Entrevista especial com uma avó adorável

Ela tem nove netos e ressalta no início da conversa: tem uma cadeira de balanço, adora fazer crochê, tricô e bordar, mas não assumiu a imagem da famosa Dona Benta.

Começa o dia fazendo aula de balé clássico (todos os dias!!!), antes de ir para o computador escrever ou responder perguntas de jornalistas. Depois ela vai trabalhar em seu consultório onde atende até às 19:00 e só depois ela vai para cozinha fazer o jantar e se preparar para o programa da noite (que pode ser um concerto, um futebol ou um jantar entre amigos). Com todos esses afazeres, afirma: não é diferente de muitas outras avós que conhece.

Estou falando da psicanalista Lidia Aratangy Rosenberg, autora do Livro dos Avós – Na casa dos avós é sempre domingo?. Conversamos só por e-mail, mas a empatia foi grande. Lidia é daquelas pessoas que você tem vontade de conhecer e ficar horas proseando (e aprendendo!) com ela.

Lidia, por Ucha Aratangy

Lidia, por Ucha Aratangy

É com prazer enorme que compartilho com os leitores do Bossa Mãe, um trecho do nosso bate papo, onde ela dá uma lição sobre o relacionamento com os avós.

BM: Sempre que se fala em avó é comum surgir a ideia de uma senhora sentada fazendo tricô ou a lembrança dos almoços de domingo. Por que, mesmo com tantas mudanças, novos modelos de relacionamento, as avós continuam carregando imagem dos fazeres do passado?

LA: As avós não carregam esses estigmas, ainda que lhe sejam impostos. Elas estão bem diferentes disso e não se submetem a esses modelos. Mas parece que a publicidade, tão afoita em usar os mais recentes recursos da tecnologia em suas produções, é conservadora em seus modelos. Dê uma olhada nos comerciais do Dia das Mães: muitas mães ainda estão de avental e os produtos anunciados são (quase) todos do lar (eletrodomésticos, roupas de cama, mesa e banho e por aí vai). No Dia dos Pais, os anúncios são de carros, roupas esportivas… Nunca vi um anúncio de carros para as mães, nem de fogões para os pais, embora haja tanta (ou mais?) mulheres quanto homens pilotando carros, e muitos homens pilotando fogões.

A imagem da avó ainda é a da Dona Benta, criada por Lobato na década de 40: “…uma velhinha de mais de sessenta anos, com óculos de ouro na ponta do nariz e cestinha de costura ao colo” . O grifo é meu, porque acho que ele queria dizer que havia muito mais velhinhas de menos de sessenta anos! Hoje é mais provável encontrar avós nas academias de ginástica do que de cestinha de costura ao colo. Mas é mais fácil recorrer à imagem conhecida, sem avós imprevisíveis como as de carne e osso…

BM: Dizem que avós deseducam os netos e, em sua obra “Livro dos Avós – na casa dos avós é sempre domingo?”, vocês falam que na casa dos avós é um espaço de limites menos rígidos ou até diferentes do dos pais. Gostaria que me falasse um pouco sobre isso.

LA: Ter limites diferentes não significa ausência de limites. E os limites dos avós costumam ser menos rígidos do que os dos pais porque as avós já não estão preocupadas em demonstrar teorias pedagógicas, nem precisam provar que elas é que estão certas, e não as suas mães (como elas mesmas fizeram quando eram mães…). Essa ausência de preocupação ou de aderência a modelos permite um comportamento mais flexível.

Para as crianças, não há a menor dificuldade em saber que ambientes diferentes pedem comportamentos diferentes (ela já sabe que as regras da escola são diferentes das regras de casa, e que na casa do colega há regras diferentes das da casa dela). Essa é uma informação importantíssima para a vida da criança, que não vai se comportar da mesma maneira no estádio de futebol e na sala de concerto.

BM: Os pais muitas vezes esperam que os avós ajudem na formação da educação das crianças. Como diminuir essa expectativa dos pais?

LA: O problema não é a expectativa de parceria na educação – o que é, além de justo, inevitável -, mas a ideia de que essa ajuda deve ser da maneira como os pais querem que seja. Ora, a avó não é uma baby-sitter de luxo, ela tem um vínculo direto com seus netos, e tem o direito de educá-los também com o que ela acredita. O fato é que os valores dos pais e avós geralmente são os mesmos, o que difere é a maneira como cada um expressa e transmite esses valores – o que não tem muita importância, se pais e avós não estiverem tirando um braço-de-ferro para provar quem tem razão.

