Sobre os hospitais privados

Se tem uma coisa que passei a dar muito valor depois que Benjamin chegou, e que agradeço todo santo dia, é ter um (BOM) plano de saúde. Não basta ter um plano de saúde, tem que ter O plano de saúde. De bom para ótimo/excelente (o que aí já é pedir demais), pois não adianta ter um plano de saúde e não ter entrada nos hospitais conhecidos e considerados os melhores.

Agora se o hospital é o melhor já é outro assunto. O que eu percebi nesse meu pequeno período materno (1 ano e 9 meses. Não considero aqui o período da gestação, pois nos dois Hospitais que passei, fui sempre muito bem atendida, diga-se de passagem: Maternidade Santa Joana – na qual fiz todos os exames de pré-natal e para qual eu corria toda vez que passava mal e Maternidade Pró-Matre – na qual pari meu Ben) é que o atendimento privado não é lá essas coisas.

No domingo estive no hospital Santa Catarina, onde já fui também outras vezes com Benjamin. Minha pediatra e mais um monte de gente, indica em primeiro lugar o Sabará. Ok, é um excelente hospital. Mas não digo o mesmo dos profissionais. Já contei minha experiência no Sabará AQUI. O Santa Catarina não tem lá toda a fantasia que tem o Sabará, mas os peixinhos e outros bichinhos do mar até que encantam os pequenos e, os profissionais, falo dos médicos, parecem-me mais bem preparados.

Mas a espera dessa última vez foi interminável. Chegamos lá e a estimativa de espera era de aproximadamente uma hora e meia. Depois aumentou para duas horas! Esperamos um pouco mais de duas horas e fomos chamados.

Veja bem, na sala de espera tem um aviso de como se dá o atendimento: por classificação de risco. Então, na triagem (onde uma enfermeira colhe informações do tipo: o que ele tem; quando começou; peso; mede pressão e temperatura), seu filho recebe uma pulseira em determinada cor. Cada cor tem uma classificação, conforme imagem abaixo:

foto (5)

Benjamin chegou chorando, a enfermeira viu o estado dele e deu a pulseira verde. Ok. Quem sou eu para julgar se a dor do meu filho era pior que a situação de outras crianças que ali estavam. Só sou a mãe dele e, é claro, como qualquer outra mãe, a gente sempre acha que o nosso filho merece um atendimento preferencial e rápido.

Comecei a reparar em todas as crianças ali presentes. Algumas super caidinhas aparentavam cuidado especial. Outras super traquinas que qualquer um podia julgar, eram merecidas da pulseira azul. Um menino de uns 7 anos, que já estava lá quando chegamos, chorava, gemia de dor, encolhido no colo do pai. Ele tinha dor de ouvido. A cor da sua pulseira: verde.

Vi apenas uma criança com a pulseira vermelha. Era um deficiente físico. Era mais que seu direito ter preferência. Mas além dele, ninguém mais com pulseira de outra cor. Sempre era a verde. Todos os casos eram poucos urgentes. E aquela demora de mais de duas horas para ser atendido.

Eu acho, sinceramente, uma falta de respeito esse tempo de espera. Mais falta de respeito ainda essa classificação absurda, que em minha opinião, deveria ser usada de verdade, não simplesmente classificar todo mundo como pouco urgente e fica aí esperando duas horas para ser atendido.

Aí você pensa nos hospitais públicos. Pensa em todo o envolvimento que tem por trás de hospitais x planos de saúde x médicos. Pensa no menino de 7 anos que viu lá no PS indo para o centro cirúrgico arrumar o pé que foi esmagado nesses brinquedos de parques mal estruturados. Pensa na mãe dessa criança que você viu com a cara mais abalada do mundo e que te deu uma imensa vontade de abraçá-la. Pensa num monte de crianças com problemas piores. E nas mães que perdem seus filhos todos os dias.

