Laços de Família

Produzi a matéria “Mãe com açúcar”, que está na edição de julho da revista Pais & Filhos. Nela, abordo os novos relacionamentos das avós com seus netos. Mostro como as avós mudaram ao longo do tempo. Todas são muito antenadas, realizam atividades diversas, tem vida social ativa, ajudam seus filhos na medida do possível e, mesmo com tantas mudanças, ainda mantém o posto de avó – um dos principais personagens na vida das crianças.

Adorei fazer a matéria porque toda a informação que colhi veio de encontro com o que acredito e fomentou ainda mais minhas crenças. Uma das coisas que tenho refletido muito é a importância da continuidade dos laços, a construção do vínculo, isso tudo falando de avós e netos. Pergunto-me: quem cria esses laços, quem forma tal apego?

A minha crença é de que os pais tem papel fundamental nessa construção. São os pais que devem fazer ponte entre netos e avós. Falo isso por experiência própria: minha mãe e meu pai são separados desde sempre. Ele morando no Rio de Janeiro desde que me conheço por gente. Ela, assim como meus avós, aqui em São Paulo. Lembro-me dela dando, o que na época eu julgava ser sermão, sobre a importância de visitar meus avós. Ela me levava até a casa deles, de ônibus até o outro lada da cidade – ela sempre morou numa ponta e eles em outra. Ela nos incentiva ir às festas de família, participar, estar junto.

E quando meu pai vinha para SP, ela nos mandava para dormir na casa dos nossos avós. Eu nunca queria, chorava, implorava, mas não adiantava. Hoje sinto o quanto eu podia ter aproveitado mais. Não soube. É tarde para mim, mas não para o Benjamin.

Sempre crio situações para minha mãe e Benjamin estarem juntos. E mesmo que eu não criasse. Minha mãe é super presente. Liga e vai em casa constantemente. Esse ano viajamos pouco para o Rio de Janeiro, mas ano passado fizemos vários bate-e-volta. E mesmo sem ver com tanta frequência o avô e os tios cariocas, Benjamin sabe que eles existem, os reconhecem e tem uma relação bacana quando os vê. Não fica tímido, por exemplo. É como se ele os visse sempre.

Li no livro “A obra de Salvador Celia – empatia, utopia e saúde mental das crianças”, que o vínculo é formação de “anticorpos” que protegem o indivíduo nos momentos difíceis da vida. Esse apego, esses laços de família, quando bem estruturados, são base para uma vida toda.

E as avós, como digo na matéria mencionada no início desse post, são nada mais que o resgate da família. São elas que depositam e tem o poder de transmitir toda nossa história, que contribuem  para a memória da família, o encontro das gerações. São elas que estarão sempre prontas para confortar nossos pequenos, contando histórias de quando nós éramos pequenos. Imagino que o amor que elas sentem por nós, os filhos, é em dobro para os netos.

Então, quebre barreiras, engula sapos, tente compreender seus pais, incentive seu marido criar essa ponte entre seus filhos e seus sogros. Ajude na formação desses “anticorpos”. Crie laços de família. Lembre-se, que todos querem só o bem dos pequenos. Quem tem a ganhar sãos nossos filhos.

*

Leia minha matéria na Pais & Filhos_julho 2013.

#semanaespecialdosavós

Entrevista especial com uma avó adorável

Ela tem nove netos e ressalta no início da conversa: tem uma cadeira de balanço, adora fazer crochê, tricô e bordar, mas não assumiu a imagem da famosa Dona Benta.

Começa o dia fazendo aula de balé clássico (todos os dias!!!), antes de ir para o computador escrever ou responder perguntas de jornalistas. Depois ela vai trabalhar em seu consultório onde atende até às 19:00 e só depois ela vai para cozinha fazer o jantar e se preparar para o programa da noite (que pode ser um concerto, um futebol ou um jantar entre amigos). Com todos esses afazeres, afirma: não é diferente de muitas outras avós que conhece.

Estou falando da psicanalista Lidia Aratangy Rosenberg, autora do Livro dos Avós – Na casa dos avós é sempre domingo?. Conversamos só por e-mail, mas a empatia foi grande. Lidia é daquelas pessoas que você tem vontade de conhecer e ficar horas proseando (e aprendendo!) com ela.

Lidia, por Ucha Aratangy

Lidia, por Ucha Aratangy

É com prazer enorme que compartilho com os leitores do Bossa Mãe, um trecho do nosso bate papo, onde ela dá uma lição sobre o relacionamento com os avós.

BM: Sempre que se fala em avó é comum surgir a ideia de uma senhora sentada fazendo tricô ou a lembrança dos almoços de domingo. Por que, mesmo com tantas mudanças, novos modelos de relacionamento, as avós continuam carregando imagem dos fazeres do passado?

