Livro: eu era uma ótima mãe até ter filhos (conclusão final)

Outro dia pensando nesse negócio da culpa que quase toda mãe sente, cheguei no capítulo que aborda esse tema. Achei interessante o que as autoras colocam sobre os pais não sentirem culpa: “a pouca culpa que os homens sentem tende a se concentrar em circunstâncias e atos específicos, e não numa vaga ideia de ser um mau pai”. Simples assim. No que as mães deviam se concentrar também.

E uma frase definiu exatamente de onde vêm minhas culpas: “costumamos nos sentir culpadas por fatores que não podemos controlar o tempo todo” e “também quando outra criança trata nosso filho mal”. Eu tive uma minúscula experiência disso, uma criança (de dois anos) maior que o Ben não deixando ele pegar nenhum brinquedo numa festa. Tive um sentimento desagradável e sei que vou sofrer com isso, pois desde sempre eu sou muito defensora, não gosto que ninguém faça mal aos meus. Então, eu tenho culpa por circunstâncias que não consigo dominar.

Tem um capítulo dedicado aos maridos. Mais relacionado à paternidade. E eu gostei muito porque o homem, ao se tornar pai também sente medo, carrega suas angústias, dúvidas e tende a ser esquecido. Ele acaba também sem compreender o estado da mulher, que se torna mais agressiva, aparentemente menos impaciente com ele. O livro faz uma sugestão que achei pertinente. Todos nós criamos expectativas sobre tudo e com a maternidade / paternidade não é diferente. Como bem mencionado no livro, criamos uma expectativa natural com relação à atuação dos maridos como pais e eles também com relação a nós. Então conversar é a melhor saída, abrir o coração, ser sincero um com o outro, falar sobre nosso desempenho, revelar nossas expectativas, estabelecer regras se for o caso. Às vezes estamos irritadas e eles nem sonham o motivo, não sabem que foi porque não fizeram algo que gostaríamos (mas também não falamos).

Gostei particularmente desse capítulo direcionado aos pais, mas que também serve para as mães entenderem um pouco sobre eles. Traz também alguns depoimentos deles e um me chamou muito a atenção, me fez olhar para dentro, refletir:

Chego em casa e parece que estou em outro emprego onde sou o estagiário em experiência, esperando ser contratado. Não me sinto valorizado. Tento ajudar, mas, se eu não fizer as coisas do jeito dela, é como se estivesse fazendo tudo errado.”

Trechos pertinentes de depoimentos de mães:

“Não quero que ele pense que merece um crédito extra. Espero que sinta que isso é parte do seu trabalho.”

“Os homens não querem ficar recebendo ordens, mas desejam saber o que as mulheres esperam deles”.

E um pai ainda diz: “o mais difícil pra mim é que, na maior parte do tempo, não tenho a menor ideia do que deveria estar fazendo.”

Quer dizer, precisamos conversar mais sobre nossas expectativas. E nós, esposas e mães, precisamos deixar que o marido faça as coisas do jeito dele. Afinal, cada um tem seu jeito para realizar as tarefas.

O outro capítulo que gostei foi sobre dizer “nãos”. Acho que não tenho problemas com isso. Vou até falar um caso. Outro dia num curso que precisa de senha para realizá-lo, presenciei um “barrado” de uma mãe cheia de si, achando um absurdo a filha dela não poder fazer o curso porque tinha acabado a senha, o discurso dela era basicamente que aquilo não podia acontecer, pois se tratava de criança (11 anos aproximadamente), como se fosse causar um trauma irreparável na filha dela. Eu fiquei meio pasma com aquela situação e na mesma hora pensei “espero lembrar sempre desse episódio para um dia não agir da mesma forma”. Na minha cabeça era tão simples dizer “não”, pegar a mão da filha e dizer “querida, hoje não podemos ficar para o curso, vamos levar um material e fazer algo de casa, usar nossa criatividade e na próxima semana mamãe te traz mais cedo”. Agora não, ela (a mãe) preferiu fazer um barraco pra conseguir o que queria (e conseguiu). Esse comportamento é o tipo de exemplo que o filho vai achar que pode tudo porque a mãe consegue, dá um jeito. Temos a tendência de criar pessoas mimadas, que não aceitam “nãos”, não saberão lidar com problemas, enfim…e a vida está aí para encararmos, além de aprender a vivê-la.

Como disse anteriormente, não me arrependi de continuar a leitura e acabei mudando a minha opinião a respeito do livro. Acho que é um livro que era para ser mais engraçado, do que assustador (como achei no início). E até tem uns depoimentos engraçadinhos, não posso negar. Mas acho que é um papo sério, de reflexão mesmo. Outro dia me perguntaram: “É seu primeiro filho? Ah, é por isso que você gosta tanto da maternidade”. Respondi: “Ah, mas eu sempre quis dois, só que outro dia, no meu aniversário, acordei decidida: quero ter três!”. Meu marido, ao lado, espantado disse: “Três??? Isso eu não estava sabendo.” Mantenho o mesmo desejo, quero ter três filhos!

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4 Comentários

  1. hahahahah, você era de dois e passou pra três, eu era de seis e passei pra três…acho que três é um número mágico, a história pra mim com relação aos filhos é: “um é pouco, dois é bom e três é o ideal”. Tá bom, voltou a vontade de ler o livro, lembra aí de me emprestar???!!! rs Aliás, queria ler aquele da Maternidade e o encontro com a própria sombra, procurei bastante na época que vc postou e em todo lugar tinha acabado, só por encomenda, que não fiz e acabei por deixar de lado.

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  2. Gabi, adoro seus comentários sobre as coisas que acontecem à sua volta! Acho que você tem um bom senso imprescindível para ser não só uma boa mãe, mas um ser humano bom! 😉 Sorte do Ben! Beijos!!

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  1. “felicidade de acha em horinhas de descuido” « bossamae
  2. A maternidade é um mito (mas a vida é melhor com filhos) | bossamae

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