Livro: Soluções para disciplina sem choro

Uma das maiores vilãs de todos os pais é, sem dúvida, a birra. Eu morro de medo do Benjamin fazer escândalos públicos

(e até em casa mesmo). Imagino que deve ser difícil controlar essas situações. Dizem que não tem jeito, a danada da birra aparece até os dois anos de idade e, se não aparecer até lá, ela surge aos 4 anos da criança. O negócio é você compartilhar experiências, ler sobre o assunto, se preparar e se munir de estratégias contra a chata da birra.

O lançamento “Soluções para disciplina sem choro”, de Elizabeth Pantley, traz as ferramentas necessárias que os pais precisam para desenvolver e estabelecer habilidades agradáveis que contribuam para o bom comportamento dos filhos. O livro mostra através de exemplos e depoimentos, que podemos disciplinar sem perder a ternura, a amabilidade, sem ser duros. Como diz logo no primeiro capítulo, “disciplina não tem a ver com punição e não precisa ter lágrimas como resultado”.

Criar filhos é sinal de mudanças constantes. Vivemos em transformação e readaptação. Muitas coisas que falávamos que não faríamos antes de tê-los, cai por terra quando os temos. São os grandes mitos. O livro revela vários deles e nos prova que somos pais normais. E nos faz refletir sobre o nosso papel de pai e mãe, além de nos fazer entender os nossos filhos, seu desenvolvimento infantil e o mau comportamento deles. Ajuda-nos a identificar a causa das birras e compreender o comportamento que gerou isso – tanto nosso, quanto dos nossos filhos. É um livro bastante tranquilizador que define o verdadeiro significado das palavras: ensinar e orientar.

Em um dos capítulos, é abordada a questão da palavra “não”. A autora sugere usar menos as palavras negativas e tentar reformular as palavras para algo positivo. Eu sei que é difícil (assim como imagino o quão difícil deve ser não perder a paciência com as birras). Eu sou do grupo de mães que diziam “nunca vou dizer não”. Mas bastou meu Ben começar a engatinhar para eu perder a conta dos “nãos” proferidos. No livro tem vários exemplos de como trocar as palavras negativas para positivas.

Eu gostei muito do livro que me chamou atenção logo na dedicatória –  a autora faz às irmãs: “com recordações carinhosas do passado, e dos alegres momentos atuais, a uma vida inteira de amizade, a todos os dias em que conversamos, dividimos, nos abraçamos, e rimos, rimos o tempo inteiro. vejo minhas irmãs como mulheres fortes e capazes e como mães tão carinhosas, ternas e protetoras, com o conforto de saber que haja o que houver seremos sempre as melhores amigas”. Nada convencional, geralmente as dedicatórias são para o marido, filhos, pais. Achei linda a declaração de carinho e amor pelas irmãs, uma verdadeira demonstração da importância do convívio e afeto familiar.

O livro é bem prático, com várias sugestões válidas. Mas como é destacado várias vezes no próprio, cuidar dos filhos é um trabalho difícil e complexo. Filho não vem com manual de instrução. Podemos conversar com outros pais, ler todos os livros sobre maternidade, mas é importante salientar que cada criança responde de maneiras diferentes, cada família deve inserir os métodos que se encaixam melhor em sua casa. Existem várias técnicas para diversas situações e se uma não funcionar com você, basta escolher outra e continuar tentando até encontrar a abordagem que trará os resultados desejados.

Para refletir, aí vão alguns trechos do livro:

“Seu objetivo mais importante como painão é fazer seu filho feliz a cada minuto do dia – isso seria fácil, já que bastaria oferecer um suprimento interminável de doces e sorvete e dizer sim a cada pedido; seu objetivo, de fato, é muito mais difícil: criar um ser humano dos melhores”.

“A experiência humana envolve a confrontação com numerosos desafios, mas nem sempre temos paciência, compreensão ou contenção para responder da melhor maneira possível. Portanto, aqui está a pergunta mais importante: se nós, adultos capazes e maduros, não conseguimos controlar totalmente as nossas emoções, será que é remotamente possível que nossos filhos sejam capazes de tal façanha?”

