Terrible Twos – Quando as crianças ficam agressivas

Dizem que dois anos é chegada a idade das birras. Benjamin está com um ano e oito meses e passou a demonstrar certa agressividade. Há (mais ou menos) duas semanas, ao ficar bravo ele joga o brinquedo longe e bate no pai e, com mais frequência, na mãe – como se eu fosse a culpada por tudo.

De início eu segurava o braço dele e dizia brava que não podia fazer aquilo. Ele ria pensando que eu estava brincando. Aliás, quando falo sério Benjamin sempre leva na brincadeira, sempre me desafia, até que eu levante do lugar me aproxime dele e dê uma bronca mais forte ainda. Fica lá com cara de sem graça.

Semana passada, voltamos de viagem na quarta-feira de cinzas e eu fui trabalhar direto. A noite estava exausta, com início de gripe, corpo dolorido, casa para arrumar, malas para desfazer e filho dengoso que só, como se a mãe tivesse ficado afastada uma semana. Confesso que estava um pouco sem paciência. Tudo o que eu queria era me esparramar no sofá e me perder na televisão.  Mas Benjamin não queria deixar.

Fiquei sentada no sofá e tentando brincar com ele. De repente (ou não?!), deu um ataque de nervoso do molequinho. Ele começou a jogar as peças de montar pra tudo quanto é lado, gritar e me bater com peças na mão. Num primeiro momento ignorei, meu braço começou a ficar vermelho, tentei conversar. Num segundo me vi gritando (também) “para com isso, para de me bater!!!”, num terceiro…..me vi revidando dando um tapinha em sua mão.

Marido que estava no computador, levantou separou os dois (sério, parecíamos duas crianças, só que um de fato era e o outro não) colocando cada um em um canto do sofá e começou a dar bronca na gente. Ficamos os dois congelados, olhando para ele. Mandou o Benjamin tirar roupa e o levou pro banho. Esbravejou algumas palavras comigo. O silêncio tomou conta da casa.

Não, não foi de repente que Benjamin começou a ficar nervoso. Ele sentiu, por mais que eu estivesse me esforçando para brincar, eu não estava entregue totalmente. Ele sabia disso. Criança sente isso.

Não, eu não me orgulho da minha reação. Pra falar a verdade fiquei bem chateada. O remorso e a culpa tomaram conta de mim. Onde já se viu a mãe gritar e querer revidar o filho (?!). Foi uma postura bem imatura da minha parte. Nunca tinha me visto em situação semelhante. E parece que a partir de agora esse comportamento do Benjamin será algo constante, pelo menos por um período. Fiquei me questionando: que tipo de mãe eu quero ser? O tipo A LOUCA é que não.

Antes desse episódio, houve um dia que Benjamin teve esses seus ataques de nervos, veio pra cima de mim – que não tinha nada a ver com a história, levou uma bronca minha e simplesmente passou a me ignorar. Me ignorou uma noite inteira até chegar a hora de dormir, quando se demonstrou carinhoso. Aliás, depois de um tempo ele sempre vem me abraçar, parece até como um pedido de desculpas.

Semana retrasada veio na agenda que Benjamin tinha sido mordido. Seu braço levava a marca. Na semana passada veio o seguinte recado na agenda da escolinha: “Benjamin mordeu um amiguinho. Hoje Benjamin está terrível, mordeu outro amiguinho que reagiu com um brinquedo na cabeça dele”. Nesse dia Benjamin estava com a testa roxa e um arranhão da testa até a ponta do nariz. Pensei: o menino foi pra guerra e não para a escolinha. Não acreditei muito que ele tivesse mordido (acreditaria se tivesse me dito que ele bateu, pois tenho visto ele fazer isso), pois reclamei da semana anterior (quando ele tinha sido mordido). Achei que foi um recado do tipo “cala boca dessa mãe”.

Dia desses chegou o boletim de 1 ano e 8 meses da Baby Center. Marido recebeu primeiro e veio me contar: diz o boletim que a criança nessa idade começa usar um pouco de agressividade: morde, empurra, bate. Quer dizer, Benjamin pode mesmo ter mordido na escolinha, até porque o clima é outro, as crianças devem fazer isso direto, blá, blá, blá…

Não estava entendendo de onde vinha essa agressividade gratuita. Passei a observá-lo e me parece uma forma de se expressar, de dizer que está bravo, que não está satisfeito, uma maneira se impor. Depois de ler o boletim essa minha tese se confirmou. Mas como lidar com isso???

Sempre tive alguns pontos de vista bem definidos, adquiridos através de algumas leituras:

TER BOM SENSO E COERÊNCIA. Em primeiro lugar, os pais devem se impor, mas não da mesma forma que a criança, em hipótese alguma revidando, gritando, afinal a criança vai achar que tal atitude é normal. Ser coerente ajuda a criança distinguir o certo e o errado.

PACIÊNCIA. Esse é o ingrediente do sucesso. Cada vez mais, quanto mais os filhos crescem, parece que vivemos numa prova de fogo que consiste em testar os nossos limites, até onde vai nossa paciência. É preciso ter calma. E se perceber que está no limite, peça que alguém tome a frente da situação.

ESTIPULE LIMITES CURTOS E SIMPLES. Não adianta querer passar um sermão para uma criança de um ano, explicando os principais fundamentos negativos do seu comportamento agressivo. Frases imensas são incompreensíveis para o cérebro de uma criança nessa idade. Use frases curtas e simples.

ELOGIE. Toda vez que a criança se comportar bem, elogie. Isso indica a ela o comportamento que é aceitável, que você gosta.

RESPEITO. Já disse nesse post AQUI, respeito é bom, tem sabor e todo mundo gosta, principalmente as crianças.

Esse sempre foi meu ponto de vista, minha opinião,  mas é aquele negócio, você era uma ótima mãe até ser….

*

AQUI a Baby Center dá outras dicas de como lidar com agressão dos pequenos.

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4 Comentários

  1. Oi Gabis!! … passamos por esta fase, por volta dos 2 anos e 2 meses mais ou menos, acho inclusive que comentei com vc que fomos chamados na escola por conta do comportamento do Lucas. Depois disso, passamos a mudar o comportamento em corrigí-lo diante de algumas agressividades que surgem do nada! Os pontos que vc ressaltou ao final do texto são ESSENCIAIS e FUNCIONAM MESMO! Sou prova viva disso, não tinha muita paciência após me deparar com essa fase e desde então melhoramos (sim, nós 3 juntos). O Lucas compreende super bem quando explicamos o motivo de não fazer aquilo, inclusive chama a nossa atenção quando nos observa mais estourados, mesmo que não seja com ele (um exemplo é no trânsito, vive falando: não pode gritar papai/mamãe é muito feio). Com 2 aninhos já começa a fase do cantinho da disciplina, e vc vai ver como funciona. Precisamos ser firmes, objetivos e eles vão surpreendendo a gente a cada dia. Fora que o pedido de desculpas, o beijo seguido de um “eu te amo” daquela pessoinha, e a calma que predomina em seguida, é muito gratificante. Vc se acalma, ele também, e fica com a sensação de missão cumprida, sem remorsos.
    Beijão!

    Responder
    • Oi Ká!!! Lembro sim quando vc comentou. Ai menina, estou aqui tentando seguir os conceitos que acho correto. Rs É bem difícil. O lance do cantinho, na escola fazem isso “colocam pra pensar”. Confesso que não acho isso uma boa ideia ainda. Benzoca tem um ano e oito M, acho que eles não tem noção desse castigo. Vamos ver mais pra frente se usarei o método. Rs
      Ah, ele ainda não fala tudo, mas demonstra que é uma maravilha. Realmente, qd eles nos abraçam descobrimos nosso lugar no mundo. Rs
      Volte sempre!!!
      Super beijo

      Responder
    • Ká,

      Estou lendo o livro “A criança mais feliz do pedaço”. Já leu? De todos os livros que li, não sei também se é porque estou entrando nessa fase, é o mais interessante. Ele tem várias dicas de como lidar com as birras e educar uma criança para que ela se torne paciente, cooperativa, e tudo mais…o que estou gostando nele é que tem dicas práticas mesmo. Tipo, ele fala o problema e dá dicas de como você resolver na prática, sabe? Sinto que a maioria dos livros diz como resolver, mas só teoricamente. E esse não, ele faz de um jeito que te ajuda aplicar. Comecei a ler e tive dificuldade em continuar, pois me deparei com as minhas próprias limitações. Tinha coisa que eu de fato não conseguia fazer, como falar com Benjamin em criancês (como fala no livro). Sei lá, só sei que não é fácil lidar com essas situações, explicar para o filho e lembrando que ele tem apenas um ano e pouco, não cobrar dele uma atitude que ele ainda não pode compreender (tratá-lo como uma criança de 5 anos), respeitá-lo, enfim…vamos aprendendo.
      Super beijo

      Responder
  1. Livro: A criança mais feliz do pedaço | bossamae

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