BM: E como os avós podem contribuir com a educação dos netos?

LA: Colocando com clareza seus pontos de vista e até mostrando as mudanças que ocorreram na educação, do tempo em que ela foi mãe até o presente, quando ela assiste a (sem crase!) a mãe que sua filha se tornou. A noção de que as coisas mudam com a passagem do tempo e de que as diferenças podem ser respeitadas são fundamentais para a educação. E é importante que as mmãees saibam que a maneira como elas lidam com suas mães, as avós de seus filhos, está ensinado um modelo de como lidar com as mães idosas, que eles repetirão mais tarde com suas mães. Ou seja: mães que caçoam das avós, que desrespeitam as avós de seus filhos estão cuspindo pra cima…

Acrescento que os avós são depositários da história da família e os únicos a poder transmitir esse relato em primeira mão.

BM: Qual a importância, a representatividade dos netos para os avós?

LA: Para os avós, os netos representam uma lufada de ar fresco, de alento e esperança num momento em que eles estão percebendo que sua importãncia diminui a cada dia. É claro que isso é sinal de que a vida deu certo, de que os filhos cresceram e são independentes, de que profissionalmente sua missão está cumprida – mas há um vazio e uma ansiedade sobre o que está por vir. A chegada dos netos lhes devolve uma autoimagem positiva, uma sensação de voltar a ser valorizado e importante.

Te conto um episódio.

O Théo (um dos netos, atualmente com 18 anos) tinha 4 anos numa noite em que, por circunstâncias que não vêm ao caso, dormimos eu e ele no mesmo quarto, numa casa em que pernoitávamos pela primeira vez. No meio da noite , ele me chama: Vovó, me dá a mão! Aqui está muito escuro! Eu, fazendo graça: E se eu te der a mão vai acender a luz? Ele, direto: Não vai acender a luz, mas fica mais claro quando você me dá a mão…

*

Linda, né?

Lidia Aratangy estará dia 26, ao vivo, no programa Encontro com a Fátima Bernardes, num especial sobre avós. Não percam!

#semanadosavós

Sobre brincar, educação e limites

Olha ela aqui de novo. Não tem jeito, eu adoro Beth Monteiro! Sou tipo fã de carteirinha. Gostei muito do seu último lançamento “Criando filhos em tempos difíceis”, Editora Summus. Gostei, principalmente, porque é um livro direto, sem rodeios, a leitura corre rápida e de fácil compreensão. Parece uma palestra da autora. Ela é breve, mas vai direto ao ponto. E isso pra mim tem sido algo primordial, já que ultimamente ando sem tempo para ler.

Beth é defensora da infância e no livro ela destaca a importância do brincar. Ela afirma que as brincadeiras contribuem para que as crianças se tornem adultos criativos e até bem-sucedidos. É através das brincadeiras que as crianças são preparadas para assumir alguns papéis na vida. A obra traz um capítulo com dicas de brincadeiras para pais e cuidadores curtirem com as crianças. Brincadeiras, inclusive, com objetivo ligado ao desenvolvimento motor e psíquico da criança.

Esse livro não é um manual, não traz receitas, mas traz uma lição: é determinante a nossa participação na infância dos nossos filhos. Isso significa reservar um tempo só para a criança e fazer coisas do interesse dela. Não importa se é uma hora do seu dia, mas o tempo reservado para o seu filho deve ser um tempo de qualidade.

A autora também fala sobre educação e como lidar com alguns tipos de crianças, como por exemplo, a agitada, a do contra, a medrosa. Dedica um espaço para falar sobre a sexualidade da criança, as dificuldades de aprendizagem e as drogas.

Ao final, traz um capítulo voltado para a mãe – que li como se fosse uma carta e me trouxe um sentimento muito bom, de reconhecimento pelo meu papel. E tem um capítulo voltado para os avós, onde traz algumas dicas pertinentes de como agir nessa função.

Trechos do livro

“Resgatar a infância também resulta em resgatar o ser humano que existe dentro de cada um de nós, para que possamos sonhar com um futuro de paz, harmonia, respeito, amor, dignidade e progresso. Afinal, é a partir dos sonhos que tudo começa. Resgatar a infância de nossos filhos é investir no futuro da civilização.”

“O que faz que uma criança possa desfrutar de mais momentos de felicidade, sem dúvida alguma, é o ambiente em que ela se desenvolve, particularmente a compreensão e a aceitação dos seus pais.”

