempre domingo?”, vocês falam que na casa dos avós é um espaço de limites menos rígidos ou até diferentes do dos pais. Gostaria que me falasse um pouco sobre isso.

LA: Ter limites diferentes não significa ausência de limites. E os limites dos avós costumam ser menos rígidos do que os dos pais porque as avós já não estão preocupadas em demonstrar teorias pedagógicas, nem precisam provar que elas é que estão certas, e não as suas mães (como elas mesmas fizeram quando eram mães…). Essa ausência de preocupação ou de aderência a modelos permite um comportamento mais flexível.

Para as crianças, não há a menor dificuldade em saber que ambientes diferentes pedem comportamentos diferentes (ela já sabe que as regras da escola são diferentes das regras de casa, e que na casa do colega há regras diferentes das da casa dela). Essa é uma informação importantíssima para a vida da criança, que não vai se comportar da mesma maneira no estádio de futebol e na sala de concerto.

BM: Os pais muitas vezes esperam que os avós ajudem na formação da educação das crianças. Como diminuir essa expectativa dos pais?

LA: O problema não é a expectativa de parceria na educação – o que é, além de justo, inevitável -, mas a ideia de que essa ajuda deve ser da maneira como os pais querem que seja. Ora, a avó não é uma baby-sitter de luxo, ela tem um vínculo direto com seus netos, e tem o direito de educá-los também com o que ela acredita. O fato é que os valores dos pais e avós geralmente são os mesmos, o que difere é a maneira como cada um expressa e transmite esses valores – o que não tem muita importância, se pais e avós não estiverem tirando um braço-de-ferro para provar quem tem razão.

BM: E como os avós podem contribuir com a educação dos netos?

LA: Colocando com clareza seus pontos de vista e até mostrando as mudanças que ocorreram na educação, do tempo em que ela foi mãe até o presente, quando ela assiste a (sem crase!) a mãe que sua filha se tornou. A noção de que as coisas mudam com a passagem do tempo e de que as diferenças podem ser respeitadas são fundamentais para a educação. E é importante que as mmãees saibam que a maneira como elas lidam com suas mães, as avós de seus filhos, está ensinado um modelo de como lidar com as mães idosas, que eles repetirão mais tarde com suas mães. Ou seja: mães que caçoam das avós, que desrespeitam as avós de seus filhos estão cuspindo pra cima…

Acrescento que os avós são depositários da história da família e os únicos a poder transmitir esse relato em primeira mão.

BM: Qual a importância, a representatividade dos netos para os avós?

LA: Para os avós, os netos representam uma lufada de ar fresco, de alento e esperança num momento em que eles estão percebendo que sua importãncia diminui a cada dia. É claro que isso é sinal de que a vida deu certo, de que os filhos cresceram e são independentes, de que profissionalmente sua missão está cumprida – mas há um vazio e uma ansiedade sobre o que está por vir. A chegada dos netos lhes devolve uma autoimagem positiva, uma sensação de voltar a ser valorizado e importante.

Te conto um episódio.

O Théo (um dos netos, atualmente com 18 anos) tinha 4 anos numa noite em que, por circunstâncias que não vêm ao caso, dormimos eu e ele no mesmo quarto, numa casa em que pernoitávamos pela primeira vez. No meio da noite , ele me chama: Vovó, me dá a mão! Aqui está muito escuro! Eu, fazendo graça: E se eu te der a mão vai acender a luz? Ele, direto: Não vai acender a luz, mas fica mais claro quando você me dá a mão…

*

Linda, né?

Lidia Aratangy estará dia 26, ao vivo, no programa Encontro com a Fátima Bernardes, num especial sobre avós. Não percam!

#semanadosavós

Na casa dos avós é sempre domingo?

No próximo dia 26, comemora-se o dia dos avós. Por isso, essa será uma semana especial aqui no Bossa Mãe.

Para começar, quero dar uma dica de presente para essa data: O livro dos avós – na casa dos avós é sempre domingo?

livro

Nesse livro, a psicanalista Lidia Rosenberg e o pediatra Leonardo Posternak, abordam a trajetória dos avós e as relações entre eles, seus filhos e netos. O livro surgiu após um questionamento de um amigo: “Onde a gente aprende ser avô?”. Existem inúmeros manuais que trazem dicas de como lidar com os filhos, nenhum era destinado aos avós. Esse surgiu pela necessidade que os autores encontraram em orientar os avós nos primeiros passos de relacionamento com seus netos.

