A angústia da separação

Colocar o filho no berçário ou na escolinha é uma decisão muito difícil. Mães de primeira viagem sofrem e não sabem como lidar com essa situação. É tudo muito novo, a maternidade chega ser avassaladora, transforma toda nossa vida.

Algumas mães tomam a decisão de parar de trabalhar. Outras não podem ou não querem seguir esse caminho. Por algum momento eu quis, mas logo depois esse desejo insano passou.

Embora goste da maternidade, não teria capacidade, muito menos paciência, para cuidar de filho e consequentemente da casa. Acho até que a forma como me entrego para a maternidade é justamente por essa escolha, por me dividir entre profissional e mãe. Se eu tivesse parado de trabalhar, tenho certeza que em alguns meses estaria sem paciência e disposição nenhuma para maternar (ou não?!).

Optei por colocar Benjamin no berçário e ele foi logo cedo, assim que acabou minha licença maternidade, aos 5 meses de idade. Sofri. E perguntaram-me: como você superou isso? Eu não sei bem como responder, mas acho que alguns fatores contribuíram.

Um deles foi deixar Benjamin num lugar que me transmitiu confiança absoluta. Eu me sentia segura ao deixá-lo lá. Depois outras mães vinham me falar que colocá-lo no bercário era a melhor decisão que eu tinha tomado, que ele ia evoluir, seria ótimo para a sociabilidade, etc. Comecei a ter certeza que eu tinha tomado a decisão certa. E hoje tenho essa certeza maior ainda dentro de mim. Não me arrependo e faria novamente.

Acredito que colocar a criança com idade um pouco maior na escolinha, gera um sofrimento maior para ambos: filho e mãe. Filho porque já entende a separação, mas acha que a mãe está deixando ele lá e não sabe se ela vai voltar. Mãe porque, ao ver o filho sofrer, vai sofrer em dobro. Ser mãe dói!

Minha sugestão: conversar! Não importa a idade da criança, ela sente o que você quiser transmitir a ela. Explicar que você vai deixá-la lá, mas que vai voltar no final do dia para pegá-la. Jamais ir embora escondida ou inventar alguma desculpa. JAMAIS! A criança precisa se sentir segura e ela não vai sentir isso se você disser que vai ao banheiro e volta já (e não volta!). Esse é um trabalho conjunto com a escola que deve também esclarecer para a criança que a mamãe volta no final do dia – a noção de tempo da criança é diferente do nosso tempo, por isso é importante explicar que vai demorar, propor atividades, mas sempre deixar claro que a mãe volta.

Não tem jeito, as primeiras semanas são terríveis. Mas como tudo na vida, passa! Se para a mãe forem claros os motivos pelos quais é necessária essa separação, logo a frustração dará lugar para o conforto e segurança. Logo, a criança passa a compreender que a mãe vai voltar. Mãe segura e feliz é sinônimo de filho seguro e feliz. Mesmo que você não esteja segura, é segurança que você deve transmitir.

Depois, minha amiga, é só alegria! Eles entram na escolinha, não te dão tchau e nem olham para trás, acredite! Tem mãe que fica chateada. Eu fico orgulhosa, sério, meu peito chega a estufar, com aquela certeza de que fiz algo certo até aquele momento. A evolução do desenvolvimento deles é absurdamente incrível. E não tem coisa melhor para uma mãe do que ver o seu filho se desenvolvendo. Um dia ele chega cantando uma música, noutro ele fala uma palavra nova, noutro ainda ele te mostra um paisagem e dá nomes e significados para cada imagem. É indescritível….!

Dizem que a dor do parto natural é esquecida no momento em que você vê a carinha do seu filho. Eu diria que a angústia sentida nessa fase de deixar o bebê no berçário é esquecida no momento em que você vê essa evolução acontecer. Talvez por isso eu não saiba responder como fiz para superar isso. Não lembro nem quanto tempo durou, se foi uma semana, duas, três…

Não, não é fácil ser mãe. Assim como também não é fácil ser avaliado, não é fácil o primeiro dia de emprego, o primeiro dia na escola, na faculdade, dar o primeiro beijo….

Na vida inteira enfrentamos desafios, escolhas, encontramos pessoas boas outras não tão boas assim, perdemos pessoas queridas ou porque mudaram de cidade ou porque partiram para outro lado da vida – para essa separação é a única que não existe remédio. Essas e muitas outras coisas, não temos como evitar.

Toda criança um dia vai ter que ir para a escola. Mais cedo ou mais tarde chega esse dia. E o que devemos fazer é enfrentar, ter coragem, ser forte! Minha tia Rosana me disse uma vez quando Benjamin estava doente, com febre alta pela primeira vez: você é mãe agora, mãe não pode ter medo! Eu tento me lembrar sempre disso. E lembro que a vida é cheia de variantes e que não podemos evitar que nossos filhos passem por determinadas coisas, muito menos criá-los numa bolha, mas podemos passar por tudo juntos.

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Esse post foi inspirado por um email de uma leitora. Espero que você tenha gostado e que possa ter te ajudado. Obrigada pelo carinho!

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Férias para a mamãe

Hoje Benjamin iniciou uma nova fase. Marido voltou ao trabalho, aproveitei e mandei meu Ben para a escolinha. Parece falta de apego?! É eu queria um tempo só pra mim, sem marido, sem filho.

Organizei tudo para seu retorno ontem: mochila, lancheira, roupa. Chegou uma época do berçário em que eu não aguentava mais arrumar a bolsa dele, muito menos escrever (e olhar) na agenda. Mas desde quando soubemos que Benjamin começaria educação infantil, fiquei entusiasmada para arrumar a mochila e, principalmente, a lancheira.

