Porque meu filho não come chocolate

Faço parte do grupo que não tem uma educação alimentar adequada. Legumes e vegetais são itens excluídos do meu cardápio. Não, não me orgulho em dizer isso, muito pelo contrário, tenho vergonha. Mas já tentei mudar isso, inclusive na gravidez, e não consegui. Aliás, na gestação sofri muito por isso, pois passei o período inteiro ouvindo de todos os lados que Benjamin não comeria nada saudável, uma vez que o paladar dele já era educado desde o útero. Meu médico era quem me tranquilizava. Benjamin nasceu e bom, três coisas que amo muito, ele ama na mesma medida que eu: pão (qualquer tipo), queijos e batata frita. Ele ama mais dezenas de alimentos que não fazem parte do meu cardápio: bróquis (brócolis), couve, inhame, pepino, ervilhas, abobrinha, beterraba (arghhh), lentilha, alface, cenoura, além de todo tipo de carnes e frutas.

Quando Benjamin entrou na transição das papas, eu já tinha conversado bastante com a pediatra, já tinha pesquisado e lido muito a respeito. Eu e marido fizemos uma espécie de pacto. Não oferecer doces e refrigerante até os dois anos de idade. Por que essa decisão? Porque segundo tudo que havia apurado a respeito, ficou claro que até os dois anos de idade, o paladar da criança está em desenvolvimento. É, inclusive, nesse período que também existe o risco de alergia alimentar. É claro que não sou expert no assunto, mas o doce e o refrigerante pra mim tinha um peso. Primeiro porque nosso paladar é mais chegado num doce. Então tinha medo de que se Benjamin experimentasse a partir daí só quisesse ficar no doce e tchau brócolis. Sempre temi fazer parte do grupo de mães que sofrem porque o filho não come (isso é terrível, um sofrimento para uma mãe!). E outro fator que me assusta é a obesidade infantil, um problema seríssimo dentro da casa de muitas famílias. Por essas neuras, Benjamin não conhece refrigerante, não come chocolate (mas uma vez experimentou um pedaço de brigadeiro, quase morri! foi a única vez). E por orientação de sua pediatra, ele não come iogurte, Danone e afins.

(da categoria dos doces, Benjamin só comia biscoito maisena e recentemente, desde de dezembro, passou a comer bolo – simples, nada de recheio e coberturas)

Eis que dia desses, participei de um workshop da Abbott, com o Dr. Carlos Alberto Nogueira. O assunto abordado: Dificuldades alimentares na infância: os pais, os filhos, as consequências e o tratamento. Dr. Alberto afirmou que 51% da população tem dificuldade alimentar na infância. Explicou os três motivos principais dos problemas alimentares: 1. os pais não seguirem uma divisão de responsabilidade na alimentação da criança; 2. a criança pode não ser capaz de comer bem por causa de problemas médicos ou desenvolvimento; 3. a criança ter problemas de comportamento ou psicológico. A primeira coisa a fazer é procurar um profissional para fazer essa triagem, ou seja, que possa apontar em qual categoria o filho se encaixa e dar orientações.

Segundo Dr. Alberto, existe também fatores de influência dos pais, que seriam: fatores genéticos, exposição precoce aos sabores (e aqui no meu ponto de vista, entra um dos meus motivos de não dar chocolate para Benjamin antes dos dois anos), disponibilidade dos alimentos em casa, o quão é fácil comer esses alimentos, o estilo da paternidade alimentar (e esse foi o ponto que me chamou atenção), práticas alimentares. Influência das crianças: habilidade de desenvolvimento e de ajustar as calorias, provar gostos e desgostos, neofobia, personalidade, condições médicas.

Sobre o estilo de paternidade, são 4: a) Controlador (controla a alimentação e pressiona a criança para comer, suborna-a com recompensa); b) Passivo (desiste da responsabilidade alimentar e não estabelece limites); c) Indulgente (não estabelece nenhum limite); d) responsivo (estabelece limites, orienta a alimentação da criança, serve como modelo alimentando-se de todos os alimentos oferecidos para a criança; conversam com os filhos sobre a comida de uma forma positiva, respondem aos sinais de fome da criança).

Estava quase me gabando (em pensamento) e me encaixando no perfil responsivo, se não fosse um único fato: não ser um exemplo para o meu filho. Definitivamente estou longe de ser. O modelo aqui em casa é o pai. Logo depois veio um segundo fato: não permitir o chocolate na vida do meu filho. Dr. Carlos Nogueira apontou pra mim e sentenciou: você é o estilo controlador! 😦 Segundo ele, 20g de chocolate por dia faz até bem. E é claro, não é pra sair dando chocolate para uma criança de um ano todos os dias, mas que era possível restringir alguns dias para isso (seria a tal abertura para os dias de guloseimas).

Conversei com as amigas-mães blogueiras presentes no evento: Tati Passagem (blog Entre Fraldas e Livros), Thaís Scavassa (blog Testado pela Mamãe) e Paola Preusse (blog Maternidade Colorida), todas dividiram comigo suas experiências e sugestões. Saí de lá quase decida: quem sabe nessa Páscoa Benjamin começa a comer chocolate. Sou daquelas que até os meus conceitos começam a me perturbar, começo a me questionar o porquê do porquê da decisão. A louca!