Segundo os autores, vivemos no “século dos avós”. Com o aumento de expectativa de vida, muitos avós conhecem seus netos bebês e os acompanham até a vida adulta. Pesquisas comprovaram que as pessoas se tornam avós mais cedo, em média entre os 50 e 60 anos, o que as permitem curtir esse papel por mais tempo.

A obra destaca a experiência de se tornar avós, a importância do vínculo, o papel dos avós na vida dos netos, a nova responsabilidade que eles assumem ao se tornarem avós. Engana-se quem acha que avós não tem responsabilidades sobre os netos. A relação vai além….estende-se aos filhos.

Avós agora são pais de filhos adultos e deve dar espaço para os filhos errarem e aprenderem com seus erros. Além disso, não podem esquecer que mesmo adultos (e pais), os filhos precisam de apoio, carinho, reconhecimento, ajuda. E tudo isso em dose certa, é preciso tomar cuidado para não parecer invasivo. O fato é que quando a primeira criança chega na família, todos estão aprendendo novos papéis.

O livro traz um pequeno manual de autopreservação dos avós – dicas que façam respeitar seus direitos. Ao final traz um capítulo que eu até achei triste, mas muito válido, “O direito de sair de cena”,  fala sobre quando os avós não estiverem mais por perto. E tem um capítulo inteiro com a palavra do pediatra, com dicas incríveis onde o Dr. Posternak afirma que avós precisam estar munidas com informações confiáveis e atualizadas – isso contribui para que as avós não ganhem fama de intrometidas.

Gostei muito do livro e indico a leitura não só para avós, mas para os pais também. Acho que ele nos ajuda a compreender muitas atitudes dos nossos pais – avós dos nossos pequenos. Auxilia-nos no sentido de como devemos nos comportar com eles, depois que aprendemos um pouco da função deles como avós em nossas vidas.

Livro dos Avós – Na casa dos avós é sempre domingo?
Primavera Editorial
A partir de R$37,00

Minha mãe é uma peça

peça

Dona Hermínia, mãe de três filhos, Marcelina, Juliano e Garib, resolve dar um basta aos insultos dos filhos e vai passar um tempo na casa de uma tia. Mas como toda mãe amorosa, ela não para de se preocupar e pensar nas crias.

Começa aí uma sucessão de lembranças desde quando os filhos eram pequenos até os dias atuais. Os filhos querem se livrar da chatice da mãe, enquanto ela só pensa em protegê-los.

O filme é sim cheio de piadas, chega a ser um pouco forçado, talvez exagerado, mas garante boas risadas. Vale lembrar, que o filme é baseado em uma peça de teatro cuja linguagem é diferente do cinema.

Inspirado na mãe do próprio autor (e ator) Paulo Gustavo (ótimo!) e quem interpreta Dona Hermínia, o filme narra os conflitos dessa família, mas principalmente da mãe, que cria os filhos sozinha e foi trocada pelo marido (Herson Capri) por uma moça mais jovem (a queridíssima Ingrid Guimarães que merecia mais destaque no filme).

Assisti o filme pensando: todo filho adolescente acha a mãe chata. Por um curto espaço de tempo fui jogada ao futuro e imaginei meu Ben confidenciando ao pai a chatice da mãe aqui. Deve doer. Por mais que saibamos que nossos filhos nos amam, dói saber que eles nos acham chata. Nós que os criamos com tanto zelo e somos capazes de fazer qualquer coisa por eles que nem o pai é capaz – sem desmerecê-los. É ou não é?

Eu sei que minha mãe faria coisas por mim que meu pai não faria. Ok, tem MÃES e mães (sabemos que nesse mundo tem louco pra tudo). Mas amor de MÃE transcende qualquer barreira, é algo inexplicável. É como dizem e como Dona Hermínia ressalta: colocar no mundo é fácil, quero ver criar. Essa tarefa é difícil. E a gente cria, ama e  faz tudo por eles.

Foi ao assistir esse filme que descobri a definição do que sinto quando vejo tragédias que fazem mães perderem seus filhos. Depois da maternidade, eu choro, sinto uma dor, uma revolta imensa quando vejo uma mãe chorar a perda de um filho e aí descobri o motivo. Quando uma mãe perde um filho, todas no mundo perde uma parte de si.