Compramos tudo agora nas férias. O uniforme que consiste em bermuda/calça azul e camiseta branca. A mochila demorei para achar, não queria de tema (e isso você encontra em qualquer loja, impressionante, para todos os gostos: Carros, Galinha Pintadinha, Madagascar, Homem Aranha, Barbie, Toy Story…uma infinidade!). Como Benjamin ainda não se liga nessas coisas, optei por algo de mais qualidade, espaço e neutro (que não desse margem para o consumismo). Adorei a mochila porque além de preencher todos os requisitos que eu buscava, ela é bem bonita (a carinha ficou por nossa conta, é aquele cartão de identificação, atrás tem espaço para dados da criança). Olha só, coube tudo o que ele precisava levar:

– Caixinha de pronto socorro com remédio, vitamina, termômetro (essa caixa era a mesma que eu enviava na bolsa para o berçário, preciso arrumar algo menor);
– Toalha de banho (a partir de agora ele não tomará mais banho na escola, mas é preciso enviar para o caso de um acidente fisiológico daqueles estrondosos, sabe?! Enviei uma toalha fralda, ela é fininha, porém bem grandona – dobrada nem parece);
– Lençol com elástico (para cobrir o colchonete na hora da soneca. Se não estou enganada, fica a semana toda na escolinha e volta na sexta);
– Saquinho para guardar roupa suja;
– Kit higienização bucal: escova de dente, creme dental, toalhinha e de quebra coloquei um pente;
– Necessaire kit banho. Adoro esse kit. Ganhei da minha amiga Déa no chá de bebê e uso quando fazemos viagens curtas. Contém mini frascos de shampoo, sabonete, creme hidratante e talco. Acabou o produto é só repor no frasco;
– Necessaire com 8 fraldas + pomada;
– Lenço umedecido;
– caixa de lenço de papel (esse fica na escola, enviamos toda a segunda-feira);
– Muda de roupa.

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Olha a necessaire kit banho:

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Parece que não, mas coube tudinho na mochila, inclusive a agenda que não aparece na foto porque eu ia esquecendo dela.

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Lancheira comprei num bazar que teve no final da ano lá no trabalho, imagine paguei R$5,00 e é térmica, em formato de mochila. Achei bacana porque essa o Benjamin já pode carregar, ao contrário da outra que nem tem esse intuito (é entregue direto na mão da tia que devolve direto aos pais). Na escolinha continua tendo o café da manhã, almoço e janta, mas agora nós temos que enviar o lanche da tarde. Embora alguns pais acha isso um saco, acho bacana a ideia, até porque sou mãe de primeira viagem e gosto de aprender e buscar coisas para o meu filho. Tem um cardápio sugerido pela escola, o que é ótimo para nos guiar. Marido imprimiu ontem e fomos às compras da semana. Descobrimos até umas guloseimas orgânicas e integrais (exceto a geleia) para mandar pro Ben.

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O cardápio de hoje pedia biscoito maisena, maçã e suco. A pediatra do Benjamin indicou um suco chamado Super Bom, mas não encontrei ainda. Em contrapartida, achei esse da marca Jasmine, sem açúcar, feito da polpa da fruta. Experimentamos um ontem e parece bem natural mesmo, um pouco sem graça, não é nada doce, mas me parece saudável para um bebê quase criança. A lancheira ficou assim:

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Adorei preparar tudo. Vou me organizar sempre deixando tudo pronto na noite anterior, porque sei que se deixar pra fazer de manhã, o negócio vai deixar de ser um prazer para virar penoso.

Eu queria ter levado meu Ben nesse primeiro dia. Por outro lado, foi melhor do jeito que foi. Marido disse que Benzoca chorou bastante ao ser entregue. Acho que foi porque ele chegou lá dormindo e também tem o fato de ter ficado 20 dias direto com a gente e na farra.

Olha, ter filhos traz felicidade sim, uma alegria imensurável, mas como diz a música do Palavra Cantada, criança dá trabalho…! Eu amo meu filho incondicionalmente, marido é tudo de bom, mas ufa…. Estou me sentindo como a mãe da imagem (abaixo) que circulou no face semana passada. Vou aproveitar os dias livres que me restam para fazer as coisas que preciso, mas a principal delas, curtir a minha companhia.

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As mudanças do maternal

Participamos da primeira reunião da escolinha do Ben. O motivo da reunião era a mudança do Benzoca de berçário para maternal – o que eles chamam lá de início a Educação Infantil. A reunião estava marcada para às 08:00 da manhã, de um sabadão. Passamos a semana passada inteira preocupados em não perder a hora. O recado que convocava para a reunião era claro: Por favor, não se atrase, a reunião começará no horário!

Aqui em casa sempre tentamos cumprir os horários de nossos compromissos e estamos com problemas sérios para acordar cedo. Pra variar, eu acordei atrasada. Levantei no pulo, tomei banho e acreditem: saí de casa com pente, creme, sapato e bolsa na mão. Terminei de me arrumar no carro, a caminho da escolinha. E chegamos a tempo. Mas como não era esperado, a reunião começou atrasada.

Apesar de ir munida de caderno, caneta e um questionário, pensei que falaria pouco. Como se isso fosse possível vindo de mim. Mas como o marido disse, pensamos que teria outra mãe que falaria mais que eu. Engano. Sem dúvida Acho que fui a que falou mais. Descobri que existem três tipos de mães: as chatas exigentes, as moderadas, as mudas.

As chatas exigentes – São as mães preocupadas, que leem, bem informadas mais criteriosas, que falam mais, questionam tudo, tem total interesse pelo assunto, participativas, acreditam ter bom senso. Chata aqui é diferente de “cri-cri” = pessoa que arruma encrenca, reclamona e que coloca defeito em tudo.

As moderadas – São as mães que até tem algo pra falar, mas sempre tentam intermediar e/ou esperam tocarem no determinado assunto para se manifestarem.

As mudas – São as mães que simplesmente não falam NADA e concordam com TUDO (sempre com a cabeça ou com uma monossílaba).

Naturalmente, todas as perguntas que levei anotadas foram respondidas conforme a reunião seguia, sem eu precisar perguntar. Toquei em três assuntos, que pra mim, eram importantes também: 1) o fato da escola não ter informado aos pais sobre a mudança de uma berçarista; 2)o bebê ser entregue aos pais por uma outra tia sem ser as berçaristas. Ao que me responderam que se a escola for dar todas informações de mudanças para os pais, não fariam mais nada além disso; e que o motivo de ser outra tia e não a berçarista entregar o bebê era para evitar que a mãe ficasse fazendo perguntas do dia inteiro da criança e não criar tumulto. Ok, entendo, mas não estava pedindo para me informarem TODAS as mudanças. Compreendo também que com reuniões periódicas fica mais fácil os pais se manterem informados. A segunda resposta é altamente compreensível, mas acho que a pessoa que entrega seu filho deve pelo menos ter um pouco mais de carisma, como diria uma prima minha, psicóloga.

O assunto 3) foi sobre o lanche. A partir de janeiro, os bebês terão que levar um lanche. Terá um cardápio de frutas sugeridos pela escolinha e os pais poderão enviar outras comidinhas além da fruta. Eis aí a minha maior preocupação. Benjamin não come doce, iogurte e afins, as guloseimas dele atualmente são resumidas em: biscoito maisena e polvilho. Se todos os outros bebês levarem essas coisas, obviamente Benjamin passará a comer disso tudo antes do que planejei.

Veja bem, sei que isso é inevitável, que um dia Benjamin vai comer essas guloseimas todas. Minha intenção não é proibir, muito menos não apresentar essas coisas pra ele, eu gostaria de evitar até os dois anos de idade pelo menos. Mas acho que será impossível (isso se ele já não comeu algum tipo de iogurte sem eu saber, tem essa também, né?!).  Quando esse assunto surgiu, senti um clima de “não é porque o seu não come, o meu não vai trazer”, senti que todos os bebês lá já comiam algum tipo de porcaria.

Eu fico louca da vida quando vejo alguém oferecer iogurte para um bebê. Suco de caixinha!!! (e não me venha com esse papo de que existe suco de caixinha indicado para bebês). Ok, sabemos que não mata. Mas não é a coisa mais apropriada a oferecer. Será que as pessoas não leem? Será que as pessoas não veem como tem aumentado os problemas de obesidade e diabete infantil?!

Irrita-me profundamente esse papo de que a criança vai ficar com vontade de comer. Fica-se com vontade quando conhece aquilo. E enquanto um adulto não apresentar à criança o chocolate, o refrigerante, o iogurte, a criança não sabe o que é, não sente falta. Aí eu fico impressionada com as mães que falam que o filho não come comida. Por que será, né?!

Fico até nervosa só de pensar nesse assunto. Na minha opinião, a escola devia ser mediadora nesse quesito também. Indicar um cardápio não só de frutas, mas um cardápio de lanche saudável para todos. E quando digo saudável, não estou falando de coisas extremamente naturais, mas que sejam restringidas as guloseimas. Essas deveriam ser deixadas pra cada criança comer em sua casa, sob os cuidados de seus pais.

Enfim, vou ter que saber lidar com a situação e admitir que meu filho vai comer essas porcarias antes do que eu esperava. Uma pena. Em casa e os lanches que enviarei, seguirão a minha lógica. E esse será um assunto que levarei para a pediatra na próxima consulta, em breve. Pior que já até sei qual será a opinião da nossa pediatra.

Ao final da reunião, uma das mães comentou que éramos poucas (ao todo 10 mães) e pediu bom senso, lembrando que se sabemos que tem criança que não come iogurte, podíamos evitar enviar para o lanche. Cheguei a me sentir acolhida e compreendida. Talvez meu filho não fosse o único que não come besteirol.

E foi aí que descobri, eu não sou o tipo de mãe “se o seu faz o problema é seu”. O problema é meu, é nosso, é de todo mundo. O meu filho vai conviver com o seu filho. Será que não é possível entrar em comum acordo?!

Tirando um desconforto ou outro, após três horas, a reunião terminou. A previsão é que próxima seja só em março. Amém!

É claro que, como em tudo na vida, sempre tem uma coisinha ou outra que não nos agrada. É impossível agradar todo mundo. Porém, uma coisa é indiscutivelmente, eu sempre gostei do berçário que meu Ben está. Já disse várias vezes que foi amor à primeira vista. Como o marido bem lembrou, uma das várias coisas que nos fez escolher o local, foi o fato da diretora ser chata – no sentido de ser exigente e estar presente com a mão na massa em tudo. Isso é visível e me passa segurança. Mas acho também que em determinados momentos a escola não precisa buscar justificativa pra tudo. Algumas críticas devem ser recebidas como construtivas.

As mudanças atendem tudo o que busco para uma boa educação. Benjamin terá atividades que eu esperava: canto, linguagem, matemática (envolve cores), sociedade, artes, higiene bucal, educação física, roda literária, cinema, coordenação motora e visio-motora, brinquedoteca, culinária, horticultura, natureza.  A partir de janeiro Benzoca vai usar mochila, lancheira e uniforme (que não é obrigatório usar com logo da escola, mas é necessário que seja da mesma cor: azul e branco. Embora, a escola venda o uniforme e com um preço razoável, a diretora até deu dicas de onde comprar. Achei isso muito bacana, pois sei que tem vários lugares que obrigam o uso e colocam um preço exorbitante).

Óóóóóóóbvio que meu presente de Natal pro Ben será a mochila! Eu não via a hora dele ter que usar. Imagina, uma mãe viciada em bolsa como a que ele tem…e vou aproveitar que ele ainda não liga pra essas coisas de personagens de desenho, pra comprar uma mochila bem bonita pra ele.

Ao contrário do que pensei, não estou nem um pouco sentida com essas transformações do desenvolvimento, nem sofrendo porque meu Ben está deixando de ser um bebezinho. Estou até ansiosa por essas mudanças e muito animada. Uma nova fase está aí. Sei que será um marco em nossas vidas. Que seja bem-vindo o ano que se aproxima.

Nota para finalizar: o marido me acompanhou na reunião e me senti muito orgulhosa. Embora, ele tenha aberto a boca uma única vez (e em boa hora), fico satisfeita por ele ser interessado em acompanhar a rotina do nosso filho. E tranquila, por ele ter me feito acreditar que não sou a mãe chata do tipo cri-cri, mas sim exigente, participativa e preocupada com a educação do nosso filho. Chata sim, cri-cri não!

As dúvidas do maternal

Outro dia uma amiga que acabou de ter bebê pediu dicas de como encontrar o berçário ideal. Eu acho mesmo que o berçário ideal seria aquele projetado por nós – mães. Logo, não existe. Já dei dicas do assunto quando falei: sobre berçários, a escolha do berçário, berçário x babás, dicas para a escolha do berçário, logo quando iniciei o blog, período em que tinha acabado a minha missão de encontrar o berçário “ideal” para o Benzoca.

Um ano se passou e percebo o quanto sabemos tão pouco das coisas. Podemos ter uma ideia, mas nunca estamos preparados o suficiente para determinadas situações. Hoje percebo quanta coisa a mais podia ter perguntado no momento em que conheci o berçário e não perguntei. De fato, tem coisas que só aprendemos na prática, no dia-a-dia mesmo.

Então que na semana passada, recebemos um comunicado informando que meu bebê já não é mais tão bebê. Não dizia bem isso, mas era como se fosse. Em janeiro Benjamin vai mudar para a turma do maternalzinho. Eu já sabia disso verbalmente, mas esse era o comunicado oficial. E nós pais estávamos sendo convocados para a reunião que acontece ainda esse mês, quando seríamos informados sobre as novas rotinas da mudança.

Também já estava me preparando para isso, mas sinto que ainda não é o suficiente. Na verdade, de duas semanas pra cá, algumas coisinhas vinham me desagradando. Comecei a montar um questionário de coisas que preciso saber com relação a nova turma. Toda vez que piscava uma luz, eu anotava. Queria a ajuda de mães e pais mais experientes. Minha lista está assim:

Quais são as atividades (extracurriculares) realizadas?
Dessas atividades quais são as atividades ao ar livre?
Como é estimulada a psicomotricidade do bebê?
A escola aplica alguma religião? Se sim, qual? E a professora tem religião? Qual?
Tem horário da soneca?
Existe alguma roda literária (se a professora lê livros para os pequenos)?
Qual a formação/currículo da professora (ok, o óbvio é ela ter estudado pedagogia, mas vai saber, né?!)?
Como é estimulada a criatividade do bebê na idade do Benjamin (hoje ele está com 1 ano e quase 5 meses, em janeiro estará com 1 ano e 7 meses)?
Como é a refeição (a escola fornece? E como se dá esse momento: é numa mesa, a tia que oferece ou eles passam a ser incentivados a comer sozinhos, etc?)?
Preço de mensalidade (já soube que não haverá redução, mas tentar um desconto está valendo, vai…)?
Calendário escolar?
Uniforme?
Como é feita a integração entre os pais e a escola (porque eu não estou satisfeita com a integração nesse momento)?
Quem pega a criança na porta da escola (atualmente é comum a tia da Educação infantil pegar o Benjamin e eu acho isso errado, se o Benjamin é do berçário quem tem que pegar é uma berçarista até para eu poder enfatizar alguma orientação, além da agenda)?
Como a escola age com a criança que se comporta mal (qual é a disciplina)?
Como a escola pode ajudar a família na educação dos filhos?
Como é feita a interação entre os coleguinhas?
Como é feito a avaliação das crianças, ou seja, se tem algum tipo de relatório a ser entregue nas reuniões para os pais sobre o desenvolvimento do filho?

Estou pensando o que mais posso (e devo) questionar….

A chupeta, o berçário, a mãe – senta que lá vem história

Há quase dois meses, iniciei o processo de tirar a chupeta do Benjamin. Eu sempre falei que meu filho jamais usaria chupeta (aquela velha história de quando não se é mãe “comigo vai ser diferente”. Conhece?) e na primeira oportunidade empurrei aquele trambolho boca a dentro.

Benjamin não pegava e eu insistia. Até hoje me pergunto por quê (?). Até que um dia ele pegou. Depois de um tempo comecei achar que ele estava usando demais aquilo e vi que era o sinal vermelho. Em casa já limitávamos o uso só para as sonecas e hora de dormir. Não tinha dúvidas com relação ao uso lá no berçário, pra mim era claro que ele ficava com ela o dia inteiro na boca. Dois sinais me fizeram ter essa conclusão: 1. nas fotos da festinha de seu aniversário no berçário, Benjamin aparece em todas as fotos com a chupeta na boca e apático (eu não reconheci meu filho). 2. Todo santo dia eu entregava ele sem chupeta e todo santo dia ele era devolvido com a chupeta na boca. Eu até falava como quem não quer nada “mas de chupeta, não é hora de dormir”, “ah, de chupeta não dá pro bebê sorrir”…

Conversei com a pediatra na última consulta e expliquei minha angústia. Ela disse que no berçário era óbvio que eles dariam, por motivo também óbvio: chupeta acalma e pra quê o trabalho de acalmar se é só dar a chupeta (?). Ela sugeriu que se eu estivesse segura, podia não enviar a chupeta para o berçário. Ahá! Até parece que eu conseguia sentir segurança. Imaginava o Benjamin a tarde toda chorando, estressado, sem conseguir dormir. Comentei com o marido e dois (ou três) dias depois ele confessa que não estava enviando a chupeta na bolsa. Tacada de ninja mestre! Eu não soube, logo trabalhei sossegada, não fiquei pensando, me martirizando, consequentemente Benjamin passou muito bem os dias (é aquela outra velha história: mãe bem = filho melhor ainda).

Comecei um processo de adaptação que seguiu esse roteiro:

1ª semana – sem chupeta durante o dia

2ª semana – sem chupeta durante o dia e no meio da noite (eu ia lá e tirava depois que ele dormia)

3ª semana – sem chupeta durante o dia e noite

4ª semana – viajamos e aí ele regrediu um pouco demos a chupeta durante a noite

5ª semana – sem chupeta durante o dia e a noite

6ª semana – sem chupeta durante o dia e a noite

7ª semana – opa! Alguma coisa errada. Prestes o meu desafio ser dado por encerrado, Benjamin começou a demonstrar comportamento estranho. Desconfiei que ele estava usando chupeta, não sei qual, mas estava. Até que dia desses fui buscá-lo no berçário e detectei marca de chupeta em sua boca. “Ah, isso é paranoia sua!”. Não é não, minhas caras. Quando a criança usa a chupeta por algum tempo, ela fica com uma marca de baba em volta da boca. Percebam. Na sexta-feira dessa mesma semana começou o meu martírio. Na hora de dormir, Benjamin chorou, sem interrupção, por uns 40 minutos intermináveis. Fiquei desesperada, sem saber o que fazer. Não era fome, não era fralda suja, não era dor, não era aparentemente, nada. Olhei pro marido e falei: é chupeta! Peguei uma que ainda guardávamos e no mesmo minuto que dei, Benjamin dormiu. Imediatamente.

Olha, vou confessar, percorreu uma raiva pelo meu corpo, um sentimento ruim mesmo. Fiquei colocando toda a culpa no berçário. Xinguei até os ancestrais de todas as “tias”. Foi incontrolável. Nosso final de semana inteiro foi horrível. Enquanto não dávamos a chupeta, Benjamin se descabelava no choro. Todo o trabalho de quase dois meses tinha ido pelo cano. Tinha dado tudo por perdido, afinal quanto maior, a criança aprende mais, entende mais das coisas. Ficaria difícil fazê-lo largar. E toda minha angústia do início – porque foi difícil decidir tirar a chupeta dele, foi sofrido pra mim porque eu não sabia se ele sentia falta, ele não me dava sinais, voltaria mais forte, afinal agora ele dava sinais claros do que queria. Olha, fiquei realmente sem chão, mesmo tendo sido alertada que essa regressão podia acontecer.

Quando dei início nessa “operação” recebi muito apoio, como também recebi muitas mensagens das pessoas me dizendo para desencanar, que Benjamin era um bebê ainda, pra deixá-lo usar a chupeta, etc. Eu gostava de receber os dois tipos de mensagens. Estranhamente, sentia-me acolhida. Era como se qualquer decisão que eu tomasse, eu estaria no caminho certo.

Mas eu quis iniciar esse processo o quanto antes. Primeiro porque eu tinha sinais de que Benjamin não se importava com aquele objeto, não era uma coisa que parecia lhe fazer falta, que seria tranquilo tirar agora. Segundo, o principal, porque eu tive problemas muito sérios com relação chupeta x dedo. E sinceramente, não queria ver meu filho sofrer por isso. Eu sei que é um sofrimento psicológico enorme e algumas vezes irreversível.

Bom, depois de um final de semana exaustivo, escrevi uma carta educada e de bom senso (acredito) para o berçário. Expliquei que Benjamin havia tido um comportamento estranho, que eu desconfiava que ele estava usando a chupeta no berçário, que isso poderia provavelmente acontecer, pois ele pode muito bem pegar de um coleguinha e que se isso acontecesse era para tirar dele, até porque não convém usar a chupeta alheia. Afirmei que gostaria de poder contar com a colaboração da instituição nesse processo que estava sendo fácil e que de repente regrediu. Finalizei dizendo: Benjamin pode chorar e espernear, mas não é para oferecer chupeta a ele. A carta foi um pouco maior que isso, mas a mensagem basicamente era essa, inclusive esse final. Mandei o recado na agenda e ao deixá-lo conversei com a berçarista.

Fiquei na expectativa, imaginei que viria uma resposta “brava” e até que não. Eles disseram que desconheciam esse comportamento do Benjamin, ele estava muito bem como sempre foi e que não davam chupeta alheia (assim mesmo grifada em destaque) e que o papel da escola era caminhar sim junto com os pais no desenvolvimento do bebê. Até que gostei do retorno. E gostei mais ainda de ter dado o recado, porque toda vez que não gostava de algo, me sentia melindrada por falar. E isso é errado. Nós pais temos o direito de falar sim se algo não nos agrada.

Nessa mesma semana dei um sumiço na chupeta lá em casa e Benjamin voltou com seu comportamento normal (deve ter levado uma bronca das “tias”, porque ele estava um amor de pessoinha). Na segunda-feira mesmo voltou a dormir sem a chupeta. Assim sem mais nem menos. E já faz mais de uma semana que ele não usa o trambolho.

Li algumas coisas a respeito, pedi conselho a psicólogas amigas, estou até com a indicação de um livro chamado “Ajude-me a crescer” (aliás, alguém aí já leu?). Agora é tentar seguir com o desafio que por enquanto está indo bem novamente. Eu não vejo a hora de completar um mês inteiro ou mais pra correr aqui e registrar: agora de fato, meu filho largou a chupeta!!!

Da série: relação com o berçário x mudanças

Eu adoro o berçário que meu Ben fica. Óbvio né?! Se eu não gostasse já tinha tirado ele de lá. Em novembro vai fazer um ano que Benjamin foi para o berçário. Sempre achei que acertei de primeira. Mas existe sim uma coisa que me incomoda um pouco: a falta de comunicação da escola com os pais dos bebês do berçário. Pelo que sei com os pais das crianças já em educação infantil, tem as reuniões periódicas e tal. Mas com os pais do berçário, que é o meu caso, fica só uma relação superficial.

Eu já disse que uma vez Benjamin foi mordido no berçário e simplesmente veio um recado na agenda. Aquilo me deixou furiosa. O mínimo que eu esperava era alguém me ligar para avisar ou conversar comigo quando eu fosse buscar o Benjamin. Eu não ia fazer escândalo na porta, entendo perfeitamente que essas coisas acontecem, mas gostaria de ser preparada verbalmente e não por um aviso frio na agenda (ou como foi: perceber a mordida sem ler o aviso).

Não sei o que o Benjamin faz no berçário, sério. Digo isso no sentido de que não sei as atividades dele agora, não sei como ele é estimulado, uma vez que ele já anda, imita, dança, canta (do seu jeito), interage incomparavelmente milhões de vezes mais do que quando tinha 5 meses – idade que passou a frequentar o berçário. Não vejo ele fazer nada novo que não tenha aprendido comigo ou com seu pai. Ah, tem uma coisa: inalação (ele faz sozinho e isso não ensinamos)!

Em breve ele vai mudar para o grupo do maternal. Já faz algum tempo que tenho tentado entrar no assunto com a escolinha, dizendo que quero saber quais serão as mudanças, quais são as atividades, etc. A resposta é sempre a mesma: ele vai mudar em janeiro e antes disso os pais serão chamados. Ok. Só que e se eu não ficar satisfeita com os métodos e quiser mudá-lo?! Não terei tempo em dezembro para achar outro lugar já que os melhores lugares têm fila de espera. Se permanecer essa mesma comunicação, por exemplo, não estou satisfeita.

A última foi que semana passada, ao deixar Benjamin no berçário, a tia que veio busca-lo deixou escapar que a berçarista (que eu desconfio ser a preferida do meu Ben, embora eu vejo que ele gosta de todas) desceu para educação infantil. Não foi como uma faca, porque eu seria dramática ao definir assim, mas senti uma apunhalada. Achei que eu, como mãe, poderia ter sido avisada, sei lá por um comunicado na agenda que fosse, qualquer coisa.

Acho que falta inserir mais os pais nas decisões, não para nós decidirmos como queremos que seja, mas no sentido de deixar os pais informados, preparados e estreitar mais a relação pais x escola. Acho que não tem espaço para os pais nas mudanças da escola, é tudo definido por eles e do jeito deles, do tipo “a escola é minha eu que decido”. Ok. Mas eu confio nesse lugar o meu bem mais preciso, pago (e não é barato) e gostaria de estar bem informada a tudo o que acontece que tenha ligação direta com o meu filho. É pedir muito?

Desde o início é a mesma tia que pega(va) o Ben na porta, quando ele a via abria um sorrisão, estendia os braços pra ela, nem queria mais saber de mim, quando outra pegava ele chorava. Eu nunca senti ciúmes, muito pelo contrário, ficava feliz e tranquila porque era nítido que ambos se gostavam muito.

E já faz algum tempo que outra tia o pega e no início percebi que ele não ficava tão confortável, sempre me diziam que a outra tia (a que mudou) estava descendo para pegá-lo. Na semana passada, dos 5 dias, o marido o deixou uma vez e eu quatro vezes. Dessas quatro vezes, três ele chorou. Na sexta, quando soube da mudança, ele estava todo sorridente e quando o entreguei chorou um monte.

Confesso, também senti vontade de chorar. Não por esse motivo, mas por pensar que ao longo da vida, várias pessoas vão entrar e sair na vida do meu Ben. E isso vai ser só mais uma das coisas que ele vai ter que aprender a lidar. E a mãe aqui também. Afinal, não dá para criarmos nossos filhos numa bolha….

Morde e assopra, quer dizer morde e passa pomada

Meu Ben hoje levou uma “leve” mordida de um coleguinha da escola. Tão leve que a marca está lá visível na mãozinha dele.

Eu sei “acontece” e vai acontecer muitas outras vezes. Mas é complicado…primeiro que veio recado na agenda dizendo que ele tinha recebido uma leve mordida e que passaram pomada. O mínimo que podiam ter feito era ter me avisado pessoalmente ou por telefone. Eu tenho interesse em saber em que tipo de situação meu filho foi mordido: a) ele agrediu e recebeu o troco; b) foi uma agressão gratuita; c) a intenção era dar um beijinho, enfim…

Segundo, será que na agenda do pequeno agressor foi o recado para os pais “seu filho mordeu de leve um coleguinha”?! Porque na minha opinião, esse é o tipo de coisa que tem que ser falado para os pais. Está certo, eles tinham que me avisar sobre a mordida, mas é algo tão perceptível que se não avisassem eu saberia. Mas e os pais do agressor mirim vão saber como?!

Não me agradou ver a marca de mordida no meu filho (vi antes de ver o recado na agenda), bem como receber o recado de que meu filho foi mordido. Assim como não me agradaria saber que ele mordeu, mas é algo importante a ser informado. Aqui em casa, por exemplo, não brincamos de morder mordidelas com Benjamin. Bebê acha graça e aprende por repetição, ou seja, aprende a morder os outros achando que isso é uma brincadeira, não tem noção.

Sei lá, primeira vez que isso acontece, não é fácil ser mãe de primeira viagem. Estou até agora tentando assimilar a situação…

#desabafo

Entre, sente-se, pode ajudar sem pedir licença

Eu tenho dificuldades em pedir ajuda. Orgulho? Pode ser. Mas penso o seguinte: quem quer ajudar vai lá e faz, não fica só oferecendo ajuda. Por exemplo: se eu não quero lavar a louça na casa de alguém, não pergunto “quer que eu lave?”, nem me manifesto. Agora se eu quero lavar, levanto a bunda da cadeira e começo. Dá pra entender a diferença?!

(vale esclarecer que estou falando de pessoas íntimas, às quais EU acho que não precisaria ter que pedir certas ajudas e sim poder contar com elas espontaneamente)

Quando o filho está pra nascer todo mundo fala que vai ajudar, que se precisar fica com ele enquanto você trabalha, que tudo o que precisar é só falar, blá, blá, blá…quer dizer, você e todo mundo ao redor sabe que vai precisar de ajuda e mesmo assim você precisa falar?! Aí ao menor desentendimento, se prepare… É tipo a lei do retorno.

Por isso, na minha opinião, volto a dizer: quem está disposto a ajudar vai e faz. E não fica esperando nada em troca. Aliás, eu odeio a sensação de estar em dívida com alguém. Odeio ter que fazer algo pra alguém porque “fizeram por mim”. Sério, gente, eu sou assim. Alguém aí espantado? Calma, também não sou nenhuma mal agradecida, sei reconhecer e principalmente retribuir – mas sem que isso seja uma obrigação.

Na época em que Benjamin nasceu recebi a ajuda efetiva da minha mãe. Respirava e lá estava ela. E sou eternamente agradecida por todos os dias (literalmente) da minha licença em que minha mãe atravessou a cidade (de ônibus e metrô) para cuidar de nós (sim, ela cuidou de mim e do neto). Até tinha um projeto dela ficar com o Ben quando eu voltasse da licença maternidade, mas mudamos tudo no decorrer da licença. Por mais que a mãe da mãe tenha boa vontade, uma hora vem o retorno do esforço, o que é absolutamente normal, afinal, é muito cansativo cuidar de um bebê diariamente, principalmente tendo que atravessar a cidade duas vezes por dia.

Eu e o marido, após muito sofrimento (e terapia) da minha parte e muitas conversas com outras mães, decidimos colocar o Ben no berçário quando eu voltasse a trabalhar. Alguns podem me julgar, mas essa foi a decisão mais certa que tomei até agora com relação aos cuidados do meu filho. Benjamin foi para o berçário aos 5 meses. Não tenho culpa nenhuma com relação a isso, muito pelo contrário, até me orgulho. Sério. Sinto orgulho ao preparar sua bolsa, escrever na agenda, ao levá-lo todos os dias, ao chegar para buscá-lo e ouvir o segurança avisando pelo rádio “mãe do Benjamin”, orgulho em poder pagar um bom berçário para o meu filho, orgulho da sensação de “posso dar conta”. Vale ressaltar que não é um orgulho presunçoso de me achar melhor que outras mães. Ok?! Mas orgulho por ter superado os meus limites, por ter amadurecido.

(Como não quero participar de mais nenhuma polêmica essa semana, quero deixar claro que não julgo ninguém que precisa da ajuda, principalmente das avós – que é inclusive a melhor ajuda que nós mães poderíamos receber. Esse é só o meu relato).

Eu e o marido contamos com a ajuda um do outro. Temos todo o mérito sobre a rotina da nossa nova vida – materna e inclusive doméstica. Aliás, devo levantar as mãos para o céu e agradecer, pois meu marido faz a parte dele (e não apenas contribui). E é claro, eventualmente contamos com a colaboração das sogras. Mas tudo está em seu devido lugar. Elas desempenham seu papel de avós e nós os de pais.

Ps (mas também vou adorar se uma delas aparecer lá em casa pra dar uma organizada de surpresa – leia-se: sem eu ter que pedir)

Berçários, os pais querem participação!

Outra semana meu filho veio, por dois dias seguidos, com chupeta alheia na boca. Não tinha sido a primeira vez, não gostei e conversei com a diretora da escola. Eu mandei um e-mail. Preocupada, li e reli o texto antes de mandar, pois não era o meu intuito só dar um “puxão de orelha” mas também ajudar a encontrar uma estratégia para evitar o ocorrido. Eu sei que passei dias me torturando achando que a escola não tinha gostado dos meus comentários. Mas após várias reflexões, conversas e leituras sobre o assunto, a minha convicção sobre a relação de pais e berçário/escola só fortaleceu. Desencanei (um pouco) sobre o que a escola tinha pensado, se tinha gostado ou não. Falaram-me, que existem mães que reclamam por muito menos. E as que nunca reclamam!

Veja bem, atualmente, resignamos nossos filhos à escola não porque simplesmente estamos renunciando, mas porque precisamos trabalhar para proporcionarmos uma oportunidade de vida melhor para eles. Mas não podemos abdicar do nosso papel de pais e principalmente, educadores. Porém, precisamos de ajuda da instituição: escola.

Cada vez mais a relação entre pais e escola deve ser de parceria. Os pais não devem julgar que a escola não esteja fazendo o melhor, assim como a escola não deve achar que os pais ao fazerem alguma observação estão contra a escola.

O mundo está modificado, as famílias formam outros modelos, são várias transformações que exigem também de pais e escola uma relação de participação mais efetiva. Acho que os pais não querem só reclamar ou destacar observações, querem e sentem necessidade de participar. Pelo menos é o meu caso.

