Metáforas (por Roberto Piffer)

Hoje o serviço de utilidade pública do Bossa Mãe entra em ação. Aos leitores e leitoras que ainda não tem filhos, mas que não são menos importantes por isso, vamos (tentar) explicar o sentimento da relação pais-filhos, algo que é tão comentado nos textos cotidianos, mas que fica pouco palpável para quem ainda não é papai ou mamãe.

Os 11 exemplos abaixo são simples e muito práticos. Dá para ter uma ideia (mais ou menos) real da dimensão do que você vai sentir quando seu filho – ou filha – chegar… Mas de qualquer forma, aconselho usar sua imaginação para se sentir dentro de cada situação e ficar mais legal, vamos lá:

– Quando o nenê nasce, é como descobrir que passou num vestibular concorrido: você sabe que batalhou duro, que foram meses de dedicação e, assim que acontece, você sente uma felicidade-alívio desconcertante;

– Uns 2 dias depois do nenê nascer você vai pra casa, é como ser ganhador da mega sena: você é só sorrisos, só alegria… cumprimenta gente que você não conhece, acha o trânsito uma beleza, é só felicidade;

– Quando o nenê te dá um sorriso, é como achar dinheiro no chão: é um momento de raro prazer, um gesto rápido, mas que te faz feliz por um bom tempo (se for um sorrisão, é como achar nota de 50. Se for um sorrisinho discreto, seria uma notinha de 5. A proporcionalidade é bem essa);

– Quando o nenê está com prisão de ventre e de repente consegue fazer um coco, é como sair um gol do seu time aos 45 minutos do 2º tempo: você espera, torce por isso, faz figa, faz mandinga, sofre… tanto que acaba saindo;

– Quando o nenê acorda chorando no meio de uma madrugada de inverno, é como fazer trabalho social forçado: você vai sem a menor vontade, se arrastando e se sentindo obrigado, mas volta gratificado por ajudar a quem precisa;

– Quando o nenê consegue colocar a colher na boca e comer sua própria comida, é como se você o visse te alcançando no topo de uma montanha: você já conseguiu chegar lá e não foi fácil, agora sabe que ele pode também;

– Quando ele consegue dar a 1ª caminhada de uns 3 ou 5 passinhos sozinho, é como assistir ao homem pisar na lua pela 1ª vez: você comemora junto essa conquista, apesar da caminhada não ainda passar aquela firmeza tranquila;

– Quando você consegue deixar seu filho com alguém para dar uma escapada numa sessão de cinema, por exemplo, é como nadar pelado: você sente uma liberdade prazerosa, solta, leve… mas de tempos em tempos fica preocupado (como se alguém fosse roubar sua roupa que ficou na beira do rio);

– Quando a fralda vaza e faz sujeira, é como ser uma vítima de tsunami: você está lá, tranquilo e feliz, quando aparece uma onda que te surpreende e molha tudo, carregando tudo à sua frente: calça, camiseta, body, colchão, carrinho, etc, etc (às vezes só molha, às vezes molha e borra);

– Quando ele sai correndo mais do que pode, cai e se machuca, é como bater o carro: dependendo da pancada, dói mais em você do que nele. Mas o prejuízo fica por sua conta;

– Quando ele já fala algumas palavras e te chama ‘papai’ pra te mostrar alguma coisa, é como receber promoção no trabalho: você sabe que fez algumas coisas certas num período e está sendo recompensado por isso.

Sendo assim, meu recado final para você que ainda não tem filhos: providencie logo e depois compartilhe aqui suas aventuras!

O filho mais bonito do mundo (por Roberto Piffer)

Lembro-me de uma vez em que proferi a seguinte frase: “acho meu filho o mais bonito do mundo, perto dele, acho os demais bebês feios!”

Claro, assim como você deve estar pensando agora, quem estava por perto logo achou a exclamação exagerada e seu anunciante arrogante e soberbo… Mas vamos entender melhor o contexto e examinar a situação:

Quando eu disse isso, foi no sentido de que, independente de onde você esteja, sempre vai achar seu filho lindo. E vendo-o em meio aos outros bebês, qualquer um deles, você sabe muito bem que ele será o destaque, brilhando e cintilando para você. Isso é sentimento de pai pra filho, de mãe pra filho. Quem, nessas condições, discorda disso e não acha seu próprio filho o mais lindo?

