Brincadeiras

Engraçado que, não sei porque, mas minha relação com o Ben envolve muita brincadeira. Acho que é o jeito dele, só pode! Ele é uma pessoa feliz, de sorriso fácil e natural. Dono de uma gargalhada gostosa de ouvir, que não é nada difícil de aparecer.

Parei para pensar e rapidamente consegui eleger pouco mais de 10 ocasiões que costumam render boas brincadeiras:

  1. Hora de tomar banho: ele leva os brinquedos pra água e tome gargalhada;
  2. Ao acordar: não é sempre, mas tem dia que o sorriso aparece antes mesmo dele abrir os olhinhos;
  3. No almoço: o bocão para estacionar a colher cheia de arroz é uma festa;
  4. Entrar na escolinha: se tiver acordado, nem despede de você direito, já corre para brincar com os amiguinhos;
  5. Ir embora da escolinha: faz a farra lá mesmo, na frente do portão. Pula, grita, abraça, dá beijo, joinha, sorrisos;
  6. Ir à feira: além de sempre ganhar uma banana na barraca, tem o parquinho ao lado. Não precisa nem comentar, né?;
  7. Ir ao supermercado: já quer logo ir pra dentro do carrinho, ficar segurando as compras, mexendo nas prateleiras, comendo pão;
  8. Trocar a fralda: deita, recebe cócega, pega no pinto, mostra a barriga, mostra o pinto, só farra;
  9. Comendo a fruta: de longe você ouve o “qué uva!” ou “bananá!”;
  10. Na vistoria do prédio: quis testar as tomadas com uma lâmpada adaptada, a luz acendia e a gargalhada surgia;
  11. Subir e descer a escada de casa: pulando, contando os degraus e rindo, é claro.

Mas aí paro pra pensar: até quando o Benjamin vai querer brincar comigo, jogar bola pro papai, adivinhar os desenhos que faço, reconhecer os bichos adesivados na parede? E de repente bate uma saudade enorme de um tempo que ainda nem passou. Mas que voa… Vamos aproveitar mais Benzinho, espera um pouco para crescer e vamos andar de patinete na pracinha.

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O dia em que me tornei pai

Em 16 de junho de 2011, a Câmara dos Deputados aprovava sigilo para orçamentos da Copa de 2014. O tempo era aberto e seco na Grande S. Paulo, com mínima de 10o e máxima de 23o. A cotação do Dólar era de R$ 1,60. O time do Santos empatara o 1º jogo da final da Libertadores com o Peñarol, do Uruguai, um dia antes e viria a ser tricampeão na semana seguinte. O ex-jogador Edmundo era considerado foragido e fora preso em São Paulo, responsabilizado pelo acidente que se envolveu, em 1995. E o jornal estampava fotos do 1º eclipse total da Lua neste ano.

Mas a principal notícia, para mim, viria precisamente às 22:28h daquele dia comum. A chamada veio um pouco antes, com uma enfermeira que me encontrou num corredor enquanto aguardávamos o resultado de uns exames: “pai, baixou o líquido amniótico, vai ter que nascer hoje!” Parecia um band-aid sendo arrancado de uma vez só, sem tempo para pensar ou reagir. E enfim, naquela noite, fechamos com a chegada do Ben, que personificou toda a nossa felicidade numa pessoinha de pouco mais de 52cm e quase 4kg.

Pai tem aquele lance de ser pai mesmo só quando o filho(a) nasce. Pai não sente os chutes dentro da barriga, as vibrações que a mãe sente, não tem aquela ligação íntima antes do nascimento e não se sente 100% pai antes do parto. Antes de nascer, o pai até conversa com a barriga, fala pelo umbigo, tenta ouvir coisas, sons, barulhos, mas não é a mesma coisa que a mãe.

E o nascimento do bebê vem para completar essa lacuna. A partir daí, o pai tem contato com a criança, pega no colo, sente os movimentos, a respiração. Pega no pezinho, na mãozinha, sente o pequeno grande peso da cria. Acho que é por isso que entregam no nosso colo, na sala do parto. A mãe já era mãe há alguns meses, o pai nasceu naquele momento…

*

Crédito das notícias do dia: Tio Mauro, que nos presenteou com o jornal do dia do nascimento do Benjamin. Presente-lembrança inusitado e que guardo com carinho até hoje, que quero mostrar ao Benjamin quando ele crescer e entender melhor.

