A chupeta, o berçário, a mãe – senta que lá vem história

Há quase dois meses, iniciei o processo de tirar a chupeta do Benjamin. Eu sempre falei que meu filho jamais usaria chupeta (aquela velha história de quando não se é mãe “comigo vai ser diferente”. Conhece?) e na primeira oportunidade empurrei aquele trambolho boca a dentro.

Benjamin não pegava e eu insistia. Até hoje me pergunto por quê (?). Até que um dia ele pegou. Depois de um tempo comecei achar que ele estava usando demais aquilo e vi que era o sinal vermelho. Em casa já limitávamos o uso só para as sonecas e hora de dormir. Não tinha dúvidas com relação ao uso lá no berçário, pra mim era claro que ele ficava com ela o dia inteiro na boca. Dois sinais me fizeram ter essa conclusão: 1. nas fotos da festinha de seu aniversário no berçário, Benjamin aparece em todas as fotos com a chupeta na boca e apático (eu não reconheci meu filho). 2. Todo santo dia eu entregava ele sem chupeta e todo santo dia ele era devolvido com a chupeta na boca. Eu até falava como quem não quer nada “mas de chupeta, não é hora de dormir”, “ah, de chupeta não dá pro bebê sorrir”…

Conversei com a pediatra na última consulta e expliquei minha angústia. Ela disse que no berçário era óbvio que eles dariam, por motivo também óbvio: chupeta acalma e pra quê o trabalho de acalmar se é só dar a chupeta (?). Ela sugeriu que se eu estivesse segura, podia não enviar a chupeta para o berçário. Ahá! Até parece que eu conseguia sentir segurança. Imaginava o Benjamin a tarde toda chorando, estressado, sem conseguir dormir. Comentei com o marido e dois (ou três) dias depois ele confessa que não estava enviando a chupeta na bolsa. Tacada de ninja mestre! Eu não soube, logo trabalhei sossegada, não fiquei pensando, me martirizando, consequentemente Benjamin passou muito bem os dias (é aquela outra velha história: mãe bem = filho melhor ainda).

Comecei um processo de adaptação que seguiu esse roteiro:

1ª semana – sem chupeta durante o dia

2ª semana – sem chupeta durante o dia e no meio da noite (eu ia lá e tirava depois que ele dormia)

3ª semana – sem chupeta durante o dia e noite

4ª semana – viajamos e aí ele regrediu um pouco demos a chupeta durante a noite

5ª semana – sem chupeta durante o dia e a noite

6ª semana – sem chupeta durante o dia e a noite

7ª semana – opa! Alguma coisa errada. Prestes o meu desafio ser dado por encerrado, Benjamin começou a demonstrar comportamento estranho. Desconfiei que ele estava usando chupeta, não sei qual, mas estava. Até que dia desses fui buscá-lo no berçário e detectei marca de chupeta em sua boca. “Ah, isso é paranoia sua!”. Não é não, minhas caras. Quando a criança usa a chupeta por algum tempo, ela fica com uma marca de baba em volta da boca. Percebam. Na sexta-feira dessa mesma semana começou o meu martírio. Na hora de dormir, Benjamin chorou, sem interrupção, por uns 40 minutos intermináveis. Fiquei desesperada, sem saber o que fazer. Não era fome, não era fralda suja, não era dor, não era aparentemente, nada. Olhei pro marido e falei: é chupeta! Peguei uma que ainda guardávamos e no mesmo minuto que dei, Benjamin dormiu. Imediatamente.

Olha, vou confessar, percorreu uma raiva pelo meu corpo, um sentimento ruim mesmo. Fiquei colocando toda a culpa no berçário. Xinguei até os ancestrais de todas as “tias”. Foi incontrolável. Nosso final de semana inteiro foi horrível. Enquanto não dávamos a chupeta, Benjamin se descabelava no choro. Todo o trabalho de quase dois meses tinha ido pelo cano. Tinha dado tudo por perdido, afinal quanto maior, a criança aprende mais, entende mais das coisas. Ficaria difícil fazê-lo largar. E toda minha angústia do início – porque foi difícil decidir tirar a chupeta dele, foi sofrido pra mim porque eu não sabia se ele sentia falta, ele não me dava sinais, voltaria mais forte, afinal agora ele dava sinais claros do que queria. Olha, fiquei realmente sem chão, mesmo tendo sido alertada que essa regressão podia acontecer.