LA: As avós não carregam esses estigmas, ainda que lhe sejam impostos. Elas estão bem diferentes disso e não se submetem a esses modelos. Mas parece que a publicidade, tão afoita em usar os mais recentes recursos da tecnologia em suas produções, é conservadora em seus modelos. Dê uma olhada nos comerciais do Dia das Mães: muitas mães ainda estão de avental e os produtos anunciados são (quase) todos do lar (eletrodomésticos, roupas de cama, mesa e banho e por aí vai). No Dia dos Pais, os anúncios são de carros, roupas esportivas… Nunca vi um anúncio de carros para as mães, nem de fogões para os pais, embora haja tanta (ou mais?) mulheres quanto homens pilotando carros, e muitos homens pilotando fogões.

A imagem da avó ainda é a da Dona Benta, criada por Lobato na década de 40: “…uma velhinha de mais de sessenta anos, com óculos de ouro na ponta do nariz e cestinha de costura ao colo” . O grifo é meu, porque acho que ele queria dizer que havia muito mais velhinhas de menos de sessenta anos! Hoje é mais provável encontrar avós nas academias de ginástica do que de cestinha de costura ao colo. Mas é mais fácil recorrer à imagem conhecida, sem avós imprevisíveis como as de carne e osso…

BM: Dizem que avós deseducam os netos e, em sua obra “Livro dos Avós – na casa dos avós é sempre domingo?”, vocês falam que na casa dos avós é um espaço de limites menos rígidos ou até diferentes do dos pais. Gostaria que me falasse um pouco sobre isso.

LA: Ter limites diferentes não significa ausência de limites. E os limites dos avós costumam ser menos rígidos do que os dos pais porque as avós já não estão preocupadas em demonstrar teorias pedagógicas, nem precisam provar que elas é que estão certas, e não as suas mães (como elas mesmas fizeram quando eram mães…). Essa ausência de preocupação ou de aderência a modelos permite um comportamento mais flexível.

Para as crianças, não há a menor dificuldade em saber que ambientes diferentes pedem comportamentos diferentes (ela já sabe que as regras da escola são diferentes das regras de casa, e que na casa do colega há regras diferentes das da casa dela). Essa é uma informação importantíssima para a vida da criança, que não vai se comportar da mesma maneira no estádio de futebol e na sala de concerto.

BM: Os pais muitas vezes esperam que os avós ajudem na formação da educação das crianças. Como diminuir essa expectativa dos pais?

LA: O problema não é a expectativa de parceria na educação – o que é, além de justo, inevitável -, mas a ideia de que essa ajuda deve ser da maneira como os pais querem que seja. Ora, a avó não é uma baby-sitter de luxo, ela tem um vínculo direto com seus netos, e tem o direito de educá-los também com o que ela acredita. O fato é que os valores dos pais e avós geralmente são os mesmos, o que difere é a maneira como cada um expressa e transmite esses valores – o que não tem muita importância, se pais e avós não estiverem tirando um braço-de-ferro para provar quem tem razão.

BM: E como os avós podem contribuir com a educação dos netos?

LA: Colocando com clareza seus pontos de vista e até mostrando as mudanças que ocorreram na educação, do tempo em que ela foi mãe até o presente, quando ela assiste a (sem crase!) a mãe que sua filha se tornou. A noção de que as coisas mudam com a passagem do tempo e de que as diferenças podem ser respeitadas são fundamentais para a educação. E é importante que as mmãees saibam que a maneira como elas lidam com suas mães, as avós de seus filhos, está ensinado um modelo de como lidar com as mães idosas, que eles repetirão mais tarde com suas mães. Ou seja: mães que caçoam das avós, que desrespeitam as avós de seus filhos estão cuspindo pra cima…

Acrescento que os avós são depositários da história da família e os únicos a poder transmitir esse relato em primeira mão.

BM: Qual a importância, a representatividade dos netos para os avós?

LA: Para os avós, os netos representam uma lufada de ar fresco, de alento e esperança num momento em que eles estão percebendo que sua importãncia diminui a cada dia. É claro que isso é sinal de que a vida deu certo, de que os filhos cresceram e são independentes, de que profissionalmente sua missão está cumprida – mas há um vazio e uma ansiedade sobre o que está por vir. A chegada dos netos lhes devolve uma autoimagem positiva, uma sensação de voltar a ser valorizado e importante.

Te conto um episódio.

O Théo (um dos netos, atualmente com 18 anos) tinha 4 anos numa noite em que, por circunstâncias que não vêm ao caso, dormimos eu e ele no mesmo quarto, numa casa em que pernoitávamos pela primeira vez. No meio da noite , ele me chama: Vovó, me dá a mão! Aqui está muito escuro! Eu, fazendo graça: E se eu te der a mão vai acender a luz? Ele, direto: Não vai acender a luz, mas fica mais claro quando você me dá a mão…

*

Linda, né?

Lidia Aratangy estará dia 26, ao vivo, no programa Encontro com a Fátima Bernardes, num especial sobre avós. Não percam!

#semanadosavós

Todo o meu amor para a avó do Benjamin

Hoje é aniversário da pessoa mais importante na minha vida, que sem ela nada seria possível.

Ela é a mulher mais guerreira que conheci na vida. Mulher de fé, fibra. Forte.