#ficadica para o final de semana, assistam Minha Mãe é uma peça.

Sobre brincar, educação e limites

Olha ela aqui de novo. Não tem jeito, eu adoro Beth Monteiro! Sou tipo fã de carteirinha. Gostei muito do seu último lançamento “Criando filhos em tempos difíceis”, Editora Summus. Gostei, principalmente, porque é um livro direto, sem rodeios, a leitura corre rápida e de fácil compreensão. Parece uma palestra da autora. Ela é breve, mas vai direto ao ponto. E isso pra mim tem sido algo primordial, já que ultimamente ando sem tempo para ler.

Beth é defensora da infância e no livro ela destaca a importância do brincar. Ela afirma que as brincadeiras contribuem para que as crianças se tornem adultos criativos e até bem-sucedidos. É através das brincadeiras que as crianças são preparadas para assumir alguns papéis na vida. A obra traz um capítulo com dicas de brincadeiras para pais e cuidadores curtirem com as crianças. Brincadeiras, inclusive, com objetivo ligado ao desenvolvimento motor e psíquico da criança.

Esse livro não é um manual, não traz receitas, mas traz uma lição: é determinante a nossa participação na infância dos nossos filhos. Isso significa reservar um tempo só para a criança e fazer coisas do interesse dela. Não importa se é uma hora do seu dia, mas o tempo reservado para o seu filho deve ser um tempo de qualidade.

A autora também fala sobre educação e como lidar com alguns tipos de crianças, como por exemplo, a agitada, a do contra, a medrosa. Dedica um espaço para falar sobre a sexualidade da criança, as dificuldades de aprendizagem e as drogas.

Ao final, traz um capítulo voltado para a mãe – que li como se fosse uma carta e me trouxe um sentimento muito bom, de reconhecimento pelo meu papel. E tem um capítulo voltado para os avós, onde traz algumas dicas pertinentes de como agir nessa função.

Trechos do livro

“Resgatar a infância também resulta em resgatar o ser humano que existe dentro de cada um de nós, para que possamos sonhar com um futuro de paz, harmonia, respeito, amor, dignidade e progresso. Afinal, é a partir dos sonhos que tudo começa. Resgatar a infância de nossos filhos é investir no futuro da civilização.”

“O que faz que uma criança possa desfrutar de mais momentos de felicidade, sem dúvida alguma, é o ambiente em que ela se desenvolve, particularmente a compreensão e a aceitação dos seus pais.”

“Mães que amamentam nervosas, ansiosas, preocupadas, conversando com outras pessoas, não transmitem tranquilidade para o bebê. A hora da amamentação deve ser sagrada.”

“Os castigos só funcionam quando são educativos, portanto devem ter uma relação lógica e direta com o erro.”

“Deixe que caia, não resolva as coisas por ela, não a ensine, permita que descubra sozinha. Controle a ansiedade, pois os adultos tem mania de querer ensinar.”

“O desejo que muitos meninos apresentam de brincar com bonecas ou de casinha não é nada além da necessidade de treinar o papel de pai. É uma pena que nossa sociedade seja tão machista e dura com a educação dos meninos. Eles não podem mostrar delicadeza, fragilidade, emoção.”

“A disponibilidade emocional dos pais é o meio pelo qual a criança aprende a perceber o mundo e a se relacionar com ele”

“Oponha-se a tudo que for contra os seus valores éticos, religiosos e sociais. Não tenha medo de dar limites ao seu filho.”

“Não existem pais perfeitos e nenhuma criança precisa de perfeição. Não fique buscando modelos em amigos que dizem saber educar: siga o seu modelo.”

“Seu filho nasceu de você, mas não é propriedade sua. Ele pertence ao mundo, que exige tanto dele quanto de você. A vida está aí, aproveite-a bem, pois você não sabe se terá outra oportunidade. Largue aquele velho discurso de que os filhos dão trabalho, que você não tem tempo para nada, que ser mãe é padecer no paraíso, que você é uma infeliz, que ninguém ajuda. Saia do papel de vítima. Faça novos projetos de vida e corra mais riscos, pois estes nos levam às mudanças. Faça experiências com a vida experimente ousar mais.”

