E assim nascem novas histórias, todos os dias

A vida está corrida. Eu sei que a de todo mundo está. Mas nos últimos dias não sei como consegui me envolver em tanta coisa, tanta atividade profissional e pessoal. Não sei como tenho conseguido estar em tantos lugares e com pessoas diferentes em tão pouco tempo….

No meio de tanto compromisso, correria e um pouco de stress, quinta-feira passada (30/11), presenciei um momento único na vida da minha amiga Mislene. O nascimento do seu segundo filho.

Eu já tinha tudo programado para essa data, mas o dia tinha sido pesado, cansativo, corrido ao extremo. Além do meu humor que não estava legal, eu estava vestida de preto (para alguns não tem nada a ver, mas eu não acho uma cor bacana para assistir uma vida chegando ao mundo) e não conseguiria ir pra casa tomar um banho, colocar uma roupa mais clara. Ao sair do trabalho, liguei para minha amiga Dani-mãe-já-de-dois e após desabafar toda minha tragédia grega do dia, ela me fez acreditar que ir assistir o parto da Mislene mudaria minha visão de mundo, principalmente a que estava naquele dia. Encorajada, lá fui eu. 

Enquanto eu esperava a hora do parto, uma onda de lembranças me invadiu sobre o dia em que meu Ben nasceu. Foi tudo muito de repente. Fui para o hospital Santa Joana fazer alguns exames e na sala de espera, fazia planos de sair de lá e ir direto numa padaria gostosa comer pão de queijo e sonho. Depois passaríamos no açougue. Mas do hospital Santa Joana tive que ser transferida para o Pró-Matre, onde Benjamin teria que nascer naquele dia.

Além do marido, minha mãe estava ao meu lado. E de lá mesmo liguei para Dani que passou minha gestação inteira falando: “Quando estourar a bolsa, eu quero ser avisada imediatamente, nem que seja de madrugada”. Esse era o meu sonho, sentir aquela água escorrendo e de preferência de madrugada – para dar mais emoção.

Já instalada no quarto da maternidade, esperava o médico quando chegou, para minha alegria, a Dani e minha irmã Luana. Ao lembrar disso agora, sinto invadir a emoção que senti ao vê-las. Benjamin chegaria ao mundo rodeado das pessoas que a mamãe tanto ama. E foi muito tranquilizador estar com essas pessoas ao meu lado. Dani e Luana chegaram tirando toda a tensão que eu sentia, conversando, trazendo presentes, tirando fotos e passando pelas últimas vezes a mão naquele barrigão. Depois chegou o Tio Mauro. Parecia uma festa. E era.

Eu sempre disse que fazia questão das visitas na maternidade. Benjamin nasceu na noite de uma quinta-feira. Permaneci internada por três dias e somente no horário da manhã da sexta o quarto ficou vazio. Todas as outras horas e dias, o quarto ficou cheio de gente. Entreva um grupo e saía outro. Transbordava de gente. A enfermeira entrava no quarto e falava “só vejo essa mãe em pé”. Eu deitava só para dormir. Queria ver e falar com todos os amigos. E claro, apresentar-lhes o pequeno Benjamin.

O nascimento do Benjamin, foi sem dúvida, o dia mais feliz da minha vida. E desde então só tenho dias felizes. Até os dias bravos como o da quinta-feira passada desanuvia quando Benzoca chega…Fomos os 3, eu Benjamin e marido assistir o Guilherme chegar ao mundo. Antes dele, presenciei a chegada de outro bebê, de alguém que eu não conhecia. Apenas uma pessoa assistia aquele momento e eu fui chegando de mansinho: “Posso ver?”. “Claro, pode!” A mãe (emocionada de um jeito que só as mulheres que acabaram de parir ficam) tinha apenas 19 anos. O pai estava todo bobo lá dentro da sala de parto. Quem assistia comigo era a prima. Por um momento fiquei pensando qual seria a história daquelas pessoas, como foi o encontro da mãe e do pai, onde estavam os outros familiares se não ali comemorando a chegada daquele ser pequeno e frágil – o novo membro da família. Senti uma lágrima escorrer em minha face. A partir daquele momento, a vida daquela menina mudaria para sempre…

Abre parênteses. Eu nunca quis fazer parto cesárea. Assistindo todo o processo, entre todos os sentimentos que percorreram meu corpo, um foi de tremor. O parto cesárea é muito mais agressivo do que se possa imaginar. Se eu tivesse assistido algum assim ao vivo, sério que eu teria feito Benjamin sair pela boca. Fecha parênteses.

Depois foi a vez de ver o Guilherme chegar. Mais emoção. É tão gostoso sentir aquele entusiasmo e alegria da família. A chegada de um bebê significa novos novos sonhos, renovação. Presenciar um milagre desses, realmente muda nossa visão de mundo, tudo que fazia sentido até aquele momento muda de lugar, passamos enxergar a vida de forma diferente. Filho é o início de todas as coisas, um monte de possibilidades…

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2 Comentários

  1. Adorei. Incrível que eu sempre quis muito ser mãe e todos me diziam que tudo iria mudar, e mesmo tendo consciência disso só depois que peguei o meu Joaquim nos braços é que entendi o significado de tudo o que me diziam e a cada relato de parto, a cada mulher grávida que vejo na rua eu sinto uma grande emoção! É impossível não se alegar com a chegada de uma criança!

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  2. Compactuo com tudo o que escreveu e que sente.
    O nascimento, aquele momento e os dias na maternidade, são inesquecíveis.
    Até hoje, no aniversário das minhas filhas, eu fico emotiva e passo o dia relembrando como foi o dia em que nasceram…

    Responder

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