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Meus avós

Considero-me uma pessoa de poucas lembranças de infância. Mas as que tenho são suficientes para saber que tive uma infância feliz e avós maravilhosos.

Minha memória é também mais olfativa do que outra coisa.

Lembro do sabor da água do filtro de barro da casa dos meus avós. Só existe em um lugar o mesmo sabor, na casa da tia Rosana, uma das filhas dos meus avós Biga e Roque.

Nunca fui fã de macarrão. Mas não esqueço das macarronadas famosas de Dona Biga. Os almoços de domingo com toda família reunida. E do meu avô trazendo sorvete Tablito para os netos antes do almoço e minha avó esbravejando “Roqueee, vai dar sorvete para as crianças!”.

Na casa deles tinham dois modelos de copos de plástico inesquecíveis. Um era o amarelo e o outro era o azul – o meu preferido. Se eu fecho os olhos, volto no tempo por um segundo e consigo sentir as borbulhas da coca-cola espirrando no meu nariz. Essa sensação, aquele cheirinho e gosto do refrigerante mais amado no mundo, o copo azul é um conjunto das lembranças mais fortes que tenho da casa dos meus avós paternos.

Eu poderia ainda falar da personalidade de cada um. Mas cada vez mais minha lembrança fica curta. Meu avô Roque era uma pessoa sábia, adorava ler, tinha um escritório cheio de livros, cujo cheiro também tenho lembrança. Vivia falando da importância de ler. E guardo dele dois presentes muito especiais, meus pequenos tesouros. Um atlas antigo com dedicatória dele e sua assinatura – que muitos acham a minha parecida com a dele (mas juro que não o plagiei). O outro é um recorte de jornal de uma matéria sobre meu avô materno, o Caxambu, que meu avô Roque teve a delicadeza de me dar também com dedicatória. Esse virou um quadro que estampa uma parede da minha sala.

Ah, não posso esquecer do pingente de moeda de 5 cruzeiros. Eles mandaram fazer para cada neta. Tenho a minha até hoje e durante minha gravidez foi meio que meu amuleto da sorte, não tirava.

Meu avô Caxambu, que nos meus 15 anos me deu um anel maravilhoso. Era enorme e eu só deixava guardado. Até que depois de seu falecimento, resolvi mandar diminuir e usar. Meu avô materno sempre fazia uma festa de aniversário muito elegante. Todo ano eu ficava ansiosa para comer a melhor bolinha de queijo do mundo. Igual aquelas, nunca mais comi. Meu avô Caxambu, ex-goleiro do São Paulo Futebol Clube e da Portuguesa, era todo garboso, fino, galanteadooooor!

Quando ele faleceu, lembro de estar no velório e ao me virar vejo dois velhinhos lindos descendo do táxi. Meus avós Roque e Biga…

Minha avó Biga hoje vive numa casa de repouso. Ela tem Alzheimer. Já está avançado e no ano passado ela ficou internada, teve problemas respiratórios, enfim…fomos visitá-las no domingo passado e senti uma tristeza imensa. Benjamin, que já entende mais as coisas ao redor, ficou impressionado. Não tirei fotos. Não quis registro. Quero guardar a lembrança de quando levei Benjamin para conhecê-la.

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Essa foto já tem quase dois anos. Quando minha avó viu Benjamin, eu a vi lúcida e feliz. Ele começou a choramingar e ela disse “o que esse menino está chorando? me dá ele aqui”. Era a Biga que eu conhecia. Foi a coisa mais incrível. Benjamin foi no colo dela, parou de chorar e ela sorria balançando a perna como que ninando seu bisneto.

Pausa.

Acho que vou terminar por aqui.

Avós. Seres especiais. Eles realmente adoçam a nossa vida.

E eu daria tudo pra viver só mais um domingo da minha infância com eles….

Um abraço em todos os avós.

Festa Junina e uma reflexão sobre ansiedade e expectativa dos pais

Sábado passado foi a Festa Junina da escolinha do Ben. Há semanas as crianças estavam ensaiando e há dias eu ouvia a mesma coisa ao deixar o Ben na escola: “ele é um dançarino; dança direitinho; ele adora dançar; blá, blá, blá”, aquilo tudo que deixa qualquer mãe toda prosa.

Em casa eu comprovava isso, pois Benjamin sempre gostou de dançar. Principalmente a música da apresentação. Ele já conhecia e nós dançávamos muito em casa, mas eu não sabia que seria essa.

Passei a semana meio ansiosa. Na infância eu fui muito tímida, embora me apresentasse nessas ocasiões, sempre me permiti ficar encolhida. Mas no geral eu era muito tímida, mais quieta. Benjamin tem outro comportamento. Ele é extrovertido, alegre, sorridente, sem vergonha, li-te-ral-men-te. E esse sempre foi um dos meus desejos enquanto estava grávida. Eu desejava ter um filho sorridente, solto, extrovertido.

A apresentação da turminha dele foi a terceira e as duas anteriores o deixou empolgado, batendo palmas para os coleguinhas. Quando chegou sua vez ele se agarrou no meu pescoço. Eu sabia que isso podia acontecer, pois Benjamin tem demonstrado um pouco de vergonha em público. Subi com ele no palco, agachei e ali ele ficou comigo até que chegou o refrão da música e….vocês poderão ver com os próprios olhos (estamos à esquerda do vídeo):

Meu peito inflou de tanta alegria e orgulho. Bateu uma vontade imensa de chorar de emoção. E até agora, toda vez que vejo esse vídeo, essa vontade volta.

*
Mas porque não conseguimos controlar e colocamos tantas expectativas em nossos filhos?

Analiso o que disse lá em cima: sempre desejei que Benjamin fosse sorridente e extrovertido. Tudo o que não fui. Projetei nele, mesmo antes de nascer, coisas que não fui na minha infância. É muito louco isso.

As crianças tão pequenas são submetidas a apresentações das quais não estão preparadas psicologicamente e quem sabe fisicamente. Elas são treinadas por semanas, mas chega na hora H, ficam paralisadas. De um grupo de treze, uma ou duas crianças até fazem a alegria. Mas a maioria ficam ali no palco em pé, paradas, pensando sei lá o quê, olhando aquele bando de gente, a música alta rolando, as tias dançando olhando pra elas e os pais – os grandes expectadores – acabam frustrados. Pergunto: é necessária essa exposição toda?!

E é um sentimento natural(?!). Você quer ver seu filho dançar, fazer graça e quer mostrar pra todo mundo que seu filho é talentoso em alguma coisa (ou de preferência em tudo). Aliás, ansiamos ouvir isso a todo instante.

Estou lendo o livro “Sob Pressão”, de Carl Honoré – jornalista e historiador ex viciado em velocidade e rapidez que atualmente dedica-se a filosofia do Slow moviment. Foi indicação da blogueira Mariana, do blog Pequeno guia prático para mães sem prática e Minha Mãe que Disse. Estou gostando muito e em breve vamos sortear um exemplar aqui no blog.

Nesse livro, o autor fala justamente disso, da ansiedade e expectativa que nós pais colocamos em nossos filhos, da intervenção dos adultos na vida das crianças, de como usamos a tecnologia para vigiar os pequenos. Segundo o autor “estamos criando a geração mais conectada, mimada e monitorada da história”.

Falarei sobre esse livro mais para frente, mas uma das reflexões que ele traz e que quero deixar nesse momento, porque é a que tenho feito é: hoje vivemos para tirar o máximo que nossos filhos podem ser e/ou fazer. Queremos que eles tenham o melhor de tudo e que sejam os melhores em casa, na escola, nas atividades extra-curriculares, o dançarino em destaque na festa junina (por que não?!).

Mas não basta que eles sejam talentosos. Além disso, temos planos para a vida deles e desejamos fervorosamente protegê-los contra tudo e todos. Como diz logo no início do livro: “Queremos que sejam artistas, acadêmicos e atletas – e que deslizem pela vida sem privações, dores ou fracassos”.