Ela sempre aceitou, obediente, todas as mudanças em sua vida.

Criou duas filhas sozinhas.

Acumulou duas funções. A de mãe e a de pai.

Sempre teve dois empregos.

Mas nunca foi possível sentir sua ausência. Porque ela era SEMPRE presente.

Graças a ela eu cresci e me tornei a pessoa que sou hoje. Meu segundo nome poderia ser “Caráter”. Algo que ela nos transmitiu como ninguém.

E aí me tornei mãe. A melhor que meu filho poderia ter. E com certeza  sou a melhor porque aprendi com a melhor mãe que tive.

Também passei a admirá-la ainda mais. E compreender tudo o que ela fazia (e ainda faz) por nós.

Sei que ela já abdicou de muita coisa por nossa causa.

Ela sempre me contou a história de que antes de vir ao mundo nós escolhemos os pais que queremos.

Não tenho dúvida de que ela foi a melhor escolha que fiz.

Hoje ela é a melhor mãe e avó que poderíamos ter.

Ela é minha mãe. Avó do Benjamin. Um ser humano admirável.

É pra ela esse singelo post de hoje. É pra ela todo o meu amor. Toda minha gratidão.

Amo mais que o sol.

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Na casa dos avós é sempre domingo?

No próximo dia 26, comemora-se o dia dos avós. Por isso, essa será uma semana especial aqui no Bossa Mãe.

Para começar, quero dar uma dica de presente para essa data: O livro dos avós – na casa dos avós é sempre domingo?

livro

Nesse livro, a psicanalista Lidia Rosenberg e o pediatra Leonardo Posternak, abordam a trajetória dos avós e as relações entre eles, seus filhos e netos. O livro surgiu após um questionamento de um amigo: “Onde a gente aprende ser avô?”. Existem inúmeros manuais que trazem dicas de como lidar com os filhos, nenhum era destinado aos avós. Esse surgiu pela necessidade que os autores encontraram em orientar os avós nos primeiros passos de relacionamento com seus netos.

Segundo os autores, vivemos no “século dos avós”. Com o aumento de expectativa de vida, muitos avós conhecem seus netos bebês e os acompanham até a vida adulta. Pesquisas comprovaram que as pessoas se tornam avós mais cedo, em média entre os 50 e 60 anos, o que as permitem curtir esse papel por mais tempo.

A obra destaca a experiência de se tornar avós, a importância do vínculo, o papel dos avós na vida dos netos, a nova responsabilidade que eles assumem ao se tornarem avós. Engana-se quem acha que avós não tem responsabilidades sobre os netos. A relação vai além….estende-se aos filhos.

Avós agora são pais de filhos adultos e deve dar espaço para os filhos errarem e aprenderem com seus erros. Além disso, não podem esquecer que mesmo adultos (e pais), os filhos precisam de apoio, carinho, reconhecimento, ajuda. E tudo isso em dose certa, é preciso tomar cuidado para não parecer invasivo. O fato é que quando a primeira criança chega na família, todos estão aprendendo novos papéis.

O livro traz um pequeno manual de autopreservação dos avós – dicas que façam respeitar seus direitos. Ao final traz um capítulo que eu até achei triste, mas muito válido, “O direito de sair de cena”,  fala sobre quando os avós não estiverem mais por perto. E tem um capítulo inteiro com a palavra do pediatra, com dicas incríveis onde o Dr. Posternak afirma que avós precisam estar munidas com informações confiáveis e atualizadas – isso contribui para que as avós não ganhem fama de intrometidas.

Gostei muito do livro e indico a leitura não só para avós, mas para os pais também. Acho que ele nos ajuda a compreender muitas atitudes dos nossos pais – avós dos nossos pequenos. Auxilia-nos no sentido de como devemos nos comportar com eles, depois que aprendemos um pouco da função deles como avós em nossas vidas.

Livro dos Avós – Na casa dos avós é sempre domingo?
Primavera Editorial
A partir de R$37,00

As agruras da maternidade

Tudo começou ontem depois do almoço. Uma angústia tomou conta de mim e eu falava pra minha colega de trabalho: “vontade de chorar, gritar, sair correndo”. Tem um monte de coisa pra acontecer, mas sinto tudo estagnado na minha vida. Culpa da minha ansiedade? Talvez. E aí tento me apegar na frase que li semana passada no instagram do ‘Mulher sem script’: “Calma. É aos poucos que a vida vai dando certo“.

Foi quando recebi uma ligação da escolinha e a calma que eu buscava foi para o espaço. Benjamin apresentava umas manchas no corpo, que começaram nas pernas e estavam subindo pra barriga. Fiquei apavorada. Podia ser uma alergia, mas como ele não estava tomando nenhum remédio e aparentemente não tinha ingerido nenhum alimento diferente, essa hipótese foi a última coisa que passou pela minha cabeça.

