Porque Benjamin não toma Petit Suisse

Já faz alguns dias comentei na fan page do blog que Benjamin não toma “danoninho”. Antes, para não ter confusão, vou me referir a essa sobremesa pelo nome correto “Petit Suisse”, afinal “Danone” é marca.

Nada contra, o marido ama. Eu não sou fanática, mas gosto de alguns. Para o Benjamin não oferecemos por indicações de sua pediatra. Ela sempre foi contra oferecer tal sobremesa a crianças de 0 a 4 anos. E foi esse comentário meu que fez surgir várias dúvidas entre as leitoras.

Algumas pessoas me olham torto ou acham um absurdo eu não oferecer alguns alimentos para o Benjamin. Eu pesquisei muito, conversei bastante com a pediatra do Ben e o que ficou claro pra mim sempre foi: os primeiros dois anos de vida são fundamentais para educação alimentar da criança. Por isso, junto com o marido, decidimos não oferecer guloseimas até os dois anos de idade dele (burlamos um pouquinho, pois recentemente meu Ben começou a comer chocolate, mas lá em casa restringimos o dia da guloseima para os finais de semana).

Sinceramente acho que optei pelo caminho certo ao restringir um pouco a alimentação dele. Fico muito orgulhosa ao ver que meu pequeno, tão pequeno, é mais sabido que a mãe e come um pratão de verduras.

Agora me diz, qual a necessidade de oferecermos certas guloseimas para crianças? Vejo crianças mais novas que Benjamin ingerindo balas, salgadinhos, petit suisse, refrigerante, entre outras porcarias. Enquanto elas não conhecem, não sentem falta nenhuma, correto? Quem apresenta? Em minha opinião, em primeiro lugar, os pais. Depois vem os fatores externos: avós, coleguinhas, escola!

Na escola do Benjamin mesmo petit suisse foi item liberado no lanche, recentemente. Tem um dia para essa guloseima. A escola tem culpa? Mea culpa, vai! Porque se é liberado é porque alguma mãe fez questão disso. E infelizmente, não é uma, mas várias mães. Não vejo problemas em oferecer guloseimas para as crianças, mas desde que seja feito em sua casa. Na escola acho mesmo que deveria ser restringido.

Alimentação infantil é um assunto sério. E por falta de informação, a obesidade infantil torna-se hoje um dos problemas mais sérios em várias casas pelo mundo a fora.

O que poucas pessoas sabem é que existe diferença entre iogurte e petit suisse.

Para esclarecer um pouco mais sobre o assunto e falar sobre alimentaçao infantil, convidei a nutricionista Beatriz Miranda Braga, pós-graduada em Nutrição Clínica Pediátrica pelo Instituto da Criança (HC-FMUSP) e Nutricionista Clínica do Hospital Albert Einstein.

Bossa Mãe: Qual a importância de manter uma alimentação saudável para os bebês até um ano de idade?
BM: Boas práticas alimentares no primeiro ano de vida fornecem, em quantidade e qualidade, alimentos adequados para suprir as necessidades nutricionais para o crescimento e desenvolvimento da criança. Esta é a fase onde a criança descobre novos alimentos além do leite materno e é quando as predisposições genéticas, como a preferência pelo sabor doce, a rejeição aos sabores azedos e amargos e certa indiferença pelo sabor salgado, começarão a se manifestar. É neste período que começam a controlar o mecanismo regulador do apetite e começam as preferências e o controle do volume que desejam ser consumidos. Por isso a importância de manter uma alimentação saudável na primeira infância.

Bossa Mãe: Qual o motivo de não oferecer certos alimentos para as crianças antes de 1 ano? De preferência cite 3 alimentos que devem ser evitados antes desse período.
BM: Como dito anteriormente, é nesta fase que as crianças descobrem novos alimentos e quando começam a formar as preferências e administrar o controle do volume que desejam ser consumidos. Desta forma, alguns alimentos não devem ser ofertados antes do 1º ano de vida e são eles: produtos industrializados e com conservantes; produtos com corantes artificiais; embutidos (salame, presunto, linguiça, mortadela) e enlatados (milho verde, ervilha, pepino azedo, palmito, azeitona, picles etc); doces (bolos, chocolates e achocolatados, biscoitos recheados e guloseimas em geral); refrigerantes e sucos artificiais; balas; pirulito; pipoca; amendoim; frituras, condimentos (maionese, catchup, mostarda, pimenta); salgadinhos de pacote em geral; e o leite de vaca que está associado ao aparecimento da anemia ferropriva (anemia por deficiência de ferro) devido o baixo teor de ferro presente no leite e também por não ser bem absorvido pelo organismo dos bebês.

Bossa Mãe: Porque é importante evitar oferecer sobremesas lácteas para as crianças com menos de um ano e até quando evitar?
BM: As sobremesas lácteas contém cálcio. O consumo de alimentos fontes de cálcio deve ser evitado junto a alimentos fontes de ferro (muito presente na composição do almoço e jantar), especialmente na infância. Isto porque cálcio e ferro são nutrientes que competem pela absorção no organismo, fazendo com que diminua a biodisponibilidade deles quando consumidos na mesma refeição. Ou seja, prejudica absorção de ambos.

Bossa Mãe: O que a criança de fato precisa comer e até que idade isso deve ser em caráter exclusivo?
BM: O leite materno deve ser consumido de forma exclusiva até, preferencialmente, o 6º mês de vida. Após isto, a introdução da alimentação complementar (frutas, legumes, cereais) em forma de papas se faz necessária.

