Inspiração de Natal

Luzes, enfeites, cheirinho do pinheiro, ceia, família reunida, música, correria, trânsito, lojas lotadas, consumo exagerado é Natal! Amo. Amo esse clima de Natal! Não curto a correria, o trânsito, nem o stress da geral – vamos combinar que o povo esquece de colocar em prática aquele sermão de “união, paz e amor no coração, é Natal”. Eu amo ver a cidade enfeitada. Chega essa época e fico ansiosa para ver a 23 de Maio (caminho que fazemos para ir à casa da minha mãe) iluminada.

Tudo tinha perdido um pouco o sentido. Acho que ficamos adultos e alguns detalhes passam despercebidos, algumas datas viram apenas datas comerciais. Mas com a chegada do meu Ben tudo voltou a ter o mesmo gostinho mágico da minha infância. Resgatei minha criança interna. E criança tem esse poder de atribuir magia a tudo.

Minha infância é repleta de lembranças doces dessa época de final de ano. Lembro-me que todo ano minha mãe montava árvore (natural) e enfeitava a casa toda. Já tivemos árvore com bolinhas coloridas, depois só vermelha (minha mãe conta que minha avó enfeitava sempre dessa cor) e depois amarela e vermelha. A véspera de Natal sempre era muito esperada por mim e pela minha irmã Luana. Sempre estávamos reunidas nessa data, exceto quando minha mãe trabalhava e aí tínhamos que ficar com meu pai.

Como nossos pais sempre foram separados, a logística era assim: Natal com nossa mãe e virada de ano com nosso pai. Eu não ficava muito satisfeita quando invertia. Sempre achei que Natal era data de ficar com a mãe. Eu sempre fui muito apegada com a minha e sofria quando nessa data não estava com ela. Não que eu não gostasse de ficar com meu pai. Gostava, mas queria minha mãe. E claro, tenho lembranças doces de Natal com meu pai, porém vejo agora que não aproveitei o momento como devia. Essa data era sempre comemorada na casa dos meus avós paternos, a família (grande) toda reunida, meu avô soltando fogos, árvore de Natal, presentes de um monte de tios, música, todo mundo rindo e falando alto, fogos…e eu sempre quietinha num canto, algumas vezes ia ao banheiro chorar. Não me sentia confortável. Definitivamente não soube aproveitar, não curtia como deveria…

Eu apreciava passar o Natal com a minha mãe. Como disse, a véspera de Natal era muito esperada por mim e pela minha irmã. Mal dormíamos de tanta ansiedade. Dias antes, por algumas noites, eu acordava de madrugada e podia ouvir o barulhinho dos papéis de presente. Na véspera de Natal éramos liberadas às 00:00 para começar a busca. Nunca vou esquecer que em um Natal eu não achava de jeito nenhum o meu presente, enquanto minha irmã já desfrutava o dela. Chorei tanto pensando que tinha me comportado mal e por isso tinha sido rejeitada esquecida. Minha mãe teve que revelar o esconderijo. Senti um alívio e uma alegria tão genuína. Foi quando confirmei minha suspeita de anos: era mesmo minha mãe que embrulhava os presentes de madrugada! Eles sempre estiveram no mesmo teto que eu. Ela era a responsável e não Papai Noel. Mesmo depois dessa descoberta continuei gostando de Natal.

Para as crianças, muitas vezes o que conta é o presente. Sabemos que essa data tem um significado (religioso) muito maior. Eu mesma conheço muito pouco e me peguei esses dias pesquisando o significado e a simbologia da data. Pesquisei porque me dei conta que sabia muito pouco sobre a data. Caso eu explique para o Benzoca (embora ele não entenda agora, vai chegar o dia que vai questionar), é preciso estar bem informada. Existem detalhes curiosos e bonitos. Acho válido ter conhecimento para poder repassar para nossos filhos. Como disse Natércia Tiba, em seu livro Mulher sem script, “cabe a nós, adultos, resgatarmos o significado de uma data que poderia ser um momento especial para as relações e para a sociedade”. Aliás, nesse livro, ela faz uma bela explicação sobre a data. A autora ainda diz: “O Natal é um dos momentos que nos convida a sermos crianças novamente. Ele resgata o olhar cheio de emoção, a importância de um desejo realizado (que não precisa ser um objeto, muito menos algo caro, mas algo significativo) e o prazer de estar perto de quem amamos.” Foi nessa leitura, por exemplo, que eu me dei conta que eu não sabia o motivo de “montarmos” um pinheiro.

Eu quero que meu filho tenha lembranças tão doces quanto as minhas. Tenho pensado muito nisso. Temos que proporcionar uma bela e gostosa infância aos nossos filhos, porque é ela que faz de nós seres humanos ímpares e felizes. É o lance que falo da memória afetiva, dos valores e  relações cultivadas. E criança precisa do lúdico, da fantasia, da magia, de encantamento. E foi nesse contexto todo que fui fisgada pela ansiedade e comecei antecipadamente (sempre começava no início de dezembro) preparar o clima de Natal aqui em casa.

Montamos juntos a árvore de Natal (não é natural, mas a partir do ano que vem será).

Coloquei guirlandas na entrada da casa.

Essa aqui da porta fui eu quem fiz.

Benjamin vibrou quando ascendemos o pisca-pisca da árvore. Ele curtiu as bolinhas, fica tirando da árvore para brincar. Não sei se dura até o Natal de fato. Mas gosto de ver ele fuçando ou admirando a árvore brilhar.

“Resgatar a criança é poder maravilhar-se com as luzes que piscam, encantar-se diante dos luares enfeitados por bolas, guirlandas, festões e se entregar à fantasia e á doçura do bom velhinho, o Papai Noel. O Natal é uma oportunidade para vibrar COMO  e COM as crianças”. (Natércia Tiba – Uma inspiração de Natal, do livro Mulher sem Script)

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1 comentário

  1. Gabi
    Tenho me identificado mto com seus posts, esse em especial!
    Tb tenho deliciosas e mágicas lembranças de meus Natais.
    Minha família é gde, mtos já se foram e esse ano, perdemos dois tios que faziam toda a diferença…
    Pensei que não conseguiríamos nos reunir por conta disso, mas percebi a importância que tem essa data pra minha filha mais velha. E lembrei do qto tive Natais especiais, de como quero que elas tenham tb, por isso, catamos os caquinhos e vamos comemorar juntos, apesar de tudo!
    Realmente, a nossa responsabilidade, em deixar boas recordações para nossos filhos, é mto grande!

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