Incrível a minha capacidade de pensar sempre no pior. A primeira coisa que pensei foi referente ao galo na cabeça. Benjamin sofreu uma queda forte no sábado retrasado. Subiu um galo assustador, que baixou relativamente rápido, mas foi nessa segunda-feira passada que me ligaram da escolinha perguntando se ele havia caído em casa (sempre tentamos manter a escola informada no caso de machucados). Explicaram que ele estava com um galo no mesmo lugar do outro de antes, que só apresentava aquela mancha esverdeada e que ele não tinha caído na escola. Fiquei encanada com isso. Quando o busquei vi o galo e aquilo ficou na minha cabeça.

Então, fiz relações com isso, pensando que podia ser alguma reação, sei lá… saí do trabalho correndo, tremia de nervoso, nem sei como consegui dirigir até a escolinha. Fiquei mais preocupada ainda quando vi as manchas. Nesse meio tempo, eu já havia ligado para a pediatra dele que fez algumas observações do que poderia ser, e uma delas, a pior das hipotéses, podia ser púrpura infantil.

E lá foi a mãe fazer um Google. Gente essa é a pior coisa que devemos fazer nessas horas. Eu sei e não sei porque fiz. O marido me alertou, falou para eu não pesquisar, mas já tinha feito. Não gostei nada dos resultados que encontrei. Mas parei de chorar e no percurso para o hospital eu só pensava no quanto Benjamin é saudável, que não seria nada de ruim, seria apenas uma alergia seja lá do que fosse.

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Fomos para o hospital infantil Sabará. Fomos atendidos rapidamente. Além das manchas, ele estava com 38,6 de febre. Benjamin internou, fizeram exames de sangue, urina, medicaram na veia com corticoide, as manchas aumentaram e medicaram novamente com outro remédio. E se as manchas não passassem, fomos alertados: ele teria que ficar internado. Só que eu já estava mais tranquila e com a certeza de que as manchas sumiriam.

A médica saiu do quarto e como que num toque de mágica, Benjamin ficou branquinho. Sem mancha nenhuma. Fiz uma comparação entre Benjamin e eu. Apesar do medo que ele sentia cada momento que entrava uma enfermeira, ele chorava, mas não se debatia, não se mexia, ficava quietinho. Eu sempre fui assim desde pequena. Tenho pavor de hospital e agulha, choro (ou chorava, a gestação me fortaleceu mais nesse sentido), mas sempre fiquei quieta esperando o que fariam comigo. E sempre ficava incrivelmente boa diante da possibilidade de ter que ficar no hospital rs.

Benjamin teve uma urticária brava, uma alergia talvez causada por algo que ele tenha comido. De diferente, ele comeu morangos, fruta que a gente evitava por ter muitos agrotóxicos. Vamos procurar ainda um alergista, buscar saber o que aconteceu.

Ontem foi pra mim mais uma dessas provações da maternidade. Para qualquer mãe é muito difícil ver seu filho ser picado, tirar sangue, colocar acesso pro soro e ouvir seu choro e seu chamado: “mamãe, colo. mamãe, colo”. Como diz Denise Fraga, em seu livro “Travessuras de mãe”, ser mãe compreende muitas dualidades. É uma grande mistura de alegria e dor.

E foi com essa dor no peito que não deixei cair uma lágrima perto do pequeno, me enchi de coragem para ficar ao lado dele, segurá-lo durante todo o processo (eu que nunca havia segurado ele sozinha para tomar vacina) e deitar ao seu lado na cama do hospital.

Chorei sozinha quando fui ao banheiro, depois de já terem colhido o sangue dele. Chorei e pedi em silêncio para ir embora daquele lugar o mais rápido possível com o meu filho bem.

Lembro da primeira vez que Benjamin ralou o joelho. Aquilo doeu em mim também, mas era apenas um joelho ralado e pensei: ele ainda vai ralar muitas partes do corpo. E desde então, tenho provas disso quase que diariamente. Já pensei em comprar um capacete de tanto que ele bate a cabeça (até dormindo ele faz isso no berço). Na véspera de seu aniversário, ele caiu e bateu o rosto no batente da porta e quando vi o resultado achei que ele ia precisar levar pontos no supercílio. Sinceramente,  eu não estava preparada para isso.

Tenho me perguntado, será que estaremos preparadas algum dia? Um dia estaremos fortalecidas como mãe? Eu acho que me fortaleço a cada experiência dolorosa dessas, incluindo as pequenas. Mas acho que nunca estaremos preparadas.

Onde comprar roupas infantis em SP

Já faz algum tempo que estive em Embu das Artes conferindo uma dica de uma grande amiga, a Mislene, mãe de dois. Lá é um lugar cheio de pontas de estoque, ótimo para comprar roupas infantis.

Tem uma loja chamada BBB que é uma ponta de estoque de grandes marcas infantis: Green, Tip Top, You, Tigor, entre outras. Todas com um preço bem abaixo do mercado. O legal dessa loja é que além de vender peças individuais, também vende por quilo, principalmente as roupas sem marca.

Mães de meninas passam mal por lá, pois a variedade é enorme. Aliás, essa é uma das minhas queixas como mãe de menino. É muito difícil encontrar roupas para os moleques em ponta de estoque. Tem mais para os bebês do que para os maiores. Já para as meninas tem uma oferta e tanto.

Nessa mesma loja, na parte de baixo, é a ponta de estoque de calçados. Para meninas tem uma diversidade que não acaba mais e tudo num precinho maravilha.

Além dessa loja, existem outras quatro, todas bem próximas uma da outra (só muda a calçada e quando muda). Quando fui lá entrei numa outra loja, cujo nome não lembro agora, e comprei para o Benjamin uma camiseta da Green (marca infantil que eu amo) por R$2,90!!! Era por quilo!

Os preços vão de:

Macacões básicos da TIP TOP por R$90,00 o kilo. Minha amiga-mãe-de-dois Mislene, comprou 4 que totalizaram R$37,90.

Macacões e conjuntos da Green ou You por R$29,90 e R$39,90:

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Conjunto de camiseta e calça jeans de R$129,90 por 29,90. Macacão para bater por aí R$10,00:

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Sapatos femininos: R$29,90

Vale à pena conferir.

OBS: Como bem lembrada pela amiga Carol Soler, a loja BBB está situada à Av. Elias Yasbek, 1414, Embu das Artes.

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Agora se você anda precisando de roupas para bater por aí, minha dica é a loja Kid Stok. Estive em uma das lojas recentemente. Na verdade eu nunca tinha entrado, achava meio lojão (sem preconceito!)…mas também pudera, na vitrine os preços estão sempre estampados: R$10!!!!

Estava a procura de calças azul marinho para compor o uniforme da escolinha do Ben. Todo mundo indica comprar em supermercado. Primeiro que odeio supermercado, pago para não entrar em um. Segundo, pensei: se no supermercado é barato como dizem a qualidade de uma loja de shopping não será tão inferior. Entrei na Kid Stok!

Sem brincadeira nenhuma, ADOREI! Comprei cinco calças (azul marinho) para o Benjamin ir para a escola. Todas de moletom e flaneladas. Preço pago em cada calça: R$10!!! Já lavei e passei várias vezes desde que comprei. Não encolheram, não desbotaram. Até na máquina de lavar já joguei.

Também comprei essa jaqueta para o Ben.

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Eu vi e achei lindo! O preço então me fisgou! R$50! Uma jaqueta dessas na Green, por exemplo, eu não pagaria menos que R$150 (sei bem do que estou falando, pois já fiz algumas loucuras nessa loja).

E se você quer dar um presente, mas não pode gastar muito, lá é possível encontrar bons conjuntos, com preços melhores ainda! Comprei um lá por R$35!

Para meninas, como sempre, a variedade é maior. Tem muitos conjuntinhos, vestidinhos, calça legging. Tudo com o precinho ó…

Essa loja tem em outros estados.

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Outra loja outlet legal é a Funny e Kito, localizada na Av. Pavão, nº 754, Moema. Lá é possível encontrar marcas como PUC, Green, You, Up Baby, entre outras. Ótima também para comprar presentes, basta não tirar a etiqueta e é possível trocar caso não sirva ou não seja do gosto da mãe. Os preços lá são ótimos. Mas como sempre, para as meninas tem mais opções.

Vale à pena!

Culpa dos Terrible Twos ou do desenvolvimento emocional?

Benjamin está numa fase chata pra caramba. Eu já disse que sou uma pessoa sem paciência e agradeço todos os dias pela cria a mim concedida, afinal, em geral, Benjamin é muito bonzinho. Pensei que tinha aprendido a ter paciência, mas era apenas a primeira etapa do processo da maternidade. A segunda etapa consiste em testar os limites de paciência da mãe.

Meu Ben é todo lindo, sorridente, carismático. Um anjo. Obediente. Parece o bebê uma criança perfeita. Mas o que as as pessoas de fora não imaginam é que esse mini-humano é capaz de levar você a loucura, em um clique.

Vivemos uma fase em que tudo é meu, ou melhor, é dele! Escuto diariamente 588 vezes, aproximadamente, o: é meu o controle, o tênis, a Capitu, o iPhone e o iPad da mãe, a touca, a mochila, o Woody, o Buzz, o Mickey, o Pluto, o prato de comida, a colher, o shampoo, o sabonete, o copo e mais uns 89 itens ao alcance do Benjamin. Detalhe, ele faz cara de mau, faz bico, tenta tomar da nossa mão.

Semana passada, ele resolveu testar esgotar minha dose mínima de paciência e fez algo que eu odeio abomino. Começou a chorar no carro de volta pra casa. Motivo: iPhone. Ele não queria um, mas queria os dois iPhones – o do pai e o da mãe. Sinceramente, nem lembro como começou. Ele já estava com o meu na mão e o marido me deu o dele para ver um vídeo, quando Benjamin viu na minha mão (eu estava no banco de trás para evitar que ele dormisse) queria tomar de mim e foi aí que tudo começou. Pense num trânsito. Agora pense numa criança berrando. E todos os carros à volta olhando. Ainda tivemos que parar para comprar a ração da Capitu. Pensei que Benjamin se acalmaria, mas ele berrou ainda mais dentro loja e os berros dele ecoavam.

