Carreira x maternidade

Muita gente acha que sou a mãe mais coruja do mundo. Eu também acho. Eu nunca pensei que fosse gostar tanto de ser mãe. Tive muito medo no começo, pois como todo território desconhecido não sabia se ia me dar bem.

Ainda prestes a sair de licença maternidade as pessoas me diziam “acho que você não volta a trabalhar”. Sei lá, acho que elas já enxergavam em mim o que eu não enxergava: a aptidão para vida adulta e maternal. Sinceramente, no quadro em que as coisas estavam no trabalho, não sentia a mínima vontade de retornar. Mas se em uma semana as coisas podem mudar, imagina em cinco meses.

As coisas mudaram por lá e nesse período eu descobri que não tinha muita aptidão para ficar em casa, para me dedicar apenas e exclusivamente às responsabilidades que acompanhavam a minha nova condição, a minha nova vida. Explico: amo ser mãe (principalmente, do Benjamin), amo meu menino, a maternidade despertou em mim um desejo absurdo de ser mãe em tempo integral, mas no sentido de trabalhar com algo relacionado a ela, ajudar outras mães, famílias, crianças, algo que me proporcione mais tempo também para passar com meu filho, horários flexíveis.

Mas depois da maternidade a vida transformou de tal maneira que senti vontade de ter o meu espaço como individuo pessoal, ser único, com vontades…a gente simplesmente meio que se perde quando o bebê nasce, nos esquecemos de nós. Então, em nenhum momento da minha licença maternidade pensei em não voltar ao trabalho. Muito pelo contrário, desejei isso. Queria fazer parte integrante de um grupo. Queria acordar, me arrumar, escolher a bolsa e sapato que usaria e sair para o trabalho.

Queria também um horário flexível. Não tenho ainda. Mas tenho a compreensão da empresa em que trabalho (e do chefe!), nos dias em que preciso sair correndo para buscar meu pequeno no berçário, dos dias que preciso chegar mais tarde para levá-lo ao pediatra. Além de tudo, não tenho nenhuma recriminação (digamos assim) por ser mãe, do tipo “a Gabi não pode ir porque é mãe”. Muito pelo contrário, ando tendo reconhecimento profissional. As coisas por lá mudaram bastante e sinto uma leveza inacreditável e a certeza de que escolhi o caminho certo.

Hoje vejo o quanto minha vida se transformou, o quanto eu cresci. Fico tentando me equilibrar e dividir as coisas. São inúmeras responsabilidades, funções, papéis: Benjamin, mãe, esposa, administração do lar, trabalho/profissional, amiga, filha, irmã….As horas e os dias parecem mais curtos, mas as coisas vão se encaixando, a gente descobre que não é porque nos tornamos mãe não podemos fazer certas coisas. E descobre também que é capaz de fazer muito mais coisas do que imaginávamos.

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1 comentário

  1. Ai, Gabi… Este assunto VIVE na minha cabeça! Há pouco mais de um mês eu voltei a trabalhar – e eu adoro!! É uma coisa meio inexplicável! Quanto mais trabalho, mais eu gosto. Eu sou assessora de imprensa – você é jornalista, não é? Então deve entender o que eu falo quando digo que trabalho com amor 😉 – e tem sido muito cansativo conciliar trabalho e família! Mas, ainda assim, eu não tenho dúvida que é melhor desse jeito! Não conseguiria ficar em casa, por mais prazeroso que seja cuidar do Luquinha! Tenho andada sumida dos comentários, mas nunca deixo de ler o blog! Só queria te dizer isso. 😉 Um beijo, Julia.

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