Sobre organização e desapego

Eu odeio não gosto de inverno! Não simpatizo nem um pouco com os meses julho e agosto. São pra mim meses sacrificantes, arrastados, cinzentos, em que nada de bom acontece. Perceba, julho começou há dias e estamos no dia 10 ainda! Vai demorar para acabar, viu…

No entanto, já estamos no segundo semestre do ano! No dia 1º de julho, a amiga-mãe-blogueira Lelê postou no seu face algo do tipo: “Primeiro mês do segundo semestre do ano e o que você fez até agora?”. Fiquei me perguntando o dia inteiro o que tinha feito nos últimos 6 meses e vieram respostas nada convincentes: tirei férias, fiz um curso na ESPM; assisti alguns (poucos) filmes do projeto que consiste em assistir mais filmes; fiz junto com a arquiteta o projeto do meu apartamento; poupei; organizei a festa de aniversário do Benjamin; hum… e só.

Aí fui ler meu blog preferido sobre organização – Vida Organizada, da Thaís Godinho – e me deparei com o post Checklist de Julho 2013, que começa assim:

Julho é o primeiro mês da segunda metade do ano. É uma boa época para analisar tudo o que já fizemos e planejar os próximos passos de todos os novos objetivos de curto prazo. Se você gosta de fazer resoluções de ano novo, pode ser uma boa avaliar se o que você se propôs a fazer está caminhando e, se não for o caso, o que ainda pode ser feito até dezembro.”

Quase entrei numa crise. Ou melhor, entrei! A blogueira Thaís fala muito sobre objetivos de curto, médio e longo prazo. E me dei conta que eu não tracei, não tenho nenhum objetivo para os próximos meses. Motivo? Apartamento! Deixei o ano 2013 por conta do apartamento e estou deixando a vida me levar. Isso me incomoda muito. Gosto de planos, metas, objetivos! Gosto de me sentir em movimento.

Refleti mais um pouco e pensei: por que não destralhar e organizar a vida, principalmente, a casa?

Eu vou para um apartamento novinho em folha, o lugar que vou chamar de meu – o meu lar – e não posso transformá-lo num lugar de tralhas.

Estou numa fase que entro em casa e a visão que tenho é de entulho. Sério mesmo. Em cada canto da sala tem algo amontoado: papéis, livros, sapatos do Benjamin, DVD’s, CD’s, material de scrap, milhões de brinquedos…

Eu acredito que bagunça, tralha = acúmulo de coisas desnecessárias, é sinal de que o nosso interior está em conflito ou é falta de tesão pela casa. No meu caso, são as duas coisas juntas. Meu interior fica mega perturbado nesses meses. E eu já não tenho amor nenhum por essa casa em que moramos (se é que tive algum dia).

No dia 1º de julho, arregacei as mangas e iniciei o projeto “Organização e Mudança” ou “Exercício de Desapego”. Comecei pelos livros, separei todos e vi um por um o que levaria conosco para o apartamento e o que seria doado. Aproveitei e já encaixotei tudo. Nessa limpeza, encontrei coleções de revistas, várias delas: Vida Simples, Bons Fluídos, IMPRENSA, Casa e Jardim, Casa e Comida, Crescer, Pais & Filhos. Resolvi ficar apenas com a coleção de Vida Simples e Casa e Comida (essa coleção completa). Das outras, retirei todas as matérias que eu acho interessante para arquivar em pastas (compradas nesse final de semana) e da Casa e Jardim retirei todas as ideias que acho bacana para nosso apartamento.

Encontrei uma pasta enorme com uma coleção de papéis de carta!!! Há anos eu tenho isso. Há anos nem encostava nessa pasta. Nem precisei fazer a pergunta clássica “para quê preciso disso?”. Na hora veio a ideia do desapego. Enquanto estava nos livros, encontrei vários do Dalai Lama. Teve uma época da minha vida que o budismo me interessava muito. Não leio mais tanto a respeito, mas simpatizo com a religião. E uma das coisas que o budismo prega é justamente com relação ao desapego, dizem que o apego pode nos asfixiar. Fui pesquisar sobre o assunto e parece que o apego a determinado objeto pode ser também uma nostalgia mal resolvida, tipo uma vontade de viver novamente algo impossível. Por exemplo, guardar papéis de carta, poderá significar vontade de voltar a adolescência. Quáááá…

O ritmo de organização caiu no final de semana e ontem voltou a ficar intenso. Fui lá para o quarto onde guardamos todas as tralhas inimagináveis. Até o marido entrou, por livre e espontânea vontade (juro!), no processo. Ele fez uma limpa em seu guarda roupa e sapatos. Eu fiquei por conta da documentação da casa (que ainda não terminei), vários arquivos universitário (desapeguei geral: joguei tudo fora), bolsas (doei todas que não uso há um ano), roupas de cama (doei o que não uso e que não pretendo usar no apartamento) e banho (separei as toalhas maltrapilhas para fazer pano de chão e algumas mandei pra casa da minha mãe e irmã que usarão com os cachorros).

Tem muita coisa para fazer ainda: meu guarda-roupa; cozinha; banheiro; sala. Vai ser um processo longo, porque não basta tirar tudo o que não se quer mais, tem que organizar o que vai ficar. E o que estou fazendo digamos que é a primeira triagem, pois outra será feita ao encaixotar tudo de vez para a mudança.

É uma delícia destralhar a casa! Tem uma parte nostálgica que te abraça nesse processo – talvez por eu ser uma pessoa nostálgica demais tenho sentido isso (falarei em outro post). Mas se livrar de coisas que você não usa, que já não tem mais serventia alguma na sua vida te dá uma sensação de liberdade, de purificação, caminhos sendo abertos, novas oportunidades e possibilidades. A sensação é de que a vida passa a circular melhor, e você, inclusive, pelo espaço. Internamente, passamos aos poucos a nos sentir mais leves e melhores.

Existem vários motivos para guardamos as coisas, seja lá qual for, isso quer dizer que somos ligados a bens materiais. Não podemos esquecer que dessa vida não se leva nada. Eu continuo com o meu processo que está só começando e deixo aqui pequenas dicas (e que estou usando) para você organizar a vida e desapegar:

Três perguntas básicas que você deve fazer para se desprender de algo:

1) Para quê preciso desse objeto?

2) Quanto tempo não mexo/uso isso?

3) Quando voltarei a mexer? (se a resposta for “não sei”, separe para doação)

Tudo que você não usa, tem utilidade para outra pessoa. Doe!

Desapegue!

Leia mais o site: Vida Organizada.

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3 Comentários

  1. Uhuuu!! Adoroooo!! 😉 Sou super desorganizada no dia a dia com as coisas da casa. Mas o meu marido sempre fica impressionado como tenho uma habilidade gigante para arrumar as coisas. E eu acho que é por causa do desapego. Saio jogando tudo fora, dando tudo, sem nem pensar muito. Adoro, Gabi! Fiquei empolgada só de ler seu post e já vi que a minha casa vai sofrer as consequências dessa empolgação. kkkkk Beijossss

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  2. hsordili

     /  10 de julho de 2013

    SHOW!!
    Fico feliz que a frase tenha sido o seu gatilho.
    Infelizmente a pessoa que eu gostaria que acordasse só se lamenta e nao consegue dar um passo e sair da estagnação… uma pena.
    Mas parabens pra vc! E adorei as dicas!
    Viginiana que sou, adoro essas dicas!
    bjs

    Responder
  3. Adoro organizar as coisas. pelo menos 1 vez por ano , normalmente perto do Natal fazemos a faxina do desapego. Doamos várias coisas, costumo dizer que é para abrir espaço para coisas novas!

    Responder

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