“Mães que amamentam nervosas, ansiosas, preocupadas, conversando com outras pessoas, não transmitem tranquilidade para o bebê. A hora da amamentação deve ser sagrada.”

“Os castigos só funcionam quando são educativos, portanto devem ter uma relação lógica e direta com o erro.”

“Deixe que caia, não resolva as coisas por ela, não a ensine, permita que descubra sozinha. Controle a ansiedade, pois os adultos tem mania de querer ensinar.”

“O desejo que muitos meninos apresentam de brincar com bonecas ou de casinha não é nada além da necessidade de treinar o papel de pai. É uma pena que nossa sociedade seja tão machista e dura com a educação dos meninos. Eles não podem mostrar delicadeza, fragilidade, emoção.”

“A disponibilidade emocional dos pais é o meio pelo qual a criança aprende a perceber o mundo e a se relacionar com ele”

“Oponha-se a tudo que for contra os seus valores éticos, religiosos e sociais. Não tenha medo de dar limites ao seu filho.”

“Não existem pais perfeitos e nenhuma criança precisa de perfeição. Não fique buscando modelos em amigos que dizem saber educar: siga o seu modelo.”

“Seu filho nasceu de você, mas não é propriedade sua. Ele pertence ao mundo, que exige tanto dele quanto de você. A vida está aí, aproveite-a bem, pois você não sabe se terá outra oportunidade. Largue aquele velho discurso de que os filhos dão trabalho, que você não tem tempo para nada, que ser mãe é padecer no paraíso, que você é uma infeliz, que ninguém ajuda. Saia do papel de vítima. Faça novos projetos de vida e corra mais riscos, pois estes nos levam às mudanças. Faça experiências com a vida experimente ousar mais.”

Abaixo, uma breve entrevista com a autora. Assunto: limites.

Bossa Mãe: Como educar os filhos, impor limites e regras de forma positiva?

BM: Educar implica em colocar limites sim, mas de acordo com a faixa etária e de desenvolvimento cognitivo da criança. Ser mãe implica em estudar!!! Estudar o funcionamento daquele ser que geramos. É um absurdo ver que tem gente que nunca busca saber nada!

Vai batendo, dizendo nãos, ou dizendo sins, sem pensar antes!!!

Bossa Mãe: Muitas pessoas colocam as crianças no cantinho para pensar quando elas se comportam mal. Sinceramente, não acredito que uma criança de dois anos pense no seu comportamento errado. A Dra. é a favor desse método? Quais métodos a Dra. sugere?

BM: Dar limites implica em pensar: o que eu acho?, será que isto me incomoda?, será que o meu filho já tem idade para entender?…

Odeio colocar uma criança pequena para pensar sobre os seus atos. Quem faz isso, não tem noção do desenvolvimento cognitivo de uma criança. Ela só consegue pensar sobre os seus erros à partir dos 6 anos! Em vez de assistirem a esses programas adestradores, é melhor assistir Seu Cão, Seu Dono… É a mesma coisa!

O castigo deve ser educativo. E o que mais entristece uma criança é saber que ela desagradou às pessoas que ela ama. Basta dizer que a mamãe está triste e brava porque ela fez tal coisa (apontar o que ela fez), e dar-lhe uma fria!” A mamãe não quer falar com você agora”.

Mas também não vá ficar um dia inteiro sem falar com a criança.

Bossa Mãe: Dizer “não” às vezes é preciso, mas muitas vezes também é desnecessário. Como e quando usar o “não”?

BM: Educar com coerência implica em agir da forma que você pensa: se você não gosta de deixar a sua criança pequena dormir na casa dos amigos e se isto a preocupa, basta não deixar. Não importa que as outras mães deixem. Se você não fica tranquila com isso, pronto! Já sabe o que deve fazer! Mas também não exagere! Vá se atualizando enquanto o seu filho cresce. Mas não abra mão das suas convicções. É melhor que a criança chore pela frustração, do que você, de arrependimento.

Bossa Mãe: É um desafio educar, principalmente porque nós pais temos que rever nossas práticas. Impor limites, exigir respeito, envolve também ser coerente, ter bom-senso. Fale um pouco sobre esse princípio do bom-senso.

BM: Bom-senso é saber a medida exata entre o máximo e o mínimo: é encontrar o ponto de equilíbrio. Ex.: Você não vai sair para ir a uma loja de cristais com a sua criança, mas também não vai deixá-la em casa, se não tiver com quem deixar. Então, fique com ela no seu colo se tiver mesmo de ir a tal loja. Tem lugares que não são feitos para a criança frequentar. E para saber, basta ter bom-senso!

