Meus avós

Considero-me uma pessoa de poucas lembranças de infância. Mas as que tenho são suficientes para saber que tive uma infância feliz e avós maravilhosos.

Minha memória é também mais olfativa do que outra coisa.

Lembro do sabor da água do filtro de barro da casa dos meus avós. Só existe em um lugar o mesmo sabor, na casa da tia Rosana, uma das filhas dos meus avós Biga e Roque.

Nunca fui fã de macarrão. Mas não esqueço das macarronadas famosas de Dona Biga. Os almoços de domingo com toda família reunida. E do meu avô trazendo sorvete Tablito para os netos antes do almoço e minha avó esbravejando “Roqueee, vai dar sorvete para as crianças!”.

Na casa deles tinham dois modelos de copos de plástico inesquecíveis. Um era o amarelo e o outro era o azul – o meu preferido. Se eu fecho os olhos, volto no tempo por um segundo e consigo sentir as borbulhas da coca-cola espirrando no meu nariz. Essa sensação, aquele cheirinho e gosto do refrigerante mais amado no mundo, o copo azul é um conjunto das lembranças mais fortes que tenho da casa dos meus avós paternos.

Eu poderia ainda falar da personalidade de cada um. Mas cada vez mais minha lembrança fica curta. Meu avô Roque era uma pessoa sábia, adorava ler, tinha um escritório cheio de livros, cujo cheiro também tenho lembrança. Vivia falando da importância de ler. E guardo dele dois presentes muito especiais, meus pequenos tesouros. Um atlas antigo com dedicatória dele e sua assinatura – que muitos acham a minha parecida com a dele (mas juro que não o plagiei). O outro é um recorte de jornal de uma matéria sobre meu avô materno, o Caxambu, que meu avô Roque teve a delicadeza de me dar também com dedicatória. Esse virou um quadro que estampa uma parede da minha sala.

Ah, não posso esquecer do pingente de moeda de 5 cruzeiros. Eles mandaram fazer para cada neta. Tenho a minha até hoje e durante minha gravidez foi meio que meu amuleto da sorte, não tirava.

Meu avô Caxambu, que nos meus 15 anos me deu um anel maravilhoso. Era enorme e eu só deixava guardado. Até que depois de seu falecimento, resolvi mandar diminuir e usar. Meu avô materno sempre fazia uma festa de aniversário muito elegante. Todo ano eu ficava ansiosa para comer a melhor bolinha de queijo do mundo. Igual aquelas, nunca mais comi. Meu avô Caxambu, ex-goleiro do São Paulo Futebol Clube e da Portuguesa, era todo garboso, fino, galanteadooooor!

Quando ele faleceu, lembro de estar no velório e ao me virar vejo dois velhinhos lindos descendo do táxi. Meus avós Roque e Biga…

Minha avó Biga hoje vive numa casa de repouso. Ela tem Alzheimer. Já está avançado e no ano passado ela ficou internada, teve problemas respiratórios, enfim…fomos visitá-las no domingo passado e senti uma tristeza imensa. Benjamin, que já entende mais as coisas ao redor, ficou impressionado. Não tirei fotos. Não quis registro. Quero guardar a lembrança de quando levei Benjamin para conhecê-la.

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Essa foto já tem quase dois anos. Quando minha avó viu Benjamin, eu a vi lúcida e feliz. Ele começou a choramingar e ela disse “o que esse menino está chorando? me dá ele aqui”. Era a Biga que eu conhecia. Foi a coisa mais incrível. Benjamin foi no colo dela, parou de chorar e ela sorria balançando a perna como que ninando seu bisneto.

Pausa.

Acho que vou terminar por aqui.

Avós. Seres especiais. Eles realmente adoçam a nossa vida.

E eu daria tudo pra viver só mais um domingo da minha infância com eles….

Um abraço em todos os avós.

Laços de Família

Produzi a matéria “Mãe com açúcar”, que está na edição de julho da revista Pais & Filhos. Nela, abordo os novos relacionamentos das avós com seus netos. Mostro como as avós mudaram ao longo do tempo. Todas são muito antenadas, realizam atividades diversas, tem vida social ativa, ajudam seus filhos na medida do possível e, mesmo com tantas mudanças, ainda mantém o posto de avó – um dos principais personagens na vida das crianças.

Adorei fazer a matéria porque toda a informação que colhi veio de encontro com o que acredito e fomentou ainda mais minhas crenças. Uma das coisas que tenho refletido muito é a importância da continuidade dos laços, a construção do vínculo, isso tudo falando de avós e netos. Pergunto-me: quem cria esses laços, quem forma tal apego?

A minha crença é de que os pais tem papel fundamental nessa construção. São os pais que devem fazer ponte entre netos e avós. Falo isso por experiência própria: minha mãe e meu pai são separados desde sempre. Ele morando no Rio de Janeiro desde que me conheço por gente. Ela, assim como meus avós, aqui em São Paulo. Lembro-me dela dando, o que na época eu julgava ser sermão, sobre a importância de visitar meus avós. Ela me levava até a casa deles, de ônibus até o outro lada da cidade – ela sempre morou numa ponta e eles em outra. Ela nos incentiva ir às festas de família, participar, estar junto.

E quando meu pai vinha para SP, ela nos mandava para dormir na casa dos nossos avós. Eu nunca queria, chorava, implorava, mas não adiantava. Hoje sinto o quanto eu podia ter aproveitado mais. Não soube. É tarde para mim, mas não para o Benjamin.

Sempre crio situações para minha mãe e Benjamin estarem juntos. E mesmo que eu não criasse. Minha mãe é super presente. Liga e vai em casa constantemente. Esse ano viajamos pouco para o Rio de Janeiro, mas ano passado fizemos vários bate-e-volta. E mesmo sem ver com tanta frequência o avô e os tios cariocas, Benjamin sabe que eles existem, os reconhecem e tem uma relação bacana quando os vê. Não fica tímido, por exemplo. É como se ele os visse sempre.

Li no livro “A obra de Salvador Celia – empatia, utopia e saúde mental das crianças”, que o vínculo é formação de “anticorpos” que protegem o indivíduo nos momentos difíceis da vida. Esse apego, esses laços de família, quando bem estruturados, são base para uma vida toda.

E as avós, como digo na matéria mencionada no início desse post, são nada mais que o resgate da família. São elas que depositam e tem o poder de transmitir toda nossa história, que contribuem  para a memória da família, o encontro das gerações. São elas que estarão sempre prontas para confortar nossos pequenos, contando histórias de quando nós éramos pequenos. Imagino que o amor que elas sentem por nós, os filhos, é em dobro para os netos.

Então, quebre barreiras, engula sapos, tente compreender seus pais, incentive seu marido criar essa ponte entre seus filhos e seus sogros. Ajude na formação desses “anticorpos”. Crie laços de família. Lembre-se, que todos querem só o bem dos pequenos. Quem tem a ganhar sãos nossos filhos.

*

Leia minha matéria na Pais & Filhos_julho 2013.

#semanaespecialdosavós

Entrevista especial com uma avó adorável

Ela tem nove netos e ressalta no início da conversa: tem uma cadeira de balanço, adora fazer crochê, tricô e bordar, mas não assumiu a imagem da famosa Dona Benta.

Começa o dia fazendo aula de balé clássico (todos os dias!!!), antes de ir para o computador escrever ou responder perguntas de jornalistas. Depois ela vai trabalhar em seu consultório onde atende até às 19:00 e só depois ela vai para cozinha fazer o jantar e se preparar para o programa da noite (que pode ser um concerto, um futebol ou um jantar entre amigos). Com todos esses afazeres, afirma: não é diferente de muitas outras avós que conhece.

Estou falando da psicanalista Lidia Aratangy Rosenberg, autora do Livro dos Avós – Na casa dos avós é sempre domingo?. Conversamos só por e-mail, mas a empatia foi grande. Lidia é daquelas pessoas que você tem vontade de conhecer e ficar horas proseando (e aprendendo!) com ela.

Lidia, por Ucha Aratangy

Lidia, por Ucha Aratangy

É com prazer enorme que compartilho com os leitores do Bossa Mãe, um trecho do nosso bate papo, onde ela dá uma lição sobre o relacionamento com os avós.

BM: Sempre que se fala em avó é comum surgir a ideia de uma senhora sentada fazendo tricô ou a lembrança dos almoços de domingo. Por que, mesmo com tantas mudanças, novos modelos de relacionamento, as avós continuam carregando imagem dos fazeres do passado?

LA: As avós não carregam esses estigmas, ainda que lhe sejam impostos. Elas estão bem diferentes disso e não se submetem a esses modelos. Mas parece que a publicidade, tão afoita em usar os mais recentes recursos da tecnologia em suas produções, é conservadora em seus modelos. Dê uma olhada nos comerciais do Dia das Mães: muitas mães ainda estão de avental e os produtos anunciados são (quase) todos do lar (eletrodomésticos, roupas de cama, mesa e banho e por aí vai). No Dia dos Pais, os anúncios são de carros, roupas esportivas… Nunca vi um anúncio de carros para as mães, nem de fogões para os pais, embora haja tanta (ou mais?) mulheres quanto homens pilotando carros, e muitos homens pilotando fogões.

A imagem da avó ainda é a da Dona Benta, criada por Lobato na década de 40: “…uma velhinha de mais de sessenta anos, com óculos de ouro na ponta do nariz e cestinha de costura ao colo” . O grifo é meu, porque acho que ele queria dizer que havia muito mais velhinhas de menos de sessenta anos! Hoje é mais provável encontrar avós nas academias de ginástica do que de cestinha de costura ao colo. Mas é mais fácil recorrer à imagem conhecida, sem avós imprevisíveis como as de carne e osso…

BM: Dizem que avós deseducam os netos e, em sua obra “Livro dos Avós – na casa dos avós é sempre domingo?”, vocês falam que na casa dos avós é um espaço de limites menos rígidos ou até diferentes do dos pais. Gostaria que me falasse um pouco sobre isso.

LA: Ter limites diferentes não significa ausência de limites. E os limites dos avós costumam ser menos rígidos do que os dos pais porque as avós já não estão preocupadas em demonstrar teorias pedagógicas, nem precisam provar que elas é que estão certas, e não as suas mães (como elas mesmas fizeram quando eram mães…). Essa ausência de preocupação ou de aderência a modelos permite um comportamento mais flexível.

Para as crianças, não há a menor dificuldade em saber que ambientes diferentes pedem comportamentos diferentes (ela já sabe que as regras da escola são diferentes das regras de casa, e que na casa do colega há regras diferentes das da casa dela). Essa é uma informação importantíssima para a vida da criança, que não vai se comportar da mesma maneira no estádio de futebol e na sala de concerto.

BM: Os pais muitas vezes esperam que os avós ajudem na formação da educação das crianças. Como diminuir essa expectativa dos pais?

LA: O problema não é a expectativa de parceria na educação – o que é, além de justo, inevitável -, mas a ideia de que essa ajuda deve ser da maneira como os pais querem que seja. Ora, a avó não é uma baby-sitter de luxo, ela tem um vínculo direto com seus netos, e tem o direito de educá-los também com o que ela acredita. O fato é que os valores dos pais e avós geralmente são os mesmos, o que difere é a maneira como cada um expressa e transmite esses valores – o que não tem muita importância, se pais e avós não estiverem tirando um braço-de-ferro para provar quem tem razão.

BM: E como os avós podem contribuir com a educação dos netos?

LA: Colocando com clareza seus pontos de vista e até mostrando as mudanças que ocorreram na educação, do tempo em que ela foi mãe até o presente, quando ela assiste a (sem crase!) a mãe que sua filha se tornou. A noção de que as coisas mudam com a passagem do tempo e de que as diferenças podem ser respeitadas são fundamentais para a educação. E é importante que as mmãees saibam que a maneira como elas lidam com suas mães, as avós de seus filhos, está ensinado um modelo de como lidar com as mães idosas, que eles repetirão mais tarde com suas mães. Ou seja: mães que caçoam das avós, que desrespeitam as avós de seus filhos estão cuspindo pra cima…

Acrescento que os avós são depositários da história da família e os únicos a poder transmitir esse relato em primeira mão.

BM: Qual a importância, a representatividade dos netos para os avós?

LA: Para os avós, os netos representam uma lufada de ar fresco, de alento e esperança num momento em que eles estão percebendo que sua importãncia diminui a cada dia. É claro que isso é sinal de que a vida deu certo, de que os filhos cresceram e são independentes, de que profissionalmente sua missão está cumprida – mas há um vazio e uma ansiedade sobre o que está por vir. A chegada dos netos lhes devolve uma autoimagem positiva, uma sensação de voltar a ser valorizado e importante.

Te conto um episódio.

O Théo (um dos netos, atualmente com 18 anos) tinha 4 anos numa noite em que, por circunstâncias que não vêm ao caso, dormimos eu e ele no mesmo quarto, numa casa em que pernoitávamos pela primeira vez. No meio da noite , ele me chama: Vovó, me dá a mão! Aqui está muito escuro! Eu, fazendo graça: E se eu te der a mão vai acender a luz? Ele, direto: Não vai acender a luz, mas fica mais claro quando você me dá a mão…

*

Linda, né?

Lidia Aratangy estará dia 26, ao vivo, no programa Encontro com a Fátima Bernardes, num especial sobre avós. Não percam!

#semanadosavós

Todo o meu amor para a avó do Benjamin

Hoje é aniversário da pessoa mais importante na minha vida, que sem ela nada seria possível.

Ela é a mulher mais guerreira que conheci na vida. Mulher de fé, fibra. Forte.

Ela sempre aceitou, obediente, todas as mudanças em sua vida.

Criou duas filhas sozinhas.

Acumulou duas funções. A de mãe e a de pai.

Sempre teve dois empregos.

Mas nunca foi possível sentir sua ausência. Porque ela era SEMPRE presente.

Graças a ela eu cresci e me tornei a pessoa que sou hoje. Meu segundo nome poderia ser “Caráter”. Algo que ela nos transmitiu como ninguém.

E aí me tornei mãe. A melhor que meu filho poderia ter. E com certeza  sou a melhor porque aprendi com a melhor mãe que tive.

Também passei a admirá-la ainda mais. E compreender tudo o que ela fazia (e ainda faz) por nós.

Sei que ela já abdicou de muita coisa por nossa causa.

Ela sempre me contou a história de que antes de vir ao mundo nós escolhemos os pais que queremos.

Não tenho dúvida de que ela foi a melhor escolha que fiz.

Hoje ela é a melhor mãe e avó que poderíamos ter.

Ela é minha mãe. Avó do Benjamin. Um ser humano admirável.

É pra ela esse singelo post de hoje. É pra ela todo o meu amor. Toda minha gratidão.

Amo mais que o sol.

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Na casa dos avós é sempre domingo?

No próximo dia 26, comemora-se o dia dos avós. Por isso, essa será uma semana especial aqui no Bossa Mãe.

Para começar, quero dar uma dica de presente para essa data: O livro dos avós – na casa dos avós é sempre domingo?

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Nesse livro, a psicanalista Lidia Rosenberg e o pediatra Leonardo Posternak, abordam a trajetória dos avós e as relações entre eles, seus filhos e netos. O livro surgiu após um questionamento de um amigo: “Onde a gente aprende ser avô?”. Existem inúmeros manuais que trazem dicas de como lidar com os filhos, nenhum era destinado aos avós. Esse surgiu pela necessidade que os autores encontraram em orientar os avós nos primeiros passos de relacionamento com seus netos.

Segundo os autores, vivemos no “século dos avós”. Com o aumento de expectativa de vida, muitos avós conhecem seus netos bebês e os acompanham até a vida adulta. Pesquisas comprovaram que as pessoas se tornam avós mais cedo, em média entre os 50 e 60 anos, o que as permitem curtir esse papel por mais tempo.

A obra destaca a experiência de se tornar avós, a importância do vínculo, o papel dos avós na vida dos netos, a nova responsabilidade que eles assumem ao se tornarem avós. Engana-se quem acha que avós não tem responsabilidades sobre os netos. A relação vai além….estende-se aos filhos.

Avós agora são pais de filhos adultos e deve dar espaço para os filhos errarem e aprenderem com seus erros. Além disso, não podem esquecer que mesmo adultos (e pais), os filhos precisam de apoio, carinho, reconhecimento, ajuda. E tudo isso em dose certa, é preciso tomar cuidado para não parecer invasivo. O fato é que quando a primeira criança chega na família, todos estão aprendendo novos papéis.

O livro traz um pequeno manual de autopreservação dos avós – dicas que façam respeitar seus direitos. Ao final traz um capítulo que eu até achei triste, mas muito válido, “O direito de sair de cena”,  fala sobre quando os avós não estiverem mais por perto. E tem um capítulo inteiro com a palavra do pediatra, com dicas incríveis onde o Dr. Posternak afirma que avós precisam estar munidas com informações confiáveis e atualizadas – isso contribui para que as avós não ganhem fama de intrometidas.

Gostei muito do livro e indico a leitura não só para avós, mas para os pais também. Acho que ele nos ajuda a compreender muitas atitudes dos nossos pais – avós dos nossos pequenos. Auxilia-nos no sentido de como devemos nos comportar com eles, depois que aprendemos um pouco da função deles como avós em nossas vidas.

Livro dos Avós – Na casa dos avós é sempre domingo?
Primavera Editorial
A partir de R$37,00

2 anos – As transformações da maternidade

Hoje eu poderia escrever um post em comemoração ao dia dos namorados. Mas vou me ausentar nos próximos dias para organizar a festa do meu pequeno Benjamin – que completa dois anos no próximo domingo (16/06). Então, resolvi falar do furacão maternidade. Mas neste post, é possível identificar uma declaração. Vale dizer que toda essa transformação só foi possível porque o Marido faz parte disso. Feliz dia dos Namorados!

*

Há dois anos eu não tinha a noção exata do quanto minha vida mudaria com a chegada do meu Ben. A gente sabe que a vida vai mudar, mas não tem dimensão da transformação que é a chegada de um filho. E ninguém, nem cursos, livros indicam essas mudanças. As pessoas alertam “se prepare, você nunca mais vai dormir direito”. Posso falar?! Grande coisa!

Eu nunca mais dormi direito, mas também nunca mais fui ao banheiro sem ser interrompida, nunca mais comi sem interferências, nunca mais fiquei no computador sem intervenção, nunca mais assisti a um capítulo de novela inteiro! A gente não consegue mais ir ao shopping fazer umas comprinhas, unhas e cabelos ficam enfadonhos, salão de beleza torna-se um sonho de consumo. Ler um livro torna-se missão impossível. Mas ainda sim, tudo isso, são apenas detalhes.

A mudança verdadeira acontece dentro de nós. Nasce em nós a capacidade de se doar ao outro. Aprendemos o significado verdadeiro da palavra abdicação. Nunca mais nos concentramos no trabalho se o filho estiver doente. Largamos tudo o que estivermos fazendo para ir buscá-lo na escolinha. O aparelho de celular – que antes era o seu xodó – é jogado no chão ao menor risco que você percebe ao ver seu filho escalar o sofá em direção à janela. Encontrar uma página rabiscada no seu livro preferido, te faz abrir um sorriso de orelha a orelha. Sua bolsa vive pesada e quando você resolve organizá-la encontra brinquedos, meias e as coisas da sua carteira todas espalhadas. A sua casa, antes perfeitamente organizada, vira um playground com brinquedos espalhados por todos os cantos.

Você nunca mais recebe uma notícia de acidente, tragédia ou doença envolvendo crianças, sem pensar que poderia ser seu filho, sem pensar na dor daquela mãe. E quando percebe, você está chorando com imensa vontade de abraçar seu filho (e a mãe do outro filho). Você se vê envolvida em algumas batalhas. Percebe que algumas não valem a pena serem guerreadas e que outras até valem. Se questiona o tempo inteiro dos princípios que até hoje você tinha convicção: tudo vale para meninas e meninos?!

Alguém diz que sua relação com seu marido vai mudar. Mas referem-se apenas à relação sexual. Ninguém diz que você vai passar admirá-lo ainda mais ao ouví-lo conversar com o filho de vocês, ao vê-lo ensinar algo, trocar fralda, dar banho, brincar, cantar e dançar juntos.

Você é capaz de dar a sua vida por outra pessoa. Mas também é capaz de fazer qualquer coisa para ganhar mais anos ao lado dela. Você aprende a dar valor às pequenas coisas, a admirar um belo pôr-do-sol, a ter fé no ser humano. Você deseja e passa a contribuir para um mundo melhor!

E mesmo com o cansaço do dia-a-dia, as preocupações, os medos, a insegurança e a incerteza de não saber se está no caminho certo, você anda com a única certeza que você passou a ter na vida: de que tudo o que você fizer por ele, vale a pena!

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Registre sua barriga!

Fotografe! Diariamente, semanalmente, mensalmente! Fotografe sua barriga!

Eu tirei várias fotos de quando estava grávida, mas me arrependo muito de não ter feito o registro no mesmo dia de cada mês, em determinado local da casa. Sabe, escolher uma parede, uma posição e todo mês fotografar?!

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Acho lindo aqueles vídeos de grávidas com a passagem do tempo e o crescimento da barriga.

O meu registro pula o início da gravidez. Acho que porque eu passava tão mal, acabava sem entusiasmo. Na verdade nem me ocorreu fazer esse registro.

Pode parecer que não tem diferença de um mês para o outro, mas depois que você olha as fotos percebe as diferenças.

Mas fiz algumas fotos em casa. Quando estava com 5/6 meses, minha grande amiga e fotógrafa Bruna fez um ensaio nosso no parque…

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E em casa…

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Aos 8 meses resolvi investir e fiz num estúdio da Fran Matos. Lembro que estava morrendo de vergonha, mas a Fran nos deixou super à vontades e o resultado foi bem bacana.

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Dizem que depois sentimos saudades da barriga. Trabalhei até o último dia da minha gestação. As pessoas não acreditavam no tamanho da minha barriga. Eu já andava quase parando, andava feito pata, como dizem. Sentia o peso, mas adorava desfilar com aquele barrigão.

Essas fotos são das últimas semanas:

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Sim, às vezes sinto saudades da barriga…

Portanto, se tem um conselho que me permito dar é: não economize nas fotos! Caseiras ou profissionais, faça bastante fotos da sua barriga. Porque essa é a lembrança que fica até a próxima gestação…rs

Minha primeira festa de Dia das Mães

Sexta-feira peguei o Benjamin na escolinha e lá vem ele segurando a flor de papel mais linda do mundo (pintada por ele!). Veio falando “oia, mamãe” e não queria me entregar de jeito nenhum. Ele queria pra ele.

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Sábado tive minha primeira festinha de Dia das Mães na escolinha do Ben. Pra quem espera que vou dizer que teve uma apresentação linda de morrer, não se decepcione. Eu não esperava isso, afinal a turminha dele ainda é de pequenininhos para esse tipo de coisas. Todas as mães dessa turminha foram acomodadas na sala de aula deles. Engraçado como todos os pequenos, ao chegar ficaram tímidos, agarrados à barra da saia da mamãe e depois, aos poucos, iam se soltando.

Sentamos em roda com as crianças e foi proposta uma atividade de colagem, algo quase parecido com scrap. Cada mãe e filho ganharam uma cartolina e no chão foram espalhados vários recortes de revista. Eu me surpreendi com a habilidade do Benjamin. Na verdade, me surpreendi com a minha capacidade de subestimar meu filho e, principalmente, a escola. Tudo eu acho que Benjamin ainda é pequeno pra fazer, vide o começo desse texto. E várias vezes me peguei na dúvida sobre o tipo de atividades que a escola propõe a ele.

Benjamin ia ao centro da sala, pegava uma imagem, trazia pra perto de mim passava cola e colava na cartolina. Sozinho! Você deve imaginar “ah, Gabriela, mas o que tem de extraordinário nisso”. Gente, ele não tem dois anos completos ainda. Eu achei bárbaro! Fiquei boba. E a cada imagem que pegava ele vinha me dizendo “oia, bolo, mamãe”, “oia, gol, mamãe”. Ele trouxe a presidente Dilma e vocês não vão acreditar…..ok, ele não falou nada quando a trouxe.

Todas as mães tiveram que se apresentar e falar como seu pequeno(a) se comportava em casa. Nesse momento, Benjamin e um amigo não paravam de pular e rodar no meio sala. Dois espoletas. O amigo se chama Murilo e lá fiquei sabendo que eles são tipo melhores amiguinhos. A mãe do Murilo me disse que ele não para de falar do Benjamin. Aliás, vi todas as mamães comentarem que seus filhos não paravam de falar de algum amiguinho e Benjamin nunca falou de nenhum amigo a não ser o João, nosso vizinho. Mas ao chegar em casa, mostrei as fotos que tiramos na festinha e ele apontou e falou “Murilo”, “Pedro Amaral”. Imagina se a mãe aqui não precisou de um babador.

Por um instante, enquanto as mãe se apresentavam, fiquei um pouco emocionada. Ao ver todas aquelas mães ali com seus filhos que chegaram ali tão bebês…eu que deixei meu pequeno com 5 meses naquela mesma instituição e agora ele está virando uma criança, super peralta, que se reconhece naquele lugar e parece gostar tanto de todos ali… meu coração se encheu de alegria e satisfação.

A cada apresentação, a criança ia buscar na mão da tia o presente da mamãe. Benjamin nem esperou eu terminar de me apresentar e estava lá pegando meu presente, todo desenvolto, cheio de intimidade com as tias. Ganhei uma camisola linda com o rostinho mais lindo da minha vida estampado.

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No domingo fomos almoçar em família.

