Sentimentos partem do coração

Como em toda casa: eu carrego muita herança da formação da minha família; o marido carrega herança da formação da família dele; além dessa herança cada um tem a formação de valores que a vida apresentou; e aí ficamos os dois tentando passar os valores que acreditamos ser essenciais para o nosso filho.

Eu não concordo com alguns valores/comportamentos que percebo da família dele; assim como não concordo com alguns valores da minha família. Mas isso não quer dizer que não são válidos.

Lembro da minha mãe nos forçando dar beijo em quem chegasse e/ou fosse embora; a mim, ela obrigava sorrir (!); e também de incitar agradecer um presente. Ai como eu odiava isso (não o ato de agradecer, mas o de dar beijo forçada e, principalmente, o de sorrir. Até beliscões ela me dava alertando pelo canto da boca “SOR-RIA”! Fala aí mamis, não é verdade isso?!…)!!!

Reparo algo curioso na família do meu marido. Ele com seus 31 anos e suas primas (uma pré e outra adolescente), ainda são lembrados e induzidos a ligarem para as tias em datas comemorativas ou para agradecer um presente que elas deixaram na casa de suas respectivas mães. Ai deles se não ligam, uma das tias fica de bico por tempos.

Esse tipo de imposição me irrita profundamente (inclusive, a cara feia do “ofendido”). Vejo a família do meu marido cheia de cerimônia (como ele mesmo diz), mas sem reciprocidade nenhuma das coisas que eles cobram.

Visitas deles (isso inclui pais e tias) poucas recebemos (moramos a 5 minutos a pé da casa dos pais e de uma das tias), é preciso um atestado de solenidade, um convite formal, como se não fossemos família, pessoas íntimas (e nessa altura do campeonato acho que não somos mesmo).

A família dele não se mistura com a minha (e aí o marido tenta me convencer de que é algo cultural. Ok estou quase convencida. Cof cof). A ideia de demonstração de sentimentos deles é presentear. Eles presenteiam sem data, sem motivo (o motivo na verdade é o jeito que eles conhecem para manifestar seus sentimentos). Confesso: até isso me incomoda um pouco, pois os presentes são dados seguidos da frase “se não gostar, pode trocar”, sem exceção (nem se abriu o presente e lá vem a frase como que um cartão de felicitações). Isso me incomoda porque eu não gosto de dar presentes para serem trocados. É claro que podem ser trocados, mas gosto de acertar, de dar um presente que tenha a cara da pessoa.

Mas voltando…impor ligações, gestos e palavras gentis, não é o tipo de postura que faz parte do tipo de mãe que quero ser. Eu acho o seguinte: não temos que obrigar nossos filhos terem certos comportamentos e sentimentos. Nossa função é incentivar e demonstrar esses sentimentos para que sejam naturalmente desenvolvidos em nossos filhos. Assim como as palavras mágicas, sentimentos partem do coração. Não adianta impor algo que os próprios pais/família não colocam em prática.

Sou muito apegada à família e amigos. Cultivo-os. Acredito que pratico bem esses valores. Desejo sinceramente que Benjamin herde isso de mim. Vou tentar incentivá-lo com meus gestos de forma que ele tenha disposição para, mas não vou “forçá-lo” a “dar beijo”, “agradecer”, muito menos “ligar”. E não vou admitir que ninguém interfira, ninguém constrangendo meu filho com esse tipo de cobrança.

E podem me colocar na sala da justiça. Não vou ligar para as caras feias.

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1 comentário

  1. Tem uma coisa bem mais simples e importante para ensinar ao seu filho que talvez você não tenha percebido. Julgar e falar mal de qualquer pessoa é muito feio e respeitar as diferenças é essencial.

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