Domingo de Páscoa e o primeiro passeio sem os pais

Começou assim. Minha irmã se convidou para almoçar em casa no sábado, véspera da Páscoa. Eu disse que almoço não ia rolar, mas um lanche da tarde podia ser. Ela queria passar o dia com seu sobrinho/afilhado. Resolvi o problema falando que ela podia pegá-lo em casa pra passar o dia com ela e não ficarem trancados na minha casa.

O fato é que não aguento mais receber na minha casa, não estava com vontade de cozinhar no feriado e que já estava na hora da minha irmã começar a exercer plenamente sua função de tia/madrinha.

A escolhi como madrinha por motivos óbvios. Para alguns, o papel dos padrinhos já não tem tanta força assim. Mas eu acho que esse título é importante na vida dos filhos, sou da opinião que os padrinhos tem papel fundamental na vida dos afilhados, acredito mesmo que são os segundos pais. Então escolhi minha irmã, porque sempre intuí que ela desempenharia muito bem esse papel: o de segunda mãe. Porque confio nela acima de tudo. Além disso, temos um vínculo eterno que sabemos não vai romper a qualquer discussão boba. Minha irmã também tem personalidade firme, não cede facilmente, não é de fazer todas as vontades, não é permissiva. Ou seja, ela contribui para a educação do Benjamin e não somente o mima.

Eu liberei o domingo de Páscoa sem pensar muito. Arrumei Benjamin  e sua bolsa. Minha irmã disse que chegaria às 10:00 e nesse horário ele estava pronto. Acreditem se quiserem, mas ao ficar pronto, Benjamin já começou a ficar irritado como se entendesse que ia sair e que a tia estava atrasada. Quando ele ouviu um carro parar na frente de casa, imediatamente gritou “chegooooo“. Começou a pular desesperadamente. Destranquei a porta e ele saiu disparado. Ao entrar no carro, ele ficou meio sem entender, com cara de “ei, e vocês, papai e mamãe, não vão entrar aqui?!“. Expliquei que ele ia passear e que nós ficaríamos em casa. E ele foi.

Entrei em casa e já senti aquele silêncio absoluto. Muito estranho. Não sabia como agir, não sabia o que fazer, embora eu já tivesse preparado uma programação para esse dia: trabalhar numa pesquisa que estou fazendo sobre linguagem materna; almoçar/namorar com o marido; fazer as unhas; passar roupa; organizar a mochila do Ben; ler um livro; assistir um filme; não perder tempo nas redes sociais; e com certeza, o domingo acabaria sem eu ter feito metade da minha lista. Comecei pelo trabalho. O silêncio que invadiu a casa contribuiu para isso.

Recebi ligações. Fomos na casa da sogra ver os parentes que estavam passando o feriado aqui. Todo mundo perguntava do Benjamin. “Ah, ele foi passar o dia com a tia e com a minha mãe“, “ele está com a outra avó dele“, “ah, foi logo cedo passear com a tia, só volta a noite“, etc. Fiquei me sentindo a mãe mais liberta, moderna, madura, superior, à frente de tudo que realmente sou. E só no final da tarde me dei conta do contexto todo. Era a primeira vez que Benjamin saía sem os pais (ele está com um ano e nove meses), mas detalhe: em pleno domingo de Páscoa, quando as famílias estão reunidas, celebrando. Indaguei o marido: “você acha que fomos largados ao permitir essa saída?!”, marido respondeu: “eu não permiti nada, você simplesmente me avisou, não pediu minha permissão“.

É verdade. Marido estava com toda razão. Eu não perguntei o que ele achava. Mas foi meio sem perceber. Primeiro porque ele é de boa pra tudo, não vê problema em nada, eu que sou a encanada; segundo porque acho que sou muito possessiva, autoritária. Eu sei, é horrível, mas pior seria se eu fingisse ser o que não sou; terceiro porque eu me senti tão preparada para dar esse passo, que simplesmente, além de autorizar, sugeri a proposta para a minha irmã.

Bom, mas aqui fica minhas observações. De agora em diante, em data comemorativas, Benjamin passa com a família direta dele (mãe e pai). Porque preciso que ele tenha isso como valor, passar datas especiais com os pais. Da próxima vez vou tentar conversar com o marido e não simplesmente avisá-lo da minha decisão. Vou deixar Benjamin passear mais vezes com sua madrinha.

Ah, sim, o próximo passo, talvez seja liberá-lo para dormir fora de casa.

E aí na sua casa, com quanto tempo você deixou seu filho (a) passear sem a sua presença? Como se sentiu?

*

P.S.¹: Terminei esse post às 19:00 e Benjamin não tinha chegado em casa ainda.

P.S²: Marido confirmou que não liga para o fato de Benjamin ter ido passear sem nossa presença.

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1 comentário

  1. Poxa ainda não deixei o Joaquim sair sozinho, apesar da insistência dos avós… Acho que vai demorar mais um pouco para eu largar a cria! Quanto a escolha dos padrinhos, concordo com as suas crenças, tanto que escolhemos para padrinhos do Joaquim um casal de amigos de longa data, que de tão longa data são como irmão, além do fato que partilhamos dos mesmos valores, carinhos e temos perfil semelhante. Tanto que somos padrinhos do pequeno deles e eles do nosso pequeno 🙂

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