*

Em agosto, Elizabeth Monteiro promoverá encontros quinzenas em São Paulo e Campinas. Trata-se de um grupo de orientações para mães, junto com a psicopedagoga e doutora em educação Sonia Losito. Serão 8 encontros, das 14:00 às 15:30, às quartas-feiras em São Paulo e às segundas em Capinas. As vagas são limitadas. Interessados devem entrar em contato por inbox através da página no facebook de Elizabeth.

Porque Benjamin não toma Petit Suisse

Já faz alguns dias comentei na fan page do blog que Benjamin não toma “danoninho”. Antes, para não ter confusão, vou me referir a essa sobremesa pelo nome correto “Petit Suisse”, afinal “Danone” é marca.

Nada contra, o marido ama. Eu não sou fanática, mas gosto de alguns. Para o Benjamin não oferecemos por indicações de sua pediatra. Ela sempre foi contra oferecer tal sobremesa a crianças de 0 a 4 anos. E foi esse comentário meu que fez surgir várias dúvidas entre as leitoras.

Algumas pessoas me olham torto ou acham um absurdo eu não oferecer alguns alimentos para o Benjamin. Eu pesquisei muito, conversei bastante com a pediatra do Ben e o que ficou claro pra mim sempre foi: os primeiros dois anos de vida são fundamentais para educação alimentar da criança. Por isso, junto com o marido, decidimos não oferecer guloseimas até os dois anos de idade dele (burlamos um pouquinho, pois recentemente meu Ben começou a comer chocolate, mas lá em casa restringimos o dia da guloseima para os finais de semana).

Sinceramente acho que optei pelo caminho certo ao restringir um pouco a alimentação dele. Fico muito orgulhosa ao ver que meu pequeno, tão pequeno, é mais sabido que a mãe e come um pratão de verduras.

Agora me diz, qual a necessidade de oferecermos certas guloseimas para crianças? Vejo crianças mais novas que Benjamin ingerindo balas, salgadinhos, petit suisse, refrigerante, entre outras porcarias. Enquanto elas não conhecem, não sentem falta nenhuma, correto? Quem apresenta? Em minha opinião, em primeiro lugar, os pais. Depois vem os fatores externos: avós, coleguinhas, escola!

Na escola do Benjamin mesmo petit suisse foi item liberado no lanche, recentemente. Tem um dia para essa guloseima. A escola tem culpa? Mea culpa, vai! Porque se é liberado é porque alguma mãe fez questão disso. E infelizmente, não é uma, mas várias mães. Não vejo problemas em oferecer guloseimas para as crianças, mas desde que seja feito em sua casa. Na escola acho mesmo que deveria ser restringido.

Alimentação infantil é um assunto sério. E por falta de informação, a obesidade infantil torna-se hoje um dos problemas mais sérios em várias casas pelo mundo a fora.

O que poucas pessoas sabem é que existe diferença entre iogurte e petit suisse.

Para esclarecer um pouco mais sobre o assunto e falar sobre alimentaçao infantil, convidei a nutricionista Beatriz Miranda Braga, pós-graduada em Nutrição Clínica Pediátrica pelo Instituto da Criança (HC-FMUSP) e Nutricionista Clínica do Hospital Albert Einstein.

Bossa Mãe: Qual a importância de manter uma alimentação saudável para os bebês até um ano de idade?
BM: Boas práticas alimentares no primeiro ano de vida fornecem, em quantidade e qualidade, alimentos adequados para suprir as necessidades nutricionais para o crescimento e desenvolvimento da criança. Esta é a fase onde a criança descobre novos alimentos além do leite materno e é quando as predisposições genéticas, como a preferência pelo sabor doce, a rejeição aos sabores azedos e amargos e certa indiferença pelo sabor salgado, começarão a se manifestar. É neste período que começam a controlar o mecanismo regulador do apetite e começam as preferências e o controle do volume que desejam ser consumidos. Por isso a importância de manter uma alimentação saudável na primeira infância.