Quando dei início nessa “operação” recebi muito apoio, como também recebi muitas mensagens das pessoas me dizendo para desencanar, que Benjamin era um bebê ainda, pra deixá-lo usar a chupeta, etc. Eu gostava de receber os dois tipos de mensagens. Estranhamente, sentia-me acolhida. Era como se qualquer decisão que eu tomasse, eu estaria no caminho certo.

Mas eu quis iniciar esse processo o quanto antes. Primeiro porque eu tinha sinais de que Benjamin não se importava com aquele objeto, não era uma coisa que parecia lhe fazer falta, que seria tranquilo tirar agora. Segundo, o principal, porque eu tive problemas muito sérios com relação chupeta x dedo. E sinceramente, não queria ver meu filho sofrer por isso. Eu sei que é um sofrimento psicológico enorme e algumas vezes irreversível.

Bom, depois de um final de semana exaustivo, escrevi uma carta educada e de bom senso (acredito) para o berçário. Expliquei que Benjamin havia tido um comportamento estranho, que eu desconfiava que ele estava usando a chupeta no berçário, que isso poderia provavelmente acontecer, pois ele pode muito bem pegar de um coleguinha e que se isso acontecesse era para tirar dele, até porque não convém usar a chupeta alheia. Afirmei que gostaria de poder contar com a colaboração da instituição nesse processo que estava sendo fácil e que de repente regrediu. Finalizei dizendo: Benjamin pode chorar e espernear, mas não é para oferecer chupeta a ele. A carta foi um pouco maior que isso, mas a mensagem basicamente era essa, inclusive esse final. Mandei o recado na agenda e ao deixá-lo conversei com a berçarista.

Fiquei na expectativa, imaginei que viria uma resposta “brava” e até que não. Eles disseram que desconheciam esse comportamento do Benjamin, ele estava muito bem como sempre foi e que não davam chupeta alheia (assim mesmo grifada em destaque) e que o papel da escola era caminhar sim junto com os pais no desenvolvimento do bebê. Até que gostei do retorno. E gostei mais ainda de ter dado o recado, porque toda vez que não gostava de algo, me sentia melindrada por falar. E isso é errado. Nós pais temos o direito de falar sim se algo não nos agrada.

Nessa mesma semana dei um sumiço na chupeta lá em casa e Benjamin voltou com seu comportamento normal (deve ter levado uma bronca das “tias”, porque ele estava um amor de pessoinha). Na segunda-feira mesmo voltou a dormir sem a chupeta. Assim sem mais nem menos. E já faz mais de uma semana que ele não usa o trambolho.

Li algumas coisas a respeito, pedi conselho a psicólogas amigas, estou até com a indicação de um livro chamado “Ajude-me a crescer” (aliás, alguém aí já leu?). Agora é tentar seguir com o desafio que por enquanto está indo bem novamente. Eu não vejo a hora de completar um mês inteiro ou mais pra correr aqui e registrar: agora de fato, meu filho largou a chupeta!!!

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3 Comentários

  1. Que bom q as tias estão apoiando dessa vez!! O Ben começou a usar chupeta c quanto tempo??

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    • Com uns dois/três meses. Dei pq ele ficava muito com a mão na boca, fiquei com medo dele colocar o dedo. E a pediatra dizia que era mais fácil tirar a chupeta do que o dedo. Logo depois descobrimos que eram os dentes nascendo que o fazia levar a mão na boca toda hora.

      Responder
  2. Gabi, Ben está com quanto tempo? Que bom que está tudo indo bem e vou torcer para que vc faça um post confirmando isso!!! 🙂 Logo que Luquinha entrou na creche tb tive um probleminha com isso. Ele ainda é bem bebê, tem 10 meses, mas ainda assim, em casa ele só usava chupeta para dormir. De uma hora para outra passou a chorar quando via a chupeta, querendo usá-la. Conversei com as tias da creche. No dia seguinte, meu marido foi buscar. O comentário: ah, hoje ele chorou à beça, a mãe pediu para não dar a chupeta…. Que seja assim! Um dia ou dois foram o suficiente. Acostumou de novo – ou elas estão me enganando e dando a chupeta né rs
    Beijos para vcs!!!

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