Precisa-se de babás (?!)

Sábado passado levamos Benzoca para ver uma contação de história na Livraria da Vila, no Shopping Cidade Jardim. A livraria ficou cheia. Adultos e crianças por todos os lados. Moças vestidas de branco a cada m² – as inconfundíveis babás. Fiquei impressionada…Primeiro, porque eu pensei que aqui no Brasil essa era uma profissão em extinção. Segundo, porque só o Brasil mesmo para cultuar esse lance do uniforme branco (tipo, essa não é a mãe do meu filho!). Terceiro, porque eu pensava que babá era mais no caso de ausência dos pais, ou seja, quando os pais estão trabalhando.

Se você procurar na internet o significado de babá, o Wikipedia traz: empregadas contratadas para cuidar de crianças menores de idade em períodos de ausência dos pais ou responsáveis.

Encontrei na livraria vários grupos: filhos acompanhados só dos pais; filhos acompanhados dos pais e babás; filhos acompanhados só de babás. Esse último me entristeceu um pouco. Uma tristeza bateu mais forte quando uma moça jovem, aparentemente da minha idade, chegou acompanhada de uma amiga, filho e babá.

O filho dela, da idade do Benjamin, uma graça, quando me viu sentada num puff debruçou-se em minhas pernas para prestar atenção na brincadeira que eu fazia com um fantoche para alguns bebês próximos. Depois saiu explorando a livraria. A mãe por sua vez deixou o menino com a babá para ir tomar alguma coisa com a amiga: “Você fica aí com ele, vamos tomar alguma coisa e na volta eu vejo se trago algo para ele”.

Já vi muitas mães reclamarem que o filho gosta mais da babá do que dela própria. Eis aí um dos motivos. As babás passam a maior parte do tempo com nossos filhos. Elas acabam se tornando a referência deles. Sinceramente, ciumenta do jeito que sou, não me agradaria meu filho gostar mais da babá do que de mim.

Não sou contra as babás, inclusive eu e minha irmã tivemos uma. Mas pra mim as babás são necessárias na ausência dos pais. Era assim na minha infância, a babá só estava presente enquanto minha mãe trabalhava. Tudo bem a babá estar junto com a presença dos pais. Mas os pais terem a oportunidade de passar um tempo prazeroso com o filho e desperdiçar essa oportunidade deixando o filho com a babá é um pouco demais, né não?!

Após esse episódio passei a refletir. Eu não passo o tempo que gostaria com meu Ben, mas o tempo que passamos juntos é de muito prazer e qualidade. Acho que está aí importância de saber usufruir o tempo. Ser maduros o suficiente e analisarmos: como estamos usando o tempo com nossos filhos? Será que oferecemos tempo de qualidade a eles? Será que nos doamos aos nossos filhos como eles merecem?

Não podemos esquecer: os momentos com eles para nós também são preciosos e essenciais – alguns pais, talvez por imaturidade, não percebam isso ainda. Nossos filhos crescem (e rápido), deixam de ser crianças e vão investigar esse mundão. E nós ficamos a desejar que a infância volte. É essencial aproveitarmos cada minuto com eles a partir de agora.

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7 Comentários

  1. Amanda

     /  12 de dezembro de 2012

    Li um texto de teor semelhante esses dias, mas num tom muito mais “dedo na cara”, condenando os pais que levam as babás junto com eles pros lugares, e a coisa pegou fogo nos comentários.
    Eu concordo totalmente com seu ponto de vista – babás são ótimas, desde que os pais consigam equilibrar as coisas e passar bons momentos na companhia dos filhos, além de serem OS responsáveis pela educação e formação da criança.
    Até concordo que o fato que você citou nos lembra imediatamente o tipo de pais que terceiriza toda a criação dos filhos pras babás, mas a real é que não podemos julgar essa mãe apenas por esse fato.
    De repente ela aproveita o sábado a tarde (em que a babá está trabalhando, mas ela mesma não) para ver as amigas, mas passa todas as noites e domingos (quando a babá não está) com a criança.
    Veja, não estou dizendo que não existam pais que terceirizem os filhos, apenas que nós não podemos atribuir esse rótulo a alguém com base no que observamos em 5 minutos da vida delas.