Todo mundo olha pra mãe com cara de “faz alguma coisa para ele parar de chorar” ou “coitado, o que será que ela fez pra ele”. É aquele momento que ninguém viu o que aconteceu, mas fica te julgando. Entramos no carro novamente e sem chance de colocá-lo na cadeirinha. Levei ele no colo, berrando até em casa. Nesse meio tempo, eu já tinha perdido minha ínfima paciência, já tinha gritado com ele, já tinha me arrependido e gritado novamente.

Gritar com Benjamin é algo que corta o meu coração, me machuca demais. Eu não gosto de gritar com ele por n motivos: porque eu acredito que gritar não resolve nada, só altera ainda mais os nervos; porque se ele já não entende o que quero dizer, fica mais difícil ainda captar a mensagem; porque eu sou a adulta e é de mim que deve vir postura, compreensão e comportamento diferente; porque acredito que quando gritamos com as pessoas que amamos os nossos corações se afastam.

Mas eu já estava fora de mim, querendo de qualquer jeito que ele me entendessem e partir para o grito foi a solução que achei. Totalmente inadequada. Só depois que caí em mim, comecei o que acho menos insensato, a ignorá-lo. E ele começou a chamar por mim “mamãe, mamãe, mamãe” e puxar meu rosto para olhar pra ele. Dói. É difícil.

Esse tipo de comportamento do Benjamin, está se tornando frequente (não com o mesmo tempo de duração desse episódio que durou, aproximadamente, uns 40 minutos), mas é algo que tem acontecido bastante. Geralmente, quando ele está muito cansado, que foi o caso desse dia e que eu fui perceber só depois. Tem acontecido quando ele acorda de mau humor porque foi dormir tarde e nós acordamos muito cedo (vou contar em outro post como está a rotina noturna de casa).

É a fase do Terrible Twos somado à fase de desenvolvimento emocional da criança. Eles fazem manha, querem atenção e descobrem a força do berro deles. Eles estão descobrindo que conseguem fazer várias coisas sozinhos, como colocar o tênis, tirar a roupa, comer… e querem mostrar que não precisam da sua ajuda. É a fase de crescimento, bebê está virando criança e a mãe….a mãe está virando uma louca.

Aí cabe a nós mães ler as entrelinhas, ou seja:

a)  perceber que a criança está cansada – nem sempre isso é tão simples, se for pela manhã ok; agora se for como o dia desse episódio é complicado, pois Benjamin demonstrava o melhor dos humores. E tem um outro detalhe pertinente, o signo do mini ser humano! No caso, meu Ben é de gêmeos, o que significa altos índices de variação no humor ao longo do dia;

b)  inventar métodos para reverter a situação – cabe a nós incrementar as situações, dar piruetas, se fazer de bobo, descobrir maneiras para distrair a cria. Difícil, pois você também pode estar de mau humor (bobagem, mãe tem que estar sempre bem!) e porque não é uma técnica para um momento apenas. Tem que inventar para a hora do banho, de comer, de dormir, de sair para ir à escola, na hora de deixar um brinquedo no carro e/ou na casa, enfim tem que fazer escolhas (de preferência a de melhorar o dia), tem que ter criatividade, não basta ser uma mãe super heroína, tem que ser mágica para salvar o dia do filho e da família.

Minha mãe é uma peça

peça

Dona Hermínia, mãe de três filhos, Marcelina, Juliano e Garib, resolve dar um basta aos insultos dos filhos e vai passar um tempo na casa de uma tia. Mas como toda mãe amorosa, ela não para de se preocupar e pensar nas crias.

Começa aí uma sucessão de lembranças desde quando os filhos eram pequenos até os dias atuais. Os filhos querem se livrar da chatice da mãe, enquanto ela só pensa em protegê-los.

O filme é sim cheio de piadas, chega a ser um pouco forçado, talvez exagerado, mas garante boas risadas. Vale lembrar, que o filme é baseado em uma peça de teatro cuja linguagem é diferente do cinema.

Inspirado na mãe do próprio autor (e ator) Paulo Gustavo (ótimo!) e quem interpreta Dona Hermínia, o filme narra os conflitos dessa família, mas principalmente da mãe, que cria os filhos sozinha e foi trocada pelo marido (Herson Capri) por uma moça mais jovem (a queridíssima Ingrid Guimarães que merecia mais destaque no filme).

Assisti o filme pensando: todo filho adolescente acha a mãe chata. Por um curto espaço de tempo fui jogada ao futuro e imaginei meu Ben confidenciando ao pai a chatice da mãe aqui. Deve doer. Por mais que saibamos que nossos filhos nos amam, dói saber que eles nos acham chata. Nós que os criamos com tanto zelo e somos capazes de fazer qualquer coisa por eles que nem o pai é capaz – sem desmerecê-los. É ou não é?