Chego a conclusão que o melhor que tenho a fazer é agradecer. Por esperar duas horas na fila de espera e não ser nenhum problema grave. Por ter um convênio médico e poder frequentar um hospital decente independente de tudo o que você acha errado. Mas eu acho lamentável…

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6 Comentários

  1. Eu tb acho a demora lamentável mas o que posso te dizer é que raramente os de pulseira vermelha ficam na sala de espera…quando minha filha quebrou a clavícula chegamos a este mesmo hospital e ela nem sentou, ganhou a pulseira vermelha e entrou direto. Não acho que esperar duas horas seja aceitável mas acho que a classificação é super válida.

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    • Mila, ainda bem que funciona o atendimento da cor vermelha, né?! É o mínimo. Mas acho que as outras cores estão ali para funcionarem tb, não?! Se não fosse necessário, bastavam as cores verde e vermelha. Como disse, tinha casos lá que aparentemente precisavam de atenção mais rapidamente. Acho que temos muito o que melhorar na saúde do nosso país. Muito…
      O rogada pela visita!
      Beijo

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  2. Viviane

     /  21 de março de 2013

    Eu acho td muito absurdo: a demora, a enfermeira da triagem julgar a dor de uma criança (dor de ouvido é mto sofrimento), o atendimento médico, disgnósticos errados, medicação errada, olha, já passei por cada coisa nesses PS, que tenho pavor de precisar….

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  3. Sabe que até hoje (Joaquim está com 9 meses) nunca precisei leva-lo na emergência??? Todas as 3 vezes que ficou mal, com febre, liguei para a pediatra e ela pediu que eu fosse até o consultório. Tá certo que por esta postura dela, de sempre encaixar as urgências, já tive que esperar 2h para ser atendida, mas tudo bem, relevo, porque ela é muito boa, e essa vez que ela atrasou foi pq encaixou um nenê recém nascido que estava se sufocando, e da mesma forma das 3 vezes que precisei sei que acabei atrasando outras consultas. Aqui em Curitiba temos o Hospital Pequeno Príncipe, referência em pediatria. Só fui lá com o Joaquim 2 vezes, porque a ortopedista dele não podia vê-lo no consultório (foi entre Natal e Ano Novo), e mesmo indo em dia que ela atendia SUS, aguardei apenas 1h.
    Uma vez vi um pediatra falando que se as mães adotassem o costume de ligar para os pediatras antes de se dirigirem a emergência, as filas seriam menores…
    Claro que cada mãe sabe o que faz, mas enquanto a pediatra do Joca puder atende-lo em encaixe, vou abusar mesmo, deixarei a emerg?ência para casos mais graves mesmo, como fraturas, cortes, estas coisas…

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    • A minha primeira opção sempre é a pediatra. Nesse caso, por exemplo, ela orientou passar no PS, pois se fosse ouvido ele precisaria ser medicado e ela não podia receitar algo por tel. E finalizando o tratamento com os remédios, é pra ela que vou levá-lo e juntas vamos procurar um otorrino para levar o Ben. Mas é isso mesmo, PS tem que ser em último caso.
      Beijo

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  4. Ai, Gabi, é triste mesmo. Pra falar a verdade, nunca engoli essa história de ver saúde como negócio. Talvez por isso nunca tenha me sentido à vontade em atender no consultório particular, porque no fundo sempre senti que ninguém deveria pagar por saúde. E deveria ter um atendimento decente, obviamente.
    Certa vez Catarina deu entrada no PS e estada mal, mal mesmo. Fomos atendidas de prontidão, mas vc acha que o convênio liberou sua subida imediata para a UTI (que era o caso, Santo Deus!!!)? Não, ficamos três horas em uma briga feroz para conseguir isso. E os médicos me dizendo que a qq momento ela poderia ter uma parada respiratória. Quase morri naquele dia, o pior da minha vida, certamente. Uma falta de respeito total. Uma falta de humanidade. Esse ainda é o país onde vivemos. Espero que vejamos um futuro melhor.
    Beijos, querida!

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