Porque toda mãe quer mudar o mundo / E toda mãe tem direito a informação (e apoio) de qualidade

E aí que me tornei mãe e de lá pra cá tenho pensado em mil e uma maneiras para formar um cidadão consciente, do bem, livre de preconceitos, de culpa e por que não livre de consumismo?! Tanto se fala sobre o assunto e eu não tinha opinião formada a respeito. Só “achismo” (ou talvez, pré-conceitos). Confesso: achava que era coisa de pais hipongas ou de grupos manifestantes que precisavam de uma causa. Achava que se eu fosse partidária da causa, não poderia comprar mais nada (praticamente uma ignorante no assunto). Mas depois de muita informação ali, outro monte de matéria lá, milhares de posts acolá, centenas de depoimentos e, um filho (!), minha opinião se formou diferente do meu “achismo”.

O assunto é sério. Precisamos dar fim à publicidade abusiva direcionada às crianças (nossa, me senti uma militante agora). É impressionante como as propagandas, principalmente, televisivas, tem poder sobre nossos filhos (as de revistas acho que o poder é sobre os pais). Meu Ben ainda é pequeno, ainda não fala, ainda não é influenciado pelo que vê na TV, mas basta ouvir um jingle de um comercial para demonstrar uma reação e aí, sinto o poder daquela comunicação.

Esse problema está no mercado, nas propagandas, nos canais infantis, no comunicador que abre espaço entre a novela, nos anunciantes, no fabricante que promete às nossas crianças sentimentos e/ou status que elas terão se consumir tal produto. A maioria delas são produtos que crianças nem devem ter acesso, como o caso do Pato Gel Adesivo.

Os anúncios saem da TV para as gôndolas dos supermercados, como foi o caso da tal bebida (não-alcoolica, mas…) Spunch, que traz nos rótulos personagens da Disney. Espalham-se em outdoors, internet, e na própria escola entre os coleguinhas. As crianças querem, de qualquer forma, uma coisa porque simplesmente todo mundo tem. O problema está também nas agências, obviamente, defendem as publicidades dirigidas ao público infantil. Veja nessa matéria da Folha de S. Paulo.

Muito antes de me posicionar com esse post, levei o assunto para ser discutido com o marido. Pode não parecer, mas ele participa efetivamente do Bossa Mãe, dá dicas, lê (quase) todos os posts antes de serem publicados, dá pitacos. Maaaassss, ele é??? Publicitário! Logo, não entramos em um acordo em comum. Fiquei com a minha opinião – formada por várias pesquisas e leituras que fiz. Ele entende a minha causa, mas defende sua classe. Bom, cada um com sua opinião. Esse aqui é um espaço democrático.

Refleti muito e concluí que essa causa vai muito além. É uma luta também pelo direito a informação certa, verdadeira, de qualidade. Tenho pensado e observado os meios de comunicação. É impressionante como esses transmitem informação “vendida”. Ao invés de alertarem, apresentar alternativas, eles apresentam opções que apóiam o contrário do que é politicamente correto. São papinhas industrializadas, fórmulas de leite, produtos de moda e acessórios com preços exorbitantes e desnecessários.

E aí tem mães/pais que se sentem ofendidos com as pessoas de opinião oposta à deles – os que defendem, por exemplo, o parto normal, a amamentação, etc. Vou dar um exemplo que é do que tenho acompanhado nos últimos dias: amamentação. Tenho percebido uma mensagem subliminar do tipo “não conseguiu amamentar, ok não tem problema, olha essa alternativa aqui”. E aí vem uma lavagem. Depoimentos de famosos que não amamentaram porque não quiseram, não se sentiam felizes… Enfim, tenho sentido falta de versões: do lado a mãe que não amamentou porque não quis; do outro as mães que amamentaram (apesar de todas as dificuldades), a importância, os benefícios, o apoio, o incentivo para amamentação.

Acho que só tem um lado, na minha opinião, para apaziguar o sentimento de culpa dos anônimos que fazem parte do grupo que não amamentaram, nem se esforçaram para tanto. Aliás, acho uma agressão a mulher ter leite e não amamentar. Sinto pena também, uma lástima, até porque muitas vezes, faltam a essa mulher informação e apoio. Mas voltando ao grupo dos ofendidos. Não deveriam se sentir assim. Se eles acham que estão corretos, ótimo. Que vivam em paz com sua consciência. Não deveriam sentir culpa. Sente culpa quem acredita fazer algo errado. E não é nos eximindo da culpa que melhoramos o mundo.