Bossa Mãe: Qual o motivo de não oferecer certos alimentos para as crianças antes de 1 ano? De preferência cite 3 alimentos que devem ser evitados antes desse período.
BM: Como dito anteriormente, é nesta fase que as crianças descobrem novos alimentos e quando começam a formar as preferências e administrar o controle do volume que desejam ser consumidos. Desta forma, alguns alimentos não devem ser ofertados antes do 1º ano de vida e são eles: produtos industrializados e com conservantes; produtos com corantes artificiais; embutidos (salame, presunto, linguiça, mortadela) e enlatados (milho verde, ervilha, pepino azedo, palmito, azeitona, picles etc); doces (bolos, chocolates e achocolatados, biscoitos recheados e guloseimas em geral); refrigerantes e sucos artificiais; balas; pirulito; pipoca; amendoim; frituras, condimentos (maionese, catchup, mostarda, pimenta); salgadinhos de pacote em geral; e o leite de vaca que está associado ao aparecimento da anemia ferropriva (anemia por deficiência de ferro) devido o baixo teor de ferro presente no leite e também por não ser bem absorvido pelo organismo dos bebês.

Bossa Mãe: Porque é importante evitar oferecer sobremesas lácteas para as crianças com menos de um ano e até quando evitar?
BM: As sobremesas lácteas contém cálcio. O consumo de alimentos fontes de cálcio deve ser evitado junto a alimentos fontes de ferro (muito presente na composição do almoço e jantar), especialmente na infância. Isto porque cálcio e ferro são nutrientes que competem pela absorção no organismo, fazendo com que diminua a biodisponibilidade deles quando consumidos na mesma refeição. Ou seja, prejudica absorção de ambos.

Bossa Mãe: O que a criança de fato precisa comer e até que idade isso deve ser em caráter exclusivo?
BM: O leite materno deve ser consumido de forma exclusiva até, preferencialmente, o 6º mês de vida. Após isto, a introdução da alimentação complementar (frutas, legumes, cereais) em forma de papas se faz necessária.

Bossa Mãe: Quando oferecer guloseimas e quais evitar ainda por um certo tempo (e até quando)?
BM: As guloseimas (doces e açúcares refinados) devem ser evitadas até o 2º ano de vida. Já foi comprovado que a criança nasce com preferência para o sabor doce. Por isso, a adição de açúcar é desnecessária e deve ser evitada neste período de educação alimentar. E, oferecendo guloseimas em excesso, pode fazer com que a criança não se interesse pelos cereais, verduras e legumes. Mas lembre-se: o ideal é a educação alimentar, com bastante conversa, e não a proibição. Conversa, moderação e controle fazem toda diferença.

Bossa Mãe: Qual a diferença entre iogurte e petit suisse?
BM: O iogurte é o leite fermentado por bactérias, Lactobacillus bulgaricus e Streptococcus termophilus, que permanecem vivas e em grandes quantidades no produto final. O iogurte natural é aquele sem qualquer adição, além das culturas microbianas. Iogurtes light são aqueles feitos com leite desnatado (sem gordura) ou leite semidesnatado. No mercado, existem inúmeros tipos de iogurtes, com polpas de frutas, mel, cereais e etc.

Já o “danoninho” (marca) é um Petit suisse (queijo mole, feito por coagulação láctea utilizando-se bactérias, enzimas ou coalho) com adição de frutas e vitaminas, costuma ter uma quantidade maior de cálcio por ser mais “concentrado”.

O ideal é que, tanto os iogurtes como o Petit suisse, sejam introduzidos na alimentação da criança somente após o 1º ano de idade.

Bossa Mãe: Para terminar, qual seria a alimentação adequada – para não dizer perfeita – para os bebês até os dois anos de idade?
BM: De acordo com o Ministério da Saúde, em parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria, os dez passos da alimentação saudável para crianças brasileiras menores de dois anos são:
1. Dar somente leite materno até os seis meses, sem oferecer água, chás ou quaisquer outros alimentos;
2. A partir dos seis meses, oferecer de forma lenta e gradual outros alimentos, mantendo o leite materno até os dois anos de idade ou mais;
3. A partir dos seis meses, dar alimentos complementares (cereais, tubérculos, carnes, leguminosas, frutas e legumes) três vezes ao dia, se a criança receber leite materno, e cinco vezes ao dia, se estiver desmamada.
4. A alimentação complementar deve ser oferecida de acordo com os horários de refeição da família, em intervalos regulares e de forma a respeitar o apetite da criança;
5. A alimentação complementar deve ser espessa desde o início e oferecida de colher; começar com consistência pastosa (papas/purês) e, gradativamente, aumentar a sua consistência até chegar à alimentação da família;
6. Oferecer à criança diferentes alimentos ao dia. Uma alimentação variada é uma alimentação colorida;
7. Estimular o consumo diário de frutas, verduras e legumes nas refeições;
8. Evitar açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos e outras guloseimas, nos primeiros anos de vida. Usar sal com moderação;
9. Cuidar da higiene no preparo e manuseio dos alimentos; garantir o seu armazenamento e conservação adequados;
10. Estimular a criança doente e convalescente a se alimentar, oferecendo sua alimentação habitual e seus alimentos preferidos, respeitando a sua aceitação.

A nutricionista Beatriz ainda indica algumas leituras para nós mamães preocupadas com a alimentação dos pequenos. Ao ler um pouco de tudo isso, bate aquela culpa de eu não seguir uma alimentação saudável. Não só por eu ser um exemplo para o meu filho, mas por uma questão de cuidado com a minha saúde.

– Sobrepeso oferece enorme risco à longevidade

– Manual de orientação Departamento de Nutrologia

– Dez passos para uma alimentação saudável – Guia alimentar para crianças menores de dois anos

– Papinhas e comidas

Se você tiver alguma dúvida sobre alimentação infantil, envie para o Bossa Mãe, nós teremos prazer em esclarecer a dúvida com a nutricionista e lhe enviar a resposta.

Post do Dia das Mães (por Roberto Piffer)

O Dia das Mães está chegando. E num blog materno isso significa que, possivelmente, a data mais importante do ano se aproxima. Clima de festa, felicidade no ar, mamãe pra lá, mamãe pra cá… Ééééé, neste domingo o foco é ela, a figura materna, nosso porto seguro, a rainha da casa! Crianças, preparem seus abraços, muitos e muitos beijos, almoço em família, presentes (importante!) – domingo será o dia delas.

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Mas vamos ao início de tudo, buscando na história. Descobri que o Dia das Mães começou a ser comemorado nos EUA, por volta de 1865. No Brasil, a data foi oficializada por Getúlio Vargas, o grande presidente de valor, a partir de 1932.

E para marcar este dia tão importante, de tantas homenagens e comemorações, preparamos para você uma doce entrevista com a mãe que é a alma deste blog. A mãe do Ben, a única, a ímpar, enfim, a melhor mãe que ele poderia ter… Gabis Miranda!

Bosso Pai: bom dia mãe do Ben, seja bem-vinda ao blog, sinta-se em casa…

Gabis Miranda: obrigada, mas confesso que fico meio nervosa em entrevistas.

BP: com a chegada do dia das mães, o que muda em você? O que esta época te inspira? E as homenagens, fazem a diferença?

GM: o dia das mães floresce os sentimentos da mãe, emotiva sensações, cria reflexões da vida, do futuro, do presente… nessa época a mãe percebe um pouco mais o grande valor que tem para a família e para a sociedade, nossa importância fica mais evidente. E toda homenagem reluz coisas boas, mas acho que não devem ficar restritas somente à essa época. A mãe deve ser lembrada sempre.

BP: e os presentes, tem relevância neste contexto?

GM: diante da grandiosidade do ato diário de ser mãe, o presente é pouco representativo. Mas ai de você se não for comprar um bem bonito com o Ben!

BP: sabemos que o Dia das Mães cria este ambiente de homenagens (muito justas por sinal), mas também traz uma avalanche de consumismo e toda uma enxurrada comercial junto. Como você vê esta realidade?

GM: o presente, às vezes, ocupa mais espaço do que a homenagem à mãe, e isso não deve acontecer. Nunca deixe de reconhecer os esforços que as mães fazem ou fizeram no dia a dia. Lembrar da mãe e abraçá-la é o melhor presente que você pode dar. Mas se o presente que você comprou for caro, não tem problema… dê muitos abraços na sua mãe ou mãe dos seus filhos que ela vai amar.

BP: Qual o sabor de ser mãe?

GM: ser mãe tem sabor daquelas uvas verdinhas, bem docinhas. Na maioria das vezes é simples, não tem uma sementinha sequer para atrapalhar e você aproveita a maternidade como a vida pede. Mas às vezes nessas uvas você também encontra umas 3 sementinhas. Dão trabalho, mas não te impedem de saborear a vida.

BP: obrigado Gabi, abraços e beijos não vão te faltar no domingo. Te amamos muito, você é uma mãe linda. Feliz Dia das Mães!

Bom pessoal, espero que tenham gostado.

