Filho de peixe – mistérios da genética, acasos da vida

Meu pai escreveu assim em seu último livro:

“se mistérios existem, acasos também, como o estranho bebê chegando à família”.

Antes mesmo do livro sair, eu estava grávida do Ben e meu pai teve uma conversa dessas comigo na praia. Eu entendia perfeitamente o que ele queria dizer, por diversos momentos na gravidez refleti sobre isso. Estava mega feliz com a chegada de um bebê e, principalmente, com a ideia de gerá-lo – o que pra mim sempre foi uma coisa muito louca e extraordinária: gerar um indivíduo…! Só que essa pessoinha era mesmo um indivíduo, metade de mim, outra metade do meu marido, que resultaria sabe-se lá em que tipo de ser humano.  Um estranho.

Benzoca nasceu e começaram as especulações. “Nossa, é a cara do pai” (ainda bem, né?!), “ah, mas tem os olhos da mãe” (só pra mãe não ficar chateada). Ele de fato nasceu com a cara do pai adulto, mas eu sempre enxerguei nele a minha cara de quando eu era bebê. Do marido ele não tinha nada de bebê. Se você pegasse uma foto antiga do pai não os reconheceria um no outro, já olhando para o marido adulto, Benjamin era de fato a cara dele e não tinha nada de mim.

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Sempre me pego pensando quem o Benjamin vai puxar no jeito de ser. Tem coisas minhas que eu não gostaria que ele puxasse, assim como tem do marido também. Por outro lado, torço para que ele tenha determinadas características minhas e outras do pai. Eu fico sempre pensando quais serão as características mais predominantes nele de cada um de nós. Tem muita coisa que é genética e essas não podem ser alteradas, mas tem outras coisas que são do ambiante e que podemos mudar. Eu não gostaria, por exemplo, que Benjamin fosse uma pessoa encanada emocionalmente como eu no sentido de se preocupar demais com determinadas coisas. Eu sofro muito por ser assim. Quero mesmo que ele seja de apertar o botão foda-se, não ficar lamentando o leite derramado ou o que poderia ter sido e não foi. Não sei se isso seria algo genético, acredito mesmo que não. Mas se é do ambiente, eu precisaria mudar o meu jeito ou pelo menos disfarçar na frente do Benzoca.

(Quase) Dois anos se passaram desde que ele nasceu e é muito louco me reconhecer em alguns atos, trejeitos e comportamento do Benjamin. Uma das coisas que acho impressionante, é a forma desconfiada como ele olha para algumas pessoas. Eu sempre fui desconfiada e em todas as minhas fotos de bebê apareço com cara de desconfiada. Esse olhar dele é muitíssimo parecido com o meu. Ele também é um menino muito tranquilo – eu não tenho nada de tranquila, mas na gestação eu acalmei muito e mudei bastante com a maternidade. Marido é uma pessoa extremamente tranquila. Acredito que o jeito como a gente vive a gestação também pode influenciar no comportamento do bebê.

A gestação pra mim, embora tenha sido um período de muitos medos, preocupações – pudera, afinal a primeira gravidez é como cair no escuro de um lugar completamente desconhecido – vivi de forma muito plena, consciente e sem estresse. Pela primeira vez na vida, consegui um feito, apertar o tal botão foda-se e só me preocupei em estar bem para o bebê. Nada me tirava do sério, nada me deixava estressada. Atribuo a isso, Benjamin ter sido sempre um bebê calmo. Mas sempre fico pensando nos medos que eu sentia, será que isso em algum momento da vida vai afetar as característica psicológicas de Benjamin?!

A inteligência ele puxou do marido, sem dúvida. Sou uma pessoa da comunicação, enquanto marido é da comunicação, da exatas e de tudo um pouco. Mas sempre penso que além de propensão, também podemos estimular os interesses dos pequenos. E vivemos tentando fazer isso. Eu não gosto de música clássica, por exemplo, acho meio chato. Mas acho o máximo Benjamin se interessar tanto por música de todos os tipos, mas principalmente clássica, e incentivo isso.

Acho engraçado reconhecer coisas físicas suas no filho, o desenho da sobrancelha, da boca, o nariz, o dedo do pé, até o joelho… mas muito mais interessante é toda essa parte comportamental, que foi sempre o que achei mais doido e o que mais me preocupa – porque a gente sabe que embora um filho tenha nossas características somadas às do pai, tem também coisas da sua própria personalidade e outras que são as influências externas, digamos assim. É muito louco tudo isso, você enxergar no seu filho um jeito seu de mexer no cabelo, de chutar a bola, de pegar no lápis, o modo de se sentar, a cara que ele faz de feliz, a de bravo, o jeito de mastigar, a forma como ele organiza os objetos…

Por enquanto, uma das coisas que me deixa muito feliz e satisfeita é ver que a soma Gabi + Piffer resultou nessa figura que é o Benzoca. Um molequinho feliz, alegre, divertido, sorridente, espirituoso. Ultimamente, não tem frase que me deixa mais babona que ouvir “também, sendo filho de quem é”.

Filho de peixe, peixinho é.

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