Bossa Mãe: Quando oferecer guloseimas e quais evitar ainda por um certo tempo (e até quando)?
BM: As guloseimas (doces e açúcares refinados) devem ser evitadas até o 2º ano de vida. Já foi comprovado que a criança nasce com preferência para o sabor doce. Por isso, a adição de açúcar é desnecessária e deve ser evitada neste período de educação alimentar. E, oferecendo guloseimas em excesso, pode fazer com que a criança não se interesse pelos cereais, verduras e legumes. Mas lembre-se: o ideal é a educação alimentar, com bastante conversa, e não a proibição. Conversa, moderação e controle fazem toda diferença.

Bossa Mãe: Qual a diferença entre iogurte e petit suisse?
BM: O iogurte é o leite fermentado por bactérias, Lactobacillus bulgaricus e Streptococcus termophilus, que permanecem vivas e em grandes quantidades no produto final. O iogurte natural é aquele sem qualquer adição, além das culturas microbianas. Iogurtes light são aqueles feitos com leite desnatado (sem gordura) ou leite semidesnatado. No mercado, existem inúmeros tipos de iogurtes, com polpas de frutas, mel, cereais e etc.

Já o “danoninho” (marca) é um Petit suisse (queijo mole, feito por coagulação láctea utilizando-se bactérias, enzimas ou coalho) com adição de frutas e vitaminas, costuma ter uma quantidade maior de cálcio por ser mais “concentrado”.

O ideal é que, tanto os iogurtes como o Petit suisse, sejam introduzidos na alimentação da criança somente após o 1º ano de idade.

Bossa Mãe: Para terminar, qual seria a alimentação adequada – para não dizer perfeita – para os bebês até os dois anos de idade?
BM: De acordo com o Ministério da Saúde, em parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria, os dez passos da alimentação saudável para crianças brasileiras menores de dois anos são:
1. Dar somente leite materno até os seis meses, sem oferecer água, chás ou quaisquer outros alimentos;
2. A partir dos seis meses, oferecer de forma lenta e gradual outros alimentos, mantendo o leite materno até os dois anos de idade ou mais;
3. A partir dos seis meses, dar alimentos complementares (cereais, tubérculos, carnes, leguminosas, frutas e legumes) três vezes ao dia, se a criança receber leite materno, e cinco vezes ao dia, se estiver desmamada.
4. A alimentação complementar deve ser oferecida de acordo com os horários de refeição da família, em intervalos regulares e de forma a respeitar o apetite da criança;
5. A alimentação complementar deve ser espessa desde o início e oferecida de colher; começar com consistência pastosa (papas/purês) e, gradativamente, aumentar a sua consistência até chegar à alimentação da família;
6. Oferecer à criança diferentes alimentos ao dia. Uma alimentação variada é uma alimentação colorida;
7. Estimular o consumo diário de frutas, verduras e legumes nas refeições;
8. Evitar açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos e outras guloseimas, nos primeiros anos de vida. Usar sal com moderação;
9. Cuidar da higiene no preparo e manuseio dos alimentos; garantir o seu armazenamento e conservação adequados;
10. Estimular a criança doente e convalescente a se alimentar, oferecendo sua alimentação habitual e seus alimentos preferidos, respeitando a sua aceitação.

A nutricionista Beatriz ainda indica algumas leituras para nós mamães preocupadas com a alimentação dos pequenos. Ao ler um pouco de tudo isso, bate aquela culpa de eu não seguir uma alimentação saudável. Não só por eu ser um exemplo para o meu filho, mas por uma questão de cuidado com a minha saúde.

– Sobrepeso oferece enorme risco à longevidade

– Manual de orientação Departamento de Nutrologia

– Dez passos para uma alimentação saudável – Guia alimentar para crianças menores de dois anos

– Papinhas e comidas

Se você tiver alguma dúvida sobre alimentação infantil, envie para o Bossa Mãe, nós teremos prazer em esclarecer a dúvida com a nutricionista e lhe enviar a resposta.

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6 Comentários

  1. e quando a pediatra maluca manda dar ADES (com sabor ainda!) pro seu neném de 6 meses? no LUGAR do leite? :DDDDD sai correndo? eu saí…

    Responder
  2. Virgínia

     /  11 de junho de 2013

    Parabéns ela entrevista e pela proposta de insistir na busca de como educar nossas crianças para a alimentação mais saudável. Só assim nós também paramos de gastar dinheiro com porcarias e deixamos de ter preguiça para fazer as comidinhas dos bebes.

    Responder
  3. Apoiada na sua decisão! Adorei o post, vou compartilhar na minha fan page!

    Responder
  4. Carina

     /  11 de junho de 2013

    Eu já presenciei várias mães dando suco de caixinha para bebês de menos de um ano. Hoje, pela modernidade das coisas, muitas mães tem preguiça de fazer o suco natural, que dá trabalho e suja vasilhas, de preparar a papinha natural, pois também dá seu trabalho. Muitas acham mais fácil a famosa papinha de potinho, que já está pronta, mas tem conservantes e não deve fazer nada bem a saúde dos bebês.

    Responder
    • Não posso negar, depois que Benjamin começou a levar lanche, passei a dar suco de caixinha, mas tento comprar o integral ou um de garrafa tb integral da
      marca Super Bom. O ruim é que os de garrafa integral são sempre dos mesmos sabores: uva ou tomate.

      Responder

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