Tempo de brincar (ou de brinquedo?)

Nesse feriado fomos conhecer a Casa do Brincar. Sem palavras para descrever meus sentimentos ao entrar naquele lugar. Eu me senti em casa de avó, aquele lugar cheio de coisas permissivas, onde tudo a criança pode pois ninguém vai proibí-la. Andar descalço, mexer (com cuidado) na hortinha, janelas e portas abertas, liberdade para correr e explorar todos os cantos.

Bateu até uma certa nostalgia e cheguei a comentar com o marido “a casa da minha avó é perfeita para produzir um espaço desse”. Cheguei a sonhar acordada com essa (im)possibilidade.

A proposta era uma atividade especial: arte coletiva no quintal – crianças brincando à vontade com tinta – e brincadeiras de roda. Benjamin adora música e curtiu à sua maneira, super concentrado na roda de música, porém não interagia. Já havia percebido isso e imaginava que era porque ele era pequeno. Mas agora em casa ele interage muito quando cantamos e propomos brincadeiras, então pensei que já fizesse isso com mais pessoas em volta. Pensei errado. Ele ficou o tempo todo sentado, quieto, prestando atenção, como sempre percebi em todas as vezes que o levei em programas do tipo.

Uma coisa que me deixou encanada ou talvez preocupada ou triste (?!), foi o fato do Benjamin não querer chegar perto da tinta e outra vez da areia (algo que eu pensei que ele já tivesse superado, pois andamos levando ele na pracinha com areia). Ok, já sei, é normal. Mas será que é normal para uma criança que não fica dentro de casa, vai para escolinha, tem (ou deveria) ter contato com tinta? Terra? Massinha? Aliás, Benjamin não pega em massinha, gente!!! Não pegava, pois ontem mesmo chegamos em casa e iniciei esse processo com ele.

Eu sei que isso não beira nenhuma anormalidade. Eu sei! Mas me incomoda um pouco isso. Chego a pensar se na escolinha não é desenvolvido esse contato das crianças com esse tipo de coisas. E lembro que um dos fatores que me ajudaram a escolher a instituição que ele está hoje foi ver fotos de bebês se esbaldando e felizes na tinta. Isso, bebês! E durante seu primeiro ano, esperei ansiosa receber um foto dele assim todo sujinho de tinta, com seu sorrisão largo. Benjamin sequer chegou em casa com uma gota de tinta em sua camiseta branca de uniforme…

Voltando a Casa do Brincar. O menino, meu filho, foi no escorregador, quando chegou no final e se deparou com a areia, segurou firme pra não cair de bunda na areia e com as pernas pra cima ficou desesperado esperando que seu pai ou a mãe o segurasse antes que ele encostasse na areia. Um pai provavelmente orgulhoso da sua princesa tomando banho de areia observando a cena, olhou para o meu pequeno príncipe como quem diz “ixi, esse aí é bichinho de apartamento”! E nem em apartamento vivemos ainda!!!

O que me incomoda é ver as crianças envolvidas em atividades com brinquedos, os chamados “brinquedões”, que em minha opinião só servem para gastar a energia dos pequenos, não agrega em nada com relação à experiência – talvez uma queda e um corte no supercílio, alguns pontos ou um dente quebrado. O que é um dente quebrado aos dois anos de idade, né?! Aos 7 ele cai e nasce um novo.

Na minha época de infância, não lembro de ter esses brinquedos. Lembro de fazer colares de macarrão no dia do índio, colar grão de feijão no papel, brincar muito no tanque de areia, brincar de ciranda, corre cotia, roda de leitura, fazer presentes em datas comemorativas e não dar um presente pronto e pago pelos meus pais.

O que percebo atualmente? Crianças enlouquecidas para irem nos tais brinquedões, chorando porque é sua vez de jogar vídeo game ou porque quer assistir repetidamente o DVD do Patati Patatá, se debatendo porque quer de qualquer jeito o seu aparelho de celular ou tablet…porque as crianças não podem produzir os presentes de aniversário dos seus coleguinhas ou dia das mães, pais, etc…?! Porque não podem brincar sem depender de brinquedos?! Tenho medo desse choque cultural, dessa nova realidade.

Tudo tem limite ou estou ultrapassada?!

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3 Comentários

  1. Poxa que complicada essa questão da areia/massinha/tinta hein ?! Sabe que vivemos em apartamento, mas sempre que possível levamos o Joaquim para passear ao ar livre, com isso estamos aproveitando pra revisitar os parques e praças de Curitiba e tentando não criam um “piá de prédio”. Contamos muito com a apoio da escola para isso, pois lá o Joaquim já brincou com massinha, na areia e toma banho de sol num gramado bem gostoso. Se ele gostou dessas experiencias, eu não sei, pois não acompanhei de perto, só recebi as fotos e relatórios diários dizendo que ele gostou. Até agora que percebo dele é que ele curte muito uma bagunça e tem um espirito muito explorador….Juro que eu queria que ele não tivesse contato com TV e vídeo game, mas vai ser difícil, acho que essas coisas coisas fazem parte da geração, assim como brincar na rua fez parte da nossa!

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  2. Graziella Branda

     /  3 de maio de 2013

    Sabe, Gabriela, quando escolhi a escolinha que a BIa está indo, optei por aquela que mais parecesse uma “casa da avó” (no meu caso, minha avó morava em um sítio, o que é praticamente impossível de ser reproduzido em SP). A BIa vai a uma escola que tem um tanque de areia (tratada) e, segundo relatos das professoras, ela adora. Atestei isso em um final de semana na praia, que a Bia deitou e rolou na areia!!! Amou!!!
    Quanto à interação com outras crianças, a Bia também fica só observando as demais, até que, de repente, ela se solta. Talvez seja uma questão de tempo mesmo para o seu Ben se soltar e cair de vez na bagunça!!! Rsrsrs
    Beijos,
    Graziella

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  3. Gabiii, lembrei das primeiras vezes que levei Luquinha à praia e ele ficou com nojinho da areia hahahahahaha A minha cara de “nem parece meu filho” para ele deve ter sido a mesma cara que você fez quando ele não queria de jeito nenhum cair de bumbum na areia aí!! =) Com o tempo Luquinha se soltou e hoje não liga mais. Mas basta cair com as mãos na terra, que se apressa logo para limpar. 🙂

    Sobre a escolinha, realmente, é isso o que a gente busca para nossos filhos, né. Luquinha vai passar por uma transição agora exatamente por essas coisas que a gente espera que aconteçam. Eu acho que não vou me decepcionar, devido aos depoimentos que recebi de amigos, mas só acredito vendo =)

    E sobre os brinquedões, não consigo ver isso como um problema. Os brinquedos não precisam ser sempre educativos. Eu amava brincar no escorrega, no balanço, naqueles ferros de “escalar” MEGA perigosos sempre presentes nas pracinhas… O risco de me machucar era enorme (e me machuquei várias vezes tomando “pezada” no balanço por passar em frente) e não acrescentavam em nada intelectualmente.

    Mas e daí? 😉 O objetivo não era ensinar, era divertir.

    Um beijo enorme no Ben e em você!!! Saiba que estou ausente dos comentários, mas estou sempre acompanhando seus posts de longe!!!! 🙂

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