15 meses e as (temidas) vacinas

Todo mundo me falava que seria dolorido levar meu Ben para tomar vacina. Eu já imaginava que seria, pela dificuldade que eu tenho com agulhas. Sabe aquele filme “Jogos Mortais”?! Acho que é no dois que tem um momento em que a menina se joga num buraco onde tem várias seringas com agulhas. Então, nunca mais assisti nenhum filme da série.

Eu tenho um pavor imensurável. Não sei de onde veio. Não desmaio, não faço escândalo, só suo bastante, de escorrer pelo braço e pernas, tenho caganeira que começa no dia anterior à agulhada (se estiver marcado) e termina após a dita cuja. (Ok, não me lembro mais de ter tido esses sintomas após o nascimento do meu Ben. E olha que dia desses fui fazer exame de sangue e sozinha!)

Todo mundo falava que na gestação eu tomaria muitas agulhadas. Eu me programei para engravidar do Benjamin. Os planos eram para 2011. Tomei último mês de pílula em julho/2010. Teria uns 6 meses para me preparar psicologicamente para as tais agulhadas, tempo que meu médico disse que levaria para engravidar – já que eu tomava remédio há anos.  Mas aí veio a primeira lição da vida materna: as coisas não são do jeito que a gente programa. Setembro de 2010 estávamos grávidos! Isso me assustou imensamente e fui parar na terapia. Precisava exorcizar meu pânico de agulhas.

Nunca quis que meu filho herdasse esse medo de mim. Mas como fazer para ele não sentir medo de injeção? Decidimos que o marido, que não tem medo, estaria sempre junto nesse momento. Só que ninguém me contou que todas as vezes que eu levasse Benjamin para tomar vacina, ele não tomaria uma, mas duas e às vezes até três agulhadas! Na primeira vez chorei de desespero: primeiro porque fui avisada só lá que aquele monte de vacinas não era tipo um combo: combinadas em uma só. Ele tomaria duas injeções! Segundo porque a enfermeira estava aprendendo (meu filho ia ser tipo cobaia). Terceiro porque NUNCA ninguém me avisou que as vacinas de picadas eram dadas no músculo da coxa – aquela perninha pequenininha e frágil. Foi um chororó só, do filho e da mãe.

A primeira vez é a mais difícil, principalmente quando você não está munida dessas informações. Todas as outras vezes são doloridas. Dói no coração da gente. Mas logo procurei fixar na cabeça a importância das vacinas em nossas vidas. É um mal, só que não. É para prevenimos um grande mal, é para o bem do meu pequeno. É pela vida.

Nessa semana levamos meu Ben para tomar outras doses importantes de vacina, marco de seu 1 ano e 3 meses: DPT/Pólio (gotinha)/Meningocócica C conjugada. Segundo o calendário de vacinas, ele precisaria tomar uma opção particular: DPaT + Hib + Pólio. Só que na rede pública sugeriram que eu pedisse orientação a pediatra, pois segundo a carteirinha de vacina dele, Benjamin já tomou uma dose e não precisaria desse reforço. Como a consulta dele na pediatra é só daqui a três meses, enviei um jurássico fax pedindo orientação e a pediatra confirmou ser desnecessário.

Embora eu acompanhe o calendário de vacinas (faço isso só quando está chegando perto das doses do Benjamin), confesso que não estou tão por dentro de todas as informações sobre elas. Por exemplo, a Pólio ele já tinha tomado na última campanha, então não precisou tomar agora. Essa previne a paralisia infantil, até a última campanha, em junho/2012 era de gotinhas, mas a partir de agora é injetável. Outra descoberta no posto de saúde foi essa, que não existem mais vacinas de gotinha. O diagnóstico foi confirmado pela enfermeira do posto: “o Zé Gotinha morreu”. Achei-a um pouco dura ao dar a notícia assim na lata. Afinal, eu sou da época do Zé Gotinha.

Sempre vacinei Benjamin em posto público. Exceto quando ele fez um ano, quando tomou as vacinas não disponíveis na rede pública: Hepatite A / Catapora ou Tetra viral (rubéola + sarampo + caxumba + catapora) / Meningocócica C. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, as vacinas da rede pública são tão seguras quanto. É só pensar: se o governo oferece é porque é sério, é porque precisa evitar uma epidemia, logo o negócio é seguro. Tem gente que não dá na rede pública porque diz que o filho tem reação. Benjamin até hoje não teve reação nenhuma: nada de febre, nada de vermelhidão no local (nem na primeira vez quando foi cobaia!), nada nem de manha, nem dessa última quando fomos alertados que dessa vez haveria sim febre, pois era uma dose mais forte. Esse negócio de reação vai de criança. Se tiver que ter, vai ter sendo vacina pública ou particular. Sem frescura vai, povo! (mas também não tenho nada a ver com o bolso de ninguém, cada um faz o que achar mais conveniente)

Apesar de sempre estar ao lado, nunca segurei Benjamin. Prefiro acalmá-lo após as injeções. Dessa última vez ajudei a segurá-lo. Fiquei com os braços. Meu sonho (e meu objetivo) é passar por cima dessa aflição que sinto e segurá-lo, mostrar que estarei sempre por perto. Fazer como minha mãe sempre fez comigo. Nessas horas (e em várias outras) ela sempre segurou minha mão. Sempre estive segura de uma coisa: aconteça o que acontecesse, ela sempre estaria ao meu lado, segurando minha mão. Quero muito que Benjamin tenha essa certeza também. Embora a mãe dele seja uma cagona de marca maior, ele pode contar com ela sempre. Afinal, ele é a coragem que preciso para encarar tudo nessa vida.

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1 comentário

  1. Mislene

     /  20 de setembro de 2012

    Querida Gabi, me vi em várias partes desta postagem; tenho horror a injeção e seja ela qual for e onde for. Tenho tanto medo de agulhas que até as de costura me assustam…
    E assim, a maternidade ainda não me fez perder este medo. Até hoje não consegui ser eu a pessoa que segura a mão do Miguel nestes momentos… “que vergonha”!!! Na maioria das vezes a minha mãe fez a minha vez e é por isso e outras coisas que preciso agradecê-la sempre . Mas lendo o seu texto, refleti o quanto isso me incomoda e preciso urgentemente resolver, então tá lançado o desafio: Esta segunda maternidade me fará diferente, serei a mão “mesmo tremula” que dará a força e apoio necessário para o Guilherme que chega e para a próximas que o Miguel ainda tenha pela frente.
    Não preciso dizer que este texto, assim como vários que escreve foi inspirador pra mim.

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