Por exemplo, quando destaquei a importância de não deixar o meu filho com a chupeta alheia, estava pensando não só no bem estar dele mas no bem estar comum, de todos os outros bebês. Além de chupeta ser o objeto pessoal e de higiene, é um transmissor de bactérias (não era a toa que Benjamin estava com sapinho!). Fiz minha observação para o berçário, incluindo sugestões de como evitar esse tipo de coisa.

Refleti muito sobre os critérios que utilizei para a escolha do berçário. Lembrei de como me senti insegura quando comecei a busca. É difícil quando não se tem experiência nenhuma. Hoje eu incluiria um questionamento básico a escola: como a instituição recebe as críticas e sugestões dos pais, o que é feito para uma participação e interação entre pais e escola?

É só isso que os pais atuais querem: fazer parte! Eu gosto do berçário que meu filho está, confio nas pessoas que lá estão e sei que ele é muito bem cuidado, sei que falhas podem acontecer, pois todo mundo está sujeito a elas. E acho que cabe aos pais o papel de alertar a escola e vice-versa. Pais e escolas devem trabalhar juntos na construção da educação, na construção de valores, na geração de bem-estar físico e psicológico dos pequenos. Não deve ser uma relação de cobrança, atritos e sim de parceria! Ninguém está contra ninguém. Até porque se estiver, você avalia e muda o filho de escola. Ambos devem caminhar juntos. Sou chata sim e posso até ser considerada exigente, mas não vejo mal em desejar participar.

Dicas para escolha de um berçário

Como disse aqui e aqui, berçário tem seu lado positivo. Geralmente, é um lugar bem estruturado, com rotina e disciplina, incluem atividades físicas, brincadeiras, propõe interação, estimula a criatividade, sociabilidade e desenvolvimento do bebê. Sem dúvida, minha primeira escolha era Benjamin ter ficado sob cuidados da minha mãe, mas nem tudo pode ser do jeito que desejamos. Embora ainda sinta uma certa angústia e uma saudade imensa do meu Ben, estou gostando da forma como estou encarando a experiência, acho que amadureci muito.

Não sou PHD no assunto, mas para finalizar a saga sobre berçários vou deixar aqui algumas dicas sobre o que ficar atento na escolha de um berçário.

• O local deve ser completamente limpo e sem essa história que o chão está sujo porque é hora da comida. Tem que estar limpo o tempo todo;

 • Iluminação: o lugar deve ter claridade natural da luz do dia;

• Ficar atento: a banheira, dormitórios, berços, roupa de cama;

• É importante cada bebê ter o seu armário/gaveta para guardar as coisas pessoais; 

•  Se tiver um lugar apenas para a preparação das mamadeiras, ótimo! Com prateleiras para dispor as latas de leite e utensílios;

 • Muitos brinquedos em bom estado e apropriados para cada idade;

 • O chão onde as crianças vão brincar deve ter um piso emborrachado;

 • Ter agenda é fundamental para acompanhar o dia do bebê: a refeição, mamadas, se tomou banhou, se fez coco, medicação (quando for o caso). A agenda é o meio de comunicação entre os pais e a escola, nela poderão vir boletos e avisos complementares;

 • Cardápio: a escola deve oferecer um cardápio com a refeição do mês inteiro;

 • Alimentação: algumas escolas fornecem (incluso) no orçamento, outras fora, e em outras é preciso levar de casa. Tem que ver a melhor opção em custo e benefício e que atenda as necessidades do bebê;

 • Calendário: a escola tem que fornecer um calendário anual com a programação completa, exemplo: datas em que a escola ficará fechada, festas comemorativas, etc. Afinal, os pais também precisam se programar;

 • Procure saber se a escola comemora o aniversário das crianças. Nos dias atuais fica quase impossível fazer festa e convidar todos os amiguinhos do seu filho. Então é legal a escola proporcionar esse momento. Verifique como você pode ajudar na organização, o que preparar, enviar, etc.;

 • Visite o mesmo berçário/escolinha em horários diferentes (e prefira ir sem agendar). Se reclamarem: 1. você explica que precisa estar completamente segura do lugar que vai confiar seu filho. 2. não volte mais no lugar, porque se reclamarem não é lugar para colocar seu filho;

 •  Se o berçário tiver referências de amigos ou conhecidos, ótimo! Caso não tenha, pesquise;

 • Pense na localização. Perto de casa ou perto do trabalho? Levei em consideração o horário de fechamento dos berçários. A maioria funciona até as 19h00. Nem em sonho eu consigo chegar a casa esse horário. Optei por um perto do trabalho até para o caso de precisar correr até lá;

 • Pergunte quantas “tias” trabalham no berçário. Geralmente são três bebês para uma berçarista;

 • Procure saber quantos bebês são por turma. Quanto menor o grupo, melhor: maior o cuidado e a atenção com cada bebê;

 • Analise seu orçamento. Berçário é o preço de um MBA! Alguns já são até bilíngue;

•  Câmera!!! É legal você acompanhar seu filho enquanto ele está na escolinha e você no trabalho? Legal. Mas vai fazer isso em tempo integral? E se vê-lo chorar vai correr até o local ou ligar de meia em meia hora? Você pode ver uma cena e interpretar errado: ele pode estar lá de boa, sozinho, meditando, alheio a tudo em sua volta e você achar que ele está triste, depressivo, que não tem amigos, rejeitado pelas tias ou que não é aceito na sociedade infantil. Eu adoraria acompanhar por câmera, mas faria parte do grupo de mães neuróticas e que não podem ser contrariadas. Não, definitivamente, eu não poderia ter acesso ao meu filho no berçário através de uma câmera.