Reeducação da hora de dormir

Há quase duas semanas comecei mudanças de hábito na hora de dormir lá em casa. Desde que Benjamin caiu da cama, tomei uma posição de general e decidi: não faríamos mais ele dormir em nossa cama, seria direto no berço.

Faz parte da estratégia:

  1. Colocá-lo para dormir mais cedo, entre as 22:00, 22:30 (e não às 23:00 como vinha acontecendo).
  2.  Meu Ben toma leite toda noite antes de dormir. Passei a dar a mamadeira sentada na poltrona do quarto dele. Após a mamada… Berço!

Pois bem…

Primeira noite. Quarta-feira. Horário fora do objetivo. Benjamin parecia bêbado de sono. Deitei-o no berço e ele se aconchegou. Uhuuu, não pensei que seria tão fácil, festejou meu inconsciente de mãe. Saí aos passos leves. Dois minutos depois ouço o tagarelinha. Quem disse que seria fácil assim?! Só meu inconsciente mesmo… Deixei-o sozinho por um tempo. Vendo que ninguém aparecia no quarto, ele usou sua arma mais valiosa: o choro. Subi, distraí-o um pouco, expliquei (sem tirá-lo do berço) que ali era a cama dele. O menino despertou de tal forma, parecia uma máquina de lavar roupa (sabe quando ela entra em processo de centrífuga?!). Levantava, sacudia as grades do berço, jogava o travesseiro longe. Enfim, saí do quarto. Uns 5 minutos depois ele voltou a chorar. Deixei por uns 15 minutos de mãe (aquele que equivale a 3 ou 4 minutos reais). Subi, acalmei, o fiz deitar. Desci. E o choro começou tudo novamente. Nessa altura, o marido não estava acreditando no que via: eu que não gosto de ver Benjamin chorar, não permito que ninguém o faça, estava deixando e, aparentemente, aquele choro não estava me tocando. Ele queria intervir, mas não deixei. Subi novamente. Dessa vez peguei Benjamin no colo, ele estava aos prantos, disparando lágrimas, parecia super sentido. Acariciei suas costas (e nesse momento ele começou a passar as pontas de seus dedinhos no meu braço, como ele sempre fez na hora de dormir) e fui falando que era a hora de dormir, que a partir daquela noite ele dormiria direto no berço, que não haveria problema uma vez que ele já passava a noite inteira em sua caminha. Ainda acordado, coloquei-o no berço, dei beijinho de boa noite. Desci e incrivelmente ele dormiu.

Segunda noite. Quinta-feira. Passamos um pouco do horário. Dessa vez Benjamin não demonstrava tanto sono quanto na primeira noite. Coloquei-o no berço e desci. Ele começou a chorar. Subi, o coloquei deitado novamente e desci. Começou a chorar novamente. Dessa vez, ele chorou por uns 10 minutos de mãe (equivalente a 2 minutos) e de repente o silêncio reinou na casa. Esperei mais alguns minutos e quando fui vê-lo, Benjamin tirava o sono dos Deuses.

Terceira noite. Sexta-feira. Objetivo do horário alcançado. Seguimos com a rotina. Benjamin mamou, o coloquei no berço. Silêncio na casa. Ele dormiu. Sem choro, sem escândalo. Simplesmente dormiu.

E assim tem seguido todas as noites. Ele tem ido para o berço acordado, não tenho ficado do lado e ele tem dormido feito um anjinho. Porque não tenho ficado ao lado dele até que ele pegue no sono: percebi que enquanto eu ficava ali ele fazia graça, me seduzia para que eu o pegasse no colo. E quem não cai nessa armadilha de filho?!

Ok. Estou super “me sentindo”! Em tão pouco tempo consegui colocar ordem na hora do sono, reeducar meu filho fazendo-o dormir no berço. Consegui mostrar que quem dita as regras sou eu, que ele não pode fazer o que quer na hora que bem deseja. Pairou no ar certa sensação de que fiz algo certo…. Mas será? Tem certo ou errado quando se trata na educação do filho?

Acredito que existem várias verdades, várias maneiras de lidar com diversas situações. Em se tratar de filhos, não tem uma legitimidade universal. A verdade que é minha, pode não ser para o outro. A abordagem que se encaixa perfeitamente para a minha família, pode não se encaixar para a família do outro.

Vou jogar a real. O fato é que estou morrendo de saudades de deitar com meu filho na cama, de fazê-lo dormir juntinho, sentir o seu cheirinho (inclui o do seu hálito), sentir sua respiração. Sei lá, mas só penso que daqui a pouco ele vai crescer e não vai mais querer dormir com a mamãe e eu vou ter perdido essa fase gostosa dele pequeno (e de que ainda quer ficar comigo o tempo todo).

Valem à pena tantas regras? Tantos hábitos certinhos? Será que de vez em quando não vale nos permitir mimar nossos filhos e a nós mesmos?

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2 Comentários

  1. Sabe de uma coisa? até ler esse final eu já tava me imaginando “pregando” as mesmas regras. Aqui o Otávio só dorme se estamos na cama também (e sempre vamos dormir tarde), no caso ele dorme no meio, começamos de bobeira com cama compartilhada a poucos meses. Já esse final me quebrou né? Não tem nada melhor na vida do que o cheirinho (pescoço meu preferido disparado) e o bafinho. Acho que por aqui vai continuar tudo como está…. rs

    beijos

    Responder
  1. A rotina na hora de dormir « bossamae

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