Eu sei que minha mãe faria coisas por mim que meu pai não faria. Ok, tem MÃES e mães (sabemos que nesse mundo tem louco pra tudo). Mas amor de MÃE transcende qualquer barreira, é algo inexplicável. É como dizem e como Dona Hermínia ressalta: colocar no mundo é fácil, quero ver criar. Essa tarefa é difícil. E a gente cria, ama e  faz tudo por eles.

Foi ao assistir esse filme que descobri a definição do que sinto quando vejo tragédias que fazem mães perderem seus filhos. Depois da maternidade, eu choro, sinto uma dor, uma revolta imensa quando vejo uma mãe chorar a perda de um filho e aí descobri o motivo. Quando uma mãe perde um filho, todas no mundo perde uma parte de si.

#ficadica para o final de semana, assistam Minha Mãe é uma peça.

Mega Artesanal – Inspiração

Aconteceu de 03 a 07 de julho, a Mega Artesanal – uma mega feira de artesanato que existe no Brasil. Eu não conhecia e fui conhecer no último dia de feira com minha amiga-sócia-blogueira-mãe Amanda, que já tinha ido no primeiro dia de feira e contou em seu blog Scrap Paper.

Todos os dias da feira, o pavilhão do Imigrantes estava amarrotado de gente. Pensamos que seria assim no domingo, mas pegamos um dia mais tranqüilo, ótimo para ver e comprar com mais calma todas as novidades.

São vários expositores de toda arte que você imaginar e a principal que fomos ver: Scrapbooking!

A feira também oferece vários cursos gratuitos para fazer na hora, mas nem cogitamos essa ideia. Queríamos ver tudo! Chegamos às 11:00 (início da feira) e fomos embora por volta das 17:30 – quando todos os expositores já estavam fechando seus stands.

“Gabriela, mas você como jornalista tá bem atrasada hein?! Falando de evento que já aconteceu….”

Ok, eu sei. Mas vejam, a mãe aqui ficou fora o domingo o dia inteiro, depois não tive tempo de sentar e escrever. Fiquei encantada com a feira e tudo que vi. Mais ainda com a ideia do “faça você mesma”, reaproveitar nossos móveis, como por exemplo, encapar uma cadeira ou um móvel antigo. Pequenas coisas que podem dar uma nova cara ao ambiente. Enfim, mesmo atrasada quis compartilhar aqui no blog algumas dessas coisas que vi. Pode servir de inspiração para outras pessoas também.

Veja essas ideias de decoração que estavam expostas no stand da Casa da Mega:

Cadeira customizada.

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Móvel encapado com adesivo de tecido.

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Cozinha. Eu adoro essa ideia de parede para escrever com giz. Tem papel e também tinta para essa finalidade e efeito.

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Quarto de bebê. Olha que charme. Detalhe para o quadro que cada parte vai completando a árvore. Achei lindo. Puro scrap!

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Passeando a feira toda é possível encontrar várias decorações de festas infantis.

Essa aqui é ideal para festas ao ar livre.

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Tema de circo. Achei bacana, saiu do convencional “só palhaço”. Essa proposta é usar todos os elementos do circo: trem, coelho, elefante, leão…muitas cores.

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Festa de Pirata.

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E tem para o Marinheiro também.

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Essa festa com tema UP, eu, particularmente, adoro essa decoração com balões. Acho muito lúdico, clean, lindo demais. Ao invés do balão, poderia ser também pipas ou passarinhos.

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Para finalizar, uma decoração linda para chá de bebê de gemêos. Mas nada impediria desse tema “Cegonha” ser adaptado para um bebê apenas.

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Sobre organização e desapego

Eu odeio não gosto de inverno! Não simpatizo nem um pouco com os meses julho e agosto. São pra mim meses sacrificantes, arrastados, cinzentos, em que nada de bom acontece. Perceba, julho começou há dias e estamos no dia 10 ainda! Vai demorar para acabar, viu…

No entanto, já estamos no segundo semestre do ano! No dia 1º de julho, a amiga-mãe-blogueira Lelê postou no seu face algo do tipo: “Primeiro mês do segundo semestre do ano e o que você fez até agora?”. Fiquei me perguntando o dia inteiro o que tinha feito nos últimos 6 meses e vieram respostas nada convincentes: tirei férias, fiz um curso na ESPM; assisti alguns (poucos) filmes do projeto que consiste em assistir mais filmes; fiz junto com a arquiteta o projeto do meu apartamento; poupei; organizei a festa de aniversário do Benjamin; hum… e só.

Aí fui ler meu blog preferido sobre organização – Vida Organizada, da Thaís Godinho – e me deparei com o post Checklist de Julho 2013, que começa assim:

Julho é o primeiro mês da segunda metade do ano. É uma boa época para analisar tudo o que já fizemos e planejar os próximos passos de todos os novos objetivos de curto prazo. Se você gosta de fazer resoluções de ano novo, pode ser uma boa avaliar se o que você se propôs a fazer está caminhando e, se não for o caso, o que ainda pode ser feito até dezembro.”

