Capitu – a irmã de quatro patas

Acho que nunca falei explicitamente da relação da Capitu e Benjamin. Ela chegou em casa bem antes dele. Foi só mais um capricho meu. Sempre tive cachorro até ir morar sozinha – quando comecei a sentir falta de chegar em casa e ser recebida por um cachorro pulando em mimalhas pernas (mas não sentia saudade e não lembrava da sujeira que todo cachorro faz). Ela chegou só depois que casei e nos mudamos para uma casa maior. A casa era muito grande para duas pessoas.

Capitu sempre teve um temperamento peculiar. Sempre muito medrosa, vivia debaixo da poltrona da sala ou da cama. Quando eu estava em casa, ficava debaixo das minhas pernas literalmente (feito gato). Visita nenhuma imaginava que tinha cão em casa. Porque ela sumia e não fazia barulho nenhum. Ela não latia. Sempre muito boazinha.

Benjamin chegou um ano e meio depois da Capitu. Durante a gravidez, passei a não dar muita atenção para a bichinha. Eu enjoava muito e evitava ficar com ela muito perto. Depois a barriga foi crescendo, crescendo, crescendo e eu não a enxergava, pois ela vivia debaixo de mim. Coitada! Dei vários chutes acidentais nela. Várias vezes quase caí tropeçando nela. Além da barriga, tinha o fato dos reflexos da grávida estarem alterados.

Comecei a ler sobre como “avisar” o cachorro da chegada de um bebê. Ao final da gestação passei a dar mais atenção e explicar para Capitu que estava chegando mais uma pessoa em casa. Deitava na cama e mostrava o Benjamin mexendo. Não esqueço uma noite: ela estranhava a barriga mexer e pulava de um lado para o outro.

Quando Benjamin nasceu, marido levou para a casa a primeira roupa usada pelo recém-nascido e apresentou para Capitu. Deixou ela cheirar à vontade. Chegamos em casa com o pacotinho embrulhado e Capitu nem chegou perto de mim. Manteve certa distância. Aproximei e apresentei o Ben. Depois de alguns minutos já estava a Capitu de volta nas minhas pernas.

Nos primeiros meses não deixava ela se aproximar dele. Foi assim até os 4 meses. Mas ela já demonstrava um outro comportamento. Latia e enfrentava as visitas que chegavam em casa. Não deixava ninguém se aproximar do nosso Ben. Avisava-me toda vez que ele se mexia (se eu estivesse no banheiro e Benjamin desse um gemido, lá estava ela arranhando a porta do banheiro). Capitu se mostrou uma verdadeira companheira.

Desde que Benjamin começou a explorar o mundo engatinhando e depois andando, Capitu perdeu seu sossego. Ele está sempre a pular em cima dela, puxar o rabo, brincar, dar comida que não deve, dar bronca… e está sempre a abraçá-la e beijá-la – esse, no início, era a minha maior preocupação (pois sempre tive certeza que ela não faria nenhuma mal a ele), mas ela sempre retribuiu seus beijos. Isso foi algo difícil controlar. Vivíamos lavando o rosto do Benjamin (com o tempo e imunidade do Ben mais forte, desencanei).

Na hora de dormir, lá está a Capitu no quarto do Benjamin. Várias vezes durante a noite é ela a primeira a chegar no quarto dele se ouve algum barulho. Ela deita na poltrona ao lado do berço dele e vela seu sono. Outras vezes, logo cedo, ele acorda e é ela que vai lá fazer companhia enquanto um dos pais criam coragem para levantar.

Ela está sempre pronta para retribuir, nas horas de carinhos e de brigas. Sim, eles brigam! Capitu pega brinquedo do Benjamin e ele toma dela e dá bronca (com direito a dedinho sendo apontado pra ela). Às vezes ele entrega o brinquedo para ela e simula como se fosse ela que tivesse pego e dá bronca nela (já peguei isso algumas vezes e quem levou a bronca foi ele). Benjamin pula em cima dela e, se ela não quer brincar, ela rosna e até ensaia umas mordidas. Incrível, mas nunca com a intenção de pegar, sempre para assustar. Mas nada intimida esse menino. E nessas horas temos que separar. Temos que dar bronca nos dois, feito irmãos e colocar um para cada lado.

E no fim acho que a relação deles é essa mesmo. De irmãos. Dois seres que dividem a mesma casa, brigam, compartilham momentos, se amam. Independente de suas diferenças.

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Até Palavra Cantada eles assistem juntos

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3 Comentários

  1. que coisinhas mais lindas meu Deus!

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  2. Ai Gabi, adorei seu post!!! Muito legal a relação que eles criaram….Aqui em casa o Murphy tem se acostumado mais com o presença do Enzo, embora às vezes ainda o pego meio tristinho, enciumado…Mais acredito que quando o baby crescer mais um pouquinho os dois irão brincar bastante…Como vc conseguiu evitar dela se aproximar do Ben até 4 meses? Não deixo o Murphy lamber o Enzo, mas é praticamente impossível evitar com que ele fique próximo…rs…O Murphy já não é tão quietinho como a Capitu, vive rodeando o Enzo e adora pegar as coisas dele (paninho de boca, meia…não posso deixar nada espalhado, rs, se bobeio ele já pega!)…Um beijooo!

    Responder
  3. Flavia

     /  18 de março de 2013

    que lindo!!!

    Responder

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