Abaixo, uma breve entrevista com a autora. Assunto: limites.

Bossa Mãe: Como educar os filhos, impor limites e regras de forma positiva?

BM: Educar implica em colocar limites sim, mas de acordo com a faixa etária e de desenvolvimento cognitivo da criança. Ser mãe implica em estudar!!! Estudar o funcionamento daquele ser que geramos. É um absurdo ver que tem gente que nunca busca saber nada!

Vai batendo, dizendo nãos, ou dizendo sins, sem pensar antes!!!

Bossa Mãe: Muitas pessoas colocam as crianças no cantinho para pensar quando elas se comportam mal. Sinceramente, não acredito que uma criança de dois anos pense no seu comportamento errado. A Dra. é a favor desse método? Quais métodos a Dra. sugere?

BM: Dar limites implica em pensar: o que eu acho?, será que isto me incomoda?, será que o meu filho já tem idade para entender?…

Odeio colocar uma criança pequena para pensar sobre os seus atos. Quem faz isso, não tem noção do desenvolvimento cognitivo de uma criança. Ela só consegue pensar sobre os seus erros à partir dos 6 anos! Em vez de assistirem a esses programas adestradores, é melhor assistir Seu Cão, Seu Dono… É a mesma coisa!

O castigo deve ser educativo. E o que mais entristece uma criança é saber que ela desagradou às pessoas que ela ama. Basta dizer que a mamãe está triste e brava porque ela fez tal coisa (apontar o que ela fez), e dar-lhe uma fria!” A mamãe não quer falar com você agora”.

Mas também não vá ficar um dia inteiro sem falar com a criança.

Bossa Mãe: Dizer “não” às vezes é preciso, mas muitas vezes também é desnecessário. Como e quando usar o “não”?

BM: Educar com coerência implica em agir da forma que você pensa: se você não gosta de deixar a sua criança pequena dormir na casa dos amigos e se isto a preocupa, basta não deixar. Não importa que as outras mães deixem. Se você não fica tranquila com isso, pronto! Já sabe o que deve fazer! Mas também não exagere! Vá se atualizando enquanto o seu filho cresce. Mas não abra mão das suas convicções. É melhor que a criança chore pela frustração, do que você, de arrependimento.

Bossa Mãe: É um desafio educar, principalmente porque nós pais temos que rever nossas práticas. Impor limites, exigir respeito, envolve também ser coerente, ter bom-senso. Fale um pouco sobre esse princípio do bom-senso.

BM: Bom-senso é saber a medida exata entre o máximo e o mínimo: é encontrar o ponto de equilíbrio. Ex.: Você não vai sair para ir a uma loja de cristais com a sua criança, mas também não vai deixá-la em casa, se não tiver com quem deixar. Então, fique com ela no seu colo se tiver mesmo de ir a tal loja. Tem lugares que não são feitos para a criança frequentar. E para saber, basta ter bom-senso!

*

Em agosto, Elizabeth Monteiro promoverá encontros quinzenas em São Paulo e Campinas. Trata-se de um grupo de orientações para mães, junto com a psicopedagoga e doutora em educação Sonia Losito. Serão 8 encontros, das 14:00 às 15:30, às quartas-feiras em São Paulo e às segundas em Capinas. As vagas são limitadas. Interessados devem entrar em contato por inbox através da página no facebook de Elizabeth.

Minha primeira festa de Dia das Mães

Sexta-feira peguei o Benjamin na escolinha e lá vem ele segurando a flor de papel mais linda do mundo (pintada por ele!). Veio falando “oia, mamãe” e não queria me entregar de jeito nenhum. Ele queria pra ele.

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Sábado tive minha primeira festinha de Dia das Mães na escolinha do Ben. Pra quem espera que vou dizer que teve uma apresentação linda de morrer, não se decepcione. Eu não esperava isso, afinal a turminha dele ainda é de pequenininhos para esse tipo de coisas. Todas as mães dessa turminha foram acomodadas na sala de aula deles. Engraçado como todos os pequenos, ao chegar ficaram tímidos, agarrados à barra da saia da mamãe e depois, aos poucos, iam se soltando.

Sentamos em roda com as crianças e foi proposta uma atividade de colagem, algo quase parecido com scrap. Cada mãe e filho ganharam uma cartolina e no chão foram espalhados vários recortes de revista. Eu me surpreendi com a habilidade do Benjamin. Na verdade, me surpreendi com a minha capacidade de subestimar meu filho e, principalmente, a escola. Tudo eu acho que Benjamin ainda é pequeno pra fazer, vide o começo desse texto. E várias vezes me peguei na dúvida sobre o tipo de atividades que a escola propõe a ele.

Benjamin ia ao centro da sala, pegava uma imagem, trazia pra perto de mim passava cola e colava na cartolina. Sozinho! Você deve imaginar “ah, Gabriela, mas o que tem de extraordinário nisso”. Gente, ele não tem dois anos completos ainda. Eu achei bárbaro! Fiquei boba. E a cada imagem que pegava ele vinha me dizendo “oia, bolo, mamãe”, “oia, gol, mamãe”. Ele trouxe a presidente Dilma e vocês não vão acreditar…..ok, ele não falou nada quando a trouxe.

Todas as mães tiveram que se apresentar e falar como seu pequeno(a) se comportava em casa. Nesse momento, Benjamin e um amigo não paravam de pular e rodar no meio sala. Dois espoletas. O amigo se chama Murilo e lá fiquei sabendo que eles são tipo melhores amiguinhos. A mãe do Murilo me disse que ele não para de falar do Benjamin. Aliás, vi todas as mamães comentarem que seus filhos não paravam de falar de algum amiguinho e Benjamin nunca falou de nenhum amigo a não ser o João, nosso vizinho. Mas ao chegar em casa, mostrei as fotos que tiramos na festinha e ele apontou e falou “Murilo”, “Pedro Amaral”. Imagina se a mãe aqui não precisou de um babador.

Por um instante, enquanto as mãe se apresentavam, fiquei um pouco emocionada. Ao ver todas aquelas mães ali com seus filhos que chegaram ali tão bebês…eu que deixei meu pequeno com 5 meses naquela mesma instituição e agora ele está virando uma criança, super peralta, que se reconhece naquele lugar e parece gostar tanto de todos ali… meu coração se encheu de alegria e satisfação.

A cada apresentação, a criança ia buscar na mão da tia o presente da mamãe. Benjamin nem esperou eu terminar de me apresentar e estava lá pegando meu presente, todo desenvolto, cheio de intimidade com as tias. Ganhei uma camisola linda com o rostinho mais lindo da minha vida estampado.

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No domingo fomos almoçar em família.

À minha mãe tão linda agradeço por tudo o que fez por mim e pela minha irmã. Essa é a mulher mais guerreira que eu conheço na vida. É ela que me inspira ser a melhor mãe do mundo para meu Ben. À você mamis, todo o meu amor e gratidão, sempre.

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Filho de peixe – mistérios da genética, acasos da vida

Meu pai escreveu assim em seu último livro:

“se mistérios existem, acasos também, como o estranho bebê chegando à família”.

Antes mesmo do livro sair, eu estava grávida do Ben e meu pai teve uma conversa dessas comigo na praia. Eu entendia perfeitamente o que ele queria dizer, por diversos momentos na gravidez refleti sobre isso. Estava mega feliz com a chegada de um bebê e, principalmente, com a ideia de gerá-lo – o que pra mim sempre foi uma coisa muito louca e extraordinária: gerar um indivíduo…! Só que essa pessoinha era mesmo um indivíduo, metade de mim, outra metade do meu marido, que resultaria sabe-se lá em que tipo de ser humano.  Um estranho.

Benzoca nasceu e começaram as especulações. “Nossa, é a cara do pai” (ainda bem, né?!), “ah, mas tem os olhos da mãe” (só pra mãe não ficar chateada). Ele de fato nasceu com a cara do pai adulto, mas eu sempre enxerguei nele a minha cara de quando eu era bebê. Do marido ele não tinha nada de bebê. Se você pegasse uma foto antiga do pai não os reconheceria um no outro, já olhando para o marido adulto, Benjamin era de fato a cara dele e não tinha nada de mim.