Até que ponto isso é bom ou ruim? Será que isso faz bem para nós pais e, principalmente, para nossos filhos?

Registre sua barriga!

Fotografe! Diariamente, semanalmente, mensalmente! Fotografe sua barriga!

Eu tirei várias fotos de quando estava grávida, mas me arrependo muito de não ter feito o registro no mesmo dia de cada mês, em determinado local da casa. Sabe, escolher uma parede, uma posição e todo mês fotografar?!

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Acho lindo aqueles vídeos de grávidas com a passagem do tempo e o crescimento da barriga.

O meu registro pula o início da gravidez. Acho que porque eu passava tão mal, acabava sem entusiasmo. Na verdade nem me ocorreu fazer esse registro.

Pode parecer que não tem diferença de um mês para o outro, mas depois que você olha as fotos percebe as diferenças.

Mas fiz algumas fotos em casa. Quando estava com 5/6 meses, minha grande amiga e fotógrafa Bruna fez um ensaio nosso no parque…

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E em casa…

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Aos 8 meses resolvi investir e fiz num estúdio da Fran Matos. Lembro que estava morrendo de vergonha, mas a Fran nos deixou super à vontades e o resultado foi bem bacana.

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Dizem que depois sentimos saudades da barriga. Trabalhei até o último dia da minha gestação. As pessoas não acreditavam no tamanho da minha barriga. Eu já andava quase parando, andava feito pata, como dizem. Sentia o peso, mas adorava desfilar com aquele barrigão.

Essas fotos são das últimas semanas:

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Sim, às vezes sinto saudades da barriga…

Portanto, se tem um conselho que me permito dar é: não economize nas fotos! Caseiras ou profissionais, faça bastante fotos da sua barriga. Porque essa é a lembrança que fica até a próxima gestação…rs

O progresso do meu bebê

Esses dias estava à toa, assistindo novela enquanto Benjamin brincava com essas peças de montar (tipo lego, só que não) perto de mim. De repente, ele falou assim sozinho, pra ele mesmo: “um bolo” e assoprou uma velinha imaginária.

Pense se eu não pirei! Ele pela primeira vez (que eu tenha visto pelo menos) externou sua imaginação. Ele pensou e verbalizou seu pensamento. Parece algo simples e bobo, mas não é. Imagine o que é para uma criança passar por esses processos de desenvolvimento….

Nós adultos já fazemos tudo no automático. Andamos, sentamos, agachamos, falamos, tudo assim na maior facilidade. Mas para uma criança na idade do Ben (e principalmente os mais novos) para alcançar algo que ele queira e está longe, envolve um processo de equação matemática ou física mesmo. O bebê pensa: quero chegar naquele objeto, pra isso preciso caminhar até lá, agachar, etc…até concluir a ação.

Meu filho, que até ontem, ou melhor, que até um ano atrás, era um bebê, colocou pra fora um pensamento e eu vibrei en-lo-u-que-ci-da-men-te. Tanto que até interrompi, empolgada, querendo fazer parte daquilo – aquele momento especial que é imaginar. Afinal, temos que dar asas à imaginação. Eu disse como uma boa mãe louca: que bolo liiiindo, filho! Mas você assoprou a velinha sem cantar parabéééééns?! Vamos cantar, vamos cantar parabéns agora! E começamos os dois a cantar o parabéns sem festa mais animado do planeta. E mais uma vez ele assoprou a velinha.

Olha aqui o bolo imaginário do meu Ben

Olha aqui o bolo imaginário do meu Ben

Refletindo sobre o desenvolvimento, comecei a viajar relacionando o quanto nossos pequenos desenvolvem e aprendem em tão pouco tempo. Eles aprendem diariamente!!! É algo incrível! Eles vão desbravando o mundo, sem medo, guiados pela curiosidade. Relacionei em pensamento algumas coisas que Benjamin anda fazendo.