Segundo ponto: quem estava comigo na ocasião ainda não tinha filhos. Bom, a eles junto quem lê o texto e também não tem. Digo que é difícil de entender, mas só tendo um filho para saber o amor que se tem por ele. E compreender os olhos que você terá para eles.

Nem precisa tanto, mas faça um exercício… Imagine seu filho figurando em qualquer comercial de bebês na televisão: de fraldas, de sabonete, de shampoo, de papinha. Pense e veja como ele fica lindo, como ele é lindo… E que jeito tem com as câmeras, que desenvoltura!

Com pinta de "só não sou modelo porque não quero!"

Com pinta de “só não sou modelo porque não quero!”

Devaneios à parte, volto-me para uma preocupação muito, mas muito mais séria: “E com a vinda do segundo filho, quem será o mais lindo do mundo?!?”

Acho que a resposta só virá junto com esta nova pessoa, mas já pensei em algumas soluções:

a) Se for menina, basta ser o filho mais lindO e a filha mais lindA! Simples!

b) Já se for menino, o jeito é eleger o mais lindo e o mais bonito, criando uma espécie de premiação ou menção honrosa diferente, mas ao mesmo tempo igual para cada um. E se vier outro ainda, tem mais uma alternativa: o mais belo.

Depois disso tudo, acho que deu para entender que tem espaço para todo mundo ter o filho (ou filha) mais bonito do mundo. Você tem o seu, ela tem o dela, eu tenho o meu… e por aí vai.

Até feio ele fica bonito...!!!

Até feio ele fica bonito…!!!

Bosso pai? Existe isso? (por Roberto Piffer)

Caras (e caros) leitoras (es)… Nessa semana, uma pequena mudança no Bossa Mãe. Nossa ilustre blogueira tira umas mini-férias do blog e, para não deixar tudo jogado ao vento, faremos uma experiência diferente: para cobrir a ausência de sua autora, teremos o pai do Ben escrevendo alguns pequenos textos nesta semana.

Alerta 1: as férias da Gabi não tem nada a ver com promessa ou Sexta-feira Santa, que isso fique bem claro. Não foi nada premeditado, será apenas uma pausa para recarregar as baterias, renovar as ideias e voltar com tudo para o blog.

Alerta 2: o pai, que por sinal já escreve este texto, não possui a mesma habilidade da autora do blog. Portanto, não esperem o mesmo nível dos textos postados até hoje. O que vocês podem esperar é uma visão paterna da coisa toda. Vai ser legal, diferente.

Bom, definido tudo isso, fui pesquisar se o tal do bossa tem masculino. Não encontrei resposta, mas confesso que não me empenhei muito nessa pesquisa. Então, caso não exista mesmo, acabei de tomar a liberdade de criar. Logo, essa será a semana bosso pai do blog.

De uns dias pra cá tenho vivido uma época de relembranças paternas. Isso porque tenho um grande amigo “grávido” e isso me fez relembrar de vários momentos que passei durante este período. Desde a descoberta, as dificuldades, ansiedades, incertezas, alegrias, dúvidas, achismos, parafraseando nossa autora, tudo junto e misturado.

O dia da descoberta foi legal. Um dia de apreensão, um frio na barriga. Tá certo que o Ben estava planejado, mas não para aquele exato momento (e, claro, àquela época ele ainda nem tinha nome). Era noite, 6 de outubro, o teste de farmácia tinha dado positivo e uma avalanche de pensamentos veio à cabeça.  E olha que no dia seguinte ainda tinha o exame de sangue para confirmar. Bom, claro que deu tudo positivo e dali em diante eu era praticamente outra pessoa. E nem sabia ao certo.

