Parto – Pode sentir medo, mas sem deixar de viver o que tem que viver

Embora eu faça parte do grupo de pessoas mais medrosas do mundo, gostaria muito de ter um parto natural. Por vários motivos. Por ser medrosa demais, eu prefiro sentir dor a ser cortada de 10 a 15 centímetros sete camadas de tecido da minha barriga. E não me venha com o papo de que “hoje a cesárea é a melhor coisa do mundo, não sente dor nenhuma, após o parto é tudo tranquilo”, etc, etc, etc. Odeio quando alguém vem com esses papos pra cima de mim. Geralmente, são pessoas que fizeram cesáreas ou pessoas que não tem ideia nenhuma do que estão falando (essas me deixam mais puta da vida ainda).

Antes de continuar, vale fazer aqui uma ressalva: sou a favor da cesárea quando se é necessária.

Mas atualmente virou convencional. A gestante negocia com seu médico a data e hora do parto do seu filho. Os bebês nascem em horários comerciais. E a maioria das mulheres marca cesárea por comodidade e não necessidade. Elas não querem sentir dor nenhuma! O sexo denominado frágil, mas conhecido por aguentar mais que os homens simplesmente não quer sentir a dor do parto! Contraditório isso. Você carrega o bebê durante 40 semanas, passa por sensações maravilhosas, únicas e chega na hora “H” não quer sentir dor?!

Eu não sei se li demais ou se nunca havia pensando tanto sobre o assunto, mas estou tentando ver essa questão do parto por um lado, digamos, romântico da coisa. A dor do parto também é única e já ouvi dizer que é esquecida no mesmo momento em que colocam o bebê em seu colo. Você também estará sentindo dor por um bem maior, para trazer ao mundo o filho que gerou durante os 10 9 meses em seu ventre.

Sentimos um medo terrível, principalmente quando estamos próximas da 30ª semana de gestação. Aquele embrião que fecundou você há meses atrás hoje é um bebê e terá que sair de alguma forma. Dá um pânico imaginar que aquele negócio minúsculo que entrou de forma tão prazerosa e você nem sentiu terá que sair pelo mesmo lugar que entrou, porém com alguns centímetros a mais, beem a mais. Já entendi que é natural sentir medo, assim como é mais natural ainda passar pelo parto normal. Nossas bisavós, avós e até nossas mães passaram por isso. Fico pensando na minha avó que teve sete filhos e o mais curioso: o caçula, meu pai, nasceu em casa com parteira num tempo em que já havia acesso a hospitais. Meu pensamento voa mais alto: nessa mesma época as mulheres não tinham acesso ao bebê como temos hoje – através da ultrassom (e até exame de sangue) o sexo é descoberto no início da gestação, acompanhamos todo desenvolvimento do bebê, sabemos as possíveis doenças congênitas, enfim, estamos bem melhor estruturadas. Quer dizer, como disse Eliane Brum em uma de suas colunas, podemos sentir medo, mas sem deixar de viver o que tem que viver. Aproveito para copiar aqui um trecho desse texto que achei DIGNO:

Poucas crenças são mais perniciosas para as mulheres – e depois para os seus filhos – do que o mito da maternidade feliz. A escritora francesa Colette Audry disse uma frase genial sobre o que é um filho: “Uma nova pessoa que entrou na sua casa sem vir de fora”. Como não ter medo e sentimentos conflitantes a respeito de algo assim? Engravidar e parir dá medo mesmo. E uma mulher não vai amar menos aquele bebê por sentir pavor, raiva e sentimentos supostamente menos nobres – ou supostamente proibidos. Ao contrário. Ela pode ser uma pessoa pior e uma mãe pior se sufocar esses sentimentos em vez de aceitá-los e lidar com eles. O que também implica lidar com o medo da dor do parto e da responsabilidade de ajudar o filho a nascer. É claro que auxilia bastante encontrar um obstetra responsável que converse com ela sobre seus sentimentos – em vez de abrir a agenda para marcar a cesariana.

Além disso, várias pesquisas comprovam que o parto normal é bem melhor para o bebê. É o momento que ele quer sair. Enquanto a cesárea o arranca de dentro da barriga da mãe. Deve ser comparado a um choque. Acho que não devemos deixar o medo nos paralisar e nos fazer perder um dos momentos mais incríveis na vida de uma mulher.

*

Escrevi esse relato no meu outro blog, em 25/05/2011, grávida de 9 meses. Esse, embora sentisse medo, era de fato o meu desejo: ter meu Ben de parto normal. Mas durante a gestação fui aprendendo que não podia ter o controle de tudo e nem fazer sempre do jeito que eu queria. Foi na gravidez que comecei a ter noção de imprevistos, mudanças de planos, fortes emoções…

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