Ele pula tirando os dois pés no chão, parece que anda testando a gravidade. Outro dia nos surpreendeu subindo a escada sozinho e sem nos darmos conta. Bobeamos com o portão aberto e daqui a pouco só ouvimos os passos do molequinho na parte de cima da casa. E sobe com a maior habilidade. Os brinquedos de montar são os que mais prendem a atenção dele. Organização virou uma das suas atividades preferidas. Ele organiza todos os seus DVD’s a todo instante, empilha todos, depois coloca um do lado do outro e vai testando várias possibilidades de ordem. Adora imitar animais. E começou a nos imitar também como se fosse um papagaio. Pergunto “como foi o dia”, ele responde “o dia”. Repete todas as últimas palavras que falamos. Continua gostando muito de música e instrumentos – que, inclusive, ele faz mímica. Giz e papel viraram itens indispensável. Adora fazer arte! No banho ele gosta de levar dois baldinhos e ficar passando água de um para o outro, além de jogar água no banheiro inteiro. Tem ensaiado suas primeiras frases. “Não, mãe!” e “para, mãe” são suas preferidas quando a mãe começa apertar e enchê-lo de beijos.

Até outro dia eu ficava tentando ensiná-lo seu nome, principalmente responder o seu nome. Eu perguntava ao olhar uma foto “quem é esse”, ele prontamente apontava pra mim ou respondia “mamãe”. Recentemente, começou a falar Bencoca = Benzoca, miiim = Benjamin e Ben = Ben. Outro dia levantei com a camisola que tem seu rosto estampado e ele foi logo dizendo: “Bencoca!” Sim, filho, é o Benzoca!

Meu filho está descobrindo que é um indivíduo separado de mim….e ao mesmo tempo que isso dá uma pontadinha no coração, um certo sentimento de perda, afinal aquele bebê já não existe mais, também me enche de orgulho e de um sentimento enorme de ganho. Ele está crescendo e estou fazendo parte dessa transformação. Sem contar que eu aprendo muito com ele e também me transformo a cada dia. E o mundo está ganhando uma pessoinha que eu prometo, será maravilhosa.

Coleção Música Clássica para Crianças

Benjamin adora música! Em sua discoteca encontram-se: Palavra Cantada, Toquinho, Chico Buarque, Bia Bedran, e claro, não podia ser diferente, a famosa Galinha Pintadinha. O curioso é que meu Ben gosta de música clássica. Ele conheceu “Uma pequena serenata noturna”, Mozart, através do DVD Palavra Cantada. Foi seu primeiro contato com música clássica e se encantou.

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O marido começou apresentar vídeos do youtube para nosso Ben. Então ele conheceu a música de Strauss, regida pelo maestro Karajan, e se encantou mais ainda. Até ensaia os trejeito desse maestro, colocando a batuta embaixo do braço para aplaudir.

Eis que a Folha de S. Paulo lançou a Coleção Folha Música Clássica para Crianças. Uma coletânea que vale super a pena colecionar, tanto pela música, quanto pela literatura. Explico: cada volume vem acompanhado de um livro e um CD. O livro conta através de duas notas musicais, os irmãos Dó e Mi, a biografia do músico. Eles viajam, literalmente, pelo mundo da música clássica. Com uma linguagem infantil adorável, lúdica e interativa, eles convidam o pequeno leitor a fazer o mesmo. E nós pais, acreditem, viajamos também. Ao final de cada livro você encontra atividades para serem desenvolvidas com as crianças e o CD com as músicas do artista citado.

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Dó e Mi vão apresentar os 20 maiores compositores da música clássica. É uma forma muito interessante de trazer as crianças para o mundo musical e da literatura. A coleção já está no 8º volume. Até agora foram os artistas: Mozart, Bizet, Bach, Vivaldi, Beethoven, Schubert, Chopin e Verdi.

Eu pedi para o meu sogro fazer essa coleção para o Benjamin porque ele sempre vai à banca e assim não corremos o risco de perder nenhum. Toda vez que o vovô chega com um volume em casa, meu Ben folheia o livro, encontra o CD, tira do encaixe e vai correndo colocar no aparelho de som. Quem fica encantada e babona é a mãe coruja aqui.