À minha mãe tão linda agradeço por tudo o que fez por mim e pela minha irmã. Essa é a mulher mais guerreira que eu conheço na vida. É ela que me inspira ser a melhor mãe do mundo para meu Ben. À você mamis, todo o meu amor e gratidão, sempre.

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Expectativa no amor

Sabe quando você acha que tudo está uma bosta, mesmo com a consciência de que tem pessoas em situações muito piores que a sua – o que te faz se sentir pior do que você já esta (ser individualista e insignificante), porque afinal, se você sabe disso, porque continua achando tudo uma porcaria?!

Já ouvir falar em inferno astral?! Estou passando pelo meu, acho que há quatro semanas já e parece que não chega nunca meu aniversário pra ver se passa essa maré de “meu trabalho é uma bosta, meu cabelo também, essa roupa não me cai bem, nesse mundo as pessoas não usam seta (pra quê, né?! Troço mais ultrapassado), porque a hora demora tanto pra passar?, cheguei aqui às 9:00, fiz um monte de coisas e ainda é 9:40, porque vendedores das lojas são tão rabugentos?! Será que é comigo?!, eu sou uma chata, podia ter ficado quieta, aliás porque eu não falo menos, hein?!” e assim vai, o dia todo, esses dias que não acabam nunca…..

Tenho começado o dia, torcendo para ele acabar logo. Acabar não, mas para chegar ao final do dia e encontrar minha família. Fico contando as horas de quanto falta pra buscar o meu Ben na escolinha. Aí torço para ele estar de bom humor, porque se não estiver o que vai ser de mim?! Semana passada me dei conta do que tem acontecido, tenho criado uma expectativa enorme em cima do meu filho. É justo isso?! Com ele nem um pouco.

Ele tem apenas 1 ano e 10 meses (a completar amanhã), ainda está alheio ao que acontece no mundo e, eu fico criando expectativa em cima dele enquanto deveria pegar minhas frustrações e tentar virar o jogo, mudar, correr atrás do que quero e não esperar o dia acabar para encontrar a alegria que busco nele. Sem contar que daqui a pouco ele cresce, vai viver a vida dele e “tchau, mãe, beijo não me liga, tô na pista”. Ok, exagero, mas esse dia chega.

Desde que Benjamin nasceu ele se tornou meu porto seguro, tudo que faço passou ser por ele, então se levanto cedo para trabalhar é por ele, se estou sorrindo em pleno frio (que eu detesto), é porque tenho ele….esse tipo de coisa. Não acho justo fazer isso com ele.  Por outro lado, não estou esperando nada dele (até porque eu seria louca se esperasse isso de um menininho de um ano! ok, eu sempre espero que ele esteja com o seu bom humor de praxe e até isso é um erro, afinal se eu tenho meus dias ruins porque esperar que meu filho esteja sempre de bem?!), minha expectativa esta no amor que eu sei que ele sente por mim, na certeza de que eu faço diferença na vida dele e de que ele, ainda, precisa de mim e, de preferência, bem!

Meu Ben

Use seu tempo livre para fazer coisas boas. Ocupe a mente com pensamentos bons. Busque realizar trabalhos voluntários. Escute uma boa música. Arrume seu guarda-roupa. Brinque. Limpe a casa. Arrume sua cama. Faça uma oração. Assista seu programa de TV preferido. Seja obediente. Se faça de tolo quando for preciso. Estude. Curta simplicidade. Surpreenda. Leia um bom livro. Aproveite seus avós. Sorria. Chore. Cultive suas amizades. Cultive a família. Sonhe. Apaixone-se. Seja arteiro. Faça bastante arte. Veja fotos antigas. Relembre. Cozinhe. Dance. Escute música. Ouça 100 vezes sua música preferida. Cante. Curta o sol, mas use protetor. Pratique o desapego. Respeito o outro. Escolha. Ouse. Tolere. Faça as pazes. Não queira ter razão. Ame seu irmão ou irmã (que você ainda vai ter). Faça um curso de pintura, culinária, dança. Vá ao cinema. Ao teatro. Viaje. Arisque-se. Mergulhe. Leve o cachorro para passear. Admire a paisagem. Use seu tempo livre para doar-se. Ame. Ajude. Colabore. Compartilhe. Seja generoso. Comemore. Dê sentido à vida. Viva. Construa. Seja feliz.

O agora que importa: construir agora, alguma coisa, a qualquer preço, com todas as suas forças”.
(Frase do livro: A elegância do ouriço, Ruben Alves)

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