    Responder
    • Oi Amanda, concordo plenamente com você. Minha intenção não é julgar o que está certo ou não. Até pq cada um tem a sua verdade, cada um acredita no que é certo ou errado pra si. Mas esse episódio, de 5 minutos – pq foi isso mesmo, me fez refletir sobre o tempo que passo com meu filho e quis propor essa mesma reflexão para quem lê meu blog. Não podemos julgar ninguém, mas (in)felizmente (?!) só de opinar estamos julgando, temos as nossas opiniões e podemos agir diferente do que não acreditamos válido. Existem sim pais que terceirizam e os que não fazem isso. ALiás, esse é um termo que ainda não aceito muito bem, pois se for analisar, eu terceirizo meu filho pq ele fica no berçário o dia todo enquanto eu trabalho. Enfim…mas esse post foi em tom de reflexão mesmo. rsrs
      Obrigada pela visita e apareça sempre. Como pode ver, eu adoro falar. rsrsrs
      Super beijo

      Responder
      • Amanda

         /  12 de dezembro de 2012

        Não penso que deixar o baby no berçário ou na escola, mesmo que seja o dia todo, seja terceirizar os filhos. (e juro que não “me convenci” disso só pra aliviar a minha culpa 😛 )
        OK, você poderia ficar em casa com ele o dia todo. Mas e aí?
        Primeiro, será que poderia mesmo? A maior parte das mulheres PRECISA trabalhar, não o fazem apenas por opção ou vontade de realização profissional (embora esse também seja um aspecto importante a considerar)
        Além disso, por mais que a mãe proponha atividades educativas pra criança, como fica a interação social? Nem sempre é fácil inserir a criança num grupo frequente e promover amizade, companheirismo, respeito pelo outro… e isso tudo também é muito importante. Por isso, considero a escola importante a todas as crianças, mesmo àquelas que têm mães em tempo integral – apenas, essas podem ir pra escola em idade um pouco mais avançada, mas os bebês também tiram proveito disso.
        Mas é ilusão achar que a escola vai educar a criança.
        Eu chamo de “terceirizadores” aqueles pais que se afastam das responsabilidades com os filhos, delegando-as a outras pessoas (sejam os avós/parentes, a babá ou a escola).
        Todas essas pessoas fazem parte do processo de educar uma criança, mas os pais são sempre o principal referencial, e por isso é tão importante que eles abracem e assumam esse papel – mas não precisam estar com os filhos em tempo integral pra isso. Delegar TAREFAS é bem diferente de delegar RESPONSABILIDADES. 😉

  2. Ah, eu gostei muito do post e dos comentários. Também acho que essa mãe com a amiga pode estar aproveitando pra encontrar uma amiga, e levando o filho pra uma atividade que não a necessidade dela especificamente, já que imagino, os pais fiquem assistindo e cuidando da criança durante a atividade, e ainda aproveitar pra comprar uns presentinhos de fim de ano e conversar um pouco com uma amiga…enfim, temos de nos virar nos 30 né?! Também tenho muita pena das crianças que tem pais que não perceberam a importância de estarem com eles durante, principalemente, suas infâncias e que não tem ideia do quanto desejaram a presença do filhos daqui há alguns anos sem entender que não deram o exemplo. Tem gente que acha que é “perder” tempo brincar com os filhos, conversar, contar história, afinal não se tem resultado imediato, e não entendem o quanto perdem. Tenho dó das crianças porque são crianças e não tem opção, mas os pais, adultos, tem opção!
    Enfim, mas queria também registrar que talvez eu seja no futuro, se Deus quiser próximo, dos pais com babás junto, já que quero providenciar meu terceiro (a) herdeiro, e uma babá ajudaria muito, pelo menos pra dar a mão e nao perder a criança de vista…a conta ideal pra mim é: um adulto por criança, assim ninguém fica desamparado…rs

    Responder
  3. Não, não passo um tempo de qualidade com meu filho e isso da vontade de chorar!
    Sempre que posso dou colo, dou cheiro, beijo, abraço, amo amo.
    Mas a realidade é de que quando ele está em casa tenho zilhões de coisas pra fazer, comida, lavar roupa, arrumar a casa, a tarde ele vai pra escolinha, começou a duas semanas. Também não aguentaria ele amando uma babá, por isso optei pela escolinha, lá eles não tem toda a atenção de uma pessoa só, assim não pegam amor! hihihi que comentário besta né? mas é a realidade!
    bjo bjo

    Responder
    • Não achei seu comentário besta, Tamires. Muito pelo contrário, você está sendo verdadeira não só publicamente, mas consigo mesma. E isso é uma qualidade valiosa num ser humano.
      Ah, acompanhei seu diário dia desses.
      Super Beijo 🙂

      Responder

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