Como lidar com a perda

Essa semana marido perdeu um amigo. Há semanas esse amigo teve um AVC o que deixou o marido bastante impressionado. Nunca vi o marido tão triste, tão abalado e comovido como ele ficou depois da visita que fez ao seu amigo no hospital. Na segunda-feira a noite chegou a notícia já esperada.

Qualquer notícia ruim na TV sempre me abalou. Fosse um incêndio, um acidente de carro, crianças assassinadas, doentes, abandonadas etc. Já chorei inúmeras vezes a dor dos outros. De forma indireta eu sentia a dor como minha também. Sempre me coloquei no lugar do outro, sempre achei que podia ser comigo, com a minha família. Acho que as mulheres de um modo geral, sentem mais essas questões que permeiam a existência humana. E depois da maternidade acredito que só acentua mais ainda.

E com os homens? Acredito que eles sintam, mas de forma mais contida. Eles não pegam pra si, não se envolvem e não verbalizam tanto quanto nós. Até que um dia se tornam pais e percebem que a vida é muito frágil e maior do que o seu próprio mundo. Na segunda e terça-feira o marido ficou triste, aluído… Em determinado momento desabafou “Pôxa, meu amigo, tão jovem. Estou pensando em sua filha, apenas 3 anos, não vai tê-lo por perto, não terá lembranças dele”.

Meu marido, pai do meu filho, sentiu a perda do amigo, mas também de um pai que deixou uma filha de 3 aninhos. Pela primeira vez ele sentiu a dor de não estar junto, de não ver crescer, não acompanhar, não acolher, sentiu a perda como pai. Fiquei também sem chão, sem saber como ajudá-lo. O que dizer nessas horas? Eu odeio ouvir aquela frase “Deus sabe o que faz”. Nessas horas o silêncio e um abraço são as melhores opções.

Fiquei refletindo sobre o ocorrido. (É claro que esse caso do amigo do meu marido, foi uma fatalidade). O que podemos fazer enquanto pais para os nossos filhos (?), acho que não devemos negligenciar a vida, ou seja, se cuidar fisicamente, emocionalmente, financeiramente (e quando digo isso é no sentido de deixar recursos para que o filho se vire até que ele se entenda por gente, como um seguro de vida, por exemplo). Nessas horas vale nos permitir sentir a dor, o sentimento de perda – que infelizmente faz parte da trajetória (se pararmos para analisar, estamos perdendo e ganhando a todo instante: espaço, pessoas, coisas, animais de estimação, etc). O essencial é como a gente vive e sente a vida.

Anúncios
Deixe um comentário

3 Comentários

  1. Menina, me identifiquei tanto com esse teu texto, a dor da perda é doída de mais, a pouco perdemos um amigo para o câncer e que deixou o filhinho de 4 anos, como explicar a morte pra uma criança? – se jogava encima do corpo do pai e pediam que o tirassem dali?
    =/
    sem explicação!

    Responder
    • Meu marido contou que a filha do amigo dele também estava no velório, porém não parecia entender muito o que estava acontecendo. Para as crianças deve ser pior ainda… Como explicar?!

      Responder
  2. é muito difícil mesmo! desculpe os erros de português no comentário anterior! beijos

    Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: