Sobre mimo, limites e coerência

Outro dia fiz uma pequena nota sobre manha, onde falei que os pais estragam os filhos. Uma amiga-mãe-leitora-super-mega-querida comentou e me pediu para aprofundar mais o assunto. Cá estou (vou tentar). 🙂

Sinceramente, acho que me expressei mal quando disse isso. É claro que pais não estragam os filhos, mas assim como os avós e tios, os pais mimam demais. Só que diferente de avós e tios (que “estragam” porque é a “função” deles), os pais fazem isso de maneira inconsciente. Por exemplo, não ficamos com Benjamin o dia todo e quando ficamos – finais de semana e férias – fazemos tudo para agradar: beijamos e abraçamos a todo instante, deixamos algumas rotinas de lado (que foi o caso agora nas férias), abrimos mão de dizer tantos “nãos”, ou damos atenção demais ou de menos – e aí queremos recuperar o que foi perdido e até por não falarmos mutuamente a mesma língua (pais x bebê) acabamos exagerando na atenção. Penso que é o que acontece aqui em casa.

Refletindo bem sob vários aspectos posso afirmar que mimo. Sendo espectadora, penso que o marido mima mais o Benzoca do que eu. Já havia falado isso, mas ele não acreditou. Até que outro dia a tia Rosana comentou isso e ele quis saber o que estávamos falando e revelamos o assunto. O marido é mais ameno, mais apaziguador. Por exemplo, se eu digo um “não” firme e Benzoca não gosta, mantenho minha posição, em seguida o marido vai lá falar todo meloso com Benzoca.

O marido diz que eu cedo na hora as coisas que o Benjamin quer, só para ele parar de chorar. Depende e muito. Eu cedo quando é uma coisa que não tem porque dizer “não”. Eu percebo que nós pais damos muitos “nãos” sem sequer pensar o motivo do “não” (por que não pode?). E aí entra naquele outro assunto da proliferação do “não”. Quando digo que sou contra a dizer “não”, me refiro ao “não” desnecessário. No entanto, sei que o “não” faz parte também da educação, principalmente no que diz respeito a limites.

Vale ler o texto “Dizer não é uma parte importante da educação das crianças“, compartilhado comigo pela Dani, minha amiga-mãe-já-de-dois. Estou super de acordo com esse texto, inclusive com o trecho sobre ter coerência:

“O desafio de educar uma criança tem um componente interessante para os pais, que é revisitar suas práticas, e avaliar suas coerências… ou a falta delas. A educação dos filhos é algo que pode gerar adultos melhores, ou transferir para as crianças as qualidades menos louváveis dos adultos. Lembre-se que mandamos mensagens para as crianças quando estamos falando, mas também quando fazemos coisas automaticamente, sem perceber. Você é o exemplo maior, nas coisas que faz ou deixa de fazer.

Assim, é importante pensar no outro extremo de se colocar limites: a coerência e os limites excessivos.

Se, por exemplo, vocês combinaram que o passeio pelo bairro não renderia nenhum presente, chegar lá e comprar algo contradiz o combinado. O mesmo vale para o inverso. Se já foi dito que chega de açúcar por hoje, então chega de açúcar por hoje, não vale comprar um sorvete porque você teve vontade. Pais coerentes normalmente tem filhos que entendem mais o que os limites representam. Incoerência leva as crianças a constantemente questionar os limites, para tentar contorná-los, porque entendem que o limite não é exatamente um limite, mas algo que só é um pouco mais difícil de conseguir.

Falar é importante, agir de forma coerente é ainda mais importante. Não adianta pedir para não gritar, gritando. Dizer que já vai, e demorar para ir. Dizer quer precisamos de menos TV em casa, mas a TV vive ligada. Dizer para criança ir brincar, mas você não vai brincar com ela. E “porque não!” não é resposta. Faça como suas crianças e aprenda com suas experiências.”

Para concluir penso o seguinte: acho que devemos mimar os filhos sim, mimar bastante porque o tempo voa e quando nos darmos conta eles é que estão voando pra longe da gente. No entanto, temos que impor limites. Criança não pode fazer tudo o que quer, do jeito que quer e na hora que bem entender. Mas isso vale para as coisas que realmente não podem porque vai causar algum dano, algum ferimento, sei lá…os pais devem avaliar melhor o que realmente não pode e o que pode mas não queremos liberar por “preguiça” (digamos assim) da consequência daquela liberação. Exemplo: o filho quer pular na piscina com roupa. Por que não pode?! Porque vai molhar tudo, vai ficar uma bagunça…Mas vai causar algum dano específico?! O mínimo que vai acontecer é o chão da casa ficar todo molhado. Não estou dizendo que isso pode ser feito todo dia, toda hora, a cada troca de roupa, mas que os “nãos” podem ser economizados.

Acho que a nossa missão é mimar, ensinar, orientar, estar ao lado, sempre com conexão, harmonia e a tal da coerência.

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5 Comentários

  1. Amanda

     /  17 de janeiro de 2013

    É tão difícil educar corretamente os filhos!!
    A gente quer agradar, mas ao mesmo tempo temos q impor limites… é difícil…. desde q o Matheus nasceu a Maria Eduarda tinha entrado numa fase de nao me obedecer de jeito nenhum…. só obedecia o pai… acho q foi uma “revoltinha” por eu ficar muito tempo c o bebe…. eu sabia q ela estava passando do limite… mas outro dia no consultório a pediatra viu jeito dela e falou p mim q ela estas sem limite nenhum… Eu sabia disso, mas quando “uma autoridade” na saúde dos teus filhos regala isso é mais chocante…. faz a gente se mexer… Sempre fui contra, mas como as coisas estavam saindo do controle virei aquela mae q conta até 3…
    É assim:
    – Maria Eduarda, para de pular no sofá!
    – rsrsrsrs
    – 1!
    Pronto, ela corre. Nao é certo? Nao é! Mas ela estava absolutamente sem limite, de ferias e eu sozinha tendo q cuidar dos dois… cada vez q eu tinha q sentar p amamentar ela aprontava alguma. ciúmes? Claro, mas passou do limite. Eu mandava ela parar de fazer algo e ela me ignorava!
    Ah, e se eu chegar ate o 3 quando contar ela perde um brinquedo (normalmente tiro aquelas coisinhas q vem no mc lanche feliz, nao vou tira brinquedo bom, né? Rsrsr) Eu escolho algo e vai p o saco de doações!
    Agora vou explicar pq escolhi fazer isso… Acredito q assim estou ensinando ela a me obedecer e tb a se desapegar das coisas material…. no relatório de fim de ano da escola veio falando mil maravilhas dela, o único ponto negativo era o fato dela nao dividir os brinquedos! Ai fomos p praia, eu fico no apto c o Matheus e ela desceu p praia c o Fabinho e a minha madrasta. O Fabinho foi buscar um milho p ela na barraca, ela ficou no guarda sol brincando c os brinquedinhos junto c a minha madrasta… ai a maré subiu rápido e o mar puxou um brinquedinho de areia dela…. ela levantou correndo e saiu correndo desesperada para dentro do mar chorando p buscar o brinquedo…. minha madrasta ficou desesperada tb pq nao pode correr pq rompeu os ligamentos do joelho ano passado… ela ficou gritando e pediu p um homem na praia correr atras e pegar a Maria Eduarda…. E ela pegou e levou p o guarda sol.
    Ou seja, todo mundo ficou desesperado, né?
    Quando eles chegaram no apto eu expliquei p ela q nao podemos nos arriscar por causa do brinquedo, q isso é porcaria e q se o mar levar a gente compra outro… deixei o Matheus c o Fabinho e fui p rua c ela…. ela estava em pânico e nao queria nem pisar na areia…. fui numa banca de jornal e comprei um brinquedinho de praia p ela…. fiz ela ir p areia brincar comigo um pouco e quando acabou a brincadeira fiz ela dar o brinquedo novo p p mar…. Ou seja, nos duas jogamos o brinquedo p o mar levar. É duro, né? Mas ela rinha q aprender q as vezes nos perdemos mesmo nossas coisas e nao podemos nos arriscar por isso!
    Juntando essas duas historias cheguei nessa coisa de contar até 3… se nao me obedecer perde um brinquedinho… assim vai aprender a ter limite e a se desapegar um pouco das coisas…. meu pai e minha madrasta sao pedagogos e me orientaram assim… estou fazendo e vem dando certo… agora aos poucos quero ir tira do essa história de contar até 3 p ver se ela realmente aprendeu….
    Educar nao é fácil!