Aviso importante: esta entrevista é fictícia (felizmente ou infelizmente?), fruto da imaginação de um pai publicitário. Afinal, a Gabi nem gosta de uvas… Mas a mensagem é clara e a homenagem é nítida: FELIZ DIA DAS MÃES para todas as mamães, em especial para a mãe do meu Ben!

Aviso não-importante: hoje, 10 de maio, já é dia das mães em alguns países como: México, Guatemala, Hong Kong, Índia, Malásia e Qatar. Felicidades também às mães de lá.

Culpa materna, bom senso e coerência – Entrevista Elizabeth Monteiro

Não importa se você trabalha fora ou não. As dúvidas são permanentes: como equilibrar a vida quando, além de cobrarmos a nós mesmas, vivemos numa sociedade em que se cobra muito a competência e desvaloriza o papel que nós, mães, desempenhamos com amor que é cuidar da formação de nossos pequenos, nos esforçando para transformá-los em pessoas do bem? Muitas tem jornadas duplas de trabalho. Outras abriram mão do seu lado profissional. Por que nos descabelamos, nos culpamos, nos estressamos e estamos quase sempre com a sensação de impotência?

Para esclarecer algumas de nossas dúvidas, nossa primeira entrevistada é a pedagoga e psicóloga Elizabeth Monteiro, mãe de quatro filhos e autora dos livros “A culpa é da mãe” e “Criando filhos em tempos difíceis” – a ser lançado no próximo dia 08/05. Tive o prazer de conhecer Betty Monteiro no brunch da revista Pais & Filhos, na ocasião falamos sobre maternidade x trabalho e fiquei maravilhada com esse ser humano desde o primeiro momento. Além de ser mãe de quatro filhos, ou seja, tem larga experiência pessoal, ela é uma excelente profissional. Daquelas pessoas que você admira e quer aprender tudo que puder com ela.

Eu a definiria como o bom senso em pessoa. Aliás, parece que são dois aspectos compõem seu lema: bom senso e coerência. Para tudo o que fizermos, principalmente com relação aos filhos, é preciso uma boa dose desses dois ingredientes. Coerência – relação harmônica entre o que falamos e a forma que agimos.

No Wikipédia, ‘bom senso’ é um conceito usado na argumentação que é estritamente ligado às noções de sabedoria e de razoabilidade, e que define a capacidade média que uma pessoa possui, ou deveria possuir, de adequar regras e costumes a determinadas realidades, e assim poder fazer bons julgamentos e escolhas.

A seguir, breve entrevista com Betty Monteiro.

Bossa Mãe: De onde a culpa surge? Para não sentirmos culpa tem como achar o esclarecimento necessário dentro de nós?

BM: A culpa materna surgiu com os estudos e publicações de Rousseau, que mudou totalmente o conceito de infância que se tinha até o século XVII. Até esta época, as crianças eram tratadas como mini adultos, abandonadas à própria sorte e cuidadas pelas amas de leite.

Rousseau introduziu uma grande mudança no conceito que se tinha da criança e da educação. As mães deveriam passar a amamentar e a cuidar dos seus filhos. Mas… Surge Freud, que começa a atribuir todas as neuroses (ou quase todas), à relação mãe e filho. Depois disso, a culpa materna se generalizou e passou a ser cultural.

As mães se culpam e são acusadas pelas suas próprias mães e pela humanidade, quando algo não vai bem com o filho. Precisamos mudar isso, pois estudos mais recentes mostram que a criança já nasce com uma predisposição genética a desenvolver alguns transtornos, que criança também é fruto do ambiente em que vive, do pai, da família toda, da escola e não somente do modelo materno. Mãe culpada não consegue educar. Tem medo de contrariar, de frustrar o filho. A maternidade fica muito pesada e pouco prazerosa quando acompanhada de culpa.

Ninguém tem culpa daquilo que não sabe, mas passa a ter à partir do momento em que sabe. Devemos aprender com os erros, nos perdoar e acreditar em nosso potencial de criar educar uma criança, baseando-nos naquilo que acreditamos e não buscando modelos em outras pessoas.

Bossa Mãe: O termo “terceirizar o filho” não é muito claro pra mim. Por exemplo, se eu assumi trabalhar fora e deixo meu filho no berçário, estou terceirizando. É o mesmo se eu o deixar com outra pessoa em casa. Quer dizer, se trabalho fora eu tercerizo meu filho. Mas isso não é inevitável para quem trabalha fora, principalmente porque temos outros papéis a desempenhar na sociedade? Se encaixa aí aquele julgamento conhecido sobre “colocar filhos no mundo para os outros criarem”?

