As mudanças do maternal

Participamos da primeira reunião da escolinha do Ben. O motivo da reunião era a mudança do Benzoca de berçário para maternal – o que eles chamam lá de início a Educação Infantil. A reunião estava marcada para às 08:00 da manhã, de um sabadão. Passamos a semana passada inteira preocupados em não perder a hora. O recado que convocava para a reunião era claro: Por favor, não se atrase, a reunião começará no horário!

Aqui em casa sempre tentamos cumprir os horários de nossos compromissos e estamos com problemas sérios para acordar cedo. Pra variar, eu acordei atrasada. Levantei no pulo, tomei banho e acreditem: saí de casa com pente, creme, sapato e bolsa na mão. Terminei de me arrumar no carro, a caminho da escolinha. E chegamos a tempo. Mas como não era esperado, a reunião começou atrasada.

Apesar de ir munida de caderno, caneta e um questionário, pensei que falaria pouco. Como se isso fosse possível vindo de mim. Mas como o marido disse, pensamos que teria outra mãe que falaria mais que eu. Engano. Sem dúvida Acho que fui a que falou mais. Descobri que existem três tipos de mães: as chatas exigentes, as moderadas, as mudas.

As chatas exigentes – São as mães preocupadas, que leem, bem informadas mais criteriosas, que falam mais, questionam tudo, tem total interesse pelo assunto, participativas, acreditam ter bom senso. Chata aqui é diferente de “cri-cri” = pessoa que arruma encrenca, reclamona e que coloca defeito em tudo.

As moderadas – São as mães que até tem algo pra falar, mas sempre tentam intermediar e/ou esperam tocarem no determinado assunto para se manifestarem.

As mudas – São as mães que simplesmente não falam NADA e concordam com TUDO (sempre com a cabeça ou com uma monossílaba).

Naturalmente, todas as perguntas que levei anotadas foram respondidas conforme a reunião seguia, sem eu precisar perguntar. Toquei em três assuntos, que pra mim, eram importantes também: 1) o fato da escola não ter informado aos pais sobre a mudança de uma berçarista; 2)o bebê ser entregue aos pais por uma outra tia sem ser as berçaristas. Ao que me responderam que se a escola for dar todas informações de mudanças para os pais, não fariam mais nada além disso; e que o motivo de ser outra tia e não a berçarista entregar o bebê era para evitar que a mãe ficasse fazendo perguntas do dia inteiro da criança e não criar tumulto. Ok, entendo, mas não estava pedindo para me informarem TODAS as mudanças. Compreendo também que com reuniões periódicas fica mais fácil os pais se manterem informados. A segunda resposta é altamente compreensível, mas acho que a pessoa que entrega seu filho deve pelo menos ter um pouco mais de carisma, como diria uma prima minha, psicóloga.

O assunto 3) foi sobre o lanche. A partir de janeiro, os bebês terão que levar um lanche. Terá um cardápio de frutas sugeridos pela escolinha e os pais poderão enviar outras comidinhas além da fruta. Eis aí a minha maior preocupação. Benjamin não come doce, iogurte e afins, as guloseimas dele atualmente são resumidas em: biscoito maisena e polvilho. Se todos os outros bebês levarem essas coisas, obviamente Benjamin passará a comer disso tudo antes do que planejei.

Veja bem, sei que isso é inevitável, que um dia Benjamin vai comer essas guloseimas todas. Minha intenção não é proibir, muito menos não apresentar essas coisas pra ele, eu gostaria de evitar até os dois anos de idade pelo menos. Mas acho que será impossível (isso se ele já não comeu algum tipo de iogurte sem eu saber, tem essa também, né?!).  Quando esse assunto surgiu, senti um clima de “não é porque o seu não come, o meu não vai trazer”, senti que todos os bebês lá já comiam algum tipo de porcaria.

Eu fico louca da vida quando vejo alguém oferecer iogurte para um bebê. Suco de caixinha!!! (e não me venha com esse papo de que existe suco de caixinha indicado para bebês). Ok, sabemos que não mata. Mas não é a coisa mais apropriada a oferecer. Será que as pessoas não leem? Será que as pessoas não veem como tem aumentado os problemas de obesidade e diabete infantil?!

Irrita-me profundamente esse papo de que a criança vai ficar com vontade de comer. Fica-se com vontade quando conhece aquilo. E enquanto um adulto não apresentar à criança o chocolate, o refrigerante, o iogurte, a criança não sabe o que é, não sente falta. Aí eu fico impressionada com as mães que falam que o filho não come comida. Por que será, né?!

Fico até nervosa só de pensar nesse assunto. Na minha opinião, a escola devia ser mediadora nesse quesito também. Indicar um cardápio não só de frutas, mas um cardápio de lanche saudável para todos. E quando digo saudável, não estou falando de coisas extremamente naturais, mas que sejam restringidas as guloseimas. Essas deveriam ser deixadas pra cada criança comer em sua casa, sob os cuidados de seus pais.

Enfim, vou ter que saber lidar com a situação e admitir que meu filho vai comer essas porcarias antes do que eu esperava. Uma pena. Em casa e os lanches que enviarei, seguirão a minha lógica. E esse será um assunto que levarei para a pediatra na próxima consulta, em breve. Pior que já até sei qual será a opinião da nossa pediatra.