    Responder
  2. Gabi, adorei!!! Concordo com tudo que você disse aí em cima! Eu nunca tinha reparado até ler seu texto, mas faço isso lá em casa com Luquinha também. Acabo “compensando” por não ter passado o dia todo com ele. rs É automático, né? Mas penso como você. Tem muitas coisas que os pais costumam dizer não sem haver necessidade. Como o exemplo que vc deu da piscina! Faço isso naturalmente, já que penso nisso desde quando era criança. Hoje, alguns pensamentos daquela época mudaram, mas eu era uma criança muito “sensata”, então alguns permaneceram. rs

    Acho que não há mal grande neste mimo involuntário. O ruim é quando o não é esquecido e quando a criança não aprende a ter limites. Mas conhecendo você este pouco que conheço, e me conhecendo tb, imagino que não sofreremos deste mal. (vamos trabalhar para isso rs).

    Beijos!!!

    Responder
  3. Oi Gabi, gostei muito do post. Eu e o meu marido temos uma questão com o “não”. Eu acho que ele diz não demais e o “não” pra tudo cai em descrédito. É realmente muito difícil encontrar o equilíbrio.
    beijos
    Chris

    Responder
  4. Oie, acho que carinho e atenção demais é legal sim, a gente gosta de afeto. Eu sou uma mçe grudenta, vivo beijando, falando te amo e ele retribui! Acho que ele tem que ser um homem carinhoso, Meu marido não sabe dar afeto porque só apanhava então não quero isso pro meu filho. Mas essa coisa de um ser mais bravo (sempre a mãe) e o pai ceder sempre acontece aqui e eu vivo brigando por causa disso porque acho que tem que ter limite sim, que tem que respeitar o não de um. Bom, vamos ver como continuamos kkk

    Responder
  5. Bom, também sou um pouco como todas vocês (acho que mãe só muda de endereço) e adoro beijar, abraçar, dar cheiro, fazer cafuné e “encher o saco” que nem criança dos meus pimpolhos. O mais velho, o João, dos alto dos seus 4 anos já virou pra mim e disse: “mãe, não pode encher o saco do amigo, tirar a paciência. oOamigo fica bravo”rsrsrsrsr, mas adoro chegar do nada e agarrar, ou puxar o dedo do pé, dar um beijo surpresa…também era assim com a minha família antes, lembro do meu pai me afastando, tipo chega, já deu, e ainda lembro muito mais de uma tia falando: deixa, vc vai sentir falta disso quando ela crescer e sair de casa. Então, penso que os nãos devem ser dados de forma equilibrada, mas acho que devemos quebrar regras, ou deixar que os filhos as quebrem em momentos que o resultado é melhor pra família inteira e não acho que isso vá criá-los sem limite, pois ambos tem e entendem e mais, obedecem mais a mim exatamente por isso, porque economizo nos nãos de fato, e eles entendem que quando é não, nem adianta fazer manha, até porque tento não dar bola.
    Contudo, lá em casa também, marido e eu discordamos do que é mimar, acho que não mimo, acho que faço papel de uma mãe que erra e acerta, como todas as outras. Acho que nós adultos as vezes somos muito presunçosos com os nossos pode e não pode, e não olhamos do ponto de vista da criança. Penso que carinho, amor e ateñção não estragam as crianças, o que estraga é pai e mãe que não quer trabalho e se impoe sem pensar, o que acredito não ser o caso de ninguém que esteja aqui nesse ambiente trocando informações da melhor forma de fazer as coisas. Acho que nada é certo ou errado pra todos, tem coisa que dá certo em uma família e não em outra e aí se aplica o certo ou errado, dentro da minha ou de outra família. Já disse isso pra Gabi e repito isso como um mantra, quero envelhecer e olhar para trás e me orgulhar porque fiz mesmo tudo o que podia fazer, com as limitações e com as exceções. Quero criar grandes seres humanos, sobretudo que sejam pessoas boas com os demais e felizes. Que tenham compreensão do que é felicidade, e posso afirmar que pra ser feliz basta estar de bem com a vida que se vive, lutando pra ser melhor diariamente, repeitando o próximo e só.
    Acho que exagerei no tamanho e passei um pouco do assunto…rs

    Responder

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