Trabalho x maternidade

Dia desses participei do brunch da campanha “Culpa, Não!” Confesso: havia pego certa bronca da campanha porque encontrava só depoimento negativo, de mães com uma carga de culpa bem grande.

Mas aí fiquei sabendo que nesse mês o tema era trabalho x maternidade. Na mesma hora fui conferir e enviei meu depoimento, nesse caso, assim como nos últimos temas, faço parte do lado das mães sem culpa. E esse assunto me interessava bastante.

No evento pude conferir que tinha formado uma opinião errada sobre a campanha. Tem mãe culpada e mãe sem culpa – que é o meu caso. Não digo sem culpa nenhuma. Mas com relação ao tema do mês: trabalho x maternidade, minha culpa é zero. Obviamente, no fim da licença maternidade sofri, senti culpa, mas as coisas se encaixaram e se resolveram.

Eu me incomodo um pouco com tantos depoimentos negativos, isso em geral na blogosfera, e não só o que via na campanha: mãe que dá papinha e sente culpa, mas não muda; mãe que não conseguiu amamentar e também sente culpa, comparação entre mães; mãe que julga a outra que fez parto cesárea (ou o contrário), mãe que quer ser perfeita, mãe que se sente mais mãe, o meio, etc… Não serei hipócrita, acredito sim que existam mais ou menos mães e pais, mas porque desempenham seus papéis com irresponsabilidade, não se entregam totalmente ou porque simplesmente não assumem as responsabilidades que exige a maternidade/paternidade.

Como disse no bate papo do evento, eu não sinto culpa por várias coisas relacionadas à maternidade e não é isso que me faz uma mãe ruim. Muito pelo contrário, estar bem comigo mesma é o que me faz melhor para o Benjamin – que é hoje (e sempre será) a minha prioridade. Eu já disse isso e afirmei no evento, acredito que sente culpa quem acha que está fazendo algo errado, que não tem certo os motivos daquilo. Dois exemplos particulares:

1. eu não sinto culpa por trabalhar porque eu não me vejo sem trabalhar, cuidando só de filho e consequentemente da casa (ok, só do filho até me vejo, se tivesse opção de trabalhar meio período), também porque eu trabalho para uma condição de vida melhor não só para o meu filho, mas para a família toda. E isso está claro pra mim, esclarecido como 2+2 são 4. Meu depoimento enviado para a campanha está aqui.

2. Por outro lado, sinto culpa quando estou em casa fazendo scrapbook com meu Ben acordado. Pra mim eu devo aproveitar o tempo com ele e se estou fazendo outra coisa, inconscientemente estou fazendo algo errado, por isso eu sinto culpa. E é claro, tento evitar. Se eu já passo menos tempo que eu gostaria com ele, o tempo que temos juntos é precioso.

Penso que culpa é um sentimento negativo, assim como tanta comparação, tanta rivalidade entre mães. Ninguém é melhor que ninguém. A mãe que parou de trabalhar para ficar com seu filho não é melhor mãe que a que não parou. A outra que fez parto normal, não é melhor que a que fez cesárea. A mãe que amamentou, não é melhor que mãe que não conseguiu amamentar. Você é a melhor mãe que seu filho poderia ter, e ponto!

E são essas questões que cada uma deve ter esclarecidas dentro de si. O que uma mãe faz pode não ser o que julgamos politicamente correto, mas se ela está certa do que faz… não temos que temer nada, nem nos preocupar com o que o outro diz. O importante é sermos verdadeiras, não enganarmos a si próprias.

No evento, estavam presentes mulheres super-hiper-mega queridas, todas me pareciam familiares, com algo em comum… Todas eram mães! Com suas angústias, satisfações, alegrias, culpas (ou não), mas acima de tudo mães. Para minha surpresa (pois só soube a caminho de lá), o evento contou com a presença da pedagoga, psicóloga e escritora Elizabeth Monteiro, autora do livro A culpa é da mãe. (estou lendo e tive sorte de estar com meu exemplar na bolsa, ganhei um autógrafo lindo dela). Betty é uma querida. Mãe de 4 filhos. Pareceu-me uma mãe de muito bom senso – o que para ela é fundamental na maternidade.

No fim, o bate papo não rola todo em torno do tema em questão, mas de vários assuntos sobre maternidade. Conversamos sobre como lidar com a culpa, reações e comportamento dos filhos x reflexo dos pais, educação e mais um monte de coisas. O bate papo rola solto. Foi enriquecedor. Veja aqui o que rolou.

No evento, todas as mães presentes ganharam o livro A culpa é da mãe. Como eu já havia recebido da editora, o que ganhei (também autografado), em breve, será sorteado aqui para as leitoras.

Adorei participar do brunch. Cada dia mais tenho pensado em como é bom conhecer, transformar e mudar de opinião (porque não?!). Somos seres em constante evolução, além de construção – afinal é isso que buscamos fazer: transformar pessoinhas em grandes seres humanos.

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5 Comentários

  1. #Mamãe_do_Murilo

     /  14 de novembro de 2012

    Como a maternidade nos torna pessoas confusas não?!? Para minha felicidade, eu trabalho somente meio período, o que me deixa curtir meu fofuxo bastantão. Acho que por esse motivo nunca senti culpa em voltar trabalhar, mas sofri muito com o fim da licença. E nesses 10 meses como mãe a “culpa” tentou me derrubar várias vezes; Culpa por fazer ou não fazer algo, culpa por deixar ou não deixar fazer algo, culpa por ter parado de amamentar cedo, culpa por não conseguir tirar a mamada da madrugada, e por ai vai. Para ajudar meu pimpolho tem uma priminha que nasceu 15 dias depois dele, então as comparações são muitas (mas ela já tem dentinhos, ela já dorme a noite toda, ela ainda mama no peito, ela come de tudo, ela não estranha ninguém….noooossa ela é uma “Lady”, meu “Lord” ainda não descobriu que é um príncipe rsrsrs) e a “dona culpa” aparece novamente. Mas independente das culpas, dos medos, das dúvidas e as comparações eu faço minhas as palavras da Gabis “sou mãe em tempo integral” e amomuitotudoisso. Sou outra pessoa depois que meu filho nasceu, pq realmente quando nasce um filho nasce uma mãe e eu faço valer cada segundo da vida do Murilo. Não sei se o Murilo terá irmãos, por isso eu aproveito muito cada fase sem que a culpa se faça presente. Suuuuuuper beijo babado e banguela!!

    Responder
  2. Graziella Piccoli Stalivieri Branda

     /  14 de novembro de 2012

    Oi, querida Gabi!!! Como são sábias as tuas palavras!!! Eu, às vezes, me sinto culpada por não me sentir culpada com relação a várias coisas… Fiz cesárea, amamentei a Bia só 45 dias, voltei a trabalhar logo após a licença, enfim, acho que só um desses motivos já seria suficiente para matar uma mãe de culpa… Mas não foi o meu caso… Acreditei e acredito que o meu amor é muito mais forte do que qualquer culpa e tenho certeza que as decisões que a vida me fez tomar não prejudicaram nem um pouco o desenvolvimento da Bia!!!
    Adorei o teu comentário no brunch de que a culpa só se sente se estivermos fazendo algo errado e concordo plenamente!!! Até agora fiz o que achei certo (ou o que a natureza me fez seguir) e por isso não sinto a menor culpa!!! Tomara que siga assim!!!
    Beijos,
    Grazi

    Responder
  3. Gabi, tudo bem? Nem preciso falar que amei participar do encontro, né? É muito bom saber que não estamos sozinhas no barco… Conversar e debater com outras mães ajuda a acalmar o coração e ter a certeza de que estamos no caminho certo…precisamos ser felizes em primeiro lugar!!! Também vou falar sobre o encontro lá no blog…. depois passo o link do post para vc. bjs e adorei te conhecer!!!
    Camila Mamãe Viver Bem Bom
    http://viverbembom.com.br

    Responder
  1. Cheia de Bossa « bossamae
  2. Culpa materna, bom senso e coerência – Entrevista Elizabeth Monteiro | bossamae

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