Coleção Música Clássica para Crianças
Folha de S. Paulo
Todos os domingos nas bancas
Valor: R$16,90 cada livro-CD

Metáforas (por Roberto Piffer)

Hoje o serviço de utilidade pública do Bossa Mãe entra em ação. Aos leitores e leitoras que ainda não tem filhos, mas que não são menos importantes por isso, vamos (tentar) explicar o sentimento da relação pais-filhos, algo que é tão comentado nos textos cotidianos, mas que fica pouco palpável para quem ainda não é papai ou mamãe.

Os 11 exemplos abaixo são simples e muito práticos. Dá para ter uma ideia (mais ou menos) real da dimensão do que você vai sentir quando seu filho – ou filha – chegar… Mas de qualquer forma, aconselho usar sua imaginação para se sentir dentro de cada situação e ficar mais legal, vamos lá:

– Quando o nenê nasce, é como descobrir que passou num vestibular concorrido: você sabe que batalhou duro, que foram meses de dedicação e, assim que acontece, você sente uma felicidade-alívio desconcertante;

– Uns 2 dias depois do nenê nascer você vai pra casa, é como ser ganhador da mega sena: você é só sorrisos, só alegria… cumprimenta gente que você não conhece, acha o trânsito uma beleza, é só felicidade;

– Quando o nenê te dá um sorriso, é como achar dinheiro no chão: é um momento de raro prazer, um gesto rápido, mas que te faz feliz por um bom tempo (se for um sorrisão, é como achar nota de 50. Se for um sorrisinho discreto, seria uma notinha de 5. A proporcionalidade é bem essa);

– Quando o nenê está com prisão de ventre e de repente consegue fazer um coco, é como sair um gol do seu time aos 45 minutos do 2º tempo: você espera, torce por isso, faz figa, faz mandinga, sofre… tanto que acaba saindo;

– Quando o nenê acorda chorando no meio de uma madrugada de inverno, é como fazer trabalho social forçado: você vai sem a menor vontade, se arrastando e se sentindo obrigado, mas volta gratificado por ajudar a quem precisa;

– Quando o nenê consegue colocar a colher na boca e comer sua própria comida, é como se você o visse te alcançando no topo de uma montanha: você já conseguiu chegar lá e não foi fácil, agora sabe que ele pode também;

– Quando ele consegue dar a 1ª caminhada de uns 3 ou 5 passinhos sozinho, é como assistir ao homem pisar na lua pela 1ª vez: você comemora junto essa conquista, apesar da caminhada não ainda passar aquela firmeza tranquila;

– Quando você consegue deixar seu filho com alguém para dar uma escapada numa sessão de cinema, por exemplo, é como nadar pelado: você sente uma liberdade prazerosa, solta, leve… mas de tempos em tempos fica preocupado (como se alguém fosse roubar sua roupa que ficou na beira do rio);

– Quando a fralda vaza e faz sujeira, é como ser uma vítima de tsunami: você está lá, tranquilo e feliz, quando aparece uma onda que te surpreende e molha tudo, carregando tudo à sua frente: calça, camiseta, body, colchão, carrinho, etc, etc (às vezes só molha, às vezes molha e borra);

– Quando ele sai correndo mais do que pode, cai e se machuca, é como bater o carro: dependendo da pancada, dói mais em você do que nele. Mas o prejuízo fica por sua conta;

– Quando ele já fala algumas palavras e te chama ‘papai’ pra te mostrar alguma coisa, é como receber promoção no trabalho: você sabe que fez algumas coisas certas num período e está sendo recompensado por isso.

Sendo assim, meu recado final para você que ainda não tem filhos: providencie logo e depois compartilhe aqui suas aventuras!

Bosso pai? Existe isso? (por Roberto Piffer)

Caras (e caros) leitoras (es)… Nessa semana, uma pequena mudança no Bossa Mãe. Nossa ilustre blogueira tira umas mini-férias do blog e, para não deixar tudo jogado ao vento, faremos uma experiência diferente: para cobrir a ausência de sua autora, teremos o pai do Ben escrevendo alguns pequenos textos nesta semana.

Alerta 1: as férias da Gabi não tem nada a ver com promessa ou Sexta-feira Santa, que isso fique bem claro. Não foi nada premeditado, será apenas uma pausa para recarregar as baterias, renovar as ideias e voltar com tudo para o blog.

