O que se espera de um pai, afinal?

Acompanhei alguns noticiários sobre o acidente que envolve Thor, filho do homem mais rico do Brasil, Eike Batista. Fiquei pasma ao ler em uma das matérias, como se fosse o ato mais digno do mundo, que Thor não havia fugido do local do acidente, ficou para prestar socorro à vítima e esclarecimentos. Como?! Quem vê parece um grande gesto dele, mas o garoto não fez mais que sua obrigação. Era um dever dele naquele momento.

Ontem em sua coluna, a jornalista-escritora-talentosa-pra-caralho Eliane Brum, trouxe o assunto com olhos criteriosos, não só de mãe, mas de cidadã e principalmente de jornalista que tem o dever de informar – sempre com dados relevantes, importantes, de forma imparcial, o que todo jornalista deveria fazer independente se vai falar do Presidente da República ou do cara mais rico do Brasil. O texto inteiro é ótimo e vale muito a pena ler, mas aqui faço um ‘Ctrl C + Ctrl V’ de um trecho específico:

“Acho que é uma situação muito dura para qualquer pai – ou mãe. É duro dizer a um filho que ele errou. Em qualquer escala – e muito mais em uma escala dessa envergadura. É duríssimo. Mas é necessário. Não é fácil ser pai ou mãe exatamente porque a educação se dá nas escolhas difíceis. Educar é, em grande parte, ensinar aos filhos que eles são responsáveis pelos seus atos, dos mais simples aos mais complexos – e devem responder por eles. Mesmo que tudo o que gostaríamos, como pais amorosos, fosse voltar no tempo e apagar o passado”.

“Penso que um pai ou uma mãe deve se colocar ao lado do filho não para absolvê-lo, mas para apoiá-lo enquanto ele assume as consequências dos seus atos. Você errou, vai responder por seus erros, e eu vou estar ao seu lado. Ou: não sabemos se você errou, então vamos aguardar a apuração dos fatos. Se for concluído que você não errou, ótimo, mas mesmo assim uma pessoa morreu e é preciso lidar com essa tragédia. Ou: se for concluído que você errou, você vai responder pelos seus erros como a lei determina e um cidadão decente deve fazer, e eu vou ajudá-lo a seguir em frente apesar e a partir disso, aprendendo com a tragédia e não a esquecendo”.

A dimensão do nosso papel, como pais, na vida dos filhos, é enorme. Eu diria até que é imensurável. A educação não fica restrita apenas em ensinar boas maneiras. Com a educação devem estar acoplados nossos valores de vida, moral, ético.

Pouco se ensina sobre os erros. No mundo corporativo mesmo, vejo pessoas mais velhas, ocupando cargos que conquistou sem moral nenhuma. Profissionais que não se intimidam em colocar o erro no outro, mesmo sabendo que o erro é seu. Profissionais com filhos. Antes isso era algo que eu via e nem me preocupava, achava a pessoa sem ética e fazia o meu como acreditava ser certo. Mas agora que tenho um filho, já me peguei olhando para seres desse tipo e pensando: qual será a educação, os valores, que essa pessoa passa para seus filhos?! A educação do “se alguém errou, foi sempre o outro”?! Ou “a culpa é minha, coloco em quem eu quiser”?!

Ganhei essa semana do Marido o Livro do Eike Batista, O X da Questão. O prefácio é escrito pelo pai de Eike, logo no início diz assim “é por demais dificultoso para qualquer pai falar publicamente de um filho. É como se andássemos sobre um fio de cabelo esticado ao longo de um penhasco. De um lado, o risco da demasiada adulação; do outro, a ameaça de uma completa degeneração do senso crítico, ambos resultado da cegueira imposta pelo véu do afeto. Para os pais, o filho é a soma de todas as virtudes”.

Sim, nossos filhos são os mais lindos do mundo, os mais inteligentes, os mais virtuosos, os corretos, os mais honestos, os melhores em tudo, etc. Mas…. cada pai e mãe conhecem muito bem os filhos que tem. O ser humano não é perfeito. Mas nós, pais, devemos fazer o nosso papel. No início do seu texto, Eliane Brum faz a pergunta que leva título deste post: O que se espera de um pai hoje, afinal?

Essa é uma questão para refletirmos.

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