Você compraria uma boneca para seu filho?

A minha primeira reação para essa pergunta é hesitar um instante, seguindo a resposta: não, eu não compraria! Se eu pensar mais um pouco, a resposta é diferente: depende. Vamos combinar que é uma pergunta desconsertante (?!).

Essa discussão já é antiga, mas sempre rende novos pontos de vista para reflexão. Semana passada foi nosso assunto lá no TDM.

Marido diz que sou totalmente feminista. No dicionário, feminismo: 1. Sistema dos que preconizam a igualdade dos direitos da mulher e do homem; 2. Presença de caracteres femininos nos machos.
No Wikipédia: “Feminismo é um movimento social, filosófico e político que tem como meta direitos iguais e uma vivência humana liberta de padrões opressores baseados em normas de gênero. Envolve diversos movimentos, teorias e filosofias advogando pela igualdade para homens e mulheres e a campanha pelos direitos das mulheres e seus interesses”.

Então, se ser feminista significa ser contra a tudo que é imposto para mulher como se fosse obrigação só dela, ok, assumo, sou feminista! Não gosto desse mercado infantil que contribui para o desenvolvimento de padrões impostos pela sociedade. Bonecas, panelinhas, fogão, geladeira, tábua e ferro de passar (etc), são para meninas. Carros, super heróis, armas (etc), são para meninos. Conclusão: meninas cuidam dos filhos e da casa. Homens são machos que trabalham fora, defendem a família.

De fato não tem graça nenhuma em fazer nebulização e trocar fralda. Assim como também não vejo graça em dar para uma menina um jogo de panelinhas (nem carrinho e fraldas para boneca). E menos graça ainda em ver um pai dizendo que sentiu náuseas a primeira vez que trocou a fralda suja de coco do filho. Existe uma diferença entre brinquedos e brincadeiras.

Brinquedo é o instrumento. A brincadeira serve para a criança aprender. Logo, meninos podem brincar com panelinhas, podem cuidar do bebê (boneca). Eu nunca tive habilidade para cuidar de bebê, nunca na minha vida tinha trocado um até o Benjamin chegar na minha vida. Agora pensando, acho que isso se deve ao fato de eu não ter tido tantas bonecas do tipo que minha irmã Luana teve (ela ao contrário de mim, sempre teve jeito com bebês). Tirando uma boneca que nadava (observe: atleta), eu só tive Barbies. E vamos combinar, Barbie, entre todas essa infinidade de bonecas que existem, é a que menos representa a dona de casa (na minha época a Barbie nem tinha filhos, não sei agora).

Vemos que muitos homens não ajudam com os afazeres domésticos, por exemplo. Como mudar isso?! Dentro da nossa casa, com nossos filhos! Se queremos um mundo diferente e melhor, precisamos desenvolver pessoas diferentes, mais solidárias, participativas, humanas. Estou tentando contribuir para isso. Meu Ben, no auge do seu um ano, guarda seus brinquedos, limpa o chão se sujar (e fico toda orgulhosa ao ver ele pegar o papel pra limpar), joga o lixo no seu devido lugar. O exemplo tem que vir dentro de casa.

Agora deu para querer pegar a vassoura e o rodo toda vez que estamos usando. Fui na 25 de março ontem e comprei aquele brinquedo kit limpeza para ele. Para minha não surpresa o kit estava localizado no corredor de brinquedos para as meninas e só tinha na cor rosa (tipo, cuide da casa com glamour). Perguntei se havia uma cor neutra, o vendedor (homem!) teve a cara de pau de dizer que era um brinquedo de menina. Oi? Andei mais um pouquinho para pesquisar. Achei em outra loja também na cor rosa. Comprei! (Na minha infância esse kit era uma réplica dos verdadeiros (de madeira), agora virou um artigo de luxo para as aspirantes de donas de casa mirins).

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Voltando a pergunta: você compraria uma boneca para o seu filho?

Eu não compraria uma boneca para meu filho assim de livre espontânea vontade. Seria hipócrita se dissesse o contrário, assim de bate pronto. Mas compraria se ele me pedisse. Ele já tem bonecos (e não vejo problema nenhum nisso), além de vários bichos de pelúcia – que se for para classificar em “menino ou menina”, acho que está mais para menina.