Alerta 2: o pai, que por sinal já escreve este texto, não possui a mesma habilidade da autora do blog. Portanto, não esperem o mesmo nível dos textos postados até hoje. O que vocês podem esperar é uma visão paterna da coisa toda. Vai ser legal, diferente.

Bom, definido tudo isso, fui pesquisar se o tal do bossa tem masculino. Não encontrei resposta, mas confesso que não me empenhei muito nessa pesquisa. Então, caso não exista mesmo, acabei de tomar a liberdade de criar. Logo, essa será a semana bosso pai do blog.

De uns dias pra cá tenho vivido uma época de relembranças paternas. Isso porque tenho um grande amigo “grávido” e isso me fez relembrar de vários momentos que passei durante este período. Desde a descoberta, as dificuldades, ansiedades, incertezas, alegrias, dúvidas, achismos, parafraseando nossa autora, tudo junto e misturado.

O dia da descoberta foi legal. Um dia de apreensão, um frio na barriga. Tá certo que o Ben estava planejado, mas não para aquele exato momento (e, claro, àquela época ele ainda nem tinha nome). Era noite, 6 de outubro, o teste de farmácia tinha dado positivo e uma avalanche de pensamentos veio à cabeça.  E olha que no dia seguinte ainda tinha o exame de sangue para confirmar. Bom, claro que deu tudo positivo e dali em diante eu era praticamente outra pessoa. E nem sabia ao certo.

Lembrei também da época em que a Gabi passava mal. Vomitava a cada passo, enjoava a cada respirada. Foi difícil aquele período, muito mais para ela, com certeza, mas ficar no apoio a isso tudo também não é nada fácil. Leva água, leva balde, limpa chão, apoia aqui, saquinho ali, etc. Mas dessa época lembro-me claramente durante uma viagem, em pleno inverno europeu, acho que foi uma das últimas vezes que ela passou mal. Àquela altura já tínhamos todo o esquema montado, saquinho pra vomitar, lencinho pra limpar, aguinha pra recuperar. Essa vez em particular não teve nada demais, mas se falar na Gabi passando mal, lembro exatamente deste dia.

O lugar existe e é exatamente aqui

O lugar existe e é exatamente aqui

Lembrei também das consultas. A cada novo ultrassom era uma nova alegria. Íamos e gravávamos o exame num DVD, que depois assistíamos em casa (às vezes até mostrávamos para a família…) E era aquele monte de borrão que deixava a gente feliz: olha a cabeça, olha a mãozinha, olha a coluna cervical, olha o pinto! Acho que só a gente (e o obstetra) era capaz de ver e entender, de fato, todas aquelas coisas.

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E como não podia deixar de ser, lembrei do dia em que o Ben nasceu. Ah esse dia! Uma espera só, uma apreensão só, uma alegria só! Resumidamente, era um dia normal, que precisou de uma consulta normal. Mas esse dia não acabou como os outros. Aliás, mudou radicalmente quando a enfermeira do hospital me encontrou no corredor e trocou umas poucas palavras comigo: “Ah, não te avisaram? Detectamos que baixou o líquido amniótico e ele vai nascer hoje…” Dona enfermeira, isso não é coisa que se fale assim tão sem jeito, de supetão. Fiquei sem resposta, meio de pernas bambas. E dali a algumas horas, presenciei a CENA MAIS IMPRESSIONANTE DA MINHA VIDA: o nascimento do Ben. O engraçado foi que a Gabi teve um sonho dias antes do parto e, na hora de nascer, o médico falava que não tinha nenê, que eram só gases. Com isso em mente, minha primeira frase ao ver o Ben foi: “Olha, tem um bebê mesmo!” Soou babaca, mas foi o que saiu…

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É, hoje já se passaram quase 2 anos. Mas as lembranças vem me visitar de vez em quando. Às vezes até vejo as fotos dessa época. E como é bom…

Rotina Compartilhada

Aqui em casa não aderimos à cama compartilhada, mas recentemente adotamos a rotina compartilhada.