Lembrei também da época em que a Gabi passava mal. Vomitava a cada passo, enjoava a cada respirada. Foi difícil aquele período, muito mais para ela, com certeza, mas ficar no apoio a isso tudo também não é nada fácil. Leva água, leva balde, limpa chão, apoia aqui, saquinho ali, etc. Mas dessa época lembro-me claramente durante uma viagem, em pleno inverno europeu, acho que foi uma das últimas vezes que ela passou mal. Àquela altura já tínhamos todo o esquema montado, saquinho pra vomitar, lencinho pra limpar, aguinha pra recuperar. Essa vez em particular não teve nada demais, mas se falar na Gabi passando mal, lembro exatamente deste dia.

O lugar existe e é exatamente aqui

O lugar existe e é exatamente aqui

Lembrei também das consultas. A cada novo ultrassom era uma nova alegria. Íamos e gravávamos o exame num DVD, que depois assistíamos em casa (às vezes até mostrávamos para a família…) E era aquele monte de borrão que deixava a gente feliz: olha a cabeça, olha a mãozinha, olha a coluna cervical, olha o pinto! Acho que só a gente (e o obstetra) era capaz de ver e entender, de fato, todas aquelas coisas.

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E como não podia deixar de ser, lembrei do dia em que o Ben nasceu. Ah esse dia! Uma espera só, uma apreensão só, uma alegria só! Resumidamente, era um dia normal, que precisou de uma consulta normal. Mas esse dia não acabou como os outros. Aliás, mudou radicalmente quando a enfermeira do hospital me encontrou no corredor e trocou umas poucas palavras comigo: “Ah, não te avisaram? Detectamos que baixou o líquido amniótico e ele vai nascer hoje…” Dona enfermeira, isso não é coisa que se fale assim tão sem jeito, de supetão. Fiquei sem resposta, meio de pernas bambas. E dali a algumas horas, presenciei a CENA MAIS IMPRESSIONANTE DA MINHA VIDA: o nascimento do Ben. O engraçado foi que a Gabi teve um sonho dias antes do parto e, na hora de nascer, o médico falava que não tinha nenê, que eram só gases. Com isso em mente, minha primeira frase ao ver o Ben foi: “Olha, tem um bebê mesmo!” Soou babaca, mas foi o que saiu…

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É, hoje já se passaram quase 2 anos. Mas as lembranças vem me visitar de vez em quando. Às vezes até vejo as fotos dessa época. E como é bom…

Dia dos Pais – por Roberto Piffer (o marido)

Hoje, dias dos pais, e algumas palavras para explicar como eu me sinto. Logo de início transcrevo o trechinho de um texto que recebi nesta semana, por e-mail, e que fez muito sentido para mim: “Você sabe que se tornou um pai de verdade quando percebe que todo mundo pode ter um filho, mas é preciso muito esforço, mas muito esforço, todos os dias, para ser um Pai, e você está super feliz com isso.”

Pode soar pessimista por causa do “muito esforço”, e não deixa de ser verdade. Mas é um esforço pra lá de gratificante. Aliás, esforço, responsabilidade, dedicação e várias outras coisas mais…

E porque vale tão a pena? Todo mundo pode imaginar e pode até parecer piegas demais repetir tudo isso, mas aí vai: um sorriso, um abraço recebido, um carinho, um bocejo, uma espreguiçada, ou até mesmo um punzinho que seja do seu filho, já faz ver o dia de forma diferente. Hoje de manhã, por exemplo, quando ele acordou não fui eu quem pegou-o no berço, como de costume. Mas quando ele me viu, esticou seus bracinhos e quis vir comigo… ah!, já ganhei o dia! Acho que foi o jeito que ele encontrou de dizer “feliz dia dos pais”.

Agora mesmo ele saiu de frente da TV, passando um de seus DVDs preferidos, para ver o que eu fazia no computador. Que privilégio ter um serzinho tão lindo no meu colo, me atrapalhando acompanhando a escrever um pequeno texto sobre nossas vidas. Agora mesmo ele está soluçando, acho que o Ben ficou emocionado.

Ainda estou no meu 2º dia dos pais, então sei que ainda não tenho muito o que contar, mas já estou gostando muito disso, ou super feliz com isso, como diz o texto do e-mail dessa semana.

E só pra finalizar, gostaria de registrar que a imagem mais impressionante que vi na vida, até hoje, foi a 1ª vez em que vi o Ben, no momento em que ele saiu da barriga. Lembro que fiquei literalmente bobo, tão feliz e impressionado, que até soltei um comentário digno de uma criança: “e não é que tinha um bebê aí dentro mesmo!”

Aproveito para agradecer à autora deste blog, que me deu este lindo menino. Ao Ben, que já me recompensa diariamente pela função pai. E um feliz dia dos pais para todos que exercem esta função!

Das coisas que são inexplicáveis

Outro dia conversando com o marido sobre o pequeno Benjamin, ele disse “agora que estou mais próximo dele, me sinto mais pai, sabia? Fiquei olhando ele enquanto mamava e me deu uma vontade de chorar, de tão bonitinho que ele é…”

Essa semana fui atacada por uma conjuntivite, o que me fez afastar do Ben para evitar que ele pegue também. Então maridão está mostrando o paizão que tem dentro de si. Não que ele já não faça isso diariamente. Eu sempre achei que faz. Mas ele pegou pra si todas as tarefas que eu exercia como dar banho, mamadeira, fazer dormir… Acho até que eu monopolizava um pouco meu Ben (até no jeito carinhoso que o chamo passei achar que o monopolizo).

Entendo exatamente esse sentimento que o marido teve. Eu por diversas vezes senti (e ainda sinto) vontade de chorar (e chorei) olhando o pequeno. Carrego esse sentimento desde a gravidez, período que pra mim foi muito inexplicável gerar outro alguém. Eu pensava “como a natureza é sábia”. É uma coisa de louco: nós geramos pessoas!!!! Eles entram em nós pequenininhos e vão crescendo, formando pernas, braços, dedinhos, cabeça, cabelo…

Sentimos o maior medo, mas também a maior felicidade do mundo. E hoje quando vejo o Benjamin saudável, com toda sua fragilidade e dependência de um bebê, seu desenvolvimento, seu sorriso… consigo enxergar e definir melhor o sentimento que tinha durante a gravidez, essa coisa louca de gerar outro ser. Não é só natureza, é um milagre!

Confissões de um pai de 30

Sou fiel leitora da coluna de Eliane Brum, todas às segundas, no site da revista Época. Quando estava grávida, li uma entrevista mega interessante: Confissões de um pai temporão. Eu que já tinha curiosidade sobre a resposta de muitas dessas perguntas com relação ao Marido pedi pra ele responder em forma de entrevista para postar no Blog da Gabiroba Então peguei algumas perguntas da entrevista de Eliane e fiz outras. Descobri o que pensa meu marido, um pai de 30.

Dizem que a mulher se torna mãe no momento que toma conhecimento da gravidez. Já o homem se torna pai com o nascimento do filho.Você está próximo de se tornar pai. Quais são os sentimentos que o permeiam neste momento? Existe medo entre eles?

R: Acho que a frase inicial da pergunta é bem verdadeira. O lance do homem se tornar pai deve vir mesmo no momento do nascimento do rebento. Em mim, a expectativa existe, mas por enquanto me sinto mais um observador ou mero coadjuvante da situação. Ao nascer, tenho absoluta certeza de que finalmente darei conta de que virei pai. E o medo, onde fica? Por enquanto, os medos são voltados para o lado financeiro da coisa. É do meu perfil não “sofrer antecipadamente” com as coisas, por isso sei que os medos da responsabilidade paterna só chegarão junto do Ben.

– Esperar um filho, ver sua esposa com o barrigão, faz você se sentir “grávido” também, ou seja, ter noção de tudo o que está acontecendo com ela e com vocês?

R: Faz me sentir grávido sim, mas de uma forma diferente. É óbvio que sentir diretamente a sensação de ter uma pessoa dentro de mim não existe, mas chega bem perto disso. A noção das coisas existe, mas a sensação fica por conta da imaginação. De qualquer forma, já me sinto ganhador do Oscar de melhor coadjuvante nessa história.

– Tudo que é também você e veio de você se desenvolve num mundo que é dentro dela. E você pode no máximo falar com a barriga, mas você não sente seu filho se movendo dentro de você, se alimentando de você. Pode ser um alívio, mas me parece que para muitos homens não é. Você inveja essa relação que, neste momento específico, só pode acompanhar como coadjuvante?

R: Não invejo de forma alguma. Cada um tem suas devidas funções nessa gestação, que acarretam diferentes, mas complementares, responsabilidades. Entendo que cada um tem sua demanda específica, que envolvem ações, cuidados, atividades e atitudes. E a parte do pai não é menos importante do que a da mãe, um completa o outro para formar a família.

– Saber que vai ser pai mudou o que na sua vida? Você sente que é outro?

R: O impacto maior vem logo após a descoberta. Saber que vai ser pai acarreta muita responsabilidade, que é melhor assimilada durante a gravidez. Mudou a percepção das prioridades, mas acho que ainda vai mudar muito mais. O foco sai de mim ou da minha esposa, se transferindo para uma nova pessoa nessa relação. Mas a mudança não é tão brusca assim, sinto-me perfeitamente apto e adaptável para essa nova realidade. De forma alguma eu seria outro, senão não daria conta do recado.

– É muito difícil aguentar uma mulher grávida? Quais são as suas estratégias?

R: Sim, é difícil. A grávida, ao contrário do que muitos pensam, não tem prioridade somente nos bancos do metrô ou nas filas de bancos. Elas dominam tudo que passa à sua frente, com a medicinal e antropológica afirmação de que ficam mais sensíveis, carentes, cansadas, irritadiças e tudo mais que possa se potencializar nessa época. O antídoto para não sofrer com essa inevitável situação são superdosagens de paciência, intercaladas com compreensão e disposição para o trabalho servil não-remunerado. O trabalho psicológico é essencial nessa etapa, preparar bem a cabeça e ter noção da situação ajudam a evitar estresse e fadiga.

– O que você pensa quando vê sua mulher e o barrigão?

R: Ela está realmente grávida.

– O que mais dá medo ao pensar em botar um filho no mundo?

R: Criar uma pessoa que, no futuro, venha a fazer mal à sociedade. Um delinquente, um usuário ou traficante de drogas ilícitas, um assassino ou assaltante. Tenho medo de criar bem um filho, mas que ele venha a se tornar membro da escória humana. Mas tenho consciência que isso, dificilmente acontecerá.

– Ter um filho é escolher uma relação que, mesmo que um dia você queira, jamais será rompida. Pode existir pai canalha, filho psicopata, mas não existe nem ex-pai nem ex-filho. Pai é para sempre. Filho é para sempre. Isso é assustador?

R: Para mim não. Existem diversas situações em que não podem existir “ex”, que não chega a assustar, como: ex-puta, ex-virgem, ex-gay, ex-assassino… A relação com um filho, que tende a ser a melhor possível, não deve assustar por ser eterna. Pelo contrário, ainda bem que une pela vida toda, afinal, famílias são para isso.

– Qual é o seu desejo para este filho? Mesmo que você se prepare para respeitar os desejos futuros deste filho, nenhum filho existe sem que antes exista o desejo dos pais. Qual é o seu desejo de pai para este filho?

R: Tudo de bom. Desde o amor da família e dos amigos, passando pela escolha do time que ele vai torcer, até o melhor dos futuros que o destino lhe reservar.

– Foi importante saber que era um homem? Seria diferente se fosse uma mulher?

R: Importantíssimo, pois toda a decoração, roupinhas, acessórios, etc e etc são diferentes para meninos e meninas. Se fosse uma menina, provavelmente teríamos comprado tudo em outra cor… Nada muda em relação ao sentimento pelo filho que virá. Fosse menino, menina, ET, mutante, andróide ou cachorro, amaria do mesmo jeito (salvo exceção caso for curintiano – dessa forma terei de fazer segunda análise sobre o assunto).

– Como você se prepara para ser pai?

