A arte de ser mãe

Essa noite levei o meu primeiro maior susto da vida materna. Como já disse aqui no blog, faço Benjamin dormir na minha cama e em seguida o coloco no berço. Noite passada eu peguei no sono junto com ele e às 2:00 da madrugada acordo com o pequeno aos prantos e no chão. Na verdade acordei quando ele já estava nos meus braços, pois antes disso apesar da lembrança de vê-lo no chão, não senti absolutamente nada. Foi como se meu coração tivesse parado. E parou. Por segundos. Eu me senti (e estou me sentindo hoje) uma péssima mãe. Nos olhos do meu pequeno percebi todo o susto e medo que sentiu. Queria dizer que eu estava lá. Mas o que isso adiantaria? Ele sabia que eu estava. E sabia também que eu tinha deixado aquilo acontecer. Só fiz prometer que aquilo não aconteceria mais.

Hoje pela manhã, sentimos Benjamin estranho e resolvemos não ficar na dúvida. Fomos ao proto-socorro. Quase chegando no hospital Sabará percebi que tinha esquecido a minha carteira – nela os meus documentos, os do Ben e as carteirinhas do convênio. Resumidamente: conseguimos passar. A médica – novíssima, como de costume agora nos hospitais -, me deu uma leve bronca com seu ar de superioridade medicinal: “agora já sabe mãe, não pode dormir com a criança na cama”. Pediu uma tomografia. Incrivelmente, Benjamin começou com suas traquinagens. Ele precisava dormir para realizar o exame ou tomaria anestesia.

Vimos que ele não dormiria. Fui conversar com a enfermeira que me alertou: “Realmente, mãe, se a Sra. achar que não há necessidade, não faça o exame, pois anestesiar um bebê nem sempre é bom. Converse com a médica e veja o que ela acha.” A médica falou que não daria alta, mas que seu eu quisesse podia ir embora mas do tipo “sua conta e risco”, sabe? Voltei e falei que ia embora. A Enfermeira chamou uma outra médica, mais velha, que veio examinou o Benjamin e pediu um Raio X. Depois de um tempo chegou o anestesista que depois do meu relato sobre o acontecido e de ver o Benjamin, afirmou que achava desnecessário fazer a tal da tomografia.

Sinceramente, eu não faria mesmo. Eu tinha levado um puta susto de madrugada, mas meu coração dizia que não precisava levar adiante a situação. Eu não deixaria ninguém sedar o Benjamin. Teriam que me sedar primeiro. Eu e o marido decidimos ir ao hospital porque achamos que o pequeno estava sonolento mais do que o costume e que pudesse estar com dor no corpo. E eu falei isso pra médica. Enfim, ela seguiu o procedimento que achava ser o correto. E eu estava seguindo o meu coração visto que Benjamin estava espoleta como sempre, ok manhoso como quase nunca, mas fazia as coreografias da Galinha Pintadinha (sim! ele faz algumas).

Alguém pode ler esse relato e pensar “quanta tempestade num copo d’água”. Mas ainda estou me sentindo péssima com o ocorrido. Estou triste mesmo. Como diz Natércia Tiba, em seu livro “Mulher sem script”, ser mãe é muito sofrido. Impressionante como dói. Ser mãe é ter sentimentos dúbios. Amamos e somos felizes intensamente ao mesmo tempo que vivemos preocupadas. E ser mãe de primeira viagem é como sentir as emoções em grau elevado. Isso porque muitas vezes não sabemos lidar com determinada situação. Acho que é por isso que dizem que somos mais “relaxadas” com o segundo filho. Na verdade não os submetemos às coisas desnecessárias. Arrisco-me dizer que eles são mais poupados.

Hoje aprendi mais algumas lições dessa aventura que é ser mãe e acho que tenho me fortalecido como tal. E concluí algo que sempre penso quando vou aos hospitais infantis…acho que falta para as pediatras jovens o exercício de serem mães. E não é uma queda que me torna uma péssima mãe.

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5 Comentários

  1. Fernanda Mendes Arantes

     /  21 de agosto de 2012

    Não se sinta mal, nós somos seres humanos e falhamos infelizmente. Sei como dói no peito…mas vai passar, acredite!O importante é você se perdoar.

    Responder
  2. Achei sua reação super normal e nada exagerada! Queda é algo muito sério e ainda bem que não foi grave. Como mães, às vezes não nos permitimos falhar, mas, antes de sermos mães, somos seres humanos, logo, falhos. Beijos!

    Responder
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