Ao final da reunião, uma das mães comentou que éramos poucas (ao todo 10 mães) e pediu bom senso, lembrando que se sabemos que tem criança que não come iogurte, podíamos evitar enviar para o lanche. Cheguei a me sentir acolhida e compreendida. Talvez meu filho não fosse o único que não come besteirol.

E foi aí que descobri, eu não sou o tipo de mãe “se o seu faz o problema é seu”. O problema é meu, é nosso, é de todo mundo. O meu filho vai conviver com o seu filho. Será que não é possível entrar em comum acordo?!

Tirando um desconforto ou outro, após três horas, a reunião terminou. A previsão é que próxima seja só em março. Amém!

É claro que, como em tudo na vida, sempre tem uma coisinha ou outra que não nos agrada. É impossível agradar todo mundo. Porém, uma coisa é indiscutivelmente, eu sempre gostei do berçário que meu Ben está. Já disse várias vezes que foi amor à primeira vista. Como o marido bem lembrou, uma das várias coisas que nos fez escolher o local, foi o fato da diretora ser chata – no sentido de ser exigente e estar presente com a mão na massa em tudo. Isso é visível e me passa segurança. Mas acho também que em determinados momentos a escola não precisa buscar justificativa pra tudo. Algumas críticas devem ser recebidas como construtivas.

As mudanças atendem tudo o que busco para uma boa educação. Benjamin terá atividades que eu esperava: canto, linguagem, matemática (envolve cores), sociedade, artes, higiene bucal, educação física, roda literária, cinema, coordenação motora e visio-motora, brinquedoteca, culinária, horticultura, natureza.  A partir de janeiro Benzoca vai usar mochila, lancheira e uniforme (que não é obrigatório usar com logo da escola, mas é necessário que seja da mesma cor: azul e branco. Embora, a escola venda o uniforme e com um preço razoável, a diretora até deu dicas de onde comprar. Achei isso muito bacana, pois sei que tem vários lugares que obrigam o uso e colocam um preço exorbitante).

Óóóóóóóbvio que meu presente de Natal pro Ben será a mochila! Eu não via a hora dele ter que usar. Imagina, uma mãe viciada em bolsa como a que ele tem…e vou aproveitar que ele ainda não liga pra essas coisas de personagens de desenho, pra comprar uma mochila bem bonita pra ele.

Ao contrário do que pensei, não estou nem um pouco sentida com essas transformações do desenvolvimento, nem sofrendo porque meu Ben está deixando de ser um bebezinho. Estou até ansiosa por essas mudanças e muito animada. Uma nova fase está aí. Sei que será um marco em nossas vidas. Que seja bem-vindo o ano que se aproxima.

Nota para finalizar: o marido me acompanhou na reunião e me senti muito orgulhosa. Embora, ele tenha aberto a boca uma única vez (e em boa hora), fico satisfeita por ele ser interessado em acompanhar a rotina do nosso filho. E tranquila, por ele ter me feito acreditar que não sou a mãe chata do tipo cri-cri, mas sim exigente, participativa e preocupada com a educação do nosso filho. Chata sim, cri-cri não!

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1 comentário

  1. Olá!

    Me vi no teu texto… nossa, como me enxerguei aqui….
    A Laura fará 2 anos mês que vem, então, acredite, passei pelas mesmas dores de cabeça há alguns meses, é um saco.

    O pior é que a escola da Laura nem sequer fez uma reunião para explicar as mudanças que viriam, apenas me falaram, em particular, que era para eu mandar lanche para manhã e para tarde e que deveria levar mochila, além do lençol e do travesseiro. Me pediram para enviar uma necessaire de escova de dente e ponto, beijo-me-liga, ou melhor, não me liga.

    Eu fiquei PUTA da minha vida qdo vi que tantas mudanças aconteceriam e nem uma reunião de classe eles fizeram, mas tudo bem…. engoli, pq gostava da escola dela. Passei a enviar dois a três tipos de frutas diariamente e comprei o suco natural da escola, por R$ 90,00/mês (entende pq mtas mães preferem dar o de caixinha? infinitamente mais barato… mas eu jamais faria essa economia). Ela teria, então, de manhã e de tarde o lanche com frutas e suco de fruta natural. Teria almoço e janta pela escola e não via a necessidade de mandar nada mais substancial (bolacha, pão, nada disso).

    Sempre questionei a escola sobre a liberação de doces e a regra era que sexta eles poderiam levar, pedi encarecidamente para não darem à Laura, nem se ela quisesse experimentar, pq eu não dou em casa e não queria que ela chegasse com esse paladar para os fins de semana. Acho que eles cumpriram.

    Laura teve que operar recentemente (tirar amígdalas, adenoide e raspar ouvidos por dentro), tive que enfiar sorvete goela abaixo na menininha, pq ela não está acostumada com isso, não queria sorvete, não gosta de gelatina, não quis nada de gostoso que todo mundo deu para ela. Por um lado (grande), fiquei muito feliz. Feliz, orgulhosa, com a sensação de que vale a pena cada esforço nosso. Fiquei só preocupada dela não comer nada (e no pós-operatório eu estava praticamente implorando para ela tomar iogurte, danoninho, gelatina, qlq coisa! ela passou quase 36h sem ingerir NADA).

    Quero dizer que concordo com tudo o que vc disse, tudo. Adorei o teu texto.

    beijos!

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