Pareço ter misturado os assuntos, mas penso que não. Está tudo junto e misturado.

“(…) A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. (…) A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma. (…) Eu sei que a gente se acostuma, mas não devia…(trecho do livro Eu sei, mas não devia – Mariana Colasanti, Editora Rocco)

Chega uma hora que a gente tem que tomar uma posição, escolher um lado. Sair do comodismo. Só quero registrar que o Bossa Mãe (euzinha) apóia essa idéia: infância livre de consumismo.

Conheça o Movimento Infância Livre de Consumismo.

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3 Comentários

  1. Mislene

     /  26 de setembro de 2012

    É isso mesmo Gabi, to contigo.

    Outro dia me deparei com o meu filho dizendo: “Mamãe, compra a sandália do Backyardigans” (o ponto de interrogação não esta faltando nesta frase pois ele não me pediu e sim exigiu)…Nada demais se ele não tivesse apenas dois anos e se esta palavra não fosse tão complexa para a sua idade. Na hora pensei: Nossa, como meu pequeno articula e pronuncia bem as palavras… que orgulho!!! Mas logo em seguida percebi o que estava ocorrendo. Meu filho estava apenas repetindo o que acabara de ouvir e ver. Sim, a TV havia sido a responsável pór tamanha façanha verbal. Meu filho estava se tornando um consumista precoce?

    É engraçado que antigamente o mercado não via valor econômico nas crianças. Suas propagandas eram direcionada para os adultos por entender que estes é que tinham o discernimento necessário pra entender o que estava sendo proposto. Mas hoje esta tudo mudado. Pra que discernimento se o intuito é persuadir? Discernimento e persuasão são um pouco antagônicos não?

    O que vemos é um mercado ambicioso que não mede esforços para vender seus produtos a quem ainda esta no inicio de seu formação intelectual, aliás, este é o fator que mais favorece e estimula este mercado: criar necessidades em quem ainda não as tem.
    Não sou contra as propagandas. Acho que elas são importantes para a sociedade pois movimentam a economia e nos permitem conhecer o novo e suas utilidades (partindo do ponto que tudo tem utilidade). O ponto nevrálgico da questão é forma de abordagem pra quem ainda não tem senso crítico e não sabe construir uma opiniao.. uma idéia…. A propaganda para a criança causa uma reação de fascinação no seu universo que já é onírico; a criança não sabe porque quer mas ela quer.

    Na minha opinião, a propaganda desenfreada desenvolve na criança valores distorcidos que podem impactar e muito nos critérios das escolhas futuras. O consumismo não precisa ser estimulado, ele já é uma caracteristica predominante na maioria das pessoas (muito predominante inclusive nesta que vos fala) . O que precisamos é ensinar como lidar com ele. Os órgãos reguladores precisam acompanhar e controlar a quantidade e a forma de abordagem da publicidade por esta ótica, principalmente quando a mira sao nossos pequenos que pouco sabem falar mas pronunciam com perfeição palavras como “Backyardigans” (eu mal sei escrever esta palavra que o diga pronunciá-la corretamente)…rs

    Responder
  2. Eu já tenho filhos grandes, 15 e 13 anos, mas adorei seu texto, o tema…infelizmente já passei da fase e caí na armadilha do consumismo algumas vezes, mas hoje percebo que foi menos do que eu imaginava e por consequência, meus adolescentes não são consumistas como a maioria dos colegas…aliás nada consumistas. Então acho que fiz um trabalho razoável. Que aliás, continua. Amamentei os dois até 9 meses e não me arrependo, apesar das feridas nos bicos dos seios, que racharam e doíam, por falta de informação…”Mas peito foi feito pra alimentar meus filhos” eu pensava…e sempre fui em frente. As lembranças são indescritíveis e apoio a amamentação incondicionalmente.
    Abraço e parabéns.

    Responder
  1. Retrospectiva 2012 Bossa Mãe « bossamae

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