BM: As respostas estão dentro da gente. Basta se perguntar: o que eu penso sobre isso, o que eu quero e o que me deixa bem. Isto chama-se bom senso e coerência.

Terceirizar os filhos não significa mandá-los para a escola ou manter uma babá para a mãe poder cuidar das suas coisas e do trabalho. Quando digo isso, refiro-me às mães que deixam as questões dos filhos para os outros resolverem: reuniões escolares, reuniões com os profissionais que atendem a esta criança (psicólogo, médico, professores diversos). Terceirizar é não participar da vida da criança.

Não importa o que a sociedade diga, ou mesmo que ela não valorize o trabalho da mulher: seja em casa, ou fora. O importante é a pessoa se valorizar e se fazer respeitar. O respeito e o reconhecimento, são conquistas que realizamos na vida. O importante é você estar bem com você. Críticas sempre existirão.

Bossa Mãe: Em seu livro, A culpa é da mãe, a Dra. diz que não existe a perfeição quando se trata da maternidade. Porque existe tanta comparação entre mães? A mãe perfeita não existe, mas porque queremos ser sempre mães perfeitas? Essa intenção vem da culpa que sentimos algumas vezes?

BM: As mulheres sempre competem entre si. As mães competem para mostrar que são as melhores e as perfeitas. Isto é imaturidade. Buscam a aceitação e muitas vezes enchem os filhos de atividades, só para mostrar para as outras, como o filho é bom (no conceito dela). Não está nem um pouco preocupada com esta criança, mas sim em competir pela busca do melhor status. Uma questão puramente egoica: “Olha como eu sou boa! O meu filho fala ‘Javanês’ e o seu não…” Aí a coitada da outra mãe, que é insegura, vai atrás do tal curso de Javanês para a pobre da criança. Depois vira uma bola e neve e entra na moda. E a criança??? Pura falta de bom senso.

Bossa Mãe: Atualmente, quando algumas mulheres manifestam a vontade de ter um número maior que um (ou dois) filho, são logo vistas como seres alienados, malucos, fora da realidade. Isso parece ser manifestação de uma sociedade que dita regra de estética, economia, social e mesmo de realização, como se o que é considerado dentro dos padrões já permitisse que a pessoa fosse feliz o suficiente para não querer mais. No caso dos filhos, visto como uma loucura, por conta do “trabalho” que um só dá. O que a Dra., como mãe de 4 filhos, acha disso? Seus quatro filhos, foram planejados?

BM: Hoje em dia, com todos esses modismos, ter filhos ficou muito caro!!! Já imaginou manter uma babá para cada filho? Vejo muito isso!

Então dá até desespero só de pensar em ter filhos. Eu tive quatro, todos planejados. Não, não pude ter o quinto porque foram 4 cesarianas. Fico triste até hoje. Criei todos soltos, em contato com a natureza e com a simplicidades da vida. Nunca tiveram babá, sempre trabalhei e estudei muito, mas sempre mantinha sagrado e sacramentado os horários de estar com eles, inteira, na relação. Nunca fizeram aulas de inglês, natação, balet, e o que fosse da moda. Hoje todos falam inglês, nadam muito bem e são excelentes profissionais. São autodidatas em muitas coisas.

Bossa Mãe: Sabemos que não existe receita para criar os filhos, mas o que a Dra. sugere e aconselha às outras mães?

BM: Para se criar um filho basta ser um bom modelo e ter bom senso. Mentir faz mentir, enganar faz enganar e por aí vai. Antes de se queixar de que algo não vai bem com a criança, dê uma olhada para dentro de si. Eu gosto de educar pelo sim, embora o não seja o primeiro organizador psíquico. Bater, agredir verbalmente, rotular, dizer muitos nãos, criticar e não aceitar a criança como ela é, podem trazer muitas dificuldades e péssimos resultados.

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Acabou, que peninha! Mas você pode levar um pouco da Betty Monteiro pra casa. Quer ganhar o livro “A culpa é da Mãe”?

a culpa é da mãe

O Bossa Mãe vai sortear um exemplar entre seus leitores. Para participar, siga as instruções abaixo:

1. Deixe no comentário seu nome e compartilhe conosco: o que mais te aflige na maternidade?

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3. Cruze os dedos. E boa sorte!

O sorteio será realizado no sábado, dia 11/05 e divulgado aqui no blog.