Sobre brincar, educação e limites

Olha ela aqui de novo. Não tem jeito, eu adoro Beth Monteiro! Sou tipo fã de carteirinha. Gostei muito do seu último lançamento “Criando filhos em tempos difíceis”, Editora Summus. Gostei, principalmente, porque é um livro direto, sem rodeios, a leitura corre rápida e de fácil compreensão. Parece uma palestra da autora. Ela é breve, mas vai direto ao ponto. E isso pra mim tem sido algo primordial, já que ultimamente ando sem tempo para ler.

Beth é defensora da infância e no livro ela destaca a importância do brincar. Ela afirma que as brincadeiras contribuem para que as crianças se tornem adultos criativos e até bem-sucedidos. É através das brincadeiras que as crianças são preparadas para assumir alguns papéis na vida. A obra traz um capítulo com dicas de brincadeiras para pais e cuidadores curtirem com as crianças. Brincadeiras, inclusive, com objetivo ligado ao desenvolvimento motor e psíquico da criança.

Esse livro não é um manual, não traz receitas, mas traz uma lição: é determinante a nossa participação na infância dos nossos filhos. Isso significa reservar um tempo só para a criança e fazer coisas do interesse dela. Não importa se é uma hora do seu dia, mas o tempo reservado para o seu filho deve ser um tempo de qualidade.

A autora também fala sobre educação e como lidar com alguns tipos de crianças, como por exemplo, a agitada, a do contra, a medrosa. Dedica um espaço para falar sobre a sexualidade da criança, as dificuldades de aprendizagem e as drogas.

Ao final, traz um capítulo voltado para a mãe – que li como se fosse uma carta e me trouxe um sentimento muito bom, de reconhecimento pelo meu papel. E tem um capítulo voltado para os avós, onde traz algumas dicas pertinentes de como agir nessa função.

Trechos do livro

“Resgatar a infância também resulta em resgatar o ser humano que existe dentro de cada um de nós, para que possamos sonhar com um futuro de paz, harmonia, respeito, amor, dignidade e progresso. Afinal, é a partir dos sonhos que tudo começa. Resgatar a infância de nossos filhos é investir no futuro da civilização.”

“O que faz que uma criança possa desfrutar de mais momentos de felicidade, sem dúvida alguma, é o ambiente em que ela se desenvolve, particularmente a compreensão e a aceitação dos seus pais.”

“Mães que amamentam nervosas, ansiosas, preocupadas, conversando com outras pessoas, não transmitem tranquilidade para o bebê. A hora da amamentação deve ser sagrada.”

“Os castigos só funcionam quando são educativos, portanto devem ter uma relação lógica e direta com o erro.”

“Deixe que caia, não resolva as coisas por ela, não a ensine, permita que descubra sozinha. Controle a ansiedade, pois os adultos tem mania de querer ensinar.”

“O desejo que muitos meninos apresentam de brincar com bonecas ou de casinha não é nada além da necessidade de treinar o papel de pai. É uma pena que nossa sociedade seja tão machista e dura com a educação dos meninos. Eles não podem mostrar delicadeza, fragilidade, emoção.”

“A disponibilidade emocional dos pais é o meio pelo qual a criança aprende a perceber o mundo e a se relacionar com ele”

“Oponha-se a tudo que for contra os seus valores éticos, religiosos e sociais. Não tenha medo de dar limites ao seu filho.”

“Não existem pais perfeitos e nenhuma criança precisa de perfeição. Não fique buscando modelos em amigos que dizem saber educar: siga o seu modelo.”

“Seu filho nasceu de você, mas não é propriedade sua. Ele pertence ao mundo, que exige tanto dele quanto de você. A vida está aí, aproveite-a bem, pois você não sabe se terá outra oportunidade. Largue aquele velho discurso de que os filhos dão trabalho, que você não tem tempo para nada, que ser mãe é padecer no paraíso, que você é uma infeliz, que ninguém ajuda. Saia do papel de vítima. Faça novos projetos de vida e corra mais riscos, pois estes nos levam às mudanças. Faça experiências com a vida experimente ousar mais.”

Abaixo, uma breve entrevista com a autora. Assunto: limites.

Bossa Mãe: Como educar os filhos, impor limites e regras de forma positiva?

BM: Educar implica em colocar limites sim, mas de acordo com a faixa etária e de desenvolvimento cognitivo da criança. Ser mãe implica em estudar!!! Estudar o funcionamento daquele ser que geramos. É um absurdo ver que tem gente que nunca busca saber nada!

Vai batendo, dizendo nãos, ou dizendo sins, sem pensar antes!!!

Bossa Mãe: Muitas pessoas colocam as crianças no cantinho para pensar quando elas se comportam mal. Sinceramente, não acredito que uma criança de dois anos pense no seu comportamento errado. A Dra. é a favor desse método? Quais métodos a Dra. sugere?

BM: Dar limites implica em pensar: o que eu acho?, será que isto me incomoda?, será que o meu filho já tem idade para entender?…

Odeio colocar uma criança pequena para pensar sobre os seus atos. Quem faz isso, não tem noção do desenvolvimento cognitivo de uma criança. Ela só consegue pensar sobre os seus erros à partir dos 6 anos! Em vez de assistirem a esses programas adestradores, é melhor assistir Seu Cão, Seu Dono… É a mesma coisa!

O castigo deve ser educativo. E o que mais entristece uma criança é saber que ela desagradou às pessoas que ela ama. Basta dizer que a mamãe está triste e brava porque ela fez tal coisa (apontar o que ela fez), e dar-lhe uma fria!” A mamãe não quer falar com você agora”.

Mas também não vá ficar um dia inteiro sem falar com a criança.

Bossa Mãe: Dizer “não” às vezes é preciso, mas muitas vezes também é desnecessário. Como e quando usar o “não”?

BM: Educar com coerência implica em agir da forma que você pensa: se você não gosta de deixar a sua criança pequena dormir na casa dos amigos e se isto a preocupa, basta não deixar. Não importa que as outras mães deixem. Se você não fica tranquila com isso, pronto! Já sabe o que deve fazer! Mas também não exagere! Vá se atualizando enquanto o seu filho cresce. Mas não abra mão das suas convicções. É melhor que a criança chore pela frustração, do que você, de arrependimento.

Bossa Mãe: É um desafio educar, principalmente porque nós pais temos que rever nossas práticas. Impor limites, exigir respeito, envolve também ser coerente, ter bom-senso. Fale um pouco sobre esse princípio do bom-senso.

BM: Bom-senso é saber a medida exata entre o máximo e o mínimo: é encontrar o ponto de equilíbrio. Ex.: Você não vai sair para ir a uma loja de cristais com a sua criança, mas também não vai deixá-la em casa, se não tiver com quem deixar. Então, fique com ela no seu colo se tiver mesmo de ir a tal loja. Tem lugares que não são feitos para a criança frequentar. E para saber, basta ter bom-senso!

*

Em agosto, Elizabeth Monteiro promoverá encontros quinzenas em São Paulo e Campinas. Trata-se de um grupo de orientações para mães, junto com a psicopedagoga e doutora em educação Sonia Losito. Serão 8 encontros, das 14:00 às 15:30, às quartas-feiras em São Paulo e às segundas em Capinas. As vagas são limitadas. Interessados devem entrar em contato por inbox através da página no facebook de Elizabeth.

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  1. Betty Monteiro

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