R: Tenho me preparado muito. Faço meditação tântrica todas as manhã, yoga às terças e quintas, tenho ouvido música erudita, além de aulas de piano aos sábados de manhã. Fiz um curso de salva-vidas, tenho doado somas em dinheiro a instituições de caridade e tenho feito trabalho social em penitenciárias sempre que possível.
Brincadeiras à parte, não vejo necessidade de uma preparação tão específica. Sinto-me preparado para encarar esse desafio de criar um filho. Há alguns anos atrás, não pensaria dessa forma, tenho certeza absoluta que não estaria amadurecido o suficiente para encarar de forma tão positiva essa situação. Aliás, na verdade não encaro como um desafio (como todas as situações, opiniões, leituras e aconselhamentos buscam retratar). Acho tudo natural e a ideia que me vem é de que fomos agraciados pela vida com essa gravidez. Nada mais justo que retribuir isso, dando boa educação ao nosso filho.

– O que você sentiu quando soube que seria pai? E o que sentiu quando viu a imagem no ultrassom?

R: Ao saber que seria pai, lembro que senti um arrepio, uma espécie de frio na barriga. É aquele impacto inicial que choca o homem, quando ele descobre que vai ser pai. O peso da responsabilidade cai de uma altura de 10 andares, sem toldo para amortecer. Mas o tempo faz esse impacto ser absorvido com suavidade. Nove meses são mais que suficientes para isso. Ao mesmo tempo penso em mães solteiras ou pais adolescentes. O impacto vem também, com a mesma intensidade. Mas a absorção deve ser bem diferente…No ultrassom parece ser a confirmação de tudo aquilo que, até então era história. Novamente o sentimento de ser pai recai sobre a gente, mas de uma forma extremamente positiva. Ver uma pessoa de verdade, naquela tela horrível em preto e branco e cheia de ruídos, nos faz sentir o lado doce da responsabilidade.

– No que você quer ser diferente, como pai, do seu próprio pai?

R: Principalmente na questão de conversar com meu filho. O diálogo deve ser livre e aberto entre os dois, a informação confiável é muito valiosa hoje em dia. Sei que as pessoas, no decorrer de toda a vida, aprendem diariamente. Nada mais justo (e seguro), que meu filho possa buscar esse aprendizado com o próprio pai.

– Para finalizar, vai ensinar seu filho andar de bicicleta sem rodinhas? (risos)

R: Garanto que tentarei ensinar todos os bons valores que aprendi na minha vida. O valor das verdadeiras amizades, a importância da família, o sentimento capitalista que move o mundo, as intempéries que o destino nos traz, as relações humanas, etc. Quanto à parte da bicicleta, reservo para a mãe do meu filho, afinal, não se pode ensinar algo que não sabe (ainda!)

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Massagem MTR

O marido sempre foi bom em me fazer domir. Ele usa uma tática de relaxamento (inventada por ele) que não sei como dá certo comigo e agora com o pequeno Ben.

Benjamin é bom de cama, dorme a noite toda. Mas para dormir é um parto. Ele é um bebê tranquilo, porém está sempre em movimento, é curioso, agora deu para balançar as pernas quando está no colo de alguém, não fica quieto. Pode estar morrendo de sono, mas não se entrega. Então o marido entrou com sua tática do sono: a M.T.R.

Isso nada mais é que Massagem Terapêutica Relaxante. É uma técnica milenar que passa de geração para geração só da família dele  e acompanha meu marido em seu DNA. É bem provável que ele já tenha nascido com este dom, com esta sabedoria e seja uma espécie de “O Iluminado”.

Ah, quanta baboseira, considere apenas as 8 primeiras palavras do parágrafo anterior…

A massagem realmente existe, e melhor, funciona muito bem com o Ben. Ele gosta, ele relaxa, ele se acalma e dorme. Simples assim: dorme! Acho que são os bons fluídos que passam de pai para filho. Ahhhh…. ser mãe também é aprender, que pai lindo…!

*

E quem escreveu os três últimos parágrafos? E o que foi esse “Ahhhh….ser mãe também é aprender, que pai lindo”?

Mas que a massagem é boa e dá certo, é verdade. Comigo e agora com o Ben, que apaga em 2 minutos.

Agora que o Ben já dormiu, vou barganhar a minha MTR. Boa noite!