Livro: A criança mais feliz do pedaço

A criança mais feliz do pedaço

‘A criança mais feliz do pedaço’

Enfim, terminei de ler meu primeiro livro materno do ano: A criança mais feliz do pedaço, do professor de pediatria Harvey Karp. Eu simplesmente amei e indico muito esse livro. De todos que li até agora sobre como educar e lidar com as birras, esse é o que mais dá dicas práticas e reais de serem aplicadas.

O livro fala sobre os fundamentos da relação criança e pais; a importância de se conectar com respeito com as crianças, traz um capítulo inteiro sobre a comunicação mais usual com as crianças – o autor define como Criancês, mas é muito conhecida como Manhês. E foi nesse capítulo que me deparei com a maior dificuldade que tive no início da minha relação com o Benjamin, falei sobre isso AQUI.

O autor apresenta uma regra de ouro para comunicação, ele define como: Fast-food. O método da regra é basicamente: “sempre que falar com alguém que esteja pertubado, repita os sentimentos dessa pessoa primeiro, antes de dar seu conselho ou de fazer um comentário”. Os pontos principais da regra Fast-food são:

1. Quem está pertubado fala primeiro; a outra pessoa ouve, repete o que ouviu e só então tem sua vez de falar;
2. O que você diz a uma pessoa pertubada não é tão importante como o modo com que você fala;
3. Os melhores pais usam essa regra em vez de palavras que ferem, comparam, distraem e se apressam a silenciar os sentimentos.

Um dos capítulos traz dicas de como moldar o comportamento do filho, incentivando as crianças boas e desestimulando as crianças que não são tão obedientes. O autor ensina como educar, utilizando um conceito simples que ele chama de Luz Verde, Luz Amarela, Luz Vermelha.

Comportamento Luz verde: dá dicas de como incentivar o bom comportamento do seu filho, com 5 métodos: 1) Recompensas – incentivar a cooperação com coisas divertidas, então ele dá exemplos como, dar atenção, fazer elogios, apertos de mãos, estrelas, segredinhos (que é você falar bem da criança para outra pessoa fingindo que não está vendo a criança ouvir); 2) Construir a confiança – sempre utilizar o respeito e às vezes se fingir de bobo (mostrar que a criança sabe mais de determinado assunto, por exemplo, faz com que ela se sinta esperta e vencedora);  3) Ensinar paciência – desenvolver o autocontrole, alongando a paciência de seu filho, fazendo-o esperar um pouco e um pouco mais sempre. Isso contribui para a criança aprender a ter paciência. 4) Criar rotinas diárias – as rotinas quando simples ajudam as crianças se sentirem seguras. Pode ser uma conversa na hora de dormir (rever tudo o que a criança fez no dia, por exemplo), contar uma história; 5) Plantar sementes de gentileza: ensinar boas maneiras através de contos de fadas, faz de conta, estórias.

Comportamento Luz amarela: dá 4 dicas de como superar o comportamento irritante das crianças, como choramingar, por exemplo. 1) conectar-se com respeito – usar a regra do fast-food e o “criancês”; 2) Ter limites claros e coerentes – implica falar de um jeito simples, frases curtas e repetição para a criança entender quando você fala; 3) Criar concessões ganha-ganha – usar um pouco de negociação e senso de justiça do seu filho para transformar as situações de “não-não” em uma situação em que todos ganham; 4) Aplicar consequências moderadas – alertas de palmas e ignorar com gentileza são modos persuasivos de mostrar a seu filho que os comportamentos incômodos não o levam a lugar algum.

Comportamento de Luz Vermelha: apresenta dicas de como frear o mau comportamento. Então, por exemplo, três tipos de maus comportamentos que você deve evitar: Atos perigosos, como correr para a rua; Agressão; Desobedecer às regras da família. É uma regra basicamente ligada a disciplina. Esse capítulo fala sobre castigo, como usar e regras básicas.

O livro inteiro é muito interessante porque dá dicas na prática, além de ter muitos relatos e, perguntas e respostas. Eu fiz várias anotações no próprio livro e desde que comecei a ler, procurei colocar em prática algumas dicas. Uma vez fiz uma pequena nota sobre manha e também já falei um pouco sobre o Terrible Twos. Desde que comecei a colocar em práticas algumas ideias do autor do livro, as manhas aqui em casa, que ainda não eram grandes mas caminhavam para essa direção, diminuíram.

Ainda não coloco Benjamin de castigo, por exemplo, mas um método que tem funcionado muito é a comunicação e a forma como tenho falado com ele. Tenho usado mais o método do livro que consiste em você falar com a criança como a criança que de fato ela é e não como se estivesse falando com um adulto. Isso significa mudar o tom de voz, falar como se estivesse encenando (tipo quando a gente lê um livro e interpreta os personagens), usar frases curtas, mostrar que você entende o que seu filho sente.

Algumas vezes é difícil, mas o resultado é sempre positivo. Prova disso foi outro dia ao deixar Benjamin na escolinha. Ele estava com um brinquedo na mão e não queria deixar no carro, eu não usei esse método de falar com ele, explicar que o brinquedo deveria ficar, simplesmente tirei o brinquedo da mão dele e disse que não podia levar, disse assim sem mais nem menos como se falasse com um adulto. Esse menino começou a berrar de uma forma, nunca o vi gritar e chorar daquele jeito, ficou sentido, além de birrento. Ele entrou na escolinha e do carro eu ouvia os gritos dele. Aquilo acabou comigo, com o meu dia. Chorei a manhã inteira. Fiquei me achando uma imbecil, e pensando que se tivesse usado o método que venho usando, nada daquilo teria acontecido. E é verdade, pois toda vez que a gente tem saído e Benjamin está com um brinquedo na mão, se eu uso esse jeito diferente de falar, ele age como se fosse um menininho compreensivo e educado, sem birras.

Minha conclusão é que muitas das ações dos nossos filhos estão ligadas também ao nosso comportamento. Não podemos exigir que eles agem de um forma absolutamente coerente tendo apenas 2, 3, 4 anos. Coerente temos que ser nós, pais. Não esquecer que nossos pequenos não tem a habilidade que nós temos para pensar e raciocinar. É a nossa forma de agir que vai fazer com que eles comecem aos poucos ter noção da ação e reação. E somos nós, com paciência, respeito, moderação, que podemos moldar o comportamento deles. Como diz o autor o livro, as crianças são seres primitivos e a tarefa dos pais é estabelecer limites inteligentes e a tarefa da criança é testar esses limites. As crianças literalmente não conseguem parar de explorar, tocar e puxar tudo. É assim que elas aprendem sobre o mundo e sobre si mesmas. Assim, enquanto você pode achar que sua criança está desafiando, ela pode achar que você está bloqueando injustamente sua maior alegria – a descoberta.

Anúncios
Post anterior
Deixe um comentário

2 Comentários

  1. Faz tempo que leio sobre esse livro, mas agora me deu mais vontade ainda de lê-lo. Nos últimos dias, como o Joaquim tem engatinhado por tudo e descobriu o lixo, e adora ir até lá fuçar, meu marido as vezes fala com ele como se ele tivesse 30 anos, e eu sempre converso que não é assim, ele ainda é nenê e não nasceu sabendo o que é certo e errado, cabe a nós, com calma, ensinarmos e tentar usar a linguagem dele, distrair com outras coisas, mudar o foco! Devagar vamos pegando o jeito!

    Responder
  2. Mislene

     /  30 de abril de 2013

    Eduacar não tarefa fácil e fazer isso com sabedoria é quase um dom. Mas só com firmeza as crianças aprendem a respeitar as regras propostas pelos pais. Entender que tudo tem limites, abre caminho para um convívio saudável com os outros e para uma boa integração na sociedade.

    Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: