Sobre responsabilidades e expectativas – tudo junto, misturado e confuso

Ando pensando muito na expectativa do amor, que na verdade está mais ou menos sobre concentrar toda minha alegria no meu filho. Acho que isso estava beirando a algo como depositar a responsabilidade da minha felicidade nele. E sinceramente, isso não é muito legal, principalmente, se pensarmos em dois aspectos:

1) assim como ele não pode ser responsável pela minha felicidade, eu também não sou responsável pela felicidade dele. Acredito ser responsável pela felicidade dele agora, nesse momento de infância. Acho que é meu papel oferecer um ambiente seguro, confortável, alegre.

2) na verdade a parte principal a ter responsabilidades sobre alguém sou eu sobre ele. Benjamin é de minha responsabilidade, mas o meu compromisso é oferecer subsídios para que ele cresça saudável, se torne uma pessoa do bem, cooperativa, sinta-se seguro. Eu preciso oferecer ferramentas para que ele cresça e se torne um adulto com liberdade para buscar a sua própria felicidade sem ter que depositá-la em alguém, a não ser em si próprio.

Ou seja, meu filho completa a minha felicidade, mas não deve ser o ponto central. Não deve ser essa a minha única fonte. Eu devo buscar outras, afinal como era minha vida antes dele? Sem graça, fato! Nós mães não podemos esquecer que somos indivíduos e como indivíduo cada um deve buscar seu espaço. E isso nós temos que ensinar aos nossos filhos também. Não estaremos (e nem devemos estar) o tempo todo ao lado do nossos filhos, uma hora vamos precisar dar esse espaço a eles também.

Essa reflexão me fez voltar a dormir depois que li uma frase no post Que raio de mãe você, no MMQD. Várias mães citam que raio de mãe elas são, mas uma em especial me chamou a atenção. Foi a Deh, mãe do Alê, 5 anos. Ela disse:

“sou a mãe que esquece de lavar o uniforme e de encapar caderno e que se ressente com isso. Mas que se recusa a fazer do filho o grande projeto de vida porque acha os ombrinhos dele muito pequeninos.

É isso! O ponto crucial. Toda a minha angústia em não achar justo o que vinha fazendo – criar expectativa sobre o meu filho, é por isso. A responsabilidade é muito pesada. E ele é somente um bebê. Por outro lado, eu sempre achei (e continuo a achar) que Benjamin é meu grande investimento e o grande projeto que deixarei para a vida. O lance é que eu não posso impor isso a ele e muito menos criar gigantescas expectativas sobre ele.

Mesmo depois de adulto, não podemos esperar muito dos filhos. Quantas vezes não vimos pais achando os filhos ingratos?! Mas também já ouvimos milhões de vezes que filhos devem ser criados para o mundo. Eu acho cruel, mas começo a busca pela compreensão disso. Assim, também não podemos criar expectativa em nossos filhos querendo que eles sejam tudo o que gostaríamos, o que nós sonhamos para eles como o ideal.

Não podemos futuramente querer que os filhos nos prestem contas. Ou que eles sejam o que nós gostaríamos que fossem. Temos alternativas e escolhas de vida. Como disse o psicanalista Contardo Calligaris, em sua coluna, algumas vidas não vividas são alternativas descartadas pela inércia da nossa história ou porque o desejo da gente é dividido, e escolher implica perder o que não escolhemos.

É tudo muito complexo e eu não paro de pensar e buscar outros pontos de vista que possam contribuir para esse entendimento.

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2 Comentários

  1. Li esse texto também e adorei essa colocação. Minha mãe disse uma vez que por mais que devamos criar filhos para o mundo é muito difícil isso, investir tudo sabendo que um dia eles se vão. Hoje entendo ela. Acho que o essencial é amar, cuidar e deixar livre para voar, sabe, igual a história das borboletas ” não as prenda, embeleze seu jardim para que elas voltem por conta própria”, e o principal é não colocar muitas expectativas sobre eles, afinal, como disse meu obstetra assim que o Joaquim nasceu e acabei dando a chupeta, mesmo tendo idealizado que não faria isso: “ele é um novo ser, que vai ter vontades próprias e nem todas as regras e vontades suas serão acatadas!”

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  2. Gabi, eu tô lendo um livro que tá me dando vários cliques nesse sentido. É o “Sob Pressão”, do Carl Honoré (subtítulo: Rescuing Our Children from the Culture of Hyper-Parenting” – vai vendo…).
    Pelo que saquei até agora, ele vai na contramão dessa tendência dos pais participarem demais da vida dos filhos (mais crescidos, claro) e defende que eles se retirem um pouco e dêem espaço para os pimpolhos. Só a introdução já me rendeu uma baita insônia e um post que tá sendo rascunhado… Vale muito a leitura!
    Beijão, Mari

    Responder

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