Entre, sente-se, pode ajudar sem pedir licença

Eu tenho dificuldades em pedir ajuda. Orgulho? Pode ser. Mas penso o seguinte: quem quer ajudar vai lá e faz, não fica só oferecendo ajuda. Por exemplo: se eu não quero lavar a louça na casa de alguém, não pergunto “quer que eu lave?”, nem me manifesto. Agora se eu quero lavar, levanto a bunda da cadeira e começo. Dá pra entender a diferença?!

(vale esclarecer que estou falando de pessoas íntimas, às quais EU acho que não precisaria ter que pedir certas ajudas e sim poder contar com elas espontaneamente)

Quando o filho está pra nascer todo mundo fala que vai ajudar, que se precisar fica com ele enquanto você trabalha, que tudo o que precisar é só falar, blá, blá, blá…quer dizer, você e todo mundo ao redor sabe que vai precisar de ajuda e mesmo assim você precisa falar?! Aí ao menor desentendimento, se prepare… É tipo a lei do retorno.

Por isso, na minha opinião, volto a dizer: quem está disposto a ajudar vai e faz. E não fica esperando nada em troca. Aliás, eu odeio a sensação de estar em dívida com alguém. Odeio ter que fazer algo pra alguém porque “fizeram por mim”. Sério, gente, eu sou assim. Alguém aí espantado? Calma, também não sou nenhuma mal agradecida, sei reconhecer e principalmente retribuir – mas sem que isso seja uma obrigação.

Na época em que Benjamin nasceu recebi a ajuda efetiva da minha mãe. Respirava e lá estava ela. E sou eternamente agradecida por todos os dias (literalmente) da minha licença em que minha mãe atravessou a cidade (de ônibus e metrô) para cuidar de nós (sim, ela cuidou de mim e do neto). Até tinha um projeto dela ficar com o Ben quando eu voltasse da licença maternidade, mas mudamos tudo no decorrer da licença. Por mais que a mãe da mãe tenha boa vontade, uma hora vem o retorno do esforço, o que é absolutamente normal, afinal, é muito cansativo cuidar de um bebê diariamente, principalmente tendo que atravessar a cidade duas vezes por dia.

Eu e o marido, após muito sofrimento (e terapia) da minha parte e muitas conversas com outras mães, decidimos colocar o Ben no berçário quando eu voltasse a trabalhar. Alguns podem me julgar, mas essa foi a decisão mais certa que tomei até agora com relação aos cuidados do meu filho. Benjamin foi para o berçário aos 5 meses. Não tenho culpa nenhuma com relação a isso, muito pelo contrário, até me orgulho. Sério. Sinto orgulho ao preparar sua bolsa, escrever na agenda, ao levá-lo todos os dias, ao chegar para buscá-lo e ouvir o segurança avisando pelo rádio “mãe do Benjamin”, orgulho em poder pagar um bom berçário para o meu filho, orgulho da sensação de “posso dar conta”. Vale ressaltar que não é um orgulho presunçoso de me achar melhor que outras mães. Ok?! Mas orgulho por ter superado os meus limites, por ter amadurecido.

(Como não quero participar de mais nenhuma polêmica essa semana, quero deixar claro que não julgo ninguém que precisa da ajuda, principalmente das avós – que é inclusive a melhor ajuda que nós mães poderíamos receber. Esse é só o meu relato).

Eu e o marido contamos com a ajuda um do outro. Temos todo o mérito sobre a rotina da nossa nova vida – materna e inclusive doméstica. Aliás, devo levantar as mãos para o céu e agradecer, pois meu marido faz a parte dele (e não apenas contribui). E é claro, eventualmente contamos com a colaboração das sogras. Mas tudo está em seu devido lugar. Elas desempenham seu papel de avós e nós os de pais.

Ps (mas também vou adorar se uma delas aparecer lá em casa pra dar uma organizada de surpresa – leia-se: sem eu ter que pedir)

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2 Comentários

  1. Suelen Cavalcante

     /  23 de maio de 2012

    Você é minha irmã gemea?! AHAHAHAHAHAHAHA
    brincadeiras a parte, concordo com tudo que vc falou, temos os mesmos defeitos. Odeio pedir ajuda, odeio ter que ficar “devendo” algo pra alguem. E outra, também pus meus filhos no berçario muito cedo! O Théo começou com 1a6m. Já a Sofia, aos 4 meses já estava ficando na escolinha! Não me arrependo. Eles adoram! A Sofia é o xodó das professoras e o Théo tem se mostrado super culto. Adora livros. Quanto as avós, acho que devem se dignar a cumprir o papel delas, mesmo porque muita liberdade gera intromissão nas nossas vidas e isso, aqui em casa, não tem vez! Enfim, acho que ser mãe é assumir a responsabilidade de lidar com as surpresas da vida, mesmo as cotidianas!

    Responder
  2. Eu adorei o assunto! Neste primeiro mês em casa pude sentir falta de todas aquelas promessas de ajuda “quando precisar” e etc… Realmente não houve um dia ainda em que não precisei de uma ajudinha, seja para finalizar uma refeição ou tomar um banhozinho de 5 minutos, rs… e é a minha mãe que está aqui conosco sempre que precisamos! Me pergunto onde foram parar aquela boa vontade e disponibilidade de muitos… rs!!
    Também estou aflita quanto a questão de colocar ou não em um berçário, o Miguel tmb terá de ir para um com 5 meses mas aqui perto de casa não encontrei nenhum que pareça adequado ainda; baba é uma opção, mas só se for de confiança (dificil achar) e infelizmente as avós não estão disponíveis já que tmb trabalham… Durante a gestação sempre afirmei que o Miguel iria para o berçário aos 5 meses sem problemas, mas depois que ele nasceu começou a dar um aperto no coração pq passa muitas coisas ruins em minha cabeça, mesmo que eu não queira, passa.. mas não desisti da idéia e lendo os relatos positivos, ainda mais de mães mais próximas assim como vc, fico um pouco mais tranquila! Tenho esperança de encontrar um bom berçário, e rápido, pq quando estamos em casa o tempo voa!
    Bjs

    Responder

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