A angústia da separação

Colocar o filho no berçário ou na escolinha é uma decisão muito difícil. Mães de primeira viagem sofrem e não sabem como lidar com essa situação. É tudo muito novo, a maternidade chega ser avassaladora, transforma toda nossa vida.

Algumas mães tomam a decisão de parar de trabalhar. Outras não podem ou não querem seguir esse caminho. Por algum momento eu quis, mas logo depois esse desejo insano passou.

Embora goste da maternidade, não teria capacidade, muito menos paciência, para cuidar de filho e consequentemente da casa. Acho até que a forma como me entrego para a maternidade é justamente por essa escolha, por me dividir entre profissional e mãe. Se eu tivesse parado de trabalhar, tenho certeza que em alguns meses estaria sem paciência e disposição nenhuma para maternar (ou não?!).

Optei por colocar Benjamin no berçário e ele foi logo cedo, assim que acabou minha licença maternidade, aos 5 meses de idade. Sofri. E perguntaram-me: como você superou isso? Eu não sei bem como responder, mas acho que alguns fatores contribuíram.

Um deles foi deixar Benjamin num lugar que me transmitiu confiança absoluta. Eu me sentia segura ao deixá-lo lá. Depois outras mães vinham me falar que colocá-lo no bercário era a melhor decisão que eu tinha tomado, que ele ia evoluir, seria ótimo para a sociabilidade, etc. Comecei a ter certeza que eu tinha tomado a decisão certa. E hoje tenho essa certeza maior ainda dentro de mim. Não me arrependo e faria novamente.

Acredito que colocar a criança com idade um pouco maior na escolinha, gera um sofrimento maior para ambos: filho e mãe. Filho porque já entende a separação, mas acha que a mãe está deixando ele lá e não sabe se ela vai voltar. Mãe porque, ao ver o filho sofrer, vai sofrer em dobro. Ser mãe dói!

Minha sugestão: conversar! Não importa a idade da criança, ela sente o que você quiser transmitir a ela. Explicar que você vai deixá-la lá, mas que vai voltar no final do dia para pegá-la. Jamais ir embora escondida ou inventar alguma desculpa. JAMAIS! A criança precisa se sentir segura e ela não vai sentir isso se você disser que vai ao banheiro e volta já (e não volta!). Esse é um trabalho conjunto com a escola que deve também esclarecer para a criança que a mamãe volta no final do dia – a noção de tempo da criança é diferente do nosso tempo, por isso é importante explicar que vai demorar, propor atividades, mas sempre deixar claro que a mãe volta.

Não tem jeito, as primeiras semanas são terríveis. Mas como tudo na vida, passa! Se para a mãe forem claros os motivos pelos quais é necessária essa separação, logo a frustração dará lugar para o conforto e segurança. Logo, a criança passa a compreender que a mãe vai voltar. Mãe segura e feliz é sinônimo de filho seguro e feliz. Mesmo que você não esteja segura, é segurança que você deve transmitir.

Depois, minha amiga, é só alegria! Eles entram na escolinha, não te dão tchau e nem olham para trás, acredite! Tem mãe que fica chateada. Eu fico orgulhosa, sério, meu peito chega a estufar, com aquela certeza de que fiz algo certo até aquele momento. A evolução do desenvolvimento deles é absurdamente incrível. E não tem coisa melhor para uma mãe do que ver o seu filho se desenvolvendo. Um dia ele chega cantando uma música, noutro ele fala uma palavra nova, noutro ainda ele te mostra um paisagem e dá nomes e significados para cada imagem. É indescritível….!

Dizem que a dor do parto natural é esquecida no momento em que você vê a carinha do seu filho. Eu diria que a angústia sentida nessa fase de deixar o bebê no berçário é esquecida no momento em que você vê essa evolução acontecer. Talvez por isso eu não saiba responder como fiz para superar isso. Não lembro nem quanto tempo durou, se foi uma semana, duas, três…

Não, não é fácil ser mãe. Assim como também não é fácil ser avaliado, não é fácil o primeiro dia de emprego, o primeiro dia na escola, na faculdade, dar o primeiro beijo….

Na vida inteira enfrentamos desafios, escolhas, encontramos pessoas boas outras não tão boas assim, perdemos pessoas queridas ou porque mudaram de cidade ou porque partiram para outro lado da vida – para essa separação é a única que não existe remédio. Essas e muitas outras coisas, não temos como evitar.

Toda criança um dia vai ter que ir para a escola. Mais cedo ou mais tarde chega esse dia. E o que devemos fazer é enfrentar, ter coragem, ser forte! Minha tia Rosana me disse uma vez quando Benjamin estava doente, com febre alta pela primeira vez: você é mãe agora, mãe não pode ter medo! Eu tento me lembrar sempre disso. E lembro que a vida é cheia de variantes e que não podemos evitar que nossos filhos passem por determinadas coisas, muito menos criá-los numa bolha, mas podemos passar por tudo juntos.

*
Esse post foi inspirado por um email de uma leitora. Espero que você tenha gostado e que possa ter te ajudado. Obrigada pelo carinho!

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5 Comentários

  1. hsordili

     /  29 de maio de 2013

    Pois é Gabis!
    Acho que a questão da CONFIANÇA na escola faz toda diferença. Os pais precisam se sentir seguros e transmitir segurança para os filhos.
    Eu também não conseguiria ser mãe em tempo integral… acho que ficaria deprimida e sem paciência…
    beijo enorme
    Lele

    (estou com domínio proprio agora… http://www.eueleeascriancas.com.br – tenta ir la comentar…)

    Responder
  2. Talitha

     /  29 de maio de 2013

    Oi Gabi, querida.
    Eu já era super grata por tudo que já aprendi com vc, por quanto me ajudou indiretamente com o seu lindo blog e por quantas alegrias já tive lendo aqui e levando pra minha vida, pra minha casa, e em especial pro meu filho…
    Agora não sei nem como agradecer. Não sei mesmo. Me falta até palavras pra expressar. O meu coração de mãe ta apertadinho e as lagrimas saindo sem eu querer!
    Mas vou levar no meu coração mais um aprendizado que vc passou: Sempre me lembrar que a vida tem suas variantes , desafios e mudanças, principalmente na maternidade, mas não posso ter medo. Tenho que ter coragem pra passar oque tiver que passar ao lado do meu filho, assim como vc faz!
    Nem preciso dizer que amei e que isso foi tudo oque eu precisava “ouvir”. Me ajudou sim, e muito. Me fortaleceu e eu fiquei mais segura.
    E é verdade, cedo ou tarde, eles terão que ir pra escola, um dia ou outro eu teria que enfrentar isto e vc me fez ver que posso conseguir, como já enfrentei várias coisas ate hoje.
    Obrigada Gabi, obrigada mesmo.
    Volto escrever em breve, contando como foi “minha” adaptação na escolinha, espero que passe rápido pra depois agente rir de como fui boba e medrosa e que não precisava sofrer tanto assim!!! (ou escrevo antes.. na fase de adaptação pedindo socorro ahaha)
    Bjs Gabi
    Mais uma vez, obrigada

    Talitha

    Responder
  3. Adorei o post e super concordo! Acredito que o essencial é estar confiante com a escolha e passar tranquilidade para a criança, pois na escola onde o Joaquim “estuda” teve uma mãe que todos os dias saia aos prantos, resultado: a filha dela ficava lá aos prantos também, não comia, não dormia…

    Responder
  4. Oi Gabi tudo bem com você ? Que grata surpresa encontrar seu blog! Volto a trabalhar agora em janeiro e minha bb de 6 meses vai para a Baby Passinho! Ótimo ler seus excelentes comentários! Acalmou meu coração de mãe!

    Responder
    • Oi Cris, que bom que nos encontrou.
      Ah legal, estão indo para a BP!
      Meu filho saiu de lá ano passado e agora estou tirando minha bebê.
      Boa sorte para vcs e fique com a gente por aqui. Bjs

      Responder

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