A rotina compartilhada consiste em dividir as rotinas do Ben entre os dois: pai e mãe.

Devo confessar que eu monopolizei duas das rotinas desde que Benjamin nasceu: banho e hora do sono. Sempre fui eu que dei banho e o fiz dormir. SEMPRE! Claro que algumas vezes deixei o marido fazer, mas era uma vez a cada 30 dias.

No início do ano propus ao marido:

– Vamos compartilhar algumas rotinas?

Ao que ele respondeu de bate–pronto, sem ao menos ouvir a proposta:

– Vamos!!! Você vai acordar mais cedo um dia sim outro não para cuidar dele?

(é SEMPRE o marido quem acorda mais cedo para arrumar o Benjamin antes de sairmos durante a semana)

Respondi: – Calma, não precisa radicalizar…

Bom, o que o marido não sabia era que a intenção da minha proposta era beneficiá-lo. Em segundo plano, juro, estava a minha intenção de ter uns breves momentos livres.

Como disse, percebi que monopolizei essas rotinas e, após esses meses todos, me tornei uma mãe madura, elevada, passei achar importante Benjamin passar esses momentos com o pai também.

Os filhos já têm uma ligação infinitamente forte com a mãe. Considero esses dois momentos (banho e sono) uma ótima ocasião para estreitar ainda mais esse vínculo. E nada mais justo que proporcionar isso ao pai também. Acredito muito que as relações são construídas a partir do vínculo. A relação é alimentada através do que compartilhamos com as pessoas queridas.

Sem contar que Benjamin está crescendo e acho importante pai e filho terem um momento deles. Banho, por exemplo, até por uma questão de reconhecimento. A hora do sono, porque eu passei a achar que o papai estava perdendo umas gracinhas deliciosas que só eu estava curtindo.

Dividir essas duas rotinas com o pai do meu filho era a forma que eu tinha de ajudá-los a criarem seus próprios códigos. E Benjamin por ser um menino, nada mais justo. Meninos têm códigos que só os meninos reconhecem.

É claro que tem dias que Benjamin quer fazer tudo comigo. Marido às vezes reclama “ele só chora no banho comigo”, “eu não consigo fazer ele dormir direto no berço”. Mas acho que é tudo uma questão de jeito, adaptação, tempo.

Dividimos assim: um dia eu dou banho e faço dormir, no outro dia é a vez do marido.

Com isso, eu acabei desafogando as minhas noites também. No dia do marido, tenho algum tempo livre (mesmo que curto) para me dedicar a outra atividade, de preferência algo mais pessoal do que doméstica.

Ainda teria mais rotinas para serem compartilhadas, no sentido mais pejorativo de divisão das tarefas e não de participação. Seria o caso de eu acordar mais cedo algumas vezes durante a semana, mas falta maturidade no meu relógio biológico (eu vivo acreditando que marido compreende isso, até porque ele sempre fala que precisa de poucas horas de sono). Tem também as trocas de fraldas. Marido já trocou 2.185 vezes a fralda do Benzoca, enquanto eu fiz 840 trocas. Acho que está na hora de colocarmos em uso essa roleta de obrigações que adquirimos na loja do Potencial Gestante.

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Eu adoro dar banho no meu Ben e, principalmente, fazê-lo dormir. Mas acho também que era meu dever como mãe, proporcionar esses momentos entre pai e filho. Nós mães, sem querer, dominamos o espaço, a casa, as relações. Somos o alicerce de tudo. E acho que nos cabe construir essa ponte.

*

Dica

A roleta de obrigações é um produto bacana e uma forma divertida de presentear o marido daquela amiga que não ajuda em nada com as obrigações do bebê. Sabe aquele pai que acha que não precisa acordar de madrugada, dar banho, mamadeira, trocar fraldas, porque ele já fez o que devia ter feito: fecundar a esposa? Então, ótima sugestão de presente.

Aqui em casa eu julgava que não precisávamos dela, pelo menos, não para indireta pro marido. Compramos numa oferta bem legal no Black Friday, junto com a trena amarela – que estamos aguardando a mudança para então colar no quarto do Ben.

Clique AQUI e conheça a loja Potencial Gestante.