“Disciplinar significa ensinar”.

“E quem teria pensado que criar um pequeno ser humano poderia trazer tantos desafios e frustrações todos os dias?”

“Escolhas suas batalhas. Nem todo problema precisa ser abordado e corrigido. Pequenas coisas às vezes podem escapar pela linha de fundo, sem impacto sobre qualquer coisa que tenha importância.”

“Usar a lógica com uma criança de dois anos é quase tão produtivo quanto trocar de assento com alguém no Titanic.”

Sobre a autora
Elizabeth Pantleyé mãe de quatro filhos e autora de Soluções para Noites Sem Choro – para crianças de 0 a 1 ano e Soluções para Noites Sem Choros – para crianças de 1 a 6 anos. Ela preside a Better Beginnings, uma empresa de educação para famílias, e seu boletim Parent Tips é distribuído em escolas de todos os estados norte-americanos.

Título: Soluções para disciplina sem choro
ISBN: 978-85-7680-182-5
Autora: Elizabeth Pantley
Editora: M.Books
Tamanho: 198 páginas

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5 Comentários

  1. “Criar filhos é sinal de mudanças constantes. Vivemos em transformação e readaptação.” Quero ler, aliás, acho que deveriam existir leituras obrigatórias para os pais, ou cursos para antes de pensar em ser pai ou mãe ou mesmo família, e pelo jeito esse é um livro faz parte da lista dos obrigatórios. Fico de cara com pessoas que se contentam em criar os próprios filhos no século XXI, com ensinamentos ou formatos de 1900 e guaraná com rolha. Gente, antes não existia tanta facilidade de acesso à informação, por isso muita coisa fora dos trilhos foi tolerada, querer criar filhos hoje sem estudar um pouco de como entender as fases das crianças, quais manifestações são comuns, como acontece o aprendizado, é o mesmo pra mim que querer se tratar de uma doença com a ciência do século passado. Temos escolha, e podemos ser melhores do que foram muitos pais de antigamente. Eu tenho de exemplo meus pais, são pessoas maravilhosas, fizeram o que entendiam por certo na minha educação, e tive sorte de serem pessoas equilibradas. Contudo, não vejo como certo assumir atitudes que eles tiveram comigo quando criança, sem saberem como funcionava o desenvolvimento do humano. Não quero que meus filhos tenham sorte, quero contribuir para criar “seres humanos dos melhores”!

    Responder
  2. Mislene

     /  10 de agosto de 2012

    Decifrar o comportamento dos filhos não é tarefa fácil para nós pais.
    Tenho um filho de 2 anos e 3 meses e percebo que as birras e o choros habituais são muito mais bem elaborados que os de antigamente, chego a dizer que ensaiados para nos manipular e conseguir o que deseja. Antigamente ele chorava e parecia se por instinto, por desconhecer outra forma de se impor. Hoje não, tenho a impressão, aliás, certeza na verdade que tudo tem um objetivo claro e direto…rs
    Muitas vezes fico sem chão, sem saber como agir. Instintivamente eu ignoro como uma forma de auto afirmação “eu estou no controle, paciência que vai passar”… mas as vezes não consigo. Ai me irrito, dou uns berrinhos (sinto vergonha por isso) e perco a paciência. Depois me arrependo, me sinto culpada e acabo com meu dia; isso quando ocorre de manhã pois quando a birra é noturna, lá se vai minha noite tranqüila de sono…
    Adorei o seu post e to louca pra começar a ler o livro. Além de parecer prático, aborda exatamente os pontos que tenho maior dificuldade como trabalhar melhor com os “nãos”. Também me identifiquei muito com a dedicatória para as irmãs, o que realmente é bastante incomum em livros. Sou apaixonada pelas minhas irmãs e vejo nelas grandes exemplos de mães, além de grandes amigas.
    Enfim… este livro tem tudo a ver comigo e já esta na minha listinha de compras.
    Beijos
    Mislene

    Responder
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