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Sempre me pego pensando quem o Benjamin vai puxar no jeito de ser. Tem coisas minhas que eu não gostaria que ele puxasse, assim como tem do marido também. Por outro lado, torço para que ele tenha determinadas características minhas e outras do pai. Eu fico sempre pensando quais serão as características mais predominantes nele de cada um de nós. Tem muita coisa que é genética e essas não podem ser alteradas, mas tem outras coisas que são do ambiante e que podemos mudar. Eu não gostaria, por exemplo, que Benjamin fosse uma pessoa encanada emocionalmente como eu no sentido de se preocupar demais com determinadas coisas. Eu sofro muito por ser assim. Quero mesmo que ele seja de apertar o botão foda-se, não ficar lamentando o leite derramado ou o que poderia ter sido e não foi. Não sei se isso seria algo genético, acredito mesmo que não. Mas se é do ambiente, eu precisaria mudar o meu jeito ou pelo menos disfarçar na frente do Benzoca.

(Quase) Dois anos se passaram desde que ele nasceu e é muito louco me reconhecer em alguns atos, trejeitos e comportamento do Benjamin. Uma das coisas que acho impressionante, é a forma desconfiada como ele olha para algumas pessoas. Eu sempre fui desconfiada e em todas as minhas fotos de bebê apareço com cara de desconfiada. Esse olhar dele é muitíssimo parecido com o meu. Ele também é um menino muito tranquilo – eu não tenho nada de tranquila, mas na gestação eu acalmei muito e mudei bastante com a maternidade. Marido é uma pessoa extremamente tranquila. Acredito que o jeito como a gente vive a gestação também pode influenciar no comportamento do bebê.

A gestação pra mim, embora tenha sido um período de muitos medos, preocupações – pudera, afinal a primeira gravidez é como cair no escuro de um lugar completamente desconhecido – vivi de forma muito plena, consciente e sem estresse. Pela primeira vez na vida, consegui um feito, apertar o tal botão foda-se e só me preocupei em estar bem para o bebê. Nada me tirava do sério, nada me deixava estressada. Atribuo a isso, Benjamin ter sido sempre um bebê calmo. Mas sempre fico pensando nos medos que eu sentia, será que isso em algum momento da vida vai afetar as característica psicológicas de Benjamin?!

A inteligência ele puxou do marido, sem dúvida. Sou uma pessoa da comunicação, enquanto marido é da comunicação, da exatas e de tudo um pouco. Mas sempre penso que além de propensão, também podemos estimular os interesses dos pequenos. E vivemos tentando fazer isso. Eu não gosto de música clássica, por exemplo, acho meio chato. Mas acho o máximo Benjamin se interessar tanto por música de todos os tipos, mas principalmente clássica, e incentivo isso.

Acho engraçado reconhecer coisas físicas suas no filho, o desenho da sobrancelha, da boca, o nariz, o dedo do pé, até o joelho… mas muito mais interessante é toda essa parte comportamental, que foi sempre o que achei mais doido e o que mais me preocupa – porque a gente sabe que embora um filho tenha nossas características somadas às do pai, tem também coisas da sua própria personalidade e outras que são as influências externas, digamos assim. É muito louco tudo isso, você enxergar no seu filho um jeito seu de mexer no cabelo, de chutar a bola, de pegar no lápis, o modo de se sentar, a cara que ele faz de feliz, a de bravo, o jeito de mastigar, a forma como ele organiza os objetos…

Por enquanto, uma das coisas que me deixa muito feliz e satisfeita é ver que a soma Gabi + Piffer resultou nessa figura que é o Benzoca. Um molequinho feliz, alegre, divertido, sorridente, espirituoso. Ultimamente, não tem frase que me deixa mais babona que ouvir “também, sendo filho de quem é”.

Filho de peixe, peixinho é.

A poesia da infância

Dia desses tive a oportunidade de assistir a uma palestra do educador Marcelo Cunha Bueno. Com o título “a poesia da infância”, Marcelo nos fez um convite para uma reflexão: será que estamos permitindo às crianças a experiência de viver a infância?

Segundo o educador, o adulto corrompe a infância. Ele falou sobre as relações temporais dessa época e as dividiu em três tempos:

Chrónos
É o tempo marcado, o tempo parado que resta, a criança que resta para acabar.

Kairós
O momento da oportunidade. O designo do destino. A junção entre o fato e a possibilidade. O que nos torna diferente pela experiências constituídas através de outros e de instituições.

Aión
O tempo da intensidade. O tempo sem duração. Um espaço entre. O instante. A experiência. O não mensurável, o não numeráveis da infância. O reino da criança.

