Diário da gravidez: se esses 9 meses fossem…

Ontem fui pegar alguma coisa na mesinha de cabeceira da minha cama, quando me deparei com o meu diário da gravidez. Estava lá soterrado por um monte de livros. Estava saindo do quarto quando decidi voltar e pegar o diário abandonado.

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Foi o primeiro presente que ganhei assim que soubemos da gravidez. Foi o marido que me deu. Ele sempre soube que eu adoraria registrar cada momento daquele período. Sou daquelas que sempre fez diários, aqueles cadernos de perguntas, agendas (daquelas bem gordas, até com papel de bala que representasse algum acontecimento)… Mas a vida vai mudando, a gente também. Uma coisa que não mudei e que gosto muito de fazer é escrever.

Só que na gravidez eu passei muito mal durante os quatro primeiros meses. Não tinha disposição pra nada, inclusive para escrever no diário. Isso me chateou bastante passado alguns meses, quando percebi que havia perdido pro tempo. Não tinha ânimo para recuperar as informações semana a semana.

Ontem quando peguei o diário, essa mesma chateação me invadiu novamente. Nele encontrei os poucos registros que fiz: o resultado do exame de sangue, um email dos colegas do trabalho, outro email só que do meu pai, um cartão de dias das mães que marido me deu na data. E tinha, é claro, primeiras páginas escritas com informações de data provável do nascimento (12/06/11, meu Ben nasceu em 16/06/11), dia em que descobri que estava grávida (06/10/10), como foi essa descoberta, os nomes da lista (se fosse menina: Laura, Maria Luiza, Clarice, Júlia. Se fosse menino: Davi, Gael, Adoniran – isso era coisa do marido -, Guilherme, Igor, Miguel, Roque – nome do meu avô paterno -, Noboru – também coisa do marido, nome do avô materno dele -, Ernesto – ideia adivinha de quem (?!) – e Benjamin – que nunca esteve na minha lista -, surgiu quando eu pesquisava nomes e o significado desse me fez encerrar as buscas.

O diário está praticamente novo. Pouquíssimas coisas escritas. Depois que Benjamin nasceu tentei escrever um pouco sobre a nova fase, o desenvolvimento dele, mas também não foi pra frente porque logo depois criei o blog. Folheei mais um pouco o livro e descobri uma pagina, quase no final, preenchida. Era uma página destinada a registrar: “se esses 9 meses fossem…”. Estava lá um registro que adorei ter encontrado. Informações simples, que o dia-a-dia leva da nossa memória assim como um vento leva uma folha de árvore caída no chão. Aquela pontinha de tristeza por não ter preenchido o diário inteiro foi embora e o espaço foi ocupado pela saudade.

Nove meses parecem eternos, principalmente quando são aqueles que anunciam uma gestação mais tradicional possível com seus enjoos e tudo mais. Mas esse é o período mais breve em nossas vidas. Se esses 9 meses fossem…

um sabor: o meu seria abacaxi (o que mais comi durante o período inteiro. Teve um dia que comi um inteiro sem perceber, em frente à TV)

um cheiro: desodorante e perfume do marido (o coitado mudou de desodorante ao longo desse período, jogou fora um perfume e mesmo assim eu implicava com ele. E agora acabo de me lembrar também do cheiro do trabalho, eles usam lá um troço pra deixar o ambiente perfumado, na época era passar pela porta e eu vomitava, também tinha o cheiro do sabonete, passamos usar aqui em casa só de bebê e é assim até hoje. Na verdade tive sérios problemas com diversos tipos de cheiros, não era nada pessoal com o marido)

um lugar: Paris (passamos o final do ano na cidade luz) e Búzios (passei minhas férias toda lá)

uma cor: azul

um livro: O que esperar quando está esperando (presente da minha amiga-irmã-mãe Dani)

um filme: Babies (um documentário muito interessante que apresenta o primeiro ano de vida de quatro bebês, um de cada canto do mundo)

um momento do dia: a madrugada (eu acordava milhares de vezes para ir ao banheiro)

um objeto: garrafinhas de água (vivia com uma pra cima e pra baixo) e saquinho (minha irmã Luana chegou a me presentear com aqueles ossinhos porta-saquinhos – de levar quando vai passear com o cachorro, sabe?! Pois é, eu levava na bolsa, pra usar em caso de emergência, que no meu caso era todo dia até completar 4 meses)

uma frase: “enquanto o mundo exige pressa, uma mãe simplesmente espera” (não sei de quem é, mas lembro de ter lido em algum lugar e me identifiquei muito, até porque eu vivia um momento de grande aprendizado, a gravidez foi praticamente a minha busca pessoal pela paciência)

e se fosse música, no diário não tem essa opção, seriam duas: Pra você guardei o amor (Nando Reis) e Reconhecimento (Isadora Canto)


E pra você, se os 9 meses fossem….um sabor, um cheiro, um lugar, uma cor, um livro, um filme, um momento do dia, um objeto, uma frase, uma música. Quais seriam?

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