Quase entrei numa crise. Ou melhor, entrei! A blogueira Thaís fala muito sobre objetivos de curto, médio e longo prazo. E me dei conta que eu não tracei, não tenho nenhum objetivo para os próximos meses. Motivo? Apartamento! Deixei o ano 2013 por conta do apartamento e estou deixando a vida me levar. Isso me incomoda muito. Gosto de planos, metas, objetivos! Gosto de me sentir em movimento.

Refleti mais um pouco e pensei: por que não destralhar e organizar a vida, principalmente, a casa?

Eu vou para um apartamento novinho em folha, o lugar que vou chamar de meu – o meu lar – e não posso transformá-lo num lugar de tralhas.

Estou numa fase que entro em casa e a visão que tenho é de entulho. Sério mesmo. Em cada canto da sala tem algo amontoado: papéis, livros, sapatos do Benjamin, DVD’s, CD’s, material de scrap, milhões de brinquedos…

Eu acredito que bagunça, tralha = acúmulo de coisas desnecessárias, é sinal de que o nosso interior está em conflito ou é falta de tesão pela casa. No meu caso, são as duas coisas juntas. Meu interior fica mega perturbado nesses meses. E eu já não tenho amor nenhum por essa casa em que moramos (se é que tive algum dia).

No dia 1º de julho, arregacei as mangas e iniciei o projeto “Organização e Mudança” ou “Exercício de Desapego”. Comecei pelos livros, separei todos e vi um por um o que levaria conosco para o apartamento e o que seria doado. Aproveitei e já encaixotei tudo. Nessa limpeza, encontrei coleções de revistas, várias delas: Vida Simples, Bons Fluídos, IMPRENSA, Casa e Jardim, Casa e Comida, Crescer, Pais & Filhos. Resolvi ficar apenas com a coleção de Vida Simples e Casa e Comida (essa coleção completa). Das outras, retirei todas as matérias que eu acho interessante para arquivar em pastas (compradas nesse final de semana) e da Casa e Jardim retirei todas as ideias que acho bacana para nosso apartamento.

Encontrei uma pasta enorme com uma coleção de papéis de carta!!! Há anos eu tenho isso. Há anos nem encostava nessa pasta. Nem precisei fazer a pergunta clássica “para quê preciso disso?”. Na hora veio a ideia do desapego. Enquanto estava nos livros, encontrei vários do Dalai Lama. Teve uma época da minha vida que o budismo me interessava muito. Não leio mais tanto a respeito, mas simpatizo com a religião. E uma das coisas que o budismo prega é justamente com relação ao desapego, dizem que o apego pode nos asfixiar. Fui pesquisar sobre o assunto e parece que o apego a determinado objeto pode ser também uma nostalgia mal resolvida, tipo uma vontade de viver novamente algo impossível. Por exemplo, guardar papéis de carta, poderá significar vontade de voltar a adolescência. Quáááá…

O ritmo de organização caiu no final de semana e ontem voltou a ficar intenso. Fui lá para o quarto onde guardamos todas as tralhas inimagináveis. Até o marido entrou, por livre e espontânea vontade (juro!), no processo. Ele fez uma limpa em seu guarda roupa e sapatos. Eu fiquei por conta da documentação da casa (que ainda não terminei), vários arquivos universitário (desapeguei geral: joguei tudo fora), bolsas (doei todas que não uso há um ano), roupas de cama (doei o que não uso e que não pretendo usar no apartamento) e banho (separei as toalhas maltrapilhas para fazer pano de chão e algumas mandei pra casa da minha mãe e irmã que usarão com os cachorros).

Tem muita coisa para fazer ainda: meu guarda-roupa; cozinha; banheiro; sala. Vai ser um processo longo, porque não basta tirar tudo o que não se quer mais, tem que organizar o que vai ficar. E o que estou fazendo digamos que é a primeira triagem, pois outra será feita ao encaixotar tudo de vez para a mudança.

É uma delícia destralhar a casa! Tem uma parte nostálgica que te abraça nesse processo – talvez por eu ser uma pessoa nostálgica demais tenho sentido isso (falarei em outro post). Mas se livrar de coisas que você não usa, que já não tem mais serventia alguma na sua vida te dá uma sensação de liberdade, de purificação, caminhos sendo abertos, novas oportunidades e possibilidades. A sensação é de que a vida passa a circular melhor, e você, inclusive, pelo espaço. Internamente, passamos aos poucos a nos sentir mais leves e melhores.

Existem vários motivos para guardamos as coisas, seja lá qual for, isso quer dizer que somos ligados a bens materiais. Não podemos esquecer que dessa vida não se leva nada. Eu continuo com o meu processo que está só começando e deixo aqui pequenas dicas (e que estou usando) para você organizar a vida e desapegar:

Três perguntas básicas que você deve fazer para se desprender de algo:

1) Para quê preciso desse objeto?

2) Quanto tempo não mexo/uso isso?

3) Quando voltarei a mexer? (se a resposta for “não sei”, separe para doação)

Tudo que você não usa, tem utilidade para outra pessoa. Doe!

Desapegue!

Leia mais o site: Vida Organizada.

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