É Aión o tempo que marca o que fica em nossa memória a vida inteira. Enquanto Marcelo falava, fui sequestrada pela minha memória. Me considero uma pessoa de poucas lembranças de infância, mas as que existem, são justamente as mais inesquecíveis e que definem muito bem pra mim o significado do tempo Aión.

O cheiro da casa dos meus avós, o cheiro do escritório do meu avô paterno, o borbulhar da coca-cola no copo azul (que só tinha na minha avó), até o sabor da água do filtro da casa dela eu sou capaz de sentir hoje na casa da minha tia Rosana. E aí é como voltar no tempo, no espaço.

Esse é o tempo que marca algo individual e singular para cada pessoa. Marcelo ainda nos cutucou: e não seria Aión a possibilidade de vivermos a intensidade da infância nos tempos de adulto? Creio que sim.

Assim como o educador, acredito que a infância não acaba totalmente, ela está ligada “a disposição de se relacionar com a vida”, na forma como você encara e enxerga a vida. Isso é mais perceptível pra mim agora com Benjamin presente. Ele me fez perceber isso de novo, reacendeu a infância que mora dentro de mim. Sinceramente, não tem coisa melhor que viver na infância. A gente perde, talvez, a parte cristalina que vemos nas crianças. Criamos uma casca, o que torna imprescindível ao longo da caminhada, mas não podemos deixar de cultivar a infância que existe dentro de nós.

Marcelo apresentou dois textos para refletirmos:

“A experiência, a possibilidade de que algo nos passe ou nos aconteça ou nos toque, requer um gesto de interrupção, um gesto que é quase impossível nos tempos que correm:  requer parar para pensar, para olhar, parar para escutar, pensar mais devagar, olhar mais devagar e escutar mais devagar; parar para sentir, sentir mais devagar, demorar-se nos detalhes, suspender a opinião, suspender o juízo, suspender a vontade, suspender o automatismo da ação, cultivar a atenção e a delicadeza, abrir os olhos e os ouvidos, falar sobre o que nos acontece, aprender a lentidão, escutar os outros, cultivar a arte do encontro, calar muito, ter paciência e dar-se tempo e espaço”. (Jorge Larrosa – Experiência e Paixão)

Será que estamos dando espaço para essas experiências? Acho que ficamos tão presos a correria e pressão do dia a dia, que trocamos os pés pelas mãos.

O outro texto, Manoel de Barros nos ajuda a pensar sobre a infância e o tempo…

“Acho que o quintal onde a gente brincou é maior do que a cidade. a gente só descobre isso depois de grande. a gente descobre que o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com as coisas. Há de ser como acontece com o amor. Assim, as pedrinhas do nosso quintal são sempre maiores do que as outras pedras do mundo. Justo pelo motivo da intimidade. Mas o que eu queria dizer sobre o nosso quintal é outra coisa… Mas eu estava a pensar em achadouros de infâncias. Se a gente cavar um buraco ao pé da goiabeira do quintal, lá estará um guri ensaiando subir na goiabeira. Se a gente cavar um buraco ao pé do galinheiro, lá estará um guri tentando agarrar no rabo de uma lagartixa. Sou hoje um caçador de achadouros de infância. Vou meio dementado e enxada às costas a cavar no meu quintal vestígios dos meninos que fomos”. 

Desde o dia dessa palestra, tenho me sentido assim, a cavar o meu quintal em busca dos vestígios da menina que fui. Eu precisei ganhar o Benjamin para acordar a criança que mora dentro de mim. Sinceramente, não quero que meu Ben perca a essência da infância. Não quero desnaturar sua infância. Não quero que ele precise cavar para descobrir sinais do que já foi um dia, porque quero que ele preserve tudo dentro de si, sem precisar sair juntando pedacinhos.

Precisamos permitir às crianças a experiência de viver a infância. A experiência de viver as possibilidades ditas no texto acima de Jorge Larrosa. A experiência de constituir memórias afetivas. A experiência de viver no tempo Aión. E nos permitir tudo isso também.

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Essa palestra aconteceu no primeiro encontro de Mamães Blogueiras,  produzido pela Baby.com.br. O evento reuniu várias mamães blogueiras e a apresentadora Angélica, mãe de três.

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