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Minha tia Rosana também indicou uns bonecos que formam a família. Olha aqui um modelo. Quer dizer, com bonecos é possível aprender (e desenvolver) as funções de cada membro familiar, além da importância que cada um deles representa em nossa vida.

Imagino que crianças são como adultos, só que não. Acumulam experiências a partir do que vivem, e nesse caso, vivem do lúdico, aprendem do jeito que devem aprender: brincando. As brincadeiras ajudam as crianças se expressarem e a desenvolverem habilidades importantes que serão aplicadas ao longo da vida.

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2 Comentários

  1. Nossa, Gabi, este post é polêmico, hein. Eu nunca me envolvi neste assunto e nem pretendo me envolver. Mas eu adoro seu blog e gosto de comentar kkkk Então, estou aqui de metida, tá? =)

    Eu penso que quando a gente dá muito ibope para um assunto determinado, ele pode virar tabu e aí começam os problemas – que até então não existiam se a gente não tivesse dado ibope para eles.

    Tipo: eu compraria uma vassoura cor de rosa para o Luquinha se ela fosse a única no mercado e se ele resolvesse ficar brincando de varrer casa com a vassoura de verdade, que além de poder machucar é suja. Mas eu não levantaria o assunto em casa, se pode ou se não pode, se é de menina ou de menino. Eu simplesmente compraria. Ele brincaria até o momento em que enjoasse e resolvesse focar em outra atividade (doméstica ou não rs).

    Eu não compraria uma boneca para o Luquinha. E se tivesse uma menina, compraria sem culpa fogãozinho, panelinha, essas coisas para ela brincar.

    Isso porque eu acho que nada disso é responsável por influenciar na sexualidade ou na forma como vamos levar a vida.

    Eu sempre brinquei de boneca, casinha, fazer comidinha… E não conheço ninguém, ninguém mesmo, menos dona de casa que eu. Eu não cozinho, nunca lavei roupa na mão – a não ser nos primeiros meses do Luquinha -, não passo roupa (nunca), não varro a casa (só uma vez por mês, mais ou menos) e meu marido – que brincava de Comandos em Ação – faz muito mais essas coisas do que eu. 😉

    Então, eu acho que o que a gente vê em casa, o que nossos pais fazem, como nossos pai são, ou pessoas com quem convivemos mais, influencia SIM no que somos. Minha mãe, apesar de cozinhar super bem, nunca priorizou os afazeres domésticos. Até pq ela trabalhava fora. E quando estava em casa, queria curtir a gente.

    Quanto à sexualidade, vai além, muito além, dos brinquedos infantis. É de cada um. É um gosto. Uma preferência. Que, na minha visão, independe dos brinquedos. =)

    Beijos, Gabi!

    Responder
    • Ju! E eu adoro quando vc comenta!!!!!
      Eu brinquei de casinha também, mas assim como vc, não sou chegada aos afazeres de casa. Faço quando tem que fazer. Tb não passo roupa. E quase nunca lavo a louça. O marido também brincava só de coisas de meninos e me ajuda muito em casa. Enfim, eu não sou a melhor dona de casa do mundo!

      Embora, seja um pouco feminista, me incomoda um pouco esse lance dos machistas. Tem muito homem contra meninos/crianças fazerem certos tipo de coisas. E eu sinceramente, não vejo problema. Mas é como disse, não compraria uma boneca para o Benjamin se ele não me pedisse. Comprei a vassoura pq ele realmente ta numa pegada de querer pegar a vassoura toda vez que vê alguém varrendo. Ontem ele ficou varrendo a sala toda com sua vassoura. Não encontrei de outra cor, por isso adquiri a rosa. Mas pra vc vê, até a industria coloca em categoria de menino x menina. Eu jurava que ia encontrar aqueles kits como eram na minha infância, igualzinho os de verdade e aí encontrei só desse tipo ai.

      Tb acho que quando tem ibope o negócio parece que vira proíbido. Aqui em casa não pretendemos rotular nada “menino x menina”, vamos deixar rolar e quando aparecer os inevitáveis questionamentos – sim, pq vai chegar o dia em que nossos filhos vão começar a perguntar “pq isso é de menina e não para menino?” Ou afirmar “não quero isso pq é de menina” – vamos ter que tocar no assunto. Claro de maneira muito tranqüila pra não virar tabu.

      Comente sempre!!!!

      Super beijo

      Responder

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