Faltam só 3 meses e meio para Benjamin completar dois anos. Embora, mantenho a decisão de não oferecer chocolate, não tenho dúvidas que na escolinha (nessas festinhas de aniversário que tem sei lá, uma vez por semana) ele já tenha comido bolo de chocolate, brigadeiro, beijinho… por que se não tenho dúvida disso, mantenho essa decisão? Por que não permito esse pequeno prazer a ele perto de mim, em casa? Por que se eu (juro) não quero ser o estilo controladora? A perturbada!

Neste final de semana, dei o primeiro passo para chegar próximo ao estilo responsivo. Ofereci ao Benjamin um chocolate. E dessa vez, não cheguei perto do quase morri e me dei conta que não vai acontecer nada demais com ele, se ele comer chocolate. Que venha a Páscoa (com moderação)!

image

*

Esse post foi inspirado por uma pergunta da leitora Maria Joaquina. Questão que chegou bem no dia em que estava no Workshop. Ela perguntou: Gabi, por que Ben ainda não come chocolate? Sua resposta pode me ajudar.

Espero que tenha respondido e te ajudado de alguma forma, Jô!

Quero aproveitar e agradecer toda a equipe da Abbott! Participar de encontros como esse é sempre muito enriquecedor. Adoro!

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5 Comentários

  1. Amanda

     /  11 de março de 2013

    E, no meu ponto de vista, fez certíssimo! Eles comem essas coisas na escola e a gente acaba perdendo essas nova descoberta deles! A Maria Eduarda comeu um brigadeiro com 1 ano e um mês e meio…. Fiquei c receio de dar, mas dei… E sabe o q aconteceu? Ela ficou feliz! Adorou e se sujou toda! Tenho fotos lindas desse momento! O primeiro brigadeiro e mágico!
    Lógico q nao vai comer todo dia, mas as vezes pode, né?

    Responder
  2. Livia

     /  11 de março de 2013

    Em casa, com o meu filho que vai fazer 4 anos daqui 12 dias, a política adotada é a seguinte: ele come de TUDO, literalmente! Claro, dentro dos horários e dos limites normais. Ele almoça verdadeiras saladas, troca qualquer bolo de chocolate por uma fruta (que ele ama alucinadamente!), mas eu não nego chocolate e balas. Percebi, com o tempo, que deixá-lo comer o que todo mundo gosta tinha suas vantagens. Eu o deixo livre para experimentar e comer o que ele bem entender, desde que as refeições principais sejam feitas adequadamente. Com o tempo, não preciso conversar com ele para comer saladas, legumes, e “limpar” o prato. Hoje, ele já sabe. Comeu direitinho, toma suco e ganha um doce de sobremesa (até porque euzinha não sei terminar uma refeição e não adoçar a boca depois. Como posso negar o mesmo direito a ele?). Se não está com fome, também não tem fome para porcarias. Com ele, funcionou! Dá gosto de vê-lo fazendo suas refeições, seja em casa ou em restaurantes. Chega a chamar a atenção das pessoas. Não torce o nariz pra nadinha de nada. Acho que sou uma mistura das mãe especificadas pelo especialista da palestra.. rsrsrs

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  3. Aniele

     /  11 de março de 2013

    Faço das palavras da Livia, as minhas! Converso bastante com a minha filha, e dou muitas frutas, sucos naturais, mas só bolacha maizena ou maria, ela come danoninho sim, mas não todos os dias, e já comeu chocolate sim. Acho que o dialogo ( sim eles entendem absolutamente tudo o que falamos) é ainda o segredo de uma alimentação saudavel, explicar o porque devemos comer frutas, legumes, e mostrar na pratica, e fazer as refeições sempre que possivel todos juntos .

    Responder
  4. Maria Joaquina

     /  11 de março de 2013

    Gabi, obrigada querida!!! Nossa, vc não sabe o quanto me ajudou a entender melhor e reforçar meus argumentos na familia!!! É que eu tbm tento oferecer o melhor ao meu filho e minha sogra tem supermercado. Então quando meu bebe (1 ano e 2 meses) vai pra lá, ela quer oferecer pirulito, chocolate e pasme.. refrigerante!! Ai Gabi, quero morrer, é um absurdo! E eu fico sem saber oque falar, e fico como chata!

    Mas é isso, vou dizer: como nosso paladar é mais chegado no doce, se der refri, chocolate e afins, tchau brocules!

    E outra coisa que qria dizer, é que além de me ajudar, eu fiquei super feliz pelo seu respaldo!! Imagine, eu te admiro tanto e de repente vc tem a delicadeza de responder uma pergunta minha!!! Ai Gabi, fiquei emocionada hahaha

    Já comentei algumas vezes.. como no texto: “20 meses e 20 traquinagens” “tchau chupeta” “feriado com vovô”.. etc.. porque acho o Ben lindooooooo e vc uma mãe mto especial!!!

    Estou sempre por aqui, me inspirando e vc me ajudando!! Por isso agradeço mais uma vez e desejo tudo de bom pra vcs!!

    BJS

    Responder
  5. As vezes é tão difícil isso da alimentação dos pequenos né? Eu luto constantemente com o meu marido que adora uma porcaria e insiste em querer dar para o Joaquim. Por enquanto eu to vencendo, quanto ao chocolate, quero evitar até o Joaquim completar 1 ano, pois como diz a própria pediatra, ele não precisa disso agora. Sorte que temos uma alimentação bem saudável e temos um acordo de não comer porcarias perto dele, afinal, somo